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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Apostas Criticofilia Oscar 2013



A premiação mais importante e mais famosa do cinema, se aproxima. No próximo dia 24 de fevereiro, domingo, os melhores do ano que se passou serão premiados na 85° edição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (no original: Academy of Motion Picture Arts and Sciences ou AMPAS), que este ano, resolveu adotar o nome popular de vez; apenas Oscar. A premiação acontecera em Los Angeles, nos Estados Unidos, e será comandada pelo diretor do polemico filme Ted, Seth MacFarlane com a ajuda de Salma Hayek, Melissa McCarthy, Liam Neeson e John Travolta. 

Este ano, além da premiação estar acirrada e já se iniciar de forma inesperada. O site oficial do evento resolveu dialogar ainda mais com seu publico e criou em seu site uma ferramenta que ajuda os internautas a fazerem suas apostas para a premiação.
Basicamente, basta acessar o site, fazer suas escolhas, um voto para cada categoria e depois decidir se quer entrar na brincadeira dos famosos "Bolões do Oscar" que ocorrem nas redes sociais, compartilhando- ou não - suas apostas com seus contatos. Ainda ha a opção de imprimir suas apostas com as respectivas categorias para facilitar na hora de marcar os acertos e erros enquanto assiste a premiação pela internet ou pela TV - no Brasil a transmissão sera feita pelo canal pago TNT e pela emissora de televisão publica Rede Globo -.
Nas categorias técnicas, como edição e mixagem de som, fotografia, e direção de arte por exemplo, há videos, ilustrações e tutoriais explicando o que são cada categoria e como se dá a avaliação das mesmas pela Academia.
Para ter acesso ao site clique >> Oscar.Go (o site é oficial e por isso todo em inglês, mas nada que o Google Tradutor não dê uma ajudinha)

Da mesma maneira o Criticofilia que nesta edição fez a cobertura quase que total, fornecendo criticas das principais categorias do Oscar 2013, compilou abaixo, nossas apostas a Premiação, justificando-as.


Apostas do Criticofilia: 


 Melhor Filme

Apesar dos ventos estarem soprando para o possível azarão “Argo”, vencer nessa categoria – já que durante a campanha para o Oscar, “Argo” despontou como favorito em todas as premiações que se antecederam, “Lincoln” ainda detém vantagem por tratar de um patriotismo muito mais latente e explicito do que “Argo”. “Lincoln” tem uma grandiosidade bem maior que a Academia costuma gostar, alem é claro, de ter o fator Diretor VS. Filme que sempre possuem um paralelo. Foram extremamente raros os filmes que conseguiram vencer nesta categoria sem que seu diretor não tenha sido ao menos indicado também.
Lincoln” é extremamente bem realizado, com planos fabulosos, um trabalho milimetricamente pensado. É inquestionável isso. Porem, se ele não possuísse o nome Spielberg nos créditos, ele nada mais seria do que um bom filme de moral extremamente duvidosa, uma vez que sua visão é deturpada e leviana, alem de carregar um tom que beira ao vicio fílmico que Spielberg parece ter caído nos últimos anos.
Argo” é inegavelmente um bom filme também, com uma visão que tenta- mesmo que não consiga- de tratar com imparcialidade um ato real do governo de seu país; com uma edição impecável e um roteiro sensacional.
Alias, esta categoria possui ótimos representantes, onde ambos de acordo com as características típicas da premiação, fazem jus a indicação.
Temos “Os Miseráveis” que tinha tudo para se tornar um filme épico, e só conseguiu ser grandioso em termos visuais e de elenco, prejudicado pela direção imprudente de Tom Hooper; mas que ao final das contas é um musical. O que lhe dá largo destaque aqui, uma vez que historicamente a Academia adora Musicais. Em “Indomável Sonhadora” vemos uma presença um tanto o quanto surpresa, mas não menos digna de estar aqui, num filme saboroso e reflexivo, que consegue mesclar a beleza da visão de uma garotinha num mundo bucólico. Porem o filme chama mesmo a atenção mais pela jovem protagonista do que realmente por suas outras qualidades.
Já “O Lado Bom da Vida” esta aqui por uma combinação incrível que se obtém quando em meio a sua produção existem nomes de peso na indústria, apesar de ser um bom filme.
As Aventuras de Pi que traz uma obra grandiosa e impressionante principalmente por seu visual marcante numa historia fantástica. Um filme fabuloso que merece a indicação que recebeu. O mesmo pode se dizer de Django Livre”, que apesar das ressalvas que possua sobre seu roteiro, direção e seu fatídico personagem central, é um grande filme, bem elaborado, com uma qualidade técnica invejável.
Então temos “Amorque de modo simplista se torna talvez o filme melhor executado dentre todos ao lado de “A Hora Mais Escura”. Um filme poético, cru, que consegue ir da mais tenra reflexão sobre a vida e a morte e este sentimento que o permeia, ate a uma alegoria de choque e arrebatamento ao demonstrar total segurança em abordar um tema que tinha todos os elementos para serem transformados em sensacionalismo ou indevidamente “abusados” nas mãos de um outro diretor. Um pequena obra prima. Porem, dentre os nove indicados, o merecedor seria “A Hora Mais Escura”, que supera todos os outros oito em diversos pontos. Uma vez que Amor” desponta como provável vencedor ao premio de “Melhor Filme Estrangeiro” ao qual também foi indicado. Assim, “A Hora Mais Escura que promove uma discussão e traz uma visão intensa e a flor da pele sobre as operações governamentais dos EUA na captura e execução de Osama Bin Laden, acaba sendo o mais  apto. O filme consegue ser impecável do ponto de vista técnico e de desenvolvimento de roteiro, alem de possuir uma reflexão pertinente e desafiadora- assim como 'Amor' também faz-.
Porem a disputa parece estar mesmo entre Lincoln” e “Argo”.

Merecedor Criticofilia: A Hora Mais Escura
Favorito ao premio: Argo
Provável vencedor: Lincoln


Melhor Ator

Esta categoria não resta nenhuma duvida. Esse prêmio nasceu com o "Lincoln" de Day Lewis. O ator faz por merecer seu favoritismo, tendo entregado um trabalho inventivo. Porem, esta categoria possui monstros em termos de atuação, deixando a desejar apenas pelo lado de Bradley Cooper. O ator em O Lado Bom Da Vida”, esta apenas correto. Ao contrario de Denzel Washington que entregou em seu “O Voo uma atuação visceral, de entrega. Ou mesmo Hugh Jackman que aparece sóbrio, numa atuação madura em “Os Miseráveis”.
Porem é inquestionável que a melhor atuação dentre os indicados esta com Joaquim Phoenix pelo o excelente “O Mestre”. O trabalho de atuação de Phoenix é algo assombroso, digno da sua indicação e real merecedor por competência ao premio. Porem, a melhor campanha foi de Lincoln, onde nem Mesmo O Mestre conseguiu competir entre as principais categorias alem de seus atores. Assim, o premio será de Day-Lewis, não injustamente, pois Lewis fez por merecer, mas...

Merecedor Criticofilia: Joaquim Phoenix
Favorito ao premio: Daniel Day-Lewis
Provável vencedor: Daniel Day-Lewis


Melhor Atriz



Outra categoria que assim como, a categoria de “Melhor Filme” esta extremamente imprevisível.
Isso porque todas as atuações assim, como as de “Melhor Ator”, merecem extremamente suas indicações. Todas as atuações marcantes ou surpreendentes. Mas aqui, a duvida é sobre qual vertente os votantes da Academia irão optar. De um lado temos Emmanuelle Riva que fez um trabalho intenso, de entrega e sensibilidade no ótimo “Amor”. Num papel difícil, que tem encantado e impressionado o mundo todo. E algo interessante permeia sua indicação e seu possível prêmio. Emmanuelle Riva completará no dia da premiação, 86 anos de idade, um digito a mais do que o numero de edições que no mesmo dia, a Academia comemorara de existência. E com isso, Emmanuelle ainda se torna a concorrente mais velha nessa categoria a ser indicada. Fatores como este podem lhe dar certa vantagem. Por outro lado temos a favorita ao premio Jeniffer Lawrence que com apenas 22 anos de idade, tem chamado a atenção de publico – que tem se formado uma legião de fãs fervorosos – e critica, com seu talento e versatilidade em compor variados personagens. Mas ao contrario do que ela fizera no excelente “Inverno da Alma”, aqui, JLaw, esta apenas correta, com uma ou duas cenas que se destacam durante a projeção de “OLado Bom Da Vida”. Seu favoritismo vem mais da sua popularidade atual, do que de seus méritos por esse papel. Mas dentre todas as indicadas, ela tem sido a mais dedicada em sua campanha rumo ao premio. Ainda temos Naomi Watts que sempre foi lembrada pela Academia por sua competência extrema e inquestionável durante anos no cinema. Sempre expressiva Naomi entregou em “O Impossível” uma atuação de total entrega a seu personagem. Em termos de atuação, não há nada demais, Naomi já teve melhores oportunidades de demonstrar sua competência. Mas aqui, a entrega total que deu a sua personagem é o que lhe rendeu essa indicação. E uma vez que durante anos, a Academia tem sido complacente com seu trabalho, apenas lhe dando indicações e nunca o premio, pode ser que isso pese dessa vez. Ao mesmo tempo, temos a excelente Jessica Chastain, que entregou uma performance ‘humana’ a sua personagem em “A Hora Mais Escura”. Seu papel chama a atenção, por conseguir conferir peso e exaustão e ao mesmo tempo garra, num personagem complexo.
Mas não podemos esquecer da jovem Quvenzhané Wallis, que com apenas 5 anos de idade à época de sua atuação em Indomável Sonhadora, conseguiu ser a mais jovem indicada a esta categoria em toda a historia da premiação. É Importante ressaltar, que Wallis que atualmente possui 9 anos de idade, além de ter impressionado num papel denso para sua idade, com expressões tão claras, teve em Indomável sonhadora seu primeiro papel no cinema. Ela não era atriz e nem fazia nenhum tipo de aulas de atuação. Wallis nem mesmo era totalmente alfabetizada na época de gravação do longa. Ela treinava e ensaiava suas falas com a ajuda de um treinador de atores. Tal detalhe conta bons pontos a seu favor. Mas a disputa esta acirrada mesmo, entre Riva e Lawrence; com consideráveis chances de uma possível reviravolta para Chastain, mas difícil.
 Importante destacar, o maravilhoso trabalho da atriz Marion Cotillard, por seu papel no bom "Ferrugem e Osso". Um trabalho que a Academia esqueceu de ressaltar e que merece seus louros, numa atuação emocionante, que mesclou a melancolia e a garra em uma mulher devastada por uma tragedia em sua vida. Merecia ser indicada talvez ate mesmo no lugar da pequena Wallis.

Merecedor Criticofilia: Emmanuelle Riva
Favorito ao premio: Jeniffer Lawrence
Provável vencedor: Emmanuelle Riva


Melhor Ator Coadjuvante

Outra categoria disputada. Com apenas duas atuações realmente marcantes, esta categoria possui uma imprevisibilidade absurda.
Apesar do favoritismo claro ao Christoph Waltz por seu ótimo papel no duvidoso “Django Livre”, onde ele nos entrega um papel inventivo, original e totalmente maneirista em tela; temos na disputa Philip Seymour Hoffman, que impressiona por seu papel catártico em “O Mestre”, repleto de oscilações entre a intensidade e a sutileza.
Ainda temos Robert De Niro que pela primeira vez em muitos anos, parece ter finalmente saído do piloto automático ao qual tem estado, e entregou uma atuação sincera em O Lado Bom da Vida”; Alan Arkin que esta correto no ótimo “Argo e Thommy Lee Jones, que esta Thommy Lee Jones no duvidoso “Lincoln”. Isso porque, a atuação de Thommy Lee, não se diferencia muito do que ele vem demonstrando nos últimos anos. Lembram o piloto automático mencionado acima? Então...
Mas a disputa aqui parece ficar mesmo entre os dois primeiros.

Menção honrosa, aos totalmente esquecidos pela Academia e demais premiações.
Quando se pensa em Ator Coadjuvante nos lançamentos do ano que se passou é impossível não lembrar das atuações marcantes e impecáveis de Leonardo DiCaprio por seu vilão em Django Livre, e em Javier Bardem pelo seu também vilão no bom  007 - Operação Skyfall.
Leo Dicaprio transcende em tela, num personagem curioso e bem escrito. sua atuação é tão intensa que chega a entristecer não ver seu nome ali entre os indicados, onde se concorresse teria larga vantagem em todos os 5 indicados oficiais. Foi um trabalho marcante na carreira do ator de fato. O mesmo se pode dizer de Javier  Bardem, que simplesmente roubou o filme de Daniel Craig - que ainda assim surpreende com seu agente James Bond -. Javier construiu um dos melhores vilões que a serie 007 já viu em toda a sua historia. o ar repulsivo e louco de seu personagem é algo incomum de se presenciar. E ainda assim a Academia escolheu lhe esnobar. Mas é fato: se Leo Dicaprio e Javier Bardem estivessem aqui concorrendo, a categoria seria totalmente deles e de mais nenhum outro - talvez Philip Hoffman continuasse no páreo-. Uma pena.

Merecedor Criticofilia: Philip Seymour Hoffman
Favorito ao premio: Christoph Waltz
Provável vencedor: Christoph Waltz


Melhor Atriz Coadjuvante

Aqui, tal qual a categoria de “Melhor Ator” não resta duvida de que o premio vem com o nome talhado de Anne Hathaway. Ela é claramente a favorita ao premio e por méritos inquestionáveis.
A atuação de Hathaway no duvidoso “Os Miseráveis  chama tanto a atenção que com seus pouco mais de 30 minutos totais em tela, é dela as atenções plenas no longa. Uma atuação marcante de entrega e visceralidade. Porem, temos Amy Adams, que entre as 5 concorrentes é a que mais se aproxima do ‘grau’ de 'impressionabilidade' que Hathaway nos brindou. O trabalho de Adams em “O Mestre é muito interessante, onde a atriz conseguiu de modo surpreendente conferir um ar de dubiedade a sua personagem, ofuscada apenas pela monstruosa presença de Joaquim Phoenix em cena. Dentre as 5 Indicadas ela é a que foi mais competente. Porem Anne Hathaway literalmente se desconstruiu diante de nossos olhos de uma maneira tão intensa que seria leviano não lhe dar o premio - mas que fique as considerações a Adams-.
Mas temos também a veterana Sally Field, que entregou uma atuação poderosa – forçada e caricatural demais é verdade – em “Lincoln”. Já a presença de Helen Hunt que esta apenas correta no bomAs Sessões” entre as indicadas se justifica por sua coragem em expor-se de maneira sóbrio a um papel lhe exigiu diversas cenas de nu frontal. Pela competência da atriz, tais cenas jamais atingiram uma conotação sexualizada, vulgar ou impressionista. E isso é admirável. Porem em termos de atuação, não há nada além do normal. O mesmo pode ser dito da veterana Jacki Weaver, que em “O Lado Bom Da Vida não Chama a atenção em nenhum momento. Esta apenas atuando. Num papel que não lhe exige nada também.
Como ressalva é importante lembrar, o esquecimento da excelente atuação de Judi Dench em 007 - Operação Skyfall. A atriz encarna de maneira total sua personagem neste longa como nunca antes durante a serie do agente secreto. Um trabalho que chama a atenção durante o longa e que merecia ser melhor lembrado.

Merecedor Criticofilia: Anne Hathaway
Favorito ao premio: Anne Hathaway
Provável vencedor: Anne Hathaway


Melhor Filme de Animação


Dentre as Ótimas Animações indicadas este ano, temos destaque para "Frankeneenie" e "Valente".
"Frankenweenie", pela técnica típica de Tim Burton e seu teor que mescla a fantasia e o sombrio de maneiras únicas, sempre tendo como base o expressionismo alemão. Já Valente se destaca principalmente por seu enredo, onde uma protagonista claramente feminista surge sem precisar do amparo de um príncipe encantado para lhe salvar. Algo raro na filmografia de animações Disney/Pixar,  onde a primeira; é conhecida por ser a eterna fabrica de sonhos da princesa que tem que ser salva pelo príncipe valente. O Valente aqui é dado a protagonista. E isso merece atenção.
Ainda temos o ótimo e engraçado "Paranorman" que traz uma parodia aos filmes de adolescente estadunidenses de terror, lidando com os estereótipos desses enredos de maneira bem original e interessante. "Piratas Pirados", talvez o mais fraco dentre os indicados que é apenas “bem feitinho”, uma animação em Stop Motion com um roteiro raso com pouquíssimos momentos inventivos ou que se destaquem.
Mas a grande disputa pode vir pelo excelente "Detona Ralph"- este sim da Disney -que vem despontando como grande favorito, após arrebatar a critica em diversos prêmios mundo afora onde tem saído vencedor, e pelo publico, onde conquistou uma grande bilheteria; onde traz uma trama deliciosa que remonta os clássicos jogos de vídeo games, numa animação que impressiona pelos gráficos.

Mas o premio deve ficar disputado mesmo entre os estúdios Disney/Pixar e seu "Valente", - pelo peso que o nome Disney e Pixar possuem, Tim Burton e seu "Frankenweenie" - que é claramente a melhor animação em termos técnicos dentre os 5 indicados - , e o inventivo "Detona Ralph" - também da Disney.

Merecedor Criticofilia: Frankenweenie
Favorito ao premio: Detona Ralph
Provável vencedor: Detona Ralph

Melhor Direção

O Favoritismo é claro. Se para a categoria de “Melhor Filme” 'Lincoln' desponta como favorito, a lógica se estende a sua direção. Uma direção correta alias do Spielberg que tem pleno domínio de seu filme, que mesmo diante de tantas bobagens, é inquestionável a qualidade técnica que possui. Porem temos o excelente Michael Haneke, que entregou em Amor um trabalho meticuloso, repleto de dedicação e extremo exímio em detalhes. Uma direção segura e que merece a indicação sem duvidas. Temos ainda outros monstros nessa área como o ótimo Ang Lee que mais uma vez realizou um filme marcante e fabuloso que é As Aventuras de Pi. Um filme grandioso que não teria a maestria que possui sem a visão e as rédeas claras de Lee.
Na esteira vem David O.Russell pelo seu mediano “O Lado Bom da Vida” que tal qual seu filme é apenas correto. E Benh Zeitlin com seu “Indomável Sonhadora que impressiona mais pelo fato de lidar com uma historia repleta de “não atores”. Por mostrar uma visão bucólica de uma realidade dura e tentar extrair delicadeza em meio a feiura de La. Uma direção boa.
É imprescindível e inevitável, falar dessa categoria e não salientar a injustiça obtusa da Academia em deixar de fora os nomes de Paul Thomas Anderson e Ben Affleck – e se formos mais justos ainda, o nome de Leos Carax pelo seu fabuloso trabalho, no impecável e totalmente esquecido pela Academia e demais premiações “Holy Motors” filme extremamente bem conduzido.
Ben Affleck, por seu trabalho madura e impressionante devido a sua pequena filmografia por “Argo”, contradizendo todas as noções possíveis dessa edição do Oscar. Uma vez que Affleck tem ganhado quase que totalmente todas as premiações ao qual participa nesta categoria, assim como seu filme. Uma incoerência que esta custando muito a Academia antes mesmo do resultado sair.
E Paul Thomas Anderson pelo excelenteO Mestre, que não só merecia sua devida indicação visceral e peculiar na direção, como inclusive na categoria principal de “Melhor Filme”.
E claro, talvez ao lado de Affleck , outra maior e polemica injustiçada, Kathryn Bigelow por seu excelente “A Hora Mais Escura”. Onde sua não indicação é a mais obvia dentre todas: política. Uma vez que seu filme tem sido vastamente mal visto entre o governo americano, com a desculpa infundada de que o longa incita a pratica de tortura do país em processos de investigações e interrogatório com terroristas.
Injustiça, pois o trabalho que Bigelow entrega com seu filme é algo que beira ao impecável.
Mas a disputa parece ficar entre o Spielberg e Haneke.

Merecedor Criticofilia: Michael Haneke
Favorito ao premio: Steven Spielberg
Provável vencedor: Steven Spielberg


Melhor Filme em Língua-estrangeira


Categoria que possui ótimos representantes – alguns deles ate mais relevantes do que os que concorrem a principal categoria -. Porem é inegável o favoritismo de “Amor” que não satisfeito com a indicação a “Melhor Filme” ainda marca presença aqui, onde levará.
Mas é importante salientar as qualidades de seus concorrentes como o ótimo A Feiticeira da Guerra” que possui um roteiro profundo, numa narrativa densa e bem executada. Kon-tiki”, que promove um show visual, numa fotografia impressionante e bem feita. “O Amante da rainha” que traz um enredo batido, numa narrativa surpreendente com atuações boas, uma direção de arte conceitual impecável; e ainda o fabuloso e intenso “No”, que se destaca por trazer de volta o ‘U-Matic’, tecnologia de gravação em videocassete, que confere ao longa uma imagem meio desfocada, que se assemelha bastante ao efeito que se tem quando vemos um filme em 3D sem os óculos, com certas cenas com luz estourada, que transforma o filme num deleite visual, alem de possuir um roteiro inventivo e atuações excelentes.
Um Filme que merecia levar o premio para casa por ser superior em vários sentidos aos indicados acima, talvez apenas igualável ao sensacional "Amor". Sendo assim, o principal concorrente da Obra de Haneke.


Merecedor Criticofilia: No
Favorito ao premio: Amor
Provável vencedor: Amor

Melhor Filme Curta-metragem de Animação

No link a seguir confira pequenos comentários de cada um dos 5 indicados nesta categoria, justificando as escolhas abaixo: >> Indicados Ao Oscar de Melhor Curta de Animação

Merecedor Criticofilia: Head Over Heels
Favorito ao premio: Paperman
Provável vencedor: Paperman



Abaixo, outras apostas mas sem comentários ou menção aos favoritos ou merecedores. Apenas quem provavelmente levara o premio :


Melhor Fotografia

Melhor Direção de Arte

Melhor Figurino
Espelho, Espelho Meu..

Melhor Edição

Melhor Maquiagem

Melhor Trilha Sonora
Mychael Danna - As Aventuras de Pi

Melhor Música Original
007 - Operação Skyfall

Melhor Edição de Som

Melhor Mixagem de Som

Melhores Efeitos Visuais
Prometheus

Melhor Roteiro Adaptado


*Impossível não colocar uma ressalva aqui.
É imperdoável a não inclusão do excelente "As Vantagens de Ser Invisível"  e seu roteiro fabuloso assinado pelo escritor, roteirista e também aqui diretor Stephen Chbosky . Um filme definitivamente bem construído  elaborado, com um roteiro decupado, de narrativa delimitada repleto de acertos. Merecia estar aqui indicado e se fosse este o caso, estaria despontando inclusive como franco favorito ao premio. Imperdoável essa falha.*

Chris Terrio - Argo

Melhor Roteiro Original
Mark Boal - A Hora Mais Escura


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Critica: Holy Motors


O filme que foi aplaudido de pé durante longos 15 minutos no Festival de Cannes de 2012. E merecidamente.

AÇÃO!

Holy Motors, novo filme – depois de um hiato de mais de quatro anos – do diretor Leos Carax é um deleite incomodo a cinéfilos do mundo todo.


O filme inicia-se com trechos de um filme em preto e branco, mudo, antigo, de um homem forte, de costas e nu, fazendo movimentos corporais. Em seguida somos levados a uma sala de cinema. Onde os espectadores nos olham. A montagem eficaz nos leva então para um quarto onde um senhor (o diretor Carax) acorda em seu quarto de papeis de parede repletos de arvores, como a simular uma floresta em preto e branco, após escutar sons de porto. De barcos chegando ou desembarcando do cais.
Ele investiga a origem do som e através de uma chave de metal que é um de seus dedos da mão direita, ele abre um portal através da parede de floresta branca e recai sobre a sala de cinema do inicio. Onde todos os expectadores dormem, enquanto vemos que a origem dos sons vem do filme passando na tela grande.
No corredor da sala vemos uma criança fugindo de 2 enormes cães, para em seguida vislumbrarmos uma menina dando tchau a seu pai através da janela de seu quarto numa casa que parece um grande iate.
O Homem, que já não é mais Carax e sim Lavant, entra numa limousine branca dirigida por uma senhora de cabelos brancos belíssima. E assim inicia-se Holy Motors.

Essa sequência já nos coloca a par do surrealismo proposto em tela. Mas mais do que isso, essa sequência metafórica nos mostra a intenção clara do diretor ao realizar tal obra: falar e transpassar o Cinema.
Holy Motors nada mais é do que um Ode a sétima arte, a arte e a indústria. Uma critica pessoal que remonta todas as características históricas dos filmes desde seus primórdios e o publico que o acompanha ao longo dos anos. Quando Carax acorda e abre o portal para o cinema, nada mais esta fazendo do que nos apresentando seu mundo. Seu mundo cinematográfico, nos convidando a embarcar(daí o cais e o porto) nessa experiência que nem sempre será clara, nem sempre será bela (os caos perseguindo e provavelmente atacando a criança), mas que será cinema em toda sua brutalidade, verdade e mentira bela.
A critica esta no publico que dorme diante da arte, esta nas lapides que só servem como banner para vender produtos, na beleza contrastando com a feiura, ser cinema pela fama e não pela identificação e essência, esta na própria limusine e no dialogo de Oscar com seu suposto chefe:

“Porque você ainda faz isso Oscar?”// “Pelo mesmo motivo que comecei. Pela beleza do ato”// “mas e quando não houver mais ninguém para ver?” 

e a cena se dissolve como se nunca houvesse existido. Deixada sem resposta. O dialogo fala do cinema. Do porque vemos e fazemos cinema. 'Pela beleza do ato'. Mas será que ainda há alguém vendo?

Cada vez mais o publico aplaude de pé e exalta super produções artificiais e sintéticas, com efeitos especiais milionários, ou romances vazios sem conteúdo algum; e dormem literalmente diante de obras que caem fundo na comunicação social e na arte sensorial clássica.
O Artista já não é mais visto como vagabundo ou genial. É visto como galã e diva. Cinema da beleza para estampar editoriais de moda.

É a visão de Carax sobre uma indústria e uma arte que vai perdendo espaço para as câmeras de mão, dos celulares. “Não mais motores”.

Não Por acaso o nome do personagem de Lavant é OSCAR.


Com uma narrativa densa e repleta de reviravoltas e pontos de viradas quase episódicos, o filme traz referencias cinematográficas em cada detalhe. Seja nos personagens vividos por Oscar, seja pelas sequências que trazem clara alusão a filmes clássicos do cinema. Vemos desde Pietá (na cena com Eva Mendes e Denis Lavant nu e excitado) ate mesmo Casablanca (na cena com Kylie Minogue).

A fotografia soberba em alguns pontos nos conduz aos primórdios cinematográficos, onde a tecnologia virtual não fazia parte da arte. Tons nada saturados e uma filmagem quase que completamente limpa, para em seguida sutilmente surgir carregada, escura e texturizada.

Há nudez, há simulação de sexo virtual e bizarro, há referencias ate mesmo ao teatro, e as artes circenses, no ato de interpretar e se mover tão caricatural de Lavant, e mesmo na maneira com que ele se caracteriza e se desdobra em incontáveis personas peculiares.

Mas independente do roteiro bem decupado e do enredo por vezes confuso, o grande trunfo do filme esta no trabalho de maquiagem e na atuação de Lavant. Nome recorrente a qualquer menção ao filme. O trabalho vocal, corporal e de expressão facial do ator é deslumbrante. Ele consegue imprimir clareza – única talvez durante toda a experiência que a película nos brinda- nos mais improváveis personagens numa naturalidade e facilidade extrema. Consegue emocionar e chocar na mesma medida.

Ao fim. Holy Motors nos contempla de maneira cruel com todos os clichês possíveis propositais e uma critica absurda não só ao cinema, mas ao ser humano no geral. Tudo sem cair na falha ambiciosa de soar intelectual demais ou forçado demais. Tudo é cru, direto, sujo.

Que vai alem da película e transforma essa experiencia numa visão do ser humano e da sociedade a cada dia mais robotizada raro de se ver atualmente de uma maneira eficaz - vista que Cosmópolis ( Cronemberg 2012) por exemplo tentou e não conseguiu plenamente-. Não sagazmente ao final vemos um Homem, retornando ao lar, para sua família de macacos afetuosos. Nosso primitivo exalando mais humanidade, do que a evolução tem permitido e demonstrado. Maquinas que tal qual desde a época do "Exterminador do Futuro" predizem conseguirem ser mais humanos que gente de carne, osso e coração. Ou mesmo ainda remontando as tragedias gregas, as atuações dos 'bizarros' entre suas mascaras sociais exalando papeis cotidianos em cada persona de Oscar.

Buñel e Lynch com certeza devem estar ainda pulando numa perna só e brindando de pé a essa obra.
Não é fácil, não é compreensível. Mas é instigante, densa e interessante. Uma obra obrigatória para a atualidade.

E como o próprio filme diz:  “a beleza esta nos olhos de quem vê”.

E assim o filme se coloca a mercê de ser mais um elemento de seu próprio feito ou se mostrar um messias diante de sua própria categoria.

Faça suas próprias interpretações. Porque muito mais do que tentar entender, Holy Motors existe para buscar compreensão pessoal em cada um que o assiste. Mil interpretações e sentidos para cada mil pessoas a vê-lo. Assim como o cinema.

E no final, é de Carax o ultimo quadro no projetor. 

CORTA!

Trailer:



FICHA TÉCNICA

Diretor: Leos Carax
Elenco: Denis Lavant, Edith Scob, Eva Mendes, Kylie Minogue, Elise Lhomeau, Jeanne Disson, Michel Piccoli, Leos Carax, Nastya Golubeva Carax, Reda Oumouzoune, Zlata,
Produção: Martine Marignax, Albert Prévost, Maurice Tinchant
Roteiro: Leos Carax
Fotografia: Yves Cape, Caroline Champetier
Duração: 115 min.
Ano: 2012
País: França, Alemanha
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos