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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Critica/Analise - A Professora de Piano


Um retrato visceral e extremamente degradante do interior humano, não de seus sentimentos, mas de seus desejos. A Professora de Piano, filme do Austríaco Michael Haneke, é tudo isso e mais. Um filme que cai fundo no poço sombrio do Desejo que Lars Von Trier com seu exímio Anticristo, chamou de "mal humano delicioso, misterioso e necessário" - claro que na interpretação das entrelinhas-.

Comparo aqui as duas Obras de Lars e de Haneke, porque um, - cineasta -esta para o outro - cineasta -, de maneira absoluta. Ao menos no que diz respeito a mostrar toda a aversão humana em varias camadas, sem poupar o espectador em nenhum momento. Porem se com Lars, o ‘botão’ apertado dentro de cada um é o dos sentidos, sentimentos e emoções e ética em convenções sociais. Aqui com Haneke, em especial A Professora de Piano, o botão socado, é o da moral humana, física, e unilateral. É o psicológico que é trabalhado, de maneira arrebatadora, quase cruel.

O filme que é baseado em um livro do escritor austríaco Elfriede Jelinek e venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes de 2001, além dos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Ator, respectivamente para Isabelle Hupert e Benoit Magimel (a primeira incontestavelmente merecido), conta a historia de Érika Kohut (Isabelle Hupert), uma professora de piano numa clássica escola de musica o Conservatório de Viena. Érika vive com a mãe num pequeno apartamento e detém uma relação de passividade e controle com ela. É uma professora hostil com seus alunos e impassível de qualquer demonstração de emoção. Quando conhece o jovem  Walter (Benoit Magimel), Érika cai numa perturbação acerca de seus costumes, desconfianças e mistérios, num ode de implosão de seus desejos e loucuras.

O filme conta com uma paleta de cores frias, com cenários assimetricamente bem posicionados e uma concepção de cena repleta de artefatos e objeto, que dão aos ambientes uma sensação claustrofóbica e confusa. Tudo é cheio demais, com cores iguais e indiferentes. Com exceção de raros momentos da própria Érica com seu vermelho em destaque, seja no batom ou no chapéu aristocrático.

Com a característica do silêncio - marca dos filmes de Haneke-  para se compor as cenas, o filme quase não tem trilha sonora. Ao não ser pelas intervenções inevitáveis dos dedilhares de piano ao longo da projeção. É importante ressaltar também a atuação da atriz veterana Annie Girardot que vive a mãe de Érika. Sua fragilidade em contraponto com seu tom sempre controlador, rígido e extremamente assustador, compõe bem o clima que o filme exige.

Clima esse de peso e incômodo a todo instante.

O filme traz uma sucessão de convenções que vão desde a perversão ate a loucura, ambos em graus extremos e doentios. É um filme que causa nojo, aversão, choca, cria tensão e impressiona pela crueza e frieza que trata de assuntos que verdadeiramente mutilam a consciência e o senso comum de moral e dignidade aceita em sociedade.

São cenas como um autoflagelo genital com uma gilete, espancamento, estupro, agressão a uma idosa, tapas entre mãe e filha, afeto sexual entre mãe e filha, masturbação, cenas de sexo explicito com direito a esperma de desconhecidos em pedaços de papel higiênico serem cheirados sem discriminação. Tudo perverso, tudo de forma insana. Sem planos que escondam nada ou que se utilizem da edição para abrandar os momentos. Pelo contrario. 

Somente com sons ambientes, onde podemos ouvir a respiração, o engolir da saliva de cada personagem, vemos tudo isso passivamente em longos planos, em longas tomadas que parecem não ter fim, mostrando cada segundo de cada ato. Para chocar, para criar tensão e por isso mesmo fascínio. E com ele a culpa.

Haneke cria o choque e o incômodo não tanto pelas cenas, afinal tais cenas não chegam a ser tão violentas ou tão degradantes, não mais do que nossa realidade, não mais que Jogos Mortais ou mesmo Dogville mostraram. O choque esta justamente na vontade e interesse que ele cria no espectador em querer ver mais. Em ser levado a atuar como um voyeur diante daqueles atos.

Isso mais do que qualquer outra coisa vista, é o que faz com que A Professora de Piano se torne uma experiência cruel e fascinante, e talvez única a cada um que o assiste. Ele exprime tudo que ocultamos. E lidar com o desejo, com o sexo, as vontades, a dor humana é algo delicado. Sempre perigoso sempre extremo. E Haneke consegue fazer isso solenemente bem.

São personagens castos, tímidos, alunos que são humilhados, em prol de viver um sonho. A arte tratada como mascara de convenções que escondem o limbo psicológico e sensorial de uma mulher de meia idade eximia, assimétrica em cada detalhe, nas roupas, nos tons de pele, no andar rígido, no olhar sem emoção, nos cabelos presos, na voz forte de palavras duras. Érika não sorri, e quando o faz é por pura aversão e descontrole. Não a embeleza. Érika não sente nem dor, nem remorso. Uma personagem ambígua que, contudo, na arte brilha e causa ternura.

Simbioticamente, o filme traça a construção de tal personagem de maneira cuidadosa e lenta. Porem em nenhum momento clara. Tal qual seu interior, Érika é uma incógnita talvez ate para ela mesma. Se a principio podíamos imaginar se tratar de uma mulher presa dentro de seus medos, causados pelo controle e escravidão emocional que criou com a mãe a quem é submissa, mas carrega sentimentos de amor e ódio  no momento seguinte as ações de Érika demonstram uma personagem dúbia, incerta e extremamente inconstante, a beira de um colapso. Colapso que pode vir através de um grito, de violência  de descontrole, ou mesmo de sangue e crime. 

Aos poucos o filme vai compondo um panorama de inserção a mente de Érika  que parece ver na dor e na subversão um atrativo inexplicável. Érika nada mais é do que uma criança descobrindo seu próprio cerco sensorial, intrínseco na carne, na pele, nos fluidos corporais. É através do sexo- não feito, apenas visto e sugerido- que Érika implode, liberta o lado sombrio despertado por Walter, que tenta conciliar seus instintos básicos de satisfação com o sentimento de apego, amor talvez; criado pela primeira vez com a presença desse homem. Os sentimentos se misturam a ponto dela não saber mais diferenciar em seus sentidos o que é desejo, afeto, amor, paixão, tesão. Tudo se mescla. A ponto de seu corpo sucumbir tal ponto, levando-a a agressão dela mesma. Seja por suas mãos ou pelas de outros.

E para isso, o filme não se priva em permanecer preso - tal qual Érika - nas convenções da linguagem cinematográfica  que exigem um delimitamento claro das motivações e ações, e assim, das resoluções de seus personagens. O filme não é aberto, mas seus personagens o são. E isso configura uma amplitude maior a obra, a discussão que ela traz em pauta, assumindo um estudo não só mais de Érika, ou das repressões e mistérios do Desejo humano, mas sim de toda uma sociedade baseada em regras, e estruturas de senso comum que nem sempre se adequam a todos os becos existentes em cada um. Qual de nós não é um pouco perverso? Qual de nós não é um pouco imoral? Qual de nós não esconde horrores que  a face serena ou endurecida não deixa transparecer?

Não que o filme ou mesmo Érika seja detentora de empatia, ou mesmo que o espectador consiga ou deva se identificar. Não. Obviamente que não. Mas a busca da personagem é clara: descobrir e conviver com o que é, com o que sente. E isso é comum a todos nós. 

Nesse ponto o filme se assemelha com o sentido de busca pela Perfeição versus o Bizarro promovido por Cisne Negro do Darren Aronofsky. Desde a relação sem figura paterna entre mãe e filha – Érika tem seu quarto, que não possui chaves, mas, contudo dorme todos os dias na mesma cama que a mãe – bem como o extremo entre o autocontrole através da privação do sexo e o descontrole por isso mesmo e liberdade do seu Eu, da verdadeira essencial através do desejo descontrolado e arrebatador.

A Professora de Piano não é um filme fácil, não é um filme fácil de digerir – como curiosidade, na cena de vomito, o vômito é real, e pelo ensejo, é impossível não destacar a atuação completamente entregue de Isabelle Huppert durante cada instante do filme, seu ar robotizado, quase psicótico, sem linhas de expressão, rígida que impressionam e arrebatam – que assusta justamente por ser tão gélido e ao mesmo tempo tão parte de cada um que o assiste. Uma parte que ninguém jamais admitira, mas que sentira. Incomodara. Causara medo, e também que fará parte dos pensamentos do espectador durante muito tempo, após o fim dos créditos finais.

Como bem diz um dialogo nos minutos iniciais da projeção: "A loucura só encontra seus benefícios na arte. Mas a arte só se beneficia da loucura, quando esta a suporta. A ponto de ser arte e fazer arte. A Arte não provém da loucura, mas dos instantes antes dela. E nisso esta obra se prova e justifica bem.

Brutal, tal qual, um grande concerto de piano.

"Os cães latem
Chocalham suas correntes
E as pessoas dormem em suas camas"


Trailer



FICHA TÉCNICA

Diretor: Michael Haneke
Elenco: Isabelle Huppert, Benoît Magimel, Annie Girardot, Anna Sigalevitch, Susanne Lothar, Cornelia Köndgen.
Produção: Yvon Crenn, Christine Gozlan, Veit Heiduschka, Michael Katz.
Roteiro: Michael Haneke
Fotografia: Christian Berger
Duração: 130 min.
Ano: 2001
País: Áustria / França
Gênero: Drama














sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Critica: In Another Country ( Em Outro País )



O novo filme do diretor sul coreano Sang-Soo Hong é uma sucessão de idas e vindas, de repetições e experimentações absurdas e coerentes numa historia divertida e extremamente original e repleta de inventividade cativante.

O filme inicia-se por uma sub trama onde duas mulheres, mãe e filha, estão sentadas conversando, à hora do chá provavelmente  a mãe fuma, enquanto a filha come bolo -; onde as duas discutem sua situação atual naquele lugar sem nome ou referencia.

Pelos diálogos, é possível entender que o tio delas – o marido da irmã da mãe – se envolveu em algum problema relacionado a dinheiro, e que esta desaparecido por causa disso. As duas estão nesse local aparentemente por apenas algum tempo, enquanto esperam esse tio, mas ao que tudo leva crer a situação é tão critica que ele pode aparecer morto ou preso a qualquer momento.

A filha então, para se distrair, se coloca a escrever num bloco de notas um roteiro de um filme, que inicialmente era para se tratar de uma mulher fugindo de uma divida, mas que acaba virando um roteiro sobre uma diretora de cinema francesa bem sucedida.
A partir daqui o filme inicia a contar a historia proveniente desse roteiro.

Mas a inventividade do roteiro de Soo Hong esta justamente, no fato de que ele mostra esse roteiro escrito pela jovem sem nome do inicio da projeção, conforme ele vai sendo concebido. Assim o que vemos em tela é a construção na integra e na mesma hora em que o roteiro é escrito. Assim falas sem sentido ou repetitivas, clichês, cenas que se repetem e se alteram momentaneamente, ambientes e situações vão se adaptando conforme a jovem vai alterando seu roteiro. Isso é fantástico.

Não demora muito e a jovem muda de ideia e resolve contar outra historia, com os mesmos personagens com a mesma protagonista – a francesa Isabelle Huppert que em ambas as 3 historias que decorrem na projeção surge como a protagonista francesa chamada Anne, mas que em cada uma das tramas aparece com uma historia diferente da original no qual ela era uma diretora bem sucedida.

A principio Anne (Isabelle Huppert) é uma mulher francesa que está em uma pequena cidade na Coreia do Sul, onde visita um amigo que está prestes a ter um filho e trabalha como diretor. Lá, ao visitar uma praia, conhece um empolgado salva-vidas (Yu Jun-sang), que tenta conquistá-la. 

Pouco tempo depois, no mesmo local Anne é uma mulher francesa que se hospeda nesse local, uma espécie de hotel, para se encontrar com um diretor de cinema famoso, e manterem seu caso de amor extra conjugal, ate que ela perde seu celular na praia onde é encontrado por um salva Vidas.

Em seguida, Anne é uma mulher francesa recém divorciada do marido que a traia, e que se hospeda neste hotel, junto de sua amiga, que lhe mostra a cidade. La ela conhece um casal de coreanas cujo a mulher esta grávida e o homem dá em cima de Anne, e um salva vidas na praia que imediatamente chama a sua atenção.

Ambas as historias são protagonizadas por Anne e pelo Salva vidas. Os mesmos atores assumem essa persona em diferentes possibilidades de trama, enquanto os outros núcleos vão se revesando em vários papeis.

O meio comum de ambas as historias é a busca momentânea por um farol que somente Anne parece ter ouvido falar, e pela presença de um amor passageiro que tenta burlar o problema dos idiomas e nacionalidade diferentes.

Entre esses caminhos o roteiro muito bem estruturado apesar dessa narrativa difusa, introduz a discussão, de paramos para sabermos quem realmente somos, e discutirmos a máxima de que devemos fazer tudo àquilo que podemos fazer. E nos perguntar se vale a pena insistir naquilo que não temos certeza se podemos fazer ou não. Escolha e vontade, versus destino e consequência. Essa é a questão aqui. E a metáfora contida na busca pelo farol, - a luz que nos guia na escuridão – o salva vidas, e a francesa é extremamente pertinente para isso.
Não por acaso a narrativa mais eficaz dentro a trama se encontra na ultima historia.

Em algumas entrevistas o diretor afirma que não pretende nunca levar mensagem nenhuma com seu cinema experimental e tão característico  que a mensagem extraída de seus filmes depende unica e exclusivamente do humor de cada um quando este for assistir.

Aliado em sua maioria a planos gerais ou médio estáticos, alguns planos sequências  com característicos Zoon-in dispersos – marca do diretor-  o que nos da ainda mais a sensação de estarmos vendo um filme sendo montado/editado, o longa ainda possui uma fotografia brilhante e com cores saturadas mais puxadas para o vermelho e o verde.

Um filme primoroso, com uma ideia inventiva e bem executada, que mostra e faz alusão as repetições da vida rumo a um caminho comum aceitável.

In Another Country, cai fundo na concepção de que a vida é tão imprevisível quanto um roteiro sendo construído  Sabemos apenas que há um meio e personagens em comum ao nosso redor, mas que podem num mesmo 'palco' desenvolver inúmeras tramas, escolher diversos caminhos. A unica certeza é a busca, e onde ela nos leva, é questão de experimentar ou deixar a onda levar. depende de cada um.

Um filme excelente.


Trailer


Ficha Técnica

Direção: Sang-soo Hong
Roteiro: Sang-soo Hong
Elenco: Isabelle Huppert (Anne),Jun-Sang Yu (Wonju),Yu Junsang (Lifeguard)
Países : Coreia do Sul
Ano: 2012









sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Critica: Amor (Amour)



Uma densa historia sincera, sensível e angustiante sobre o amor. Em todas as conotações que ele assume.
Desde a 'Vida é Bela', é a primeira vez que um filme de língua não inglesa concorre a categorias tão importantes no Oscar. 

‘Amour’, filme austríaco do diretor Michael Haneke, concorre aos prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz no Oscar 2013.

Contando com um enredo aparentemente simples o filme nos leva as profundezas dos sentimentos humanos e nos brinda com um filme coeso, e tristemente belo.

George e Anne (Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva) são um casal de idosos, aposentados, que vivem tranquilamente num apartamento. Anne que quando mais jovem era professora de piano, vai com George prestigiar um de seus pupilos num concerto musical.
Alguns dias depois porem, Anne sofre um AVC, o que coloca sua vida e de seu marido num desafio continuo e diário para fortalecer o amor entre eles.

Logo de inicio, o filme nos mostra uma cena em que espectadores estão numa sala de concerto, voltados de frente para nós que assistimos ao filme, como se o espetáculo fossem nós e não eles. Isso revela bastante sobre a força de Amor sobre seu publico. Aliado a um roteiro bem estrutura onde os diálogos são essenciais para a trama, o filme constrói um arco dramático que em momento algum cai em clichês ou artifícios vazios e apelativos para mostrar o sofrimento do casal diante da atual situação deles. O sentimento de angustia e sensibilidade, surge a partir de experiências pessoais de quem assiste, identificando-se ali e refletindo sobre a vida a dois- seja de que forma for-.

Com segurança o diretor nos conduz ate uma questão mais seria e delicada de forma natural que é a eutanásia. Ate que ponto, devemos prolongar o sofrimento de alguém quando esse alguém decide partir?
O titulo apesar de parecer bem bobo, é totalmente condizente ao centro do filme. Pois tudo o que sustenta a película é justamente esse sentimento, demonstrado por silêncios dispersos, desenhos expostos na sala de estar da casa, ou mesmo no olhar de ambos.

A construção de personagens também é muito importante ao logo do filme, que recorre desde montagens sutis e edição lenta para compor com calma cada detalhe da direção de arte do filme que usa de artifícios repletos de metáforas e referencias que fazem um paralelo com os diálogos e lembranças das personagens, ate a trilha sonora quase inexistente, mas que quando atua produz no espectador um aperto na garganta entre a tristeza e a simpatia.

Um filme agridoce, que ao mesmo tempo que causa ternura pela relação ali exposta, também entristece e choca, pela crueza que é exposto a vitimização causada por um AVC.
E aqui a atuação brilhante e assustadoramente realista de Emmanuelle Riva (mais velha atriz a ser indicada a categoria de Melhor Atriz no Oscar) vem á tona. Num trabalho vocacional, corporal fantástico. Ela consegue compor a personagem e suas limitações cotidianas e sua melancolia e angustia por se tornar dependente do marido de uma maneira tal, que é impossível não aplaudir de pé seu desempenho ao final da projeção.

A fotografia apagada e escura- devido ao fato de que o filme se passa completamente em ambientes internos- ajudam a compor a sensação de que estamos visualizando realmente a vida intima de alguém. Muitas vezes nos sentimos intrusos de uma realidade ao qual não fomos convidados. E isso é soberbo.

Personagens como a Filha do casal ou mesmo o jovem pupilo apenas mencionado no inicio do filme e que faz uma pequena visita ao casal, servem apenas para construir e determinar a vida em que o casal esta inserido. E não é difícil imaginar- ou se identificar para aqueles que já vivem tal realidade- a forma que nossas relações vão adquirindo ao longo dos anos. Distanciamentos mas elos firmes.

Cenas memoráveis compõe o filme como a cena em que Anne é levada para tomar banho, a cena em que Anne e George conversam na cozinha, em que ele relembra um episódio de sua infância, e a cena em que uma pomba entra pela janela aberta do apartamento.
Metáforas tais como a da pomba tornam o filme uma pequena joia entre os lançamentos de 2012, que com certeza merece ser visto e sentido, chorado e refletido acerca de inúmeras questões sobre a vida.
Vide sequencia em que Anne folheia o antigo álbum de fotografias.

Mas é em seu clímax que esta uma resolução que coloca em xeque todo o enredo de acordo com a opinião pessoal de cada um que o assiste. Um clímax chocante, inesperado, mas estritamente necessário, que é o ponto final que torna o filme um pequeno deleite e obra prima. Ali o julgamento cabe ao espectador, igualmente ao seu entendimento do final da projeção.

Ao final, uma carta fecha como um signo, um símbolo mais que perfeito a toda a trama, encerrando Amor da maneira qual foi composto: com sinceridade, crueza e beleza.

Um filme Intrínseco que se justifica pelo silencio de um apartamento vazio, morto mas com rachaduras repleta de vidas.

Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco,
Produção: Stefan Arndt, Margaret Ménégoz
Roteiro: Michael Haneke
Fotografia: Darius Khondji
Duração: 127 min.
Ano: 2012
País: França, Alemanha, Áustria
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos