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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Critica: The Day He Arrives ( O Dia em Que Ele Chegar)


O ex-diretor de cinema Sungjoon vai a Seul e tenta em vão encontrar seu amigo que mora no bairro de Bukchon. Andando pela redondeza, ele encontra por acaso uma atriz que ele conhecia. Os dois conversam por um tempo e logo vão embora. Num bar de Insadong, Seongjun bebe makgeolli (vinho de arroz) e alguns estudantes de cinema o chamam para sua mesa. Bêbado, ele se dirige ao apartamento da antiga namorada. No dia seguinte ou em qualquer outro dia, Sungjoon ainda está perambulando por Bukchon.

Essa sinopse pode parecer um tanto o quanto imprecisa ou mesmo confusa. Mas não é o caso.
Com direção de Sang-soo Hong ,  The Day He Arrives ( O Dia em Que Ele Chegar) segue a linha de trabalho do diretor e trás um filme que se cria a partir das repetições, das possibilidades diversas de um mesmo fato ou momento.

Assim como o diretor nos mostrou no seu ótimo "In Another Country"; aqui, o acaso dos fatos dá vazão a uma serie de repetições que nos mostram como uma possibilidade pode mudar totalmente as percepções das coisas e consequentemente a conclusão delas.

Em "The Day He Arrives" seguimos a mesma linha que parece permear o trabalho do diretor, que é o das repetições. Os mesmo atores interpretando diversas maneiras de um mesmo fato ocorrer.

Contando com atuações corretas, nada surpreendentes, o filme possui uma narrativa coesa e linear apesar da estrutura ir e voltar no espaço e no tempo das ações.

É como se estivéssemos diante de um looping, onde ao final do dia, tudo voltasse a acontecer. Porem não da mesma maneira, por uma conversa diferente apenas. Ou por uma pessoa diferente que se encontrou. Um mesmo dia adquire diversas conotações.

Há uma sequencia muito interessante onde alguns personagens se revezam entre as repetições e situações em que eles se encontram num bar a noite para beber algumas garrafas de cerveja e um deles tocar piano. O que chama a atenção é a escolha do diretor em manter as garrafas vazias consumidas pelos personagens mesmo nas outras repetições seguintes. Apesar de serem outras situações paralelas que de nada tem haver com as anteriores- são repetições isoladas, é como se cada situação fosse uma "possibilidade" de "e se ocorresse assim?" Então o enredo volta sempre nos mesmos locais mas com outro desenvolvimento.

Para quem assistiu "Memento" vai ficar um pouco mais fácil de entender. A ideia primaria é parecida, Mas aqui é mais incisiva- . Porque em “Memento”, as repetições se dão na mente do protagonista que é incapaz de reter na memória mais que um dia – algo visto também na comedia romântica “Como se fosse a primeira vez”- porem aqui, as repetições se dão em toda a trama – algo visto também em “Feitiço do tempo”-. Mas não existe volta de fato. É como se o filme fosse um retalho montado de vários cortes e versões de um mesmo roteiro.

O diretor escolheu deixar nesta sequencia, contudo, as garrafas seguirem as narrativas independentes das anteriores, contando quantas repetições houve. Se antes havia apenas quatro garrafas, ao final, na ultima sequencia, já são quase dez garrafas vazias independente de quantos personagens estão em cena. Isso é brilhante.

O filme ainda tem uma fotografia toda em preto e branco com umas texturas granuladas e raros momentos saturados muito bem captados.

Porem mesmo que seja interessante essas repetições, aqui, diferentemente de seu outro filme “In Another Country”, a edição do filme peca um pouco ao não delimitar direito as passagens de uma repetição para outra. Quando enfim surge a suspeita de que estamos diante de mais uma repetição, a sequencia já avançou para uma próxima. Isso confunde um pouco e prejudica a narrativa. Uma vez que não há tempo para estabelecer coerência. Isso dentro do contexto, da proposta do filme é ate mesmo ilógico. Isso causa extrema confusão principalmente em quem não esta habituado a essa característica do diretor.

O filme ainda possui uma excelente trilha sonora, instrumental que vão compondo as cenas de maneira gradual.

É um bom filme; que pode confundir sim, mas que promove uma reflexão acerca dos acasos e coincidências bem interessante e de maneira inventiva.

Um filme simples, mas que vale a pena.

Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Sang-soo Hong
Roteirista : Sang-soo Hong
Elenco:  Jun-Sang Yu, Sang Jung Kim, Bo-kyung Kim ,Seon-mi Song
Fotografia: Hyung-ku Kim
Trilha sonora: Yong-jin Jeong










sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Critica: In Another Country ( Em Outro País )



O novo filme do diretor sul coreano Sang-Soo Hong é uma sucessão de idas e vindas, de repetições e experimentações absurdas e coerentes numa historia divertida e extremamente original e repleta de inventividade cativante.

O filme inicia-se por uma sub trama onde duas mulheres, mãe e filha, estão sentadas conversando, à hora do chá provavelmente  a mãe fuma, enquanto a filha come bolo -; onde as duas discutem sua situação atual naquele lugar sem nome ou referencia.

Pelos diálogos, é possível entender que o tio delas – o marido da irmã da mãe – se envolveu em algum problema relacionado a dinheiro, e que esta desaparecido por causa disso. As duas estão nesse local aparentemente por apenas algum tempo, enquanto esperam esse tio, mas ao que tudo leva crer a situação é tão critica que ele pode aparecer morto ou preso a qualquer momento.

A filha então, para se distrair, se coloca a escrever num bloco de notas um roteiro de um filme, que inicialmente era para se tratar de uma mulher fugindo de uma divida, mas que acaba virando um roteiro sobre uma diretora de cinema francesa bem sucedida.
A partir daqui o filme inicia a contar a historia proveniente desse roteiro.

Mas a inventividade do roteiro de Soo Hong esta justamente, no fato de que ele mostra esse roteiro escrito pela jovem sem nome do inicio da projeção, conforme ele vai sendo concebido. Assim o que vemos em tela é a construção na integra e na mesma hora em que o roteiro é escrito. Assim falas sem sentido ou repetitivas, clichês, cenas que se repetem e se alteram momentaneamente, ambientes e situações vão se adaptando conforme a jovem vai alterando seu roteiro. Isso é fantástico.

Não demora muito e a jovem muda de ideia e resolve contar outra historia, com os mesmos personagens com a mesma protagonista – a francesa Isabelle Huppert que em ambas as 3 historias que decorrem na projeção surge como a protagonista francesa chamada Anne, mas que em cada uma das tramas aparece com uma historia diferente da original no qual ela era uma diretora bem sucedida.

A principio Anne (Isabelle Huppert) é uma mulher francesa que está em uma pequena cidade na Coreia do Sul, onde visita um amigo que está prestes a ter um filho e trabalha como diretor. Lá, ao visitar uma praia, conhece um empolgado salva-vidas (Yu Jun-sang), que tenta conquistá-la. 

Pouco tempo depois, no mesmo local Anne é uma mulher francesa que se hospeda nesse local, uma espécie de hotel, para se encontrar com um diretor de cinema famoso, e manterem seu caso de amor extra conjugal, ate que ela perde seu celular na praia onde é encontrado por um salva Vidas.

Em seguida, Anne é uma mulher francesa recém divorciada do marido que a traia, e que se hospeda neste hotel, junto de sua amiga, que lhe mostra a cidade. La ela conhece um casal de coreanas cujo a mulher esta grávida e o homem dá em cima de Anne, e um salva vidas na praia que imediatamente chama a sua atenção.

Ambas as historias são protagonizadas por Anne e pelo Salva vidas. Os mesmos atores assumem essa persona em diferentes possibilidades de trama, enquanto os outros núcleos vão se revesando em vários papeis.

O meio comum de ambas as historias é a busca momentânea por um farol que somente Anne parece ter ouvido falar, e pela presença de um amor passageiro que tenta burlar o problema dos idiomas e nacionalidade diferentes.

Entre esses caminhos o roteiro muito bem estruturado apesar dessa narrativa difusa, introduz a discussão, de paramos para sabermos quem realmente somos, e discutirmos a máxima de que devemos fazer tudo àquilo que podemos fazer. E nos perguntar se vale a pena insistir naquilo que não temos certeza se podemos fazer ou não. Escolha e vontade, versus destino e consequência. Essa é a questão aqui. E a metáfora contida na busca pelo farol, - a luz que nos guia na escuridão – o salva vidas, e a francesa é extremamente pertinente para isso.
Não por acaso a narrativa mais eficaz dentro a trama se encontra na ultima historia.

Em algumas entrevistas o diretor afirma que não pretende nunca levar mensagem nenhuma com seu cinema experimental e tão característico  que a mensagem extraída de seus filmes depende unica e exclusivamente do humor de cada um quando este for assistir.

Aliado em sua maioria a planos gerais ou médio estáticos, alguns planos sequências  com característicos Zoon-in dispersos – marca do diretor-  o que nos da ainda mais a sensação de estarmos vendo um filme sendo montado/editado, o longa ainda possui uma fotografia brilhante e com cores saturadas mais puxadas para o vermelho e o verde.

Um filme primoroso, com uma ideia inventiva e bem executada, que mostra e faz alusão as repetições da vida rumo a um caminho comum aceitável.

In Another Country, cai fundo na concepção de que a vida é tão imprevisível quanto um roteiro sendo construído  Sabemos apenas que há um meio e personagens em comum ao nosso redor, mas que podem num mesmo 'palco' desenvolver inúmeras tramas, escolher diversos caminhos. A unica certeza é a busca, e onde ela nos leva, é questão de experimentar ou deixar a onda levar. depende de cada um.

Um filme excelente.


Trailer


Ficha Técnica

Direção: Sang-soo Hong
Roteiro: Sang-soo Hong
Elenco: Isabelle Huppert (Anne),Jun-Sang Yu (Wonju),Yu Junsang (Lifeguard)
Países : Coreia do Sul
Ano: 2012