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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Critica: O Mestre (The Master)




A cientologia é um sistema de crenças (também designada seita), criado em 1955 pelo escritor de ficção científica L. Ron Hubbard. Atualmente ela reúne adeptos, principalmente nos Estados Unidos.

A Igreja da Cientologia mistura aspectos da psicoterapia com elementos religiosos do hinduísmo, budismo e cristianismo. Os seguidores da cientologia acreditam na imortalidade, sendo que os seres humanos vão evoluindo até chegar ao estado de iluminação. Esta evolução não ocorre em apenas uma vida, mas sim em várias vidas através do processo de reencarnação. O ser espiritual, que é imortal, é chamado de “thetan”.

Os adeptos desta igreja passam por um processo científico para atingir o autoconhecimento. Entrevistas, exames, e até testes com detectores de mentiras (polígrafo) são usados neste processo. Os resultados deste processo são guardados para que os adeptos possam, futuramente, verificar o progresso obtido.

A Explicação acima é pertinente aqui, uma vez que o longa O Mestre do diretor Paul Thomas Anderson, permeia a todo instante o nascimento dessa religião cientifica, sem o caráter documental, verídico, mas de forma abrangente.

O filme trata da fundação da Causa, uma organização religiosa criada por Lancaster Dodd (Hoffman) nos anos 50, depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Freddie Sutton (Joaquin Phoenix) é um alcoólatra, veterano da Marinha, que volta da guerra e regressa ao lar, aflito e inquieto quanto ao seu futuro. Ele se torna aprendiz de Lancaster Dodd, mas começa a questioná-lo quando o culto ganha proporções de fervor cego.

Ao contrario do que fizera por exemplo em Magnólia ou mesmo Sangue Negro, Thomas Anderson, entrega aqui um filme muito mais abrangente ao grande publico, porem não menos emblemático. Não temos as inúmeras interligações de tramas durante o enredo. Seguimos uma linha única na trama, que se dá através do relacionamento de Dodd e Freddie, e a relação de ambos com as ideologias trazidas através dos ensinamentos estudados – e aparentemente criados - pelo Dodd, denominado a fundação A Causa; que posteriormente se tornaria a religião conhecida atualmente como Cientologia.

A trama intercala momentos da vida conturbada de Freddie, suas atribulações pessoais, emocionais e sentimentais, a sua adaptação ao modo de vida de Dodd.

O filme inicia-se numa praia, com vários marinheiros recém-chegados da Guerra, se divertindo e relaxando. Entre eles esta Freddie, que parece alheio ao restante de seus colegas, se concentrando apenas a conseguir obter a água de um coco sem se cortar ou mesmo a explicar suas teorias mirabolantes de como se livrar de um caranguejo que se atraque com seu saco escrotal.

Em dado momento, os marinheiros fazem uma mulher de areia, e Freddie participando da descontração, surge para simular sexo com ela. No primeiro momento os marinheiros riem e se divertem com a cena, porem aos poucos- já com a trilha sonora quase inexistente em cena- os risos vão cessando e dando lugar a expressões preocupadas.  Após um corte seco, vemos Freddie de costas se masturbando loucamente, para em seguida deitar-se carinhosamente abraçando-se com a mulher de areia, que assume assim uma conotação entre mescla de uma situação pós-coito de satisfação e carinho, e a maternal, de um filho abraçando a mãe após um carinho qualquer.

Essa cena de abertura já diz muito sobre o que esperar de Thomas Anderson e seu O Mestre.
Logo o roteiro nos conduz sobre a mente problemática de Freddie que constantemente assume uma postura curvada, quase de desamparo, com as mãos nos quadris de tempos em tempos, como se buscasse ali um autocontrole, firmar-se para não cair. Isso já nos apresenta o trabalho de composição de personagem assombroso de Phoenix, que mantém suas feições paralisadas, um olhar entre a loucura e o sofrimento intenso, a fala enrolada e embarcada, um andar torto, e uma respiração falha. 

O Trabalho e atuação de Phoenix é algo descomunal e intenso, de tal modo que seria quase que impossível tirar todas as atenções dele. Seu personagem é extremamente emblematico e desafiador, não só pelas caracteristicas fisicas, mas pela carga emocional que ele carrega. Freddie é um homem visivelmente atormentado por seu passado. Numa cena fabulosa e que revela uma atuação intensa de Phoneix, de entrega, qm que ele se submete a uma especie de hipnose, respondendo uma serie de perguntas rapidas sem poder piscar. A tensao ali que ja é um deleite a parte, revela todos os medos do personagem e traça o porque de seu comportamento violento, sexual, de medo e desafio a autoridades- que encontra sua ironia justamente na figura do Mestre- e seu medo de se entregar a loucura, o que apesar de ela ser visivel, o mantem lucido na maior parte do tempo. 

Mas ocorre o impossível. Isso porque tanto as personas de Hoffmam e seu Dodd e de Amy Adams e sua Peggy (esposa de Dodd) são extremamente bem compostas da mesma maneira. Os niveis de atuação se equiparam assim como a força de seus respectivos personagens.

Hoffman convence no papel de Mestre. Sempre demonstrando analisar cada conversa, cada ato, cada situação, cada pessoa, sempre aparentando um cansaço na respiração, próprio de figuras de poder. Inclusive, tendo na maior parte do tempo uma serenidade latente mas que ao simples questionamento de suas ações, como ao ser questionado por suas crenças, se apresenta imediatamente tão violento e intolerante quando Freddie, o que devido a seu caracter aparentemente brando, acaba surgindo assustador sempre que explode de repente. 

Mas realmente é de Amy Adams e sua Peggy um dos personagens mais interessantes numa teia de personas instigantes.

Isso porque, Peggy assume muitas vezes com sutileza extrema, captada apenas através de detalhes, o papel de verdadeira comandante dentro da congregação e dentro da própria família  As decisões que não lhe agradam parecem tomar força e fracassarem, seus olhares e presença em tudo que o marido faz é latente também, é dela a voz final, é dela a força e motivação – e ordem- quando em certo momento ela quer que o marido e Freddie parem de beber.

Nisso entra a fantástica cena em que Dodd esta se preparando para dormir, fazendo a higiene pessoal em frente ao espelho no banheiro e sua esposa Peggy surge. Ela faz um discurso revelador de sua posição dentro da trama, enquanto de maneira quase que torturante o masturba enquanto exige e ordena que ele não beba mais e volte a ser o Mestre para seus seguidores. Toda a cena é mostrada com os atores de costas, de frente a um pequeno espelho, e não há nada de sensual ou sexual ali, apesar de ser sugerido. É extremamente tenso a maneira que se desenrola a cena justamente por vir a tona o real papel e força da personagem de Peggy na trama. Assim seu personagem ganha uma dualidade de valores mais intensa, não por acaso sua cena final no longa é extremamente desconcertante por sua fala, e igualmente o fato dela sempre surgir – na maioria das cenas- trajando vestes na tonalidade magenta, que nada mais é que a junção do azul e do vermelho. E Amy Adams transpõe essa força e intensidade  de seu personagem de maneira bem interessante, principalmente em seus olhares sempre numa mescla de raiva e desconfiança com medo e tristeza.

Essa relação de sua personagem com a trama se dá também numa cena peculiar- e extremamente bem conduzida- quando estão todos reunidos numa sala, enquanto Dodd canta e dança. Freddie visivelmente alcoolizado tal qual Dodd, esta sentado num canto extremo da sala apenas observando a cantoria. E nesse momento seus pensamentos lascivos voltam a domina-lo, fazendo-o enxergar todas as mulheres completamente nuas. Isso se dá por uma pequena panorâmica que gradualmente vai revelando- transformando- as vestes das mulheres, revelando seus corpos nus sem que elas se deem conta disso. Inclusive Peggy, que se encontra quase que invisível em cena sentada no outro extremo da sala. E mesmo que esta também acabe sendo desnudada, e mesmo que toda a cena seja reflexo da imaginação de Freddie, ainda assim Peggy lhe lança imediatamente olhares de desaprovação, como se esta conseguisse saber exatamente o que se passava pela mente de Freddie naquele instante.

Ainda com relação as atuações, os embates entre Freddie e Dodd se dão de maneira intensa. Mestre versus discípulo. pai versus filho – algo recorrente também na filmografia de Thomas Anderson, a relação pai e filho-. Com o auxilio de câmeras que captam as cenas recorrentemente de baixo pra cima, numa angulação que transpõe à tela a relação de que Dodd é superior a Freddie em todos os sentidos, - com exceção magistral do inicio do terceiro ato em diante que os planos começam a ter continuamente um nivelamento-  o filme ainda ganha ares de Thriller ao conseguir evocar o suspense de quando essa relação tempestuosa ira se desmanchar. Isso porque desde o inicio da relação Dodd-Freddie há uma latente lacuna entre os dois, que ao mesmo tempo em que os conecta, os coloca num limite de tensão – muitas vezes sexual inclusive, já que o interesse de Dodd por Freddie as vezes ultrapassa a conotação paternal e ditatorial e parte para olhares de lascividade homoafetiva- que sugere claramente que estão a ponto de descarrilhar.

Ate porque Freddie e Peggy são os únicos dentro da congregação que parecem possuir um controle, uma espécie de influencia em Dodd, e assim uma relutância em seguir seus passos cegamente. Por mais que Freddie surja como um filho rebelde que ainda assim segue as doutrinas de Dodd, ele também encontra lugar para desafia-lo e se questionar, mesmo que não proferindo-as sobre o sentido de tais atos e ideologias e crenças.

Tudo isso ajuda a compor de maneira profunda as relações e por sua vez as personas dos personagens dentro da trama. Mesmo que a cientologia esteja ligando tudo, é nas relações intrínsecas de seus personagens que o longa ganha força e discorre, numa quase psicanálise.

Não por acaso ha analogias diversas a figuras de testes de psicologia a todo instante, seja nos quadros nas paredes ou nas imagens que compõe a arte dos ambientes.

Aliados a uma fotografia delineada, repleta de tonificações, é das cores o grande feito dela. Em especial a presença das cores Azul – que representam continuamente a relação de Freddie com o mar, onde este desponta como divisor de seus ideais  Uma vez que foi durante a Guerra pelo mar que Freddie adquiriu seus medos, receios e limitações. Suas neuras e tormentos. Onde continuamente surge um plano das águas do mar divididas por um rastro deixado por uma embarcação, em um tom mais claro de azul, que tanto nos remete as soluções alcoólicas de Freddie, como a própria divisão de suas crenças e escolhas-; e o Vermelho – que surge como antecessor dos interesses de Freddie. Geralmente associados as suas necessidades sexuais em suas mulheres. O vermelho é característico em varias passagens em que notamos quando Freddie ficara abalado ou demonstrara interesse afetivo/sexual por algo. E nisso é interessante constatar a escolha de introduzir o personagem Dodd na historia, trajando apenas um Robe de banho na cor vermelho, assim que conhece Freddie.-.

Algo que deve ser salientado antes de tudo, é que esse filme foi capturado em Película em 65 mm,- que era comum e não é usado deste a década de 20 aproximadamente- o que confere ao filme não só um visual extremamente grandioso e envolvente com uma profundidade de campo fotográfico belíssimo, como também nos dá a sensação real de que estamos vendo um filme da década de 50, ainda que a qualidade da imagem seja extremamente qualitativa. 

Ainda temos a presença de travellings sensacionais durante toda a projeção e belos planos abertos revelando um cuidado e competência de direção de arte.

O filme comete talvez um único equivoco, ao surgir quase que arrastado do inicio ao fim. Mesmo que possua uma trilha sonora divertida, com ares da década de 50, e uma edição coerente com a trama; o filme que possui pouco mais de duas horas e meia, parece se arrastar ate encontrar seu final. Isso porque o filme exige esse desenvolvimento mais lento justamente para que cada detalhe se apresente da maneira devida. 
Para que o tempo faça moradia ali. Mas uma vez que estamos falando de um filme que sucumbi a ordem de Obra e passa a ser um produto, esse “ritmo” acaba afastando o telespectador que não esta acostumado com a filmografia de Anderson ou mesmo com essa cautela em transpor as ações. Mas isso é irrelevante diante do resultado, que para quem se dispor a emergir não se arrependera.

Como todo filme de Thomas Anderson, há mais perguntas do que respostas no meio do caminho, mesmo que sua cena final surja de maneira quase decepcionante, revelando uma compreensão quase que explicita de todos os fatos ali mostrados, ainda assim, não há como afirmar que qualquer interpretação feita seja a correta, e é aí que o filme brilha e desponta.

O Mestre assim, se torna extremamente relevante em sua proposta, nos entregando uma obra bem conduzida, bela de se ver e instigante ate seus créditos finais.

Seja na crença ou não, é de Paul Thomas Anderson, Amy Adams, Philip Seymour Hoffman, Joaquin Phoenix e talvez Tom Cruise o gole final.


Trailer



FICHA TÉCNICA

Diretor: Paul Thomas Anderson
Elenco: Amy Adams, Philip Seymour Hoffman, Joaquin Phoenix, Laura Dern, Jesse Plemons, Rami Malek, Jillian Bell,
Produção: Paul Thomas Anderson, Megan Ellison, Daniel Lupi, JoAnne Sellar
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Fotografia: Mihai Malaimare Jr.
Trilha Sonora: Jonny Greenwood
Duração: 138 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos











sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Critica: As Sessões




O novo filme do diretor Ben Lewin, As Sessões, propõe uma reflexão acerca das limitações do corpo, sem cair em pieguices e conferindo um tom extremamente humano e sensível a uma historia real.

É importante salientar que o filme é baseado num livro chamado 'As Sessões, Minha Vida como Terapeuta do Sexo' da escritora e terapeuta Cheryl T. Cohen. O Livro relata, o trabalho dela com seus pacientes/clientes nos mais de 4 anos de profissão que exerceu. E Mark O'Brien é o primeiro desses pacientes relatados no livro e o qual o filme segue pela trama.

O filme relata A história de Mark O'Brien (John Hawkes), um bem sucedido escritor e poeta, que aos 7 anos de idade, contraiu poliomielite, paralisando-o do pescoço para baixo. Apesar de ainda possuir sensibilidade por todo o corpo, ele não é capaz de move-lo. Nem mesmo de respirar sozinho durante o sono. Para isso ele conta coma  ajuda de um tubo/cama que recebe o nome de Pulmão de Ferro, que continuamente fica ligado lhe fornecendo ar durante a noite, quando ele esta dormindo . Mark esta em meio a uma pesquisa sobre sexualidade entre deficientes físicos, para compor seu novo livro – ele escreve com a ajuda de uma maquina de escrever, utilizando a boca e um pedaço de madeira-. 

Com aproximadamente 38 anos de idade, Mark de repente se vê na necessidade de ter um amor de uma mulher e de experimentar o sexo pela primeira vez. Mark é virgem. E também perspicaz e inteligente como é, sabe que sua condição não se arrastará por muito mais tempo. Extremamente católico, Mark com a ajuda de seus terapeutas e de seu - amigo- Padre Brendan (William H. Macy), ele embarca numa onda de experiências, que surgem a si como misteriosos, conflitivas e extremamente interessantes.

O roteiro de Lewin, confere um drama leve, sem criar sensacionalismo ou abusar do tema, para sensibilizar ou chocar o espectador. Muito pelo contrario. 
O filme tem um tom leve e muito gracioso, ao mostrar as situações descobertas e experimentadas por Mark de maneira natural. Sem se preocupar em sexualizar nada e nem mesmo esconder nada. Os fatos são mostrados como são. Mas não de maneira cruel ou mesmo com tom de piedade e tristeza, mas com sensibilidade de ver um problema, uma limitação de corrente de uma doença, ao qual seu portador aceitou a tempos e que as pessoas que o amam, ao seu redor não tem ressalvas. É natural. É algo que faz parte de sua vida.

Nessa procura pela primeira relação sexual, Mark acaba se deparando com a terapeuta sexual Cheryl T. Cohen (Helen Hunt).

“Qual a diferença entre você e uma prostituta”? 

é a pergunta que recorrentemente Cheryl, mãe de família  casada e extremamente metódica e profissional, precisa lidar no seu dia a dia, inclusive com o espectador, que antes de sua chegada, espera por uma prostituta. Porem, ela não exerce essa profissão. Uma terapeuta sexual, ou terapeuta do sexo, é exatamente o oposto de uma prostituta. Ela lida com o sexo em sua plenitude, com a sexualidade, a desinibição, a descoberta dos prazeres, mentais e físicos de seu cliente/paciente. O ato sexual é apenas um detalhe diante da real terapia- sempre documentada por ela em diversos diários e um gravador de voz- que ela faz.

Aqui o trabalho de Hunt ajuda muito em dar verossimilhança a trama, uma vez que a atriz - que não conta com uma de suas melhores atuações, ate por que o papel não exige em momento algum isso dela -; encarna uma persona natural, cotidiana, que passa credibilidade e realidade. Acreditamos que se trata de uma mãe dedicada, de uma profissional dedicada, de uma mulher de meia idade dedicada, de uma esposa dedicada.
Ela se coloca nua, diversas vezes em tela, mas sem um pingo de sexualidade.

Mas o destaque fica por conta da atuação de John Hawkes. O ator por não poder se movimentar, entrega uma atuação com o olhar. Toda emoção, tristeza, alegria, excitação, medo, nervosismo que seu personagem lida, é transmitido pelo ator através do olhar de maneira realmente exemplar.

Contando ainda com alguns planos interessantes como o da cena em que Cheryl e Mark estão prestes a ter sua primeira relação sexual, onde a câmera passeia de forma contemplativa pelo aposento, registrando pedaços do corpo de cada personagem, e enfim fechando o plano nas expressões deles. Delicado e inventivo.

Por fim, As Sessões consegue ser um filme humano, sensível e coeso ao transpor a tela uma situação com outros olhos, sem recair no melodrama que se esperaria, ou no humor latente- que poderíamos esperar também-. 

O filme é correto, bonito e consegue emocionar e divertir na medida certa. 

 Trailer




FICHA TÉCNICA

Diretor: Ben Lewin
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Moon Bloodgood, Annika Marks, W. Earl Brown, Blake Lindsley, Adam Arkin, Ming Lo, Jennifer Kumiyama, 
Produção: Judi Levine, Ben Lewin, Stephen Nemeth
Roteiro: Ben Lewin
Fotografia: Geoffrey Simpson
Trilha Sonora: Marco Beltrami
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama







sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Critica: As Aventuras de Pi



O filme é baseado no livro homônimo do canadense Yann Martel.

O filme narra a historia de um homem chamado Pi(vivido pelos atores Gautam Belur, Ayush Tandon, Suraj Sharma e Irrfan Khan em diferentes fases da vida), que recebe a visita de um escritor (Rafe Spall), em busca de inspiração para um novo livro na promessa de que Pi lhe conte uma historia fantástica que lhe dê motivos para acreditar em Deus. A partir daí conhecemos através de Flashes Back a historia de sua vida e sua fantástica aventura por sobrevivência, num naufrágio, onde ele sobreviveu sozinho na companhia de uma hiena, uma zebra, um orangotango e um tigre de bengala, em pleno Oceano Pacifico por mais de 200 dias à deriva.

O premiado diretor Ang Lee nos trás com As Aventuras de Pi, uma aventura dramática fantástica e impressionante sobre a fé, a vida e principalmente sobre as escolhas do Homem rumo a compreensão durante nossa permanecia neste mundo.

Uma das características que mais chamam a atenção neste longa, são suas montagens. A forma como ele utilizava as sobreposições de imagens, as fusões, as passagens de tempo em elipses inteligentes; não só para compor melhor as imagens, mas como um auxilio a mais na construção da narrativa. Que alias justifica-se pelo enredo todo, ate seu final surpreendente e instigante.

O roteiro é funcional, muito bem escrito que desde o inicio constrói o caráter de seu protagonista Pi. Nos remontando desde sua infância, pela adolescente, medos, receios, aprendizados, amores, escolhas  e anseios. O que é eficiente quando o filme entra em seu segundo ato, ajudando ao espectador a entender todas as situações ali enfrentadas e a maneira que ele lida com elas.


Um filme que soa orgânico, mesmo com alguns problemas narrativos que ele enfrenta ao longo da projeção, como por exemplo a narração continua do protagonista. Por ser um historia com muitos elementos que não são perceptíveis apenas através dos atos, o único recurso encontrado pela direção foi colocar a narração quase intrusiva do protagonista em todo o momento, isso aliado a alguns planos em dado momento que surgem com uma aproximação de câmera rápida demais, o que causa um desfoque excessivo nas imagens, como na sequencia inteira do naufrágio, prejudica a narrativa do enredo – neste ponto isolado- principalmente no caso dos planos desfocados e achatados, quando se projeta ele em 3 D que é justamente o uso da profundidade de campo. Um anula o outro.
Ainda assim o 3D é eficaz, tirando esse breve deslize.

Mas tirando isso, o filme – que alias funciona extremamente bem sem ser em 3D, salvo uma ou duas cenas, como a do fundo do mar, e o do salto de uma enorme baleia, onde ele se faz quase que indispensável -, é impecável. Principalmente do ponto de vista estético.

A fotografia é carregada de cores vibrantes e granuladas, há uma textura que chama a atenção em todo o primeiro ato do longa, quando estamos no zoológico. As próprias cenas são belas, repletas de signos e símbolos, em figuras bonitas de se visualizar em tela. O designer e os efeitos visuais também são fantásticos, todas as cenas em alto mar demonstram um cuidado excessivo com as imagens de forma que impressiona. Mas não tanto quanto o excepcional e quase assombrosa construção do Tigre de bengala, um dos protagonistas do longa que atende pelo nome de Richard Park. O efeito usado na construção desse tigre virtual - e no de todos os demais animais que surgem, inclusive algumas moscas de furtas - é de tamanha realidade que não há como distinguir os takes em que se usou um animal real e o que se usou um efeito especial. Isso provem de um trabalho intenso de pesquisa e de uso da tecnologia que usou mais de 15 pessoas apenas para delimitar os mais de 10 milhões de pelos do corpo do animal. Realmente impressiona.


E é nesta relação alias, entre Tigre e Garoto, que surgem as metáforas e mensagens mais bonitas e instigantes do filme. Alias signos de representação não faltam ao longa que consegue imprimir suas metáforas ate mesmo numa ilha paradisíaca mas enganosa que se transforma do dia para anoite e que a distancia se assemelha ao corpo de uma mulher repousando no oceano.


Por fim, As Aventuras de Pi se engrandece e prova que não é apenas mais um filme, ao conseguir propor uma discussão de forma plena e justa: A da fé.

A fé que permeia todo o enredo é mostrada de uma forma libertaria, diversificada. Tudo isso na Figura da busca de Pi por compreensão do mundo através da religião sem contudo se ater a instituições. O que lhe interessa sabiamente é a fé. E desmembrar os mistérios e conhecimento por trás de cada religião que passa por seu caminho. Assim o filme versa justamente pela busca humana em compreender do que é formado os fatos da vida.

Quando um filme consegue conversar diretamente com o espectador, sem que este se sinta deslocado ou atacado por pregações; é ótimo.

Esta – a crença-  que esta no sentimento de cada um em obter respostas e "curas" para seus males internos, redenção pessoal, para aquilo que a ciência não pode resolver- e mesmo essa, a ciência, tem espaço no filme e de forma discutível através por exemplo, da crença do pai de Pi nela, ou na constatação da mãe de Pi que diz que em certo momento que "a ciência é importante para o lado exterior do Homem, mas é na religião que se encontra a solução para o lado Interno, aquele que não se vê e só se sente sem poder explicar" - é um filme cuja moral esta naquilo que nós escolhemos acreditar.

Na força da natureza e seus mistérios com relação ao Homem e principalmente no universo todo que reside dentro de nós.

O ato final revela essa proposta de discussão ao deixar para o espectador a escolha de como digerir o filme, da maneira que seu coração ou razão melhor escolherem. Em ambas as escolhas o resultado os levara pro mesmo final, porem a ida ate ele é que é a chave, tal qual a experiência da vida.

As Aventuras de Pi é um mergulho em nossas próprias aventuras, seja como ali, na companhia de um tigre de bengala ou de um amigo de polegares opositores como nós.

Seja no mar ou na terra.

Um belo filme, sensível e em toda sua mistificação; humano.


Trailer





Ficha Técnica

Diretor: Ang Lee
Elenco:  Irrfan Khan, Rafe Spall, Depardieu, Suraj Sharma, Adil Hussain, Ayush Tandon
Produção: Ang Lee, Gil Netter, David Womark
Roteiro: David Magee, baseado na novela Yann Martel
Fotografia: Claudio Miranda
Trilha Sonora: Mychael Danna
Duração: 129 min.
Ano: 2012
País: EUA










terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Critica: O Lado Bom Da Vida ( Silver Linings PlayBook)



A trama gira em torno de Pat Solatano (Bradley Cooper), um cara que perdeu tudo - sua casa, seu trabalho, e sua esposa. Ele agora se encontra vivendo com sua mãe (Jacki Weaver) e o pai (Robert DeNiro), depois de passar oito meses preso. O homem está determinado a reconstruir sua vida e voltar com sua esposa, apesar das circunstâncias difíceis de sua separação. Porém, quando Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma misteriosa e problemática garota, as coisas se complicam.

Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver), Roteiro Adaptado e Edição. E não é por acaso. Silver Linings Playbook ( O Lado Bom da Vida aqui no Brasil) consegue transformar um gênero cinematográfico batido, repleto de mais do mesmo, em algo inventivo, interessante, extremamente cômico e de uma coerência estrutural invejável.

O roteiro assinado por  David O. Russell – que também o dirige-, baseado na obra de Matthew Quick, leva o espectador a uma sucessão de diálogos rápidos e inteligentes que instigam cada vez mais a percepção do publico dentro da personalidade de seus personagens.

Bradley Cooper, irreconhecível ao demonstrar um talento sóbrio em tela, surge como Pat, um homem adulto que após ter um surto psicótico de raiva excessiva, ocasionando quase a morte de uma pessoa, é detido e designado a passar longos oito meses em um manicômio, sob tratamento intensivo de terapia para controlar seu problema. Ele se descobre com bipolaridade não diagnosticada.

Após obter permissão a liberdade condicional – ele precisa frequentar periodicamente as sessões de terapia – ele retorna para a casa dos pais, onde é recebido de braços abertos. Porem Pat é fissurado na ideia latente de querer recuperar seu casamento com Nikki, que impôs uma restrição judicial para que ele se mantenha pelo menos a 900 metros de distancia dela. E isso causa certos problemas de humor nele que culminam em desastres com sua família.

Tais cenas e tal premissa poderia cair num melodrama pesado, repleto de assuntos sérios que vão desde as atormentações psicológicas e emocionais dos personagens ate a busca de sua redenção. Mas o que o diretor Russell faz, é transformar tudo isso numa comedia repleta de sarcasmo, criando um filme não só denso, mas intensamente inventivo e imprevisível. O roteiro se qualifica ainda mais quando introduz a personagem de Jennifer Lawrence como a problemática Tiffany, no enredo. Tiffany é irmã da esposa de um dos melhores amigos de Pat. Tiffany tal qual Pat também precisou passar uns dias num manicomio fazendo tratamentos pesados após a morte repentina de seu marido. O que lhe causou uma serie de transtornos a tornando psicoticamente instável.

A sinceridade nela e sua marca registrada, para o bem e para o mal. E assim se torna uma personagem extremamente instigante, onde Jennifer brilha completamente ao conseguir se conectar com essa persona lhe doando uma fragilidade de movimentos e fala, mas um peso visceral, quase amedrontador no olhar. Vide duas cenas primorosas no qual ela tem um surto num café local, e depois num momento em que ela contracena diretamente numa discussão com Robert De Niro – que interpreta o famigerado pai de Pat, viciado em jogos de aposto e em futebol e que assim como o filho possui um histórico de agressões e restrições, num de seus melhores momentos como ator em muitos anos -. Jennifer demonstra uma segurança incrível em seu papel, de se admirar realmente.

Claro que mesmo com essas personalidades improváveis, Pat e Tiffany acabam se conectando de algum modo e começam uma amizade meio do avesso. Mesmo que o enredo denuncie sua resolução, afinal estamos falando de uma comedia romântica dramática; o que O Lado Bom da Vida tem de maior é justamente, pegar toda essa formulação e remontar um gênero a tempos desgastado.

A edição é extremamente rápida, repleto de montagens frenéticas o que para o brasileiro será um pouco complicado de inicio, já que exige uma atenção redobrado para captar os diálogos ditos, mas que é extremamente importante para o sucesso do filme. São diálogos instigantes, todos com boas doses de sarcasmo e “tiradas” inteligentíssimas, perspicazes que dominam nossa atenção e nos conquista logo de inicio.

Diversas cenas merecem destaque, mas citar ou contar qualquer uma delas seria um erro aqui, pois a surpresa de tais dentro do enredo é impecável e deve permanecer assim. Mas uma em especial há como citar. A cena logo no inicio da projeção quando Pat volta para casa e começa a ler um livro de Ernest Hemingway, chamado Adeus às Armas. Pat surge por horas e horas, extremamente concentrado na leitura e quanto por fim chega a seu final trágico, ele se indigna. Tem um acesso de fúria, arremessa o livro pela janela do quarto, quebrando-a, em plena madrugada, e ruma ao quarto de seus pais para reclamar e desabafar pela falta de “sensibilidade” do Sr. Hemingway. 
A cena toda se desdobra de uma forma ágil, mas extremamente cômica, onde muito do arco dramático e da estrutura do personagem se revelam.

Outro ponto que chama a atenção são os planos que o filme assume. Ora com câmeras na mão, sem serem tremidas demais, ora planos estáticos e abertos nos dando a sensação de que estamos apenas observando os personagens, ora com travellings dinâmicos e ora com panorâmicas ágeis, logo convertidas em travellings novamente de aproximação.

Vale citar também a participação de Chris Tucker como o amigo psicologicamente instável também, mas sempre divertido de Pat. Ele constantemente surge nas horas mais improváveis em plena fuga do manicômio  sempre hilario e competente.

Tudo em O Lado Bom Da Vida se mostra deliciosa de se contemplar e magnificamente interessante de se perceber. No cinema, uma das coisas mais primarias a seus realizadores é a de transgredir limites e buscar ir alem. Trazer coisas novas, elementos novas no jeito de se contar uma historia.
Mas mais difícil ainda, é recriar algo já existente, principalmente quando este já esta saturado a anos. 

E O. Russell consegue recriar o gênero. Remontando a comedia romântica dramática a um patamar raro de se ver hoje em dia: num filme serio pertinente, delicioso, eficaz e extremamente bem feito.

Trailer



Ficha Técnica

Diretor: David O. Russell
Elenco: Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper, Julia Stiles, Chris Tucker, Shea Whigham, Dash Mihok, John Ortiz, Anupam Kher, Jacki Weaver, Montana Marks, Bonnie Aarons, Romina, J
Produção: Bruce Cohen, Donna Gigliott, Jonathan Gordon
Roteiro: David O. Russell, baseado na obra de Matthew Quick
Fotografia: Masanobu Takayanagi
Trilha Sonora: Danny Elfman
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama








terça-feira, 2 de outubro de 2012

Crítica: Once (Apenas Um Vez)


"Eu não a conheço, Mas a quero ainda mais por isso"



Pelas ruas de Dublin, um jovem (Glen Hansard) toca suas composições próprias para arrecadar alguns trocados. Passando um dia por acaso, uma pianista imigrante tcheca (Markéta Inglová) se encanta pelas melodias e entra, sem querer, na vida do escocês. Quando menos percebem, os dois estão compondo canções sentimentais juntos, mas encontram algumas dificuldades para dar início a um romance. Ela é casada e ele vem de um relacionamento amoroso frustrado.

É fascinante como Once (Apenas Uma Vez) consegue imprimir verossimilhança e delicadeza em seu enredo, que parece simples, mas que esconde uma complexidade de relacionamentos intensa.
Desde o inicio, somos apresentados a um filme com ares de documentário, seja pela sua fotografia nada rebuscada, seja por seus planos oscilantes com câmeras sempre em mãos, imagens por vezes desfocadas, enquadramentos desconexos, planos ora muito abertos, e ora fechados demais, ou mesmo por sua montagem com seus cortes repetidamente secos e suas elipses de tempo e espaço bruscas. Tudo isso poderia caracterizar erros ao filme. Mas aqui é o maior acerto que o diretor John Carney poderia fazer. Auxiliado por um roteiro competente e bem amarrado do próprio Jonh, Once nos apresenta um romance/musical que nos convida a participar de seu enredo, como espectadores do nascimento de uma romance tímido, complicado, belo e extremamente natural.

As atuações de Glen e da aqui estreante Inglová são soberbas. Seja pelo modo que Glen caracteriza seu resignado e machucado musicista, que tem o sonho de se tornar cantor e musico que escreve suas letras para um amor do passado – uma ex-namorada que o traira -, que tem de lidar com a falta de dinheiro e a preocupação de seguir seu sonho e deixar o pai já de idade a mercê; seja por Inglová que imprime uma personagem humana, sofredora e guerreira, sem perder a delicadeza e introspecção. Mãe e filha dedicada, que cuida da família em  meio aos problemas financeiros, e que tem de lidar com a ausência do marido que jamais aceitou sua paixão pela musica, alem de viver sob o fantasma de ser uma cidadão imigrante.

Mas como um belo musical que também é, Once encontra seus melhores momentos em sua trilha sonora, com belas canções- aproximadamente 20 durante a projeção – que não são apenas pano de fundo na historia. As canções aqui executadas com maestria por Glen e Irglová, fazem parte da narrativa. Cada cena musical tem o tom de um verdadeiro vídeo clipe. E é gostoso observar como é inteligente a escolha eficaz de transpor a narrativa da trama, de acordo com o final, ou o enredo de cada musica. Cada musica executada tem o papel não só de nos inserir na situação emocional da cena, como nos da pista do que estar por vir em seguida.
Amparados por um extremo bom gosto na iluminação e composição de cenas, o filme ganha seu brilhantismo em 3 cenas distintas.

A primeira, quando os dois estão numa loja de venda de instrumentos musicais, e se colocam a cantar uma das composições de Glen, que ele fizera originalmente para a ex-namorada.
Irglová assume o piano pela primeira vez ate então.
A câmera passeia em meio a cena, meio afastadas num travelling fantástico de apresentação. Conforme a musica avança em seus lindos acordes e letra – que rendeu a eles o Oscar de Melhor Canção por 'Falling Slowly' – a câmera se aproxima, em um lindo contra-plongée que imerge suas trocas de olhares e verdadeira paixão pela musica. É o amor, como a musica fluindo e nascendo. Ao fim da musica, um plano fechado em ambos, quase faz com que o espectador esboce um sorriso como seus personagens de contentamento. É interessante observar como aqui fica ainda mais evidente um fato: apesar das musicas terem sido compostas originalmente para a ex- namorada dele, elas se encaixam tão mais completamente e de modo tão explicito a Irglová, que a alusão de que é ela a "mulher" correta, fica ainda mais bonito e de bom gosto.

A segunda se dá quando já amparados por um seleto grupo de músicos, ambos estão prestes a gravar seu primeiro CD. Irglová se encontra numa sala de estúdio vazia, imersa no escuro, com apenas um foco de luz, sobre um piano preto – que por alguma razão dá a sensação de estarmos vendo tudo a luz de velas, mas não de maneira romântica, mas de maneira melancólica - . Ela se coloca a cantar e tocar uma musica de autoria própria. É o momento mais tocante da projeção. A maneira que Irglová emprega sua voz de forma sufocante e ainda assim suave, onde cada silaba soa como uma suplica, versando sobre um amor dolorido, mas sincero, é de partir o coração.

E o terceiro momento se encontra em seu final, nada clichê, alias; surpreendente, onde nos despedimos de Once da melhor forma possível, através de uma parede de janelas pequenas e parede de tijolos expostos, como se a vida ali apresentadas, estivessem livres para serem o que quiserem, e nós novamente entendermos que não passamos de meros espectadores desses momentos, nos despedindo num belo travelling de afastamento. É Fascinante.

Once consegue emocionar, divertir, apaixonar e ao mesmo tempo entristecer.
Nos coloca em meio a reflexão de que nem sempre todo amor encontrado pelo caminho deve ser consumado, ou mesmo que para o amor verdadeiro, não é preciso nada alem de uma boa trilha sonora para acompanhar seus passos.
Um filme gostoso de assistir, que encanta, embala e faz seu som. Ótimo, sublime e impecável.

Uma extensa serenata de amor que oscila entre a beleza e a melancolia, num romance jamais consumado (?) e por isso mesmo inesquecível.




Ficha Técnica: 

Diretor: John Carney
Elenco: Alaistair Foley, Catherine Hansard, Glen Hansard, Kate Haugh, Senan Haugh, Darren Healy, Gerard Hendrick, Bill Hodnett, Markéta Irglová, Danuse Ktrestova, Pat McGrath, Sean Miller, Geoff Minogue, Leslie Murphy, Mal Whyte.
Produção: Martina Niland
Roteiro: John Carney
Fotografia: Tim Fleming
Duração: 85 min.
Ano: 2006
Gênero: Romance
Classificação: 12 anos