Resolvi criar um post explicando algumas terminologias cinematográficas que uso aqui no blog. Muitas vezes o leitor vem, ate gosta da critica feita, assiste ao filme, mas não consegue compreender com exatidão o que são tais terminologias.
Não sou crítico de cinema, sou apenas um cinéfilo estudante de cinema, assim como muitos que visitam o blog, assim sendo nada mais justo do que tornar os textos cada vez mais acessíveis fornecer argumentos e justificativas para tais opiniões sim, de forma embasada, mas de maneira que todos entendam.
Planos e Enquadramentos
Plongée e Contra-Plongée
Plongée vem da palavra francesa “mergulhar” e consiste quando a câmara
está posicionada acima do seu objeto filmado que é visto, portanto, em ângulo
superior. Geralmente esse recurso é utilizado para elucidar as sensações
internas do personagem diante de um outro, diante do espectador ou situação.
Um exemplo é quando quer se passar a ideia de que tal personagem é
inferior, esta amedrontado, acuado talvez. Vemos a cena de cima, por tanto estamos
superiores a ele, nós ou outro personagem ou situação na cena.
Já o Contra-Plongée é o inverso, e consiste quando a câmera esta
enquadrada abaixo de seu objeto filmado, que é visto por tanto em um ângulo inferior.
Por exemplo, se o diretor quer caracterizar certo personagem como uma
persona autoritária, utiliza-se o Contra-plongée, para dar a ideia de que
estamos inferiores a visão dele. Ele esta acima de nossa visão.
Travelling
Travelling é o plano em que a câmara se desloca, horizontal ou
verticalmente, aproximando-se, afastando-se ou contornando os personagens ou objetos
enquadrados, sendo para isso utilizado algum tipo de veículo (carrinho), sobre
rodas ou sobre trilhos, ou com a câmara na mão ou ainda com algum tipo de
estabilizador.
Existem vários tipos de Travelling, os mais comuns são de Afastamento e
de Aproximação. O primeiro consiste na câmera se deslocando do cenário, geralmente
a fim de mostrar que estamos saindo daquele ambiente.
E o de aproximação é justamente o que o nome sugere, é a câmera se
deslocando, se aproximando do cenário.
Exemplo de travelling's:
Panorâmica
É o plano em que a câmara, sem se deslocar, gira sobre seu
próprio eixo, horizontal ou verticalmente. Este recurso é usado geralmente para
mostrar de forma eficaz e rápida o ambiente em que se esta.
Enquadrar
É o termo utilizado para designar a escolha do câmera em posiciona-la na hora da gravação, afim de determinar o que será mostrado em tela.
Planos
Os planos são basicamente o intervalo que há entre dois cortes. Plano é
considerado a menor unidade fílmica. Mas ao contrario da Cena, ele não tem que
ter necessariamente significado.
É em resumo o plano que inicia-se sempre que a câmera é ligada para a captação
de imagens e termina quando ela é desligada. Neste sentido, a noção de plano
confunde-se muitas vezes com a de tomada. No entanto, no cinema ficcional, um
mesmo trecho narrativo pode ser encenado e filmado várias vezes de um mesmo
ponto de vista, constituindo várias tomadas de um mesmo plano. Portanto, na
filmagem, cada tomada é uma tentativa de rodar um plano.
Os planos são determinados através de uma serie de critérios e assim
classificados.
Na montagem, uma serie de planos são eliminados ou editados para definir
ritmo de velocidade e duração ao filme e a cena.
Além disso, se foram rodadas várias tomadas de cada plano, o montador
deverá escolher qual delas é a melhor, levando em conta critérios de interpretação
dos atores, qualidade técnica da fotografia, movimentos de câmara, som,
enquadramento, etc. Portanto, na montagem, cada tomada é uma opção de plano.
O menor plano em consideração a sua duração é chamado de Plano-Relâmpago
e dura menos de um segundo, correspondendo quase a um piscar de olhos. E o
maior é chamado de Plano-Sequência.
Um otimo exemplo de plano sequencia se encontra no clipe "Oração" da Banda Mais Bonita da Cidade:
Mais tipos de Plano segundo seus enquadramentos:
Plano geral: mostra uma paisagem ou um cenário completo. É também chamado de Plano Aberto.
Plano médio: mostra um trecho de um ambiente, em geral com pelo menos um
personagem em quadro.
Plano americano: mostra um único personagem enquadrado não de corpo
inteiro (da cabeça até a cintura, ou até o joelho).
Primeiro plano: mostra um único personagem em enquadramento mais fechado
que o plano americano (em muitas situações, o primeiro plano é considerado sinônimo
de close-up).
Close-up (ou apenas close): mostra o rosto de um personagem.
Plano detalhe: mostra uma parte do corpo de um personagem ou apenas um
objeto. É chamado também de Plano Fechado.
Decupagem
É o ato de planejamento e designação de planos, posição de câmera, tipos
de lentes de câmera sequencia e enquadramentos no roteiro final do filme. Em alguns
casos, há também a especificação de cortes das cenas.
Montagem, e Edição
Montagem é o ato de recortar, colar, juntar, unir e criar uma narrativa,
uma sequencia de acordo com o especificado pelo diretor ou no roteiro,
resultando assim no produto final que é o filme. Em resumo é a união dos planos
criando uma cena.
O trabalho do montador consiste justamente em escolher a melhor tomada
de um plano para conceber seu trabalho.
Chamamos de Edição o processo de corte e montagem de imagens em
movimento captadas. É a edição que determina a linearidade ou não linearidade
da narrativa fílmica. A edição é basicamente a ordem das imagens gravadas na
sequência em que o vídeo será apresentado.
Não se deve confundir montagem e edição. A montagem visa juntar planos e
sequencias a fim de auxiliar a edição em impor fluxo e velocidade ao filme.
A edição vem depois da montagem a fim de finalizar todo o processo.
A edição de um filme é de extrema importância, uma vez que a maioria dos
filmes não segue ordem cronológica de cenas filmadas.
É trabalho da edição se assegurar por exemplo, que a continuidade de
cenas seja coerente.
Cena
Cena consiste na menor unidade fílmica com significado de um filme. Nela
esta contida o desenrolar de tempo e espaço no filme, roteiro. Em resumo é o
conjunto de união de uma serie de planos.
Sequencia
É a maior unidade fílmica, que geralmente contem elipses de tempo/espaço
e consiste numa grande união de cenas sem cortes. Quando a sequencia é filmada
numa única tomada sem cortes, chamamos esse feito de Plano Sequencia.
Tomada
É o ato de capturar as imagens para o filme, repetidas vezes ate se
obter a mais acertada para a concepção do mesmo. Uma única cena, pode conter
infinitas tomadas a fim de se obter sua perfeição. Uma tomada pode ser refeita inúmeras
vezes, seja porque a iluminação não estava boa, o enquadramento não estava
correto, o ator errou o texto, a câmera esta desfocada; se repete a tomada ate
que se obtenha o resultado esperado. Também chamado de “take”, a tomada é em
resumo, uma gravação de Áudio e vídeo sem interrupções. Cada tomada formara um
plano. A tomada é cada captura de determinado plano no filme.
A tomada se torna uma vasta opção de possibilidades na montagem de
concepção de uma cena.
A terminologia Plano e Tomada só é utilizada e diferenciada no ato de
gravação e construção de um filme. Após o filme pronto, não há mais distinção
das duas expressões.
Corte
Corte na película, é o ato de literalmente cortar, interromper a
gravação. No filme, é o ato de interromper uma sequencia entre os planos de uma
cena. Geralmente após o corte, há mudanças de enquadramentos e planos.
Fusão
É o efeito, de mesclar uma imagem a outra, um plano e outro. É a
passagem de tempo imagética através da sobreposição de imagens, uma pela outra.
Nessa sobreposição geralmente há mudança de espaço e tempo, e é muito utilizado
na montagem e nas elipses.
Fade-In e Fade-Out
É semelhante a fusão, mas neste caso, é a sobreposição, mudança gradual
de uma imagem em tela para o escuro ou vice e versa.
Fade-In é a gradativa emersão da imagem de um ambiente totalmente
escuro. A aparição dela.
Fade- Out é justamente o oposto é a imersão da imagem em um ambiente
totalmente escuro.
Alguns filmes utilizam esse recurso para marcar a passagem de uma sequencia
para outra. Em filmes episódicos é bem comum também.
Elipses
Elipse é o ato de "pular", mudar o tempo ou ambiente em que a filmagem esta sendo passada. é a passagem de tempo e/ou espaço brusca.
Existe as Elipses de Tempo e as de Espaço.
As elipses são utilizadas por exemplo como recurso para transpor a narrativa mais a frente ou retrocede-la. Isso é visto quando o plano ou cena muda de um mês para outro, ou quando transcorrem horas na narrativa. No caso de espaço, é mostrado quando é apresentado a mudança de ambiente, de um lugar para outro - da casa para o supermercado por exemplo.
A maior elipse de tempo que exista talvez se encontra no inicio do filme "2001 - Uma Odisseia no Espaço". Quando o macaco joga o osso para cima, vemos o osso girar no céu para num piscar de olhos dar lugar a um satélite, no universo a milhões de anos a frente:
(trecho dos 3min.40seg, ate 4min.20seg.)
Ha uma diferença entre Elipses e Flash-Back.
Um flash-back é simplesmente o ato de mostrar uma cena ou acontecimento passado. O ato de mostrar uma cena, acontecimento que esteja a frente do presente da narrativa do filme, é chamado de Flash-Forward.
Um exemplo esta nas cenas em que Harry desmaia e recobra a consciência no filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.
Sempre que ele desmaia é utilizado um Fade-Out, e quando ele recobra a consciência é utilizado o Fade-In.
Num filme - seja um longa metragem, media ou curta metragem - a analise que deve ser feita para compor uma boa critica é ponderar tudo isso acima, as escolhas utilizadas para. Aliados ao trabalho de fotografia (uso das cores, texturas, iluminação, profundidade), sonoplastia (sons e efeitos sonoros de acordo com o que a cena pede), trilha sonora(sua relevância ao atos e a ação na concepção de cena, sequencia, figurino(se condizem com a realidade proposta em tela, se for filme de poca se o tecido, o corte a influencia de tais modelos e acessórios tem haver com o período descrito e com o personagem em questão), maquiagem e etc...
Tudo isso é a parte técnica. Ainda há a parte de roteiro(sua estrutura narrativa, coesão, enredo, diálogos, atos) e atuações, concepções de personagens...
É isso. Esses são apenas alguns itens que compõe um filme. Que definitivamente tem de ser considerado uma arte, pelo trabalho que esconde, as terminações e detalhes extensos de uma massa de pessoas que tem que se empenhar individualmente e em grupo nas mais variadas vertentes. de fato, há muito chão ate se chegar no tapete vermelho...
E agora que tal exercitar essas informações? Recomendo aqui o filme "Um Corpo Que Cai" do diretor Alfred Hitchcock de 1958. e que é considerado um dos 100 Melhores Filmes pelo Instituto Americano de Filmes, e figura na lista dos preferidos na maioria de cinéfilos e cineastas no mundo todo.(inclusive eu)
Ele é um exemplo interessante da utilização de todos esses recursos ou a maioria deles. Tentem identifica-los.