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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Critica: Medo da Verdade




Um caso de uma criança desaparecida leva toda uma comunidade do subúrbio americano e a grande mídia a um estado de alerta. Os detetives particulares Patrick Kenzie (Casey Affleck) e Angela Gennaro (Michelle Monaghan), casados, são contratados pela tia da criança, para encontrarem a menina de quatro anos que foi sequestrada. Conforme as investigações avançam e aliados ao conhecimento territorial de Patrick, do gueto da cidade, tramas repletas de mistério são revelados, dando origem a uma caçada contra o tempo em busca do que realmente aconteceu com a menina e pela salvação da mesma.

Medo da Verdade, do ate então estreante nessa posição, Bem Affleck, nos apresenta uma visão clara e complexa do quadro de crianças desaparecidas.

Ben Affleck que nunca demonstrou ser um grande ator, apenas correto em cada papel que ganhava, mostra em sua estreia na direção, que domina a linguagem, e que tem uma visão clara de seus personagens, o que faz toda a diferença.
É a mãe viciada e problemática  são os tios que mais parecem avôs da criança que nutrem uma relação de amor e ódio pela mãe da criança, são os detetives que por sua idade jovem não são levados totalmente a serio e precisam se provar a todo instante enquanto carregam peso demais, são os policiais que surgem com a mesma dualidade de caráter dos bandidos, traficantes. E ele parece compreender totalmente o universo dessas personas, e isso é transmitido na narrativa e no enredo.

O roteiro conta com uma narrativa extremamente coesa e eficiente com diálogos sensacionais. Cada diálogo cumpre o papel de ser parte do enredo. São todos profundos, reflexivos e extremamente realistas. Aliados as atuações comedidas mais eficazes, com participação dos sempre ótimos Morgan Freeman e Ed Harris, o filme ainda carrega uma atmosfera densa, quase palpável  devido a sua excelente fotografia urbana saturada, em tons escuros, ligeiramente opacos. Intensificados por sua trilha sonora pesada.

Entre segredos e obscuridades, vemos uma desconstrução de imagens e conceitos, que colocam em xeque nossas questões éticas, morais e de bom senso. A todo instante o filme flerta pelo que é correto e o que é errado. Julgamentos de valores e de escolhas são constantes.
A direção de arte também é infalível ao conferir tamanha verossimilhança nos ambientes residenciais, sempre dando a impressão de aperto, de degradação, seja nas ruas escuras e úmidas a noite, ou durante o dia, em uma saturação gradual e gráfica amarelada.

O modo em que tratam a relação do dinheiro, drogas e crime com a policia também é plausível. Com uma montagem e edição repletas de sequências rápidas, ágeis e cortes ligeiramente secos, o filme ganha um ritmo catártico.
O segundo ato conta com um ponto de virada inesperado.

Mas é seu clímax que contem toda a razão do filme e que o eleva a graça completa.
Detendo finalmente uma valiosa informação no caso do sequestro da menina, Patrick segue rumo à preciosa verdade, e daí entendemos o nome do filme, uma verdade que amedronta.
Chegamos a ela, mas desde o inicio, conforme vamos compreendendo o que Patrick vai entendendo, junto a ele, que a verdade não será das melhores, ainda que esconda um elemento reconfortante.

Isso coloca um panorama extenso no filme, de discussões e lados opostos, em que o personagem e nós que assistimos ficamos em contradição a todo instante sobre a pergunta insistente: o que eu faria no lugar dele? Chega a ser angustiante isso. De tão real, de tão frágil que é nossa percepção do que é certo e errado em alguns casos.

Ainda nos últimos minutos de projeção, Affleck nos brinda com um surto criativo e inspirado e monta uma cena de simbologia delicada e que serve como um soco no estomago, ao elucidar um pequeno dialogo carregado de significado com outro personagem a respeito do nome de um ursinho de pelúcia.

Ao final, a moral que fica é que nem sempre o correto é o certo a se fazer. Será?

A busca através de personagens humanos e complexos, calcados em nossa realidade assustadoramente cotidiana, torna Medo Da Verdade, um excelente filme que excede as expectativas geradas com certeza. Imperdível. 

Ponto para Ben Affleck que promete!




Ficha Técnica:

Diretor: Ben Affleck
Elenco: Morgan Freeman, Casey Affleck, Michelle Monaghan, Ed Harris, Robert Wahlberg, Amy Madigan, Edi Gathegi, John Ashton, Amy Ryan.
Produção: Ben Affleck, Sean Bailey, Alan Ladd Jr., Danton Rissner
Roteiro: Ben Affleck, Aaron Stockard
Fotografia: John Toll
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams
Duração: 116 min.
Ano: 2007
Gênero: Suspense

Veja um trecho do Inicio do Filme: Trecho do Início do Longa








Critica: Procurando Elly



Após passar anos na Alemanha, Ahmad (Shahab Hosseini) volta ao Irã e seus amigos organizam três dias de comemoração. Sem que o resto do grupo saiba, Sepideh (Golshifteh Farahani) convida para a festa a jovem Elly (Taraneh Alidoosti), professora de sua filha.  Elly é uma jovem tímida e esquiva. Ahmad, que acabou de se separar da esposa alemã e gostaria de começar uma nova vida com uma iraniana, vê em Elly a mulher perfeita. Os amigos ajudam a construção de um possível romance entre eles. A festa em questão consiste em passar esses três dias em uma casa alugada próximo a praia. Logo no primeiro dia, tudo ocorre perfeitamente bem, os amigos se divertem, fazem compram, arrumam a casa. As crianças começam a brincar próximo ao mar enquanto as mulheres terminam de arrumar e limpar a casa, e os homens descansam, num momento de descontração jogando vôlei.
O problema é que Elly precisa ir embora ao final da noite. Mas sua amiga Sepideh a enrola para não deixa-la ir.
Uma das mulheres pede que Elly supervisione as crianças nas brincadeiras.
No entanto, misteriosamente ela desaparece logo em seguida que uma das crianças quase se afoga no mar. Começa assim uma busca densa, e extremamente violenta  por respostas, para saber onde esta Elly.

Com essa premissa que dura quase trinta minutos em tela, Procurando Elly, do diretor e roteirista Asghar Farhadi se torna um filme intenso e denso, e extremamente sufocante.

Com um roteiro contendo algumas falhas de evolução narrativa, e informações que se perdem às explicações necessárias; mas que compensa em seu magnífico panorama das crenças sociais e ditos comportamentais dos iranianos, o filme constrói momentos que vão da descontração e leveza a uma mudança brusca de aflição e verdadeiro beco sem saída.

É muito interessante os momentos em que o grupo de amigos dividem suas tarefas rotineiras e se divertem. Não ha nenhum vestígio naquela cultura massificante entre mulheres e homens tão característica da cultura daquele país. E é aí talvez que resida a força do filme e ao mesmo tempo a falha (encontrada em sua cena final). Não há distinção clara entre os homens e mulheres ali, se não fossem os véus sobre as cabeças das moças, não lembraríamos que estamos diante de uma obra islâmica. Vide por exemplo, a cena de abertura onde estão todos no carro rumo a casa de praia, gritando e rindo com as cabeças para fora da janela, principalmente as mulheres. Chega a chocar, por não imaginarmos tal "liberdade" numa cultura predominantemente machista e intolerante.

Uma brincadeira de mimica, um jantar, uma dança boba. Tudo ajuda a construir a identidade e o caráter fílmico aqui. Mas é a cena lindíssima de Elly correndo de um lado para o outro na praia para tentar colocar uma pipa rosa no céu que vale o filme todo. A montagem e a trilha sonora na cena é plausível  ao mostrar toda a beleza daquela atriz distinta e ao mesmo tempo seus olhar de mistério e fascínio numa simples pipa.
O elenco infantil que não é destaque algum, merece credito apenas ao construir a base de influencia e circulo vicioso que aquele grupo adota durante o filme. Como a cena em que os pais de uma das crianças brigam, por se responsabilizarem pelo desaparecimento de Elly, e que a criança nota a briga, exibe um olhar triste e logo em seguida, provavelmente mente, para amenizar as discussões, colocando novas possibilidades a investigação. Uma vez que logo apos o incidente a menina não se lembrava de ter visto nada, e foi só ver os pais brigando que repentinamente consegue fornecer lembranças ate então inexistentes.

Muito disso é fruto das atuações brilhantes de seus atores, principalmente de Golshifteh Farahani  na pele de Sepideh, que demonstra a todo instante, ares de preocupação e de contenção de quem esconde informações. São notáveis as características físicas que ela adotou para a personagem, como as tosses constantes, com a impressão de que esta sufocada, passando mal os olhos ejetados conforme o peso das discussões e desentendimentos entre os amigos cresce.

Mas também da escolha dos planos nas cenas de mais ação. Como a cena do mar, em que eles procuram pela criança que esta se afogando. Com a câmera em mão, somos impelidos juntos a emergir na procura. Isso aumenta cada vez mais a tensão e o tom de urgência a tal ponto que mal conseguimos desviar a atenção da tela. Como se pudéssemos pressentir alguma tragédia surgir a qualquer instante.

O filme perde sua evolução natural, mais para o final, ao introduzirem valores de culpa e ações que poderiam muito bem ser simplificadas com uma montagem mais razoável  levando-se em conta que  filme todo se passa em apenas três dias.

Com um final previsível e de certo modo decepcionante devido a todo o cunho tenso que criou durante toda a narrativa, principalmente na escolha falha mas compreensível de um carro na cor vermelha atolado na areia próximo ao mar; o filme ainda assim consegue cumprir bem o seu papel e passar sua mensagem.

Procurando Elly prova que às vezes há varias verdades embutidas numa mesma mentira, e que muito mais do que buscar revelações no nosso dia a dia, o segredo de tudo esta mais no que não se é dito, do que no que é dito. Um Bom Filme.





FICHA TÉCNICA

Diretor: Asghar Farhadi
Elenco: Taraneh Alidoosti, Golshifteh Farahani, Mani Haghighi, Shahab Hosseini, Merila Zarei, Peyman Moadi, Rana Azadivar, Ahmad Mehranfar, Sabe Abar.
Produção: Mohammad Sadegh Azin
Roteiro: Asghar Farhadi
Duração: 119 min.
Ano: 2009
País: Irã
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos









quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Crítica: A Separação



A Separação, filme ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2012, Ganhador do César (espécie de Oscar Francês) de Melhor Filme Estrangeiro do mesmo ano, alem de Vencer na mesma categoria o Globo de Ouro e Urso de Ouro e Prata no Festival de Berlim, do diretor Asghar Farhadi, é uma densa historia de demonstração de valores morais e éticos.

O Roteiro de Farhadim cria um arco dramático repleto de densidade em seus diálogos sempre críticos e seu enredo problemático. É impressionante a construção de narrativa criada por ele, que culmina num roteiro sempre em progressão, coerente, coeso, extramente bem amarrado e decupado.

Irã. O casal Nader e Simin atravessam um denso conflito no casamento. Simin deseja sair do país atras de melhores oportunidades de bem estar de vida, mas Nader não concorda em viajar e deixar o pai com Alzheimer sozinho. Decidida a deixar o pais Simin pede o divorcio para poder viajar com a filha. Nader  a custo aceita, mas não concorda em abrir mão a guarda da filha. Isso gera uma disputa pela guarda da adolescente. 
Simin sai de casa e vai temporariamente morar com a mãe, deixando o marido sozinho com a filha - que decide permanecer em casa enquanto a justiça não se decide-  e o pai doente.
Nader, então, contrata a religiosa Razieh para cuidar de seu pai durante as tardes, enquanto trabalha e a filha está na escola. Razieh, uma mulher devotada religiosamente e com uma filha pequena, logo de cara acha errado, ela uma mulher casada,  trabalhar para um outro homem casado sem a presença da esposa. Com o marido desempregado e afundado em dívidas, ela contudo aceita o emprego, mas esconde a verdade do marido. 
Um acontecimento lamentável, no entanto, gera uma outra briga judicial, mas desta vez envolvendo Nader, Razieh e seu marido.

Logo de inicio o filme inicia-se num plano fixo, centralizado, mostrando marido e mulher diante de um juiz- raramente mostrado em tela- acertando os tramites para a separação. É preciso dizer que no Irã, uma mulher casada não pode viajar sem o marido.
Tudo isso nos é mostrado através de diálogos rápidos e que soam muito naturais, percebemos que há conflitos não só de interesses entre o casal.

O filme nos mostra todos os lados de um mesmo fato, sempre de forma linear. O julgamento do que realmente aconteceu e do certo e errado fica por conta do espectador. Em nenhum momento o filme nos induz a ficar do lado de um personagem ou outro. Sem se perder em frieza, alias muito pelo contrario, ele nos faz de Juízes diante daquela trama.
Isso já nos é mostrado desde o inicio naquele plano inicial em que eficientemente somos postos no lugar do juiz. Vemos toda aquela cena do ponto de vista dele.

Contando com uma bela fotografia urbana e uma direção de arte eficaz, o filme ainda nos leva a questionamentos acerca dos costumes daquele país, e propõe outra visão. Ali no filme é justamente a figura de Nader, o homem da casa, que se apresenta mais centrada, justa. É ele que assume a maior parte das responsabilidades de cuidado ao pai, é ele que parece ‘aparentemente’ mais devotado a filha, é ele que ensina e encoraja a filha valores de liberdade e individualismo. Ensinamentos que encorajam a filha a pensar por si mesma e fazer suas próprias escolhas.

Num país que quando consegue introduzir uma obra no ocidente, vem carregada de questionamentos políticos, A Separação se mostra eficaz ao deixar essas questões apenas como pano de fundo, soando assim mais orgânico e natural. Muitas vezes esquecemos durante a projeção de que estamos diante de um filme Iraniano e de uma ficção, de tão verossímil e instigante que a projeção assume. é interessante como o filme consegue nos distanciar do esteriótipo ocidental criado, de que povos islâmicos vivem dramas apenas políticos e religiosos. O filme nos mostra que eles assim como nós também possuem seus próprios dramas familiares, afetivos e sociais. Somos mais parecidos do que imaginamos.

Em dado momento, é criado um intenso e gravíssimo conflito entre a empregada e Nader, que perde a cabeça e empurra-a para fora de sua casa.
Esse empurrão não só serve como fio condutor pelo resto da projeção colocando seus personagens e suas vidas em um panorama de extrema densidade e tensão; como empurra ou no caso puxa o espectador para a projeção como nunca antes. Se antes assumíamos o papel de observador apenas, a partir desse ato nossa emersão é plana. O diretor nos leva num embate quase físico, emocional e sentimental nos dramas ali em tela. É angustiante e paralisante.

Amparados por um excelente grupo de atores e um magnífico trabalho de construção de personagens, A Separação chega a seu clímax, numa cena elucidativa belíssima, num corredor de justiça milimetricamente dividido. Beira a genialidade.
Alias devo destacar o brilhante e catártico trabalho de Peyman Moaadi e seu Nader, que assume totalmente o papel proposto, dando uma naturalidade e visceralidade tocante ao personagem.

O que posso dizer é que A Separação é um filme corajoso dado o país de origem, inteligente, denso, que consegue ser criticamente político sem trair a religiosidade e nem fazer apologia a mesma que o Irã tanto preza. Causa uma identificação e fisga o espectador, mas se distancia de impor sua visão ao espectador deixando a ele, a nós decidirmos sobre aquelas vidas e assim refletirmos sobre as nossas também. E esse é o maior triunfo de A Separação.

Um filme excelente que vale muito ser conferido!




FICHA TÉCNICA

Diretor: Asghar Farhadi
Elenco: Leila Hatami, Peyman Moadi, Shahab Hosseini, Sareh Bayat, Sarina Farhadi, Babak Karimi, Ali-Asghar Shahbazi, Shirin Yazdanbakhsh, Kimia Hosseini, Merila Zarei, Hayedeh Safiyari
Produção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi
Fotografia: Mahmoud Kalari
Duração: 123 min.
Ano: 2011
País: Irã
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos








Clipe: Longe Daqui - China


A escuridão que dá lugar a luz, sobre as estradas, com destino ao nosso lugar.


O Cantor/compositor/apresentador China acaba de liberar seu novo single e clipe. A faixa escolhida foi a  musica "Longe Daqui", track bônus do seu ultimo álbum “Moto Continuo” lançado em 2011.
Com a atriz Uyara Torrente (uma das vocalistas da Banda Mais Bonita da Cidade), o clipe é simples: tela plana de projeção, a atriz imersa na escuridão, gradativamente sendo focada pela luz enquanto ao fundo na tela surgem imagens em travellings de uma estrada percorrida.
O clipe inicia num plano fixo que permanece ate o final, enquanto vemos Uyara emergir da escuridão total, num espécie de fade-in gradual.
Enquanto a letra - que versa justamente sobre uma persona que deseja se encontrar em algum lugar longe da atual realidade, letra essa  que  encontra sua representação bem feita aqui no clipe – Uyara vai surgindo belíssima, numa maquiagem bem delineada e com os cabelos presos.
O recurso estético de contrapor imagens, quase em uma fusão- apesar de não ser- e iluminação intensa e focada com a escuridão densa é belíssima. Confere ao clipe uma fotografia atraente.
Aliados a interpretação da atriz que permanece imóvel a todo instante, enquanto vemos em seu olhar a sua transformação emocional é de uma delicadeza tocante. É como se enquanto o clipe vai da escuridão a luz, a atriz, no entanto fosse justamente da serenidade ou esmaecimento, à escuridão e a suplica.
Em alguns momentos o clipe lembra um Teste de Cena realizado pelo Andy Warhol : Confira . 
No qual a modelo permanece estática, num enquadramento fixo, enquanto sua emoção flui na tela.
O som é elucidativo também, o que ajuda na imersão emocional proposta.
Com direção de Rosano Mauro JR. e Tainá Azeredo O clipe ‘Longe Daqui’ me agradou bastante (e a musica em si mais ainda) tanto que mereceu o post.
Confere aí “minha Joia” por que como diz o próprio China: esse som/clipe “é classe média alta”.






Ficha Técnica

Direção: Rosano Mauro Jr e Tainá Azeredo.
Ass. de Direção: Débora Vecchi
Dir. de Fotografia, Edição e Finalização: Rosano Mauro Jr
Atriz: Uyara Torrente
Artista: China
Álbum: Moto-Contínuo (2011) Nacional
Gravadora: Joinha Records

Critica: Intocáveis


"Um Filme Tocante!"


Dois Homens, um negro e um branco de certa idade, num carro em alta velocidade pelas ruas da França a noite. Um travelling extenso aéreo acompanha-os furtivamente pela noite, como se fossem dois criminosos em fuga, ou como se estivessem transgredindo os limites de velocidade apenas por diversão perigosa.
Logo, um dialogo amigável, nos informa que eles não são tão perigosos assim...




Philippe, um refinado multimilionário tetraplégico francês, precisa de um auxiliar de enfermagem para auxiliá-lo nas suas atividades rotineiras.  Dentre tantos candidatos, ele escolhe Driss, um senegalês que vive nos subúrbios de paris e que acaba de cumprir uma pena de 6 meses de prisão, sem formação alguma para o cargo e dono de um temperamento forte e explosivo.
Amparado por essa premissa, Intocáveis dos diretores Olivier Nakache e Eric Toledano, nos imerge em uma historia sarcástica e extremamente belíssima. Baseada no livro "O Segundo Suspiro" (Le second souffle) que conta a historia real do verdadeiro Philippe Pozzo Di Borgo. 

O sarcasmo esta contido apenas em seu titulo. Apesar de o longa ter recebido o nome de Intocáveis, é impressionante o quanto ele contem elementos extremamente tocantes. Ele atinge, toca, flerta com o espectador de maneira plena.  
Com um trabalho de fotografia de muito bom gosto assumido por Mathieu Vadepied, Intocáveis cria uma paleta de cores que vai dos tons escuros e sombrios dos subúrbios, ate aos tons iluminados e carregados de tons pasteis do centro. Mais especificamente da mansão de Philippe.
É muito interessante observar a escolha do diretor em introduzir a arte, a pintura e a musica clássica, como metáforas as condições de relacionamento entre Philippe e Driss. Tudo isso inseridos na cenografia que preza pelos detalhes impecáveis de construção de cena, como fotos dispersas em portas retratos que nos informam discretamente sobre o passado e vida de cada personagem. Auxiliados pelo figurino que compõe seus personagens e suas personalidades de maneira bem eficaz, como a presença sempre insistente do capuz em Driss, ou a jaqueta de couro e ternos claros de Philippe. Cada vestuário caracteriza o mundo em que casa um é inserido. Mesmo que compartilhem de um mesmo ambiente, cada um possui realidades, gostos, e personalidades diferentes.

A vida de Driss é um suplicio com sua família a beira da falência e desunida, com varias crianças para cuidar, uma mãe que cansou de esperar por um futuro e atitudes responsáveis do filho, um irmão envolvido com o mundo das drogas e ele tentando mudar sem saber como e sem ter oportunidades. Num ambiente cruel de desvalorização e abandono que mostra as condições dos imigrantes africanos  sem oportunidades de emprego na frança, e que a alguns anos durante o governo Sarkozy, rendeu ao pais diversas manifestações violentas pela falta de oportunidades, apoio e perspectiva.
E a vida de Philippe também é extremamente difícil. Milionário, mas tetraplégico, devido a um acidente a anos atrás, totalmente dependente de tudo e de todos, que só consegue mover o corpo do pescoço para cima, desmotivado, solitário, pai de uma filha de 15 anos com quem não tem quase relação, que troca cartas frias com uma mulher que nem conhece pessoalmente, e viúvo.

Ainda assim, o que poderia se tornar apenas mais um filme extremamente dramático e carregado, é, contudo um filme leve e divertido. O peso já esta no enredo.  E é justamente o roteiro e seus diálogos que fazem seu serviço como ninguém.
Com diálogos memoráveis, o roteiro assinado por Olivier Nakache e Eric Toledano, apresenta não só uma narrativa progressiva e detalhista, como contem elementos de critica ao sistema econômico e social da frança. É notável constatar em simples diálogos aparentemente dispersos, como Driss nos apresenta o panorama de desemprego e divisão de classes da frança – candidatos a um emprego, totalmente avesso as suas formações acadêmicas, apenas pelo dinheiro.  Ou como Philippe nos apresenta o mundo econômico como um grupo calcado na lei das aparências – o quadro pintado pelo negro do subúrbio que não entende nada de arte, ser vendido a 11 mil apenas por ser ofertado como um original de um artista europeu que passou pela principal galeria de arte de Berlim -.

Mas o maior feito de Intocáveis esta em sua narrativa. Com um enredo que poderia render vários momentos de introspecção carregados de melodrama e clichês fáceis, ele calca o caminho inverso, e aposta no humor, na leveza para nos apresentar uma historia que por si só já é intensa e dramática.
Mas não é um humor negro, o que poderia se pensar; o humor critico; não. É um humor natural, verossímil. Um humor pelo qual todos nós levamos a vida, ainda mais em seus momentos mais tensos e carregados. A velha historia de “rir para não chorar”, ou mesmo “é a vida, fazer o que”. E isso é admirável.
O filme toma ares de uma comedia ao tratar do tetraplégico, não como um coitado, mas como a pessoa que é: um homem normal. Não há distinção fixa em nenhum momento. Alias é raro os momentos em que nos damos conta de que estamos vendo um personagem tetraplégico. Suas limitações não são o foco ali, é uma realidade, uma característica, que conduz o fio dramático, mas que não é enfocada a toca hora, justamente para se distanciar do tom melancólico e do melodrama.

Com atuações brilhantes e interessantíssimas de François Cluzet – que esta impecável no papel de Philippe-, e Omar Sy – cuja atuação lhe rendeu um César (espécie de Oscar Francês) tornando-se assim o primeiro negro da historia do país a ganhar tal premio,-; e de seus principais personagens, todos no tom certo, na dramaticidade certa, é, contudo Omar Sy e seu Driss que se destaca em tela. 
Todos os melhores momentos provem dele, sejam suas cantadas, sejam seus comentários carregadas de humor e atrevimento, sejam suas expressões de ternura, sofrimento e peso pelas responsabilidades e dramas que carrega. Sem falar que seu sorriso cativa a qualquer um e seu timbre extremamente grave é uma delicia de se escutar.

Conta ainda com uma trilha sonora arrebatadora, que vai de Nina Simone e Hal Mooney á George Benson e Earth, Wind & Fire, ate Bach, Vivaldi, Ludovico Einaudi, Chopin e Mozart.

Repleto de delicadeza, o filme encontra seu melhor momento próximo ao final, quando Driss leva Philippe para ver o mar. É tocante – a palavra é inevitável – a alusão que se faz nessa cena, num plano fixo e aberto, de Philippe e Driss vendo as ondas do mar aberto, num dia excessivamente claro, onde a fotografia assume tons brancos e cinza, ligeiramente esfumaçados. A sensação trazida é de paz. E é lindo notar como as ondas do mar representam no olhar de Philippe naquele momento exatamente a sua condição: o mar que não sai do lugar, permanece pra sempre no mesmo lugar, mas não parado, suas ondas o movem. O mar que é belo e fascinante e ao mesmo tempo tão simplório e misterioso.
E o filme se resume bem a isso. E como essa cena que nos faz lembrar que não somos nós que tocamos o mar e sim o mar que nos toca, a água que nos toca e não ao contrario. Intocáveis nos toca. 
É como se apesar de nós termos dado o play, termos caminhado ate a sala de cinema e estarmos ali de espectadores, na realidade fossemos os verdadeiros objetos assistidos. O filme nos enxerga e por isso mesmo nos arrebata dessa forma plena e gostosa. (arrebatamento, alias que ja conferiu ao longa a melhor bilheteria francesa da historia no mundo todo, que antes pertencia ao filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" de 2001 )

A sensação que fica ao final de Intocáveis é a de que estivemos diante de um filme inesquecível  que prova mais uma vez o talento dos franceses em criar historias densas e ainda assim cativantes, e a de querer rever o filme varias e varias vezes.

Confesso: 'ainda estou com uma ligeira vermelhidão nos lóbulos da orelha...'





FICHA TÉCNICA

Diretor: Olivier Nakache, Eric Toledano
Elenco: François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Fleurot, Clotilde Mollet, Alba Gaïa Kraghede Bellugi, Cyrril Mendy, Christian Ameri
Produção: Nicolas Duval-Adassovsky, Laurent Zeitoun, Yann Zenou
Roteiro: Olivier Nakache, Eric Toledano
Fotografia: Mathieu Vadepied
Trilha Sonora: Ludovico Einaudi
Duração: 112 min.
Ano: 2011
País: França
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos














quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Terminologias Cinematográficas basicas

Plongée, contra-plongée, travelling, plano médios, close,  plano fechado, plano americano, fade-in, fade-out, decupagem, montagem, fusão, sequência, tomada, enquadramento...

Resolvi criar um post explicando algumas terminologias cinematográficas que uso aqui no blog. Muitas vezes o leitor vem, ate gosta da critica feita, assiste ao filme, mas não consegue compreender com exatidão o que são tais terminologias. 

Não sou crítico de cinema, sou apenas um cinéfilo  estudante de cinema, assim como muitos que visitam o blog, assim sendo nada mais justo do que tornar os textos cada vez mais acessíveis  fornecer argumentos e justificativas para tais opiniões sim, de forma embasada, mas de maneira que todos entendam.

Em tempo, se tiverem alguma outra terminologia que tenham lido aqui, ou em outro blog e não compreenderam seu significado, sintam-se a vontade para compartilhar tal duvida nos comentários desse post, que procurarei responder.



Planos e Enquadramentos

Plongée e Contra-Plongée

Plongée vem da palavra francesa “mergulhar” e consiste quando a câmara está posicionada acima do seu objeto filmado que é visto, portanto, em ângulo superior. Geralmente esse recurso é utilizado para elucidar as sensações internas do personagem diante de um outro, diante do espectador ou situação.
Um exemplo é quando quer se passar a ideia de que tal personagem é inferior, esta amedrontado, acuado talvez. Vemos a cena de cima, por tanto estamos superiores a ele, nós ou outro personagem ou situação na cena.



Já o Contra-Plongée é o inverso, e consiste quando a câmera esta enquadrada abaixo de seu objeto filmado, que é visto por tanto em um ângulo inferior.

Por exemplo, se o diretor quer caracterizar certo personagem como uma persona autoritária, utiliza-se o Contra-plongée, para dar a ideia de que estamos inferiores a visão dele. Ele esta acima de nossa visão.



Travelling

Travelling é o plano em que a câmara se desloca, horizontal ou verticalmente, aproximando-se, afastando-se ou contornando os personagens ou objetos enquadrados, sendo para isso utilizado algum tipo de veículo (carrinho), sobre rodas ou sobre trilhos, ou com a câmara na mão ou ainda com algum tipo de estabilizador.

Existem vários tipos de Travelling, os mais comuns são de Afastamento e de Aproximação. O primeiro consiste na câmera se deslocando do cenário, geralmente a fim de mostrar que estamos saindo daquele ambiente.
E o de aproximação é justamente o que o nome sugere, é a câmera se deslocando, se aproximando do cenário.
 Exemplo de travelling's:




Panorâmica 

É o plano em que a câmara, sem se deslocar, gira sobre seu próprio eixo, horizontal ou verticalmente. Este recurso é usado geralmente para mostrar de forma eficaz e rápida o ambiente em que se esta.


Enquadrar 

É o termo utilizado para designar a escolha do câmera em posiciona-la na hora da gravação, afim de determinar o que será mostrado em tela.

Planos

Os planos são basicamente o intervalo que há entre dois cortes. Plano é considerado a menor unidade fílmica. Mas ao contrario da Cena, ele não tem que ter necessariamente significado.
É em resumo o plano que inicia-se sempre que a câmera é ligada para a captação de imagens e termina quando ela é desligada. Neste sentido, a noção de plano confunde-se muitas vezes com a de tomada. No entanto, no cinema ficcional, um mesmo trecho narrativo pode ser encenado e filmado várias vezes de um mesmo ponto de vista, constituindo várias tomadas de um mesmo plano. Portanto, na filmagem, cada tomada é uma tentativa de rodar um plano.
Os planos são determinados através de uma serie de critérios e assim classificados.
Na montagem, uma serie de planos são eliminados ou editados para definir ritmo de velocidade e duração ao filme e a cena.
Além disso, se foram rodadas várias tomadas de cada plano, o montador deverá escolher qual delas é a melhor, levando em conta critérios de interpretação dos atores, qualidade técnica da fotografia, movimentos de câmara, som, enquadramento, etc. Portanto, na montagem, cada tomada é uma opção de plano.

O menor plano em consideração a sua duração é chamado de Plano-Relâmpago e dura menos de um segundo, correspondendo quase a um piscar de olhos. E o maior é chamado de Plano-Sequência.
  Um otimo exemplo de plano sequencia se encontra no clipe "Oração" da Banda Mais Bonita da Cidade:



Mais tipos de Plano segundo seus enquadramentos: 

Plano geral: mostra uma paisagem ou um cenário completo. É também chamado de Plano Aberto.

Plano médio: mostra um trecho de um ambiente, em geral com pelo menos um personagem em quadro.

Plano americano: mostra um único personagem enquadrado não de corpo inteiro (da cabeça até a cintura, ou até o joelho).

Primeiro plano: mostra um único personagem em enquadramento mais fechado que o plano americano (em muitas situações, o primeiro plano é considerado sinônimo de close-up).

Close-up (ou apenas close): mostra o rosto de um personagem.

Plano detalhe: mostra uma parte do corpo de um personagem ou apenas um objeto. É chamado também de Plano Fechado.


Decupagem

É o ato de planejamento e designação de planos, posição de câmera, tipos de lentes de câmera  sequencia e enquadramentos no roteiro final do filme. Em alguns casos, há também a especificação de cortes das cenas.

Montagem, e Edição

Montagem é o ato de recortar, colar, juntar, unir e criar uma narrativa, uma sequencia de acordo com o especificado pelo diretor ou no roteiro, resultando assim no produto final que é o filme. Em resumo é a união dos planos criando uma cena.
O trabalho do montador consiste justamente em escolher a melhor tomada de um plano para conceber seu trabalho.

Chamamos de Edição o processo de corte e montagem de imagens em movimento captadas. É a edição que determina a linearidade ou não linearidade da narrativa fílmica. A edição é basicamente a ordem das imagens gravadas na sequência em que o vídeo será apresentado.
Não se deve confundir montagem e edição. A montagem visa juntar planos e sequencias a fim de auxiliar a edição em impor fluxo e velocidade ao filme.
A edição vem depois da montagem a fim de finalizar todo o processo.
A edição de um filme é de extrema importância, uma vez que a maioria dos filmes não segue ordem cronológica de cenas filmadas.
É trabalho da edição se assegurar por exemplo, que a continuidade de cenas seja coerente.


Cena

Cena consiste na menor unidade fílmica com significado de um filme. Nela esta contida o desenrolar de tempo e espaço no filme, roteiro. Em resumo é o conjunto de união de uma serie de planos.

Sequencia

É a maior unidade fílmica, que geralmente contem elipses de tempo/espaço e consiste numa grande união de cenas sem cortes. Quando a sequencia é filmada numa única tomada sem cortes, chamamos esse feito de Plano Sequencia.

Tomada

É o ato de capturar as imagens para o filme, repetidas vezes ate se obter a mais acertada para a concepção do mesmo. Uma única cena, pode conter infinitas tomadas a fim de se obter sua perfeição. Uma tomada pode ser refeita inúmeras vezes, seja porque a iluminação não estava boa, o enquadramento não estava correto, o ator errou o texto, a câmera esta desfocada; se repete a tomada ate que se obtenha o resultado esperado. Também chamado de “take”, a tomada é em resumo, uma gravação de Áudio e vídeo sem interrupções. Cada tomada formara um plano. A tomada é cada captura de determinado plano no filme.
A tomada se torna uma vasta opção de possibilidades na montagem de concepção de uma cena.
A terminologia Plano e Tomada só é utilizada e diferenciada no ato de gravação e construção de um filme. Após o filme pronto, não há mais distinção das duas expressões.

Corte

Corte na película, é o ato de literalmente cortar, interromper a gravação. No filme, é o ato de interromper uma sequencia entre os planos de uma cena. Geralmente após o corte, há mudanças de enquadramentos e planos.

Fusão

É o efeito, de mesclar uma imagem a outra, um plano e outro. É a passagem de tempo imagética através da sobreposição de imagens, uma pela outra. Nessa sobreposição geralmente há mudança de espaço e tempo, e é muito utilizado na montagem e nas elipses.


Fade-In e Fade-Out

É semelhante a fusão, mas neste caso, é a sobreposição, mudança gradual de uma imagem em tela para o escuro ou vice e versa.
Fade-In é a gradativa emersão da imagem de um ambiente totalmente escuro. A aparição dela.
Fade- Out é justamente o oposto é a imersão da imagem em um ambiente totalmente escuro.
Alguns filmes utilizam esse recurso para marcar a passagem de uma sequencia para outra. Em filmes episódicos é bem comum também.

Elipses

Elipse é o ato de "pular", mudar o tempo ou ambiente em que a filmagem esta sendo passada. é a passagem de tempo e/ou espaço brusca.
Existe as Elipses de Tempo e as de Espaço.
As elipses são utilizadas por exemplo como recurso para transpor a narrativa mais a frente ou retrocede-la. Isso é visto quando o plano ou cena muda de um mês para outro, ou quando transcorrem horas na narrativa. No caso de espaço, é mostrado quando é apresentado a mudança de ambiente, de um lugar para outro - da casa para o supermercado por exemplo.
A maior elipse de tempo que exista talvez se encontra no inicio do filme "2001 - Uma Odisseia no Espaço". Quando o macaco joga o osso para cima, vemos o osso girar no céu para num piscar de olhos dar lugar a um satélite, no universo a milhões de anos a frente:
(trecho dos 3min.40seg, ate 4min.20seg.)




Ha uma diferença entre Elipses e Flash-Back.
Um flash-back é simplesmente o ato de mostrar uma cena ou acontecimento passado. O ato de mostrar uma cena, acontecimento que esteja a frente do presente da narrativa do filme, é chamado de Flash-Forward.


Um exemplo esta nas cenas em que Harry desmaia e recobra a consciência no filme Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.
Sempre que ele desmaia é utilizado um Fade-Out, e quando ele recobra a consciência é utilizado o Fade-In.

Num filme - seja um longa metragem, media ou curta metragem - a analise que deve ser feita para compor uma boa critica é ponderar tudo isso acima, as escolhas utilizadas para. Aliados ao trabalho de fotografia (uso das cores, texturas, iluminação, profundidade), sonoplastia (sons e efeitos sonoros de acordo com o que a cena pede), trilha sonora(sua relevância ao atos e a ação na concepção de cena, sequencia, figurino(se condizem com a realidade proposta em tela, se for filme de poca se o tecido, o corte a influencia de tais modelos e acessórios tem haver com o período descrito e com o personagem em questão), maquiagem e etc...
Tudo isso é a parte técnica. Ainda há a parte de roteiro(sua estrutura narrativa, coesão, enredo, diálogos, atos) e atuações, concepções de personagens...

É isso. Esses são apenas alguns itens que compõe um filme. Que definitivamente tem de ser considerado uma arte, pelo trabalho que esconde, as terminações e detalhes extensos de uma massa de pessoas que tem que se empenhar individualmente e em grupo nas mais variadas vertentes. de fato, há muito chão ate se chegar no tapete vermelho...




E agora que tal exercitar essas informações? Recomendo aqui o filme "Um Corpo Que Cai" do diretor Alfred Hitchcock de 1958. e que é considerado um dos 100 Melhores Filmes pelo Instituto Americano de Filmes, e figura na lista dos preferidos na maioria de cinéfilos e cineastas no mundo todo.(inclusive eu)
Ele é um exemplo interessante da utilização de todos esses recursos ou a maioria deles. Tentem identifica-los.

Sinopse:  Em São Francisco, o detetive aposentado John 'Scottie' Ferguson (James Stewart) sofre de um terrível medo de alturas. Certo dia, encontra com um antigo conhecido, dos tempos de faculdade, que pede que ele siga sua esposa, Madeleine Elster (Kim Novak). John aceita a tarefa e fica encarregado da mulher, seguindo-a por toda a cidade. Ela demonstra uma estranha atração por lugares altos, levando o detetive a enfrentar seus piores medos. Ele começa a acreditar que a mulher é louca, com possíveis tendências suicidas, quando algo estranho acontece nesta missão.

Trailer Original:



Ficha Técnica:

Diretor: Alfred Hitchcock
Elenco: James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore, Henry Jones
Roteiro: Alec Coppel, Samuel A. Taylor
Fotografia: Robert Burks
Trilha Sonora: Bernard Herrmann
Duração: 128 min.
Ano: 1958
Gênero: Suspense