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sábado, 12 de janeiro de 2013

Critica: A Feiticeira da Guerra ( Rebelle )




Em algum lugar da África Central, Komona (Rachel Mwanza) é uma adolescente de 14 anos, grávida. Ela conta a seu filho, ainda no ventre, a história de sua vida em meio à guerra, desde que foi raptada pelo exército rebelde, aos 12 anos.

Com essa premissa o filme inicia uma saga envolta em miséria, violência, caos e tristeza do inicio ao fim, num ambiente inóspito de uma vida sofrida e que pode muito bem ser a realidade de centenas de Komona sem face ou nome.

Logo na primeira sequência o diretor Kim Nguyen, demonstra que não quer que sua Obra “Rebelle”(no Brasil; “A Feiticeira da Guerra”) se torne um ode ao terror e uma critica essencialmente social a guerra. O filme parece focar na ideia do que tais ações produzem na vida de seus cidadãos e como tais “rebeldes” ditos e vistos como vilões sem futuro ou humanidade, são mais vitimas de um sistema tenebroso do que realmente vilões por escolha.

Com narração em off Komona, interpretada pela jovem atriz Rachel Mwanza que sustenta seu papel pesado de maneira natural e muito interessante; surge narrando como se fosse uma leitura de uma espécie de diário, sua vida desde que foi capturada pelos rebeldes em sua aldeia, forçada a lutar ao lado deles numa guerra sem nome e sem real sentido para ela- ou para nos espectadores-. Qual guerra que esta sendo retratada não é importante ali. 
Ou melhor: A guerra maior esta entre ela Komona e a vida. Sua sobrevivência.

Ela narra sua historia para seu filho ainda em sua barriga, afim dele entender plenamente o que causou sua vinda a este mundo e quem ela realmente foi antes dele nascer.
O filme então nos leva a captura violenta e aterrorizante de Komona onde ela é obrigada a matar seus próprios pais, com apenas 12 anos de idade. Ali ela já conhece um dos rebeldes, o Mágico, um garoto negro albino poucos anos mais velho que ela, que lidera os rebeldes soldados e tem ares místicos, na crença deles de que ele tem poderes de proteção.

O roteiro que tem uma estrutura solida, pouco antes do segundo ato de projeção já nos mostra a crueldade física e emocional e psicológica com o qual tais crianças são forçadas a estar. Seja no manuseio de armas de fogo que são ensinadas a idolatrar como se fossem seus novos pais, ou seja, pela narração de komona numa monotonia alarmante, contando sobre suas dores, espancamentos, lagrimas e submissão a drogas alucinógenas. Não há distinção de soldado mulher ou homem. Todos são tratados da mesma maneira.

O titulo – no Brasil – se refere a uma característica/crença que adotam com relação a Komona, quando ela se torna a única sobrevivente em batalha dos ‘irmãos’ capturados de sua aldeia. Sempre que ela é submetida a seiva de uma arvore, com a qual os rebeldes drogam as crianças, ela tem visões de espíritos e fantasmas que lhe alertam sobre o perigo, lhe salvando assim muitas vezes de levar uma bala na cabeça. Por conta disso os rebeldes e o líder deles “o Grande Tigre” elevam Komona como uma feiticeira. Eles creem que ela tem contato com forças sobrenaturais que os ajudaram a vencer a guerra.

No meio da narrativa Komona naturalmente se apaixona por Mágico e estes fogem juntos para tentarem ter uma vida normal. A partir daqui, qualquer coisa contada a mais sobre o filme estragaria a experiência instigante e incômoda porem bela de A Feiticeira da Guerra.

O filme utiliza-se de montagens  rápidas, na maioria das vezes com planos baixos e abertos, numa fotografia clara, mas que demonstra sua delicadeza nas cenas dos fantasmas. Alias a maneira que escolheram caracterizar tais ‘aparições’ é bem interessante. Ainda conta com uma trilha sonora delicada que em certos momentos ajudam a compor o cenário agridoce, quase bucólico da projeção.

Mas é interessante como o enredo, utiliza o artificio de abrandar a narrativa de maneira agridoce, inserindo uma saga momentânea de busca por uma Galo Branco. Essa escolha da direção é um acerto tremendo, e que diz muito sobre cada um dos personagens envolvidos ali.

A Feiticeira da Guerra promove uma reflexão dura sobre os efeitos da violência imposta em pessoas que passam de vitimas a vilões, sem ter escolha de mudar seus destinos. Komona é um exemplo disso. Ela vai perdendo o brilho da infância em apenas 3 anos que decorrem do inicio do longa ate seu final. 

Conseguimos enxergar a criança na voz e em alguns momentos raros de riso nervoso. Mas o olhar revela uma mulher sofrida que tenta resgatar e segurar uma esperança vazia que nem ela mesma mais sabe se existe ou se não passa de uma feitiçaria inventada por séculos de desilusões e condenações simplesmente por nascer.

O filme é triste, chocante, pesado, mas necessário. A direção segura, sem muita inventividade é verdade de Kim, criou um filme grande e simples que merece ter sua devida atenção. 

Não só a de estar entre os indicados a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2013 como esta, mas a atenção de uma realidade viva entre as florestas, armas, sangue e crenças perdidas ao redor do mundo. seja em plena guerra nacional ou nas guerras cotidianas da esquina e dos becos de nossos próprios bairros.
Quantas "Feiticeiras" e "Mágicos" não existem por ai? Através da Janela de nossas casas?

E é com Kim Nguyen e Rachel Mwanza que esta a resposta.

 Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Kim Nguyen
Elenco: Rachel Mwanza, Alain Lino Mic Eli Bastien, Serge Kanyinda, Mizinga Mwinga, Ralph Prosper, Jean Kabuya, Diane Uwamahoro, Jupiter Bokondji, Starlette Mathata,
Produção: Pierre Even, Marie-Claude Poulin
Roteiro: Kim Nguyen
Fotografia: Nicolas Bolduc
Duração: 90 min.
Ano: 2012
País: Canadá
Gênero: Drama










sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Critica: Linconl



Dois soldados negros conversam com o presidente Lincoln sobre suas experiências de guerra, enquanto um deles revela tramas sobre tratamentos diferenciados na União. Dois soldados brancos se unem a eles pouco tempo depois. E entre um tom humorado e simpático de Lincoln o cabo negro se afasta recitando as últimas frases do Discurso de Gettysburg. 

Essa é a cena de abertura de Lincoln novo filme de Steven Spielberg que concorre ao Oscar de Melhor Fotografia, Figurino, Diretor, Edição, Trilha Sonora, Efeito Sonoro, Filme, Roteiro Adaptado, Atriz Coadjuvante (Sally Field), Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones), Ator (Daniel Day-Lewis) e Direção de Arte.
   
Cinebiografia, do 16º presidente norte-americano que liderou o Norte dos Estados Unidos na vitória durante a Guerra Civil.  O longa enfatiza os tumultuados meses finais do presidente no cargo. Em um país dividido pela guerra e varrido por fortes ventos de mudança, Lincoln (Daniel Day-Lewis) segue estratégia para encerrar a guerra, unir o país e abolir a escravatura. Com coragem moral e determinação férrea de vencer, suas escolhas nesse momento crítico mudarão o destino das gerações futuras.
Essa é a premissa de um filme que nasceu para o Oscar. Mas...
  
O filme conta com um roteiro meticuloso, repleto de diálogos eloquentes e exasperados, rápidos que conduzem o espectador pela historia americana de uma maneira mais saudosista do que realmente educativa.
Fatos históricos são levianos aos olhos de Spielberg que escolheu mostrar um presidente carismático e extremamente humano, sem dar muita importância a historia do país realmente. O filme, não o personagem. 

O patriotismo é latente em cada cena, desde a direção de arte onde mulheres aristocratas surgem com as cores vermelho e azul da bandeira americana, ate a trechos entre as falas em alguns momentos com palavras contidas no hino nacional americano. É mais um ode aos EUA mas que peca quase absurdamente e de maneira absurda no tratamento que dão aos negros ali retratados. Os negros aparecem passivamente diante da própria luta pela liberdade e fim da escravidão. 
  
A sensação que fica é que o filme demonstra a bondade social dos brancos com relação a essa ação humanitária e econômica pratica de constituir a abolição. Os negros em questão não assumem papel direto ou mesmo indireto em nada. Só estão La para compor elenco. E isso é imperdoável. 
                                         
A rara exceção é o trabalho fantástico mesmo que momentâneo da Sra. Keckley interpretada pela atriz Gloria Reuben; que foi uma das costureiras negras mais famosas da historia, que com sua habilidade e talento se tornou a costureira oficial da Sra. Lincoln primeira dama dos EUA, e que com seu oficio conseguiu comprar sua liberdade e de seu filho.
A atriz demonstra uma sobriedade; numa ansiedade contida, entre a amargura e sofrimento e medo muito interessantes.
  
O figurino é um primor a parte durante o longa. Vestimentas ousadas e bem demarcadas e caracterizadas.
Mas falhas de visão e tratamento de enredo de lado, Spielberg mais uma vez demonstra amadurecimento e domínio na linguagem que escolhe usar. Sua direção é segura e inventiva, seja na escolha de elenco e trilha sonora, ou mesmo nos planos mais longos que ajudam ao espectador a se sentir parte de uma historia que – no caso nós brasileiros- não é deles.
  
Mas o destaque esta para Sally Field como a Primeira Dama. Sua postura emocional levianamente descontrolada psicologicamente caracteriza um personagem denso, complexo e extremamente dramático. Um ótimo trabalho sem duvidas. Exagerado mas convincente.

Igualmente bem esta Daniel Day-Lewis como Lincoln. Com trejeitos e impostações de voz soberbas. Interessante notar a escolha do ator de caracterizar seu personagem como se ele fosse um monumento vivo, tal qual a exibia e famosa estatua do Ex-presidente. Lewis parece carregar o mundo nas costas, com sua postura curvada, seu tom sempre cansado. Isso humaniza e confere fragilidade ao personagem, doando a ele uma persona no minimo instigante.
Ele surge repleto de elementos dubios, ao mesmo tempo em que é amável e justo, demonstra frieza extrema em suas decisões. Correto.

Não estranhamente uma das cenas mais fantásticas do filme esta no embate entre diálogos, numa discussão entre Lincoln e a Sra. Lincoln acerca de permitir um de seus filhos a participar da revolução. Cena lindíssima de entrega de ambos os atores. Filmado de forma a parecer que os estamos vendo através de um palco.

Mas nada disso adianta muito, quando Spielberg escolhe doar a persona de Lincoln um endeusamento extremo e falho. Todos os takes mostram o presidente elevado em tela, focos de luz, longas sequencias em que vemos ele contemplativo tal qual qualquer deus do olimpo. Soa forçado e artificial. E anula todo o empenho do ator em criar uma persona justamente contraria.

Ao final, se não bastasse as longas tomadas aliadas a trilha sonora saudosista e extremamente carregada de  apelo emocional, O filme desponta numa cena que seca ate a ultima estancia o final do presidente. Em uma montagem que dialoga diretamente com a emoção do espectador, deixando-nos com a sensação de que seriamos insensíveis se não vertêssemos ou não ameaçássemos derrubar algumas lagrimas, a começar pelo grito desesperado em prantos de seu filho.

Então o ápice chega, quando Spielberg não satisfeito, introduz um climax que abusa de todas as formas possíveis  seja pela contraluz usada, seja pela dramaticidade exacerbada ou mesmo pelo plano contemplativo e sequencia longa, a morte do presidente de maneira estarrecida, numa montagem piegas e quase beirando "a forçada de barra" entre uma chama e o discurso final do presidente em memoria.

Tecnicamente o filme é soberbo entretanto, a ponto de não parecer nenhum atrevimento dizer que não contem erros. Seja nos posicionamentos de câmera  nas longas tomadas que prezam em construir gradativamente as passagens geográficas contundentes do pais à época. na fotografia com iluminação corretíssima  que dá a ilusão realmente terem sido captadas apenas pela luz das velas. Spielberg revela uma direção segura, consistente e extremamente experiente, num meticuloso trabalho de fato. Mas que se perde justamente por seu roteiro exaltado, de mão pesada, sem a ousadia de outrora.
  
O saldo final que fica de Lincoln é que levara alguns prêmios sim, é um filme correto, redondo, bom; não se pode negar, mas que causa certo desconforto seja por seus diálogos longos ou simplesmente pela maneira obtusa que escolhe levar um fato histórico de extrema importância não só para o pais EUA mas para a historia humana, que é a questão da escravidão. E principalmente por despontar os negros como simples agentes passivos de sua própria historia.
  
Excelente personagem. Filme apenas Bom. Mas imperdoável por se tratar de uma obra nas mãos de um dos maiores nomes do cinema mundial.

Não foi desta fez que Spielberg voltou aos eixos perdidos...



Trailer




Ficha Técnica

Diretor: Steven Spielberg
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Tommy Lee Jones, Michael Stuhlbarg, Jackie Earle Haley, Daniel Day-Lewis, Gloria Reuben, Adam Driver, Jared Harris, Sally Field, James Spader, Lee Pace,
Produção: Steven Spielberg, Kathleen Kennedy
Roteiro: Tony Kushner, John Logan, Paul Webb, baseado na obra de Doris Kearns Goodwin
Fotografia: Janusz Kaminski
Trilha Sonora: John Williams
Duração: 120 min.
Ano: 2012
País: EUA, Índia
Gênero: Drama







Critica: Amor (Amour)



Uma densa historia sincera, sensível e angustiante sobre o amor. Em todas as conotações que ele assume.
Desde a 'Vida é Bela', é a primeira vez que um filme de língua não inglesa concorre a categorias tão importantes no Oscar. 

‘Amour’, filme austríaco do diretor Michael Haneke, concorre aos prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz no Oscar 2013.

Contando com um enredo aparentemente simples o filme nos leva as profundezas dos sentimentos humanos e nos brinda com um filme coeso, e tristemente belo.

George e Anne (Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva) são um casal de idosos, aposentados, que vivem tranquilamente num apartamento. Anne que quando mais jovem era professora de piano, vai com George prestigiar um de seus pupilos num concerto musical.
Alguns dias depois porem, Anne sofre um AVC, o que coloca sua vida e de seu marido num desafio continuo e diário para fortalecer o amor entre eles.

Logo de inicio, o filme nos mostra uma cena em que espectadores estão numa sala de concerto, voltados de frente para nós que assistimos ao filme, como se o espetáculo fossem nós e não eles. Isso revela bastante sobre a força de Amor sobre seu publico. Aliado a um roteiro bem estrutura onde os diálogos são essenciais para a trama, o filme constrói um arco dramático que em momento algum cai em clichês ou artifícios vazios e apelativos para mostrar o sofrimento do casal diante da atual situação deles. O sentimento de angustia e sensibilidade, surge a partir de experiências pessoais de quem assiste, identificando-se ali e refletindo sobre a vida a dois- seja de que forma for-.

Com segurança o diretor nos conduz ate uma questão mais seria e delicada de forma natural que é a eutanásia. Ate que ponto, devemos prolongar o sofrimento de alguém quando esse alguém decide partir?
O titulo apesar de parecer bem bobo, é totalmente condizente ao centro do filme. Pois tudo o que sustenta a película é justamente esse sentimento, demonstrado por silêncios dispersos, desenhos expostos na sala de estar da casa, ou mesmo no olhar de ambos.

A construção de personagens também é muito importante ao logo do filme, que recorre desde montagens sutis e edição lenta para compor com calma cada detalhe da direção de arte do filme que usa de artifícios repletos de metáforas e referencias que fazem um paralelo com os diálogos e lembranças das personagens, ate a trilha sonora quase inexistente, mas que quando atua produz no espectador um aperto na garganta entre a tristeza e a simpatia.

Um filme agridoce, que ao mesmo tempo que causa ternura pela relação ali exposta, também entristece e choca, pela crueza que é exposto a vitimização causada por um AVC.
E aqui a atuação brilhante e assustadoramente realista de Emmanuelle Riva (mais velha atriz a ser indicada a categoria de Melhor Atriz no Oscar) vem á tona. Num trabalho vocacional, corporal fantástico. Ela consegue compor a personagem e suas limitações cotidianas e sua melancolia e angustia por se tornar dependente do marido de uma maneira tal, que é impossível não aplaudir de pé seu desempenho ao final da projeção.

A fotografia apagada e escura- devido ao fato de que o filme se passa completamente em ambientes internos- ajudam a compor a sensação de que estamos visualizando realmente a vida intima de alguém. Muitas vezes nos sentimos intrusos de uma realidade ao qual não fomos convidados. E isso é soberbo.

Personagens como a Filha do casal ou mesmo o jovem pupilo apenas mencionado no inicio do filme e que faz uma pequena visita ao casal, servem apenas para construir e determinar a vida em que o casal esta inserido. E não é difícil imaginar- ou se identificar para aqueles que já vivem tal realidade- a forma que nossas relações vão adquirindo ao longo dos anos. Distanciamentos mas elos firmes.

Cenas memoráveis compõe o filme como a cena em que Anne é levada para tomar banho, a cena em que Anne e George conversam na cozinha, em que ele relembra um episódio de sua infância, e a cena em que uma pomba entra pela janela aberta do apartamento.
Metáforas tais como a da pomba tornam o filme uma pequena joia entre os lançamentos de 2012, que com certeza merece ser visto e sentido, chorado e refletido acerca de inúmeras questões sobre a vida.
Vide sequencia em que Anne folheia o antigo álbum de fotografias.

Mas é em seu clímax que esta uma resolução que coloca em xeque todo o enredo de acordo com a opinião pessoal de cada um que o assiste. Um clímax chocante, inesperado, mas estritamente necessário, que é o ponto final que torna o filme um pequeno deleite e obra prima. Ali o julgamento cabe ao espectador, igualmente ao seu entendimento do final da projeção.

Ao final, uma carta fecha como um signo, um símbolo mais que perfeito a toda a trama, encerrando Amor da maneira qual foi composto: com sinceridade, crueza e beleza.

Um filme Intrínseco que se justifica pelo silencio de um apartamento vazio, morto mas com rachaduras repleta de vidas.

Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco,
Produção: Stefan Arndt, Margaret Ménégoz
Roteiro: Michael Haneke
Fotografia: Darius Khondji
Duração: 127 min.
Ano: 2012
País: França, Alemanha, Áustria
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos




quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Lista com os Indicados ao Oscar 2013




Hoje foram anunciados finalmente os indicados oficiais as principais categorias do Oscar 2013. Que ocorrera dia 24 de fevereiro.
Muitas surpresas e algumas obviedades inclusive consolidadas no post de Apostas aqui do Criticofilia que você pode relembrar aqui >> Apostas Oscar 2013
Talvez o que tenha mais surpreendido, tenha sido o filme Francês "Os Intocáveis  largamente elogiado mundialmente e dito como favorito para o premio de melhor filme estrangeiro, ter ficado de fora da disputa. E a menção da pequena Quvenzhané Wallis, que com apenas 6 anos de idade(a época que fez o filme) foi indicado a melhor atriz por sua atuação no filme "Indomável Sonhadora" que concorre também ao principal premio da noite; o de melhor filme. E a ausência de qualquer menção a Holy Motors em qualquer uma das Categorias.
Segue abaixo lista completa com todos os filmes e categorias anunciados hoje pela academia:



MELHOR FILME

"Indomável Sonhadora"
"O Lado Bom da Vida"
"Lincoln"
"A Hora Mais Escura"
"As Aventuras de Pi"
"Os Miseráveis"
"Amor"
"Django Livre"
"Argo"

MELHOR DIREÇÃO

Michael Haneke – “Amor”
Benh Zeitlin - “Indomável Sonhadora”
Ang Lee – “As Aventuras de Pi”
Steven Spielberg – “Lincoln
David O.Russell – “O Lado Bom da Vida”

MELHOR ATOR

Daniel Day Lewis - “Lincoln”
Denzel Washington - “Flight”
Hugh Jackman – “Os Miseráveis”
Bradley Cooper - “Silver Lining Playbook”
Joaquin Phoenix – “The Master”

MELHOR ATRIZ

Jessica Chastain – “A Hora Mais Escura”
Jennifer Lawrence – “O Lado Bom da Vida”
Emmanuelle Riva – “Amour”
Quvenzhané Wallis – “Indomável Sonhadora”
Naomi Watts – “O Impossível”

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz - "Django Livre"
Philip Seymour Hoffman - "The Master"
Robert De Niro – “O Lado Bom da Vida”
Alan Arkin – “Argo”
Tommy Lee Jones – “Lincoln”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Adams – “The Master”
Sally Field – “Lincoln”
Anne Hathaway – “Os Miseráveis”
Helen Hunt – “The Sessions”
Jacki Weaver – “O Lado Bom da Vida”


MELHOR ANIMAÇÃO

"Valente", de Mark Andrews e Brenda Chapman
"Frankenweenie", de Tim Burton
"Para Norman", de Sam Fell e Chris Butler
"Piratas Pirados", de Peter Lord
"Detona Ralph", de Rich Moore

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

“Amor” - Michael Haneke
"Django Livre” – Quentin Tarantino
“Flight” – John Gatins
“Moonrise Kingdom” – Wes Anderson e Roman Coppola
“A Hora Mais Escura” – Mark Boal

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

“Argo” – Chris Terrio
“Adorável Sonhadora” – Lucy Alibar e Benh Zeitlin
“As Aventuras de Pi” – David Magee
“Lincoln” – Tony Kushner
“O Lado Bom da Vida” – David O.Russell

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

"Amor"
"Kon-Tiki"
"No"
"O Amante da Rainha"
"War Witch"

MELHOR FIGURINO

“Anna Karenina” – Jacqueline Durran
“Os Miseráveis” – Paco Delgado
“Lincoln” – Joanna Johnston
“Espelho, Espelho Meu” – Eiko Ishioka
“Branca de Neve e o Caçador” – Colleen Atwood

MELHOR DOCUMENTÁRIO

“5 Broken Cameras”
“The Gatekeepers”
“How to Survive a Plage”
“The Invisible War”
“Searching for Sugar Man”

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM

“Inocente” – Sean Fine e Andrea Nix Fine
“Kings Point” – Sari Gilman e Jedd Wider
“Mondays at Racine” – Cynthia Wade e Robin Honan
“Open Heart” – Kief Davidson e Cori Shepherd Stern
“Redemption” – Jon Alpert e Matthew O’Neill

MELHOR MAQUIAGEM

“Hitchcock” – Howard Berger, Peter Montagna e Martin Samuel
“O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” – Peter Swords King, Rick Findlater e Tami Lane
“Os Miseráveis” – Lisa Westcott e Julie Dartnell


MELHOR EDIÇÃO

“Argo” – William Goldenberg
“As Aventuras de Pi” – Tim Squyres
“Lincoln” – Michael Kahn
“O Lado Bom da Vida” – Jay Cassidy e Crispin Struthers
“A Hora Mais Escura” – Dylan Tichenor e William Goldenberg

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Skyfall" - 007 - Operação Skyfall
“Everybody Needs a Best Friend” -  Ted
“Before My Time” - Chasing Ice
“Suddenly” - Os Miseráveis
“Pi’s Lullaby” - As Aventuras de Pi.


DESENHO DE PRODUÇÃO

Anna Karenina
O Hobbit
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Critica: Cloud Atlas ( A Viagem)


“As nossas vidas não nos pertencem. Desde o útero ate o tumulo, estamos ligados a outros. No passado e no presente. E por cada crime e por cada ato de bondade; fazemos renascer nosso futuro.”




Baseado no Best Seller de mesmo nome, do escritor David Mitchell; Cloud Atlas ( ‘A Viagem’ aqui no Brasil) novo filme dos irmãos Wachowski (Matrix) em parceria com o diretor Tom Tykwer, vem para nos brindar com uma experiência através dos tempos, da razão e da sensibilidade, versus a brutalidade, o humor negro e a critica humanística.
Na trama, somos impelidos a seis diferentes épocas, onde cerca de 10 personagens distintos se cruzam de diferentes formas.

1850. No século XIX, Adam Ewing (Jim Sturgees) é um advogado enviado pela família para negociar a comprar de novos escravos. Ao retornar para casa, ele salva um escravo, Autua (David Gyasi), que está fugindo de Henry Goose (Tom Hanks), um médico que o envenenou.

Em 1930, o jovem e talentoso compositor Robert Frobisher (Ben Whishaw) ajuda o também compositor, e já idoso, Vyvyan Ars (Jim Broadbent). Durante o trabalho, Robert encontra uma crônica escrita por Ewing em um jornal em meio aos livros de Ars. Robert, mantem um relacionamento proibido com Sixmith, um aristocrata famosa a sua epoca.

Em 1970, a jornalista Luisa Rey (Halle Berry) conhece Rufus Sixmith (James d'Arcy) quando o elevador em que ambos estão quebra. Tempos depois, ele a procura para revelar que estão encobrindo uma série de falhas no projeto de construção de um reator nuclear; que poderia mudar o destino do planeta definitivamente.

Nos dias atuais,(2012) Timothy Cavendish (Jim Broadbent) é dono de uma pequena editora, que lançou um livro que dificilmente dará retorno financeiro. Entretanto, a situação muda quando o autor do livro mata um de seus críticos, tornando-se uma celebridade instantânea. Porem, totalmente endividado, ele é obrigado e a se esconder com a ajuda de seu irmão mais velho e rico. Mas o esconderijo na realidade se mostra ser uma armadilha.

Coreia do Sul (agora chamada de Nova Seul), futuro. 2130 aproximadamente. Sonmi-451 (Donna Bae) é um clone que trabalha em um restaurante fast food. Ela foi programada para realizar todo dia as mesmas tarefas, sem manifestar qualquer reclamação, mas a situação muda quando outro clone acaba, sem querer, despertando-a sobre sua existência.

Futuro. Nova Seul foi tragada pelas águas há 100 anos, o que fez com que o local viva uma realidade pós-apocalíptica, onde canibais exterminam pessoas do Vale.Nesta época vive Zachry (Tom Hanks), o líder de uma tribo que venera Sonmi como se fosse uma deusa. Sua vida muda quando Meronym (Halle Berry), que integra um grupo evoluído chamado Prescients, lhe pede para viver com sua tribo.

Todas essas Seis historias se interligam em uma montagem frenética que o filme faz indo do passado, ao futuro, ao presente e de volta ao passado num ritmo muitas vezes descontrolados, formando um paralelo entre as tramas.
O que causa certa confusão ao expectador a principio.

É importante salientar que todos os personagens centrais das Seis historias são interpretados pelos mesmos atores ao longo das épocas. E aqui se revela o maior triunfo de Cloud Atlas: seu trabalho de caracterização fenomenal e impressionante.
A maneira com que a maquiagem consegue de forma natural e imperceptível alterar as feições de cada ator ao longo das tramas é impressionante. E os atores por sua vez também ao conseguirem mudar não só o trabalho corporal, mas também sonoro de suas vozes de acordo com os personagens que assumem.

Da segunda metade do filme em diante, o roteiro se mostra coerente em toda a sua montagem difusa, e finalmente o filme toma corpo e velocidade aceitável e extremamente instigante e envolvente. Contando com diálogos mornos, meio clichês, mas funcionais ao enredo, Cloud Atlas ainda possui uma fotografia soberba, repleta de tons claros e delineados, assertivo de acordo com a época a que se referem; e uma trilha sonora inspiradora ao longo de sua longa duração.

O único problema em Cloud Atlas esta na forma que escolheu contar tal saga. Cada historia paralela funciona muito bem como unidade única de projeção. Mas quando colocadas juntas para formarem uma célula única, o que se obtém é um filme que lembra demais uma minissérie. Não há objetividade no desenvolvimento por incontáveis vezes. O filme nos leva de uma historia vazia, mas hilária de uma tentativa de fuga de alguns velhinhos de uma casa de repouso fascista. Ate uma mega produção sci-fi repleta de ação e drama brutal, com critica social latente, sem um pingo de humor. A ideia é interessante, mas o desenvolvimento ainda não foi a melhor pedida.

Cloud Atlas parece ser o tipo de historia que mereceu ser contada sim, por toda sua grandiosidade e relevância, mas que merecia ser uma serie- ou minisseria- e não um longa, mesmo em suas quase 3 horas de duração.

A filosofia vendida, por vezes batida do tipo: buscaremos a verdadeira- verdade, pintando alguns personagens, como a Sonmi, por exemplo, como uma verdadeira messias, inclusive, abusando de recursos visuais fazendo relação ao calvário na cruz e ao sacrifício do mesmo pela humanidade- se mostra um tanto um quanto monótono por vezes. Mas quando se analisa como um todo é uma boa reflexão acerca da fé, da esperança e da luta por mudanças. Aqui, a ideia da reencarnação é vista de diferentes formas e de maneira sensível, sem ser auto-imposta. Alias a religião é algo latente na obra, mas não totalmente perceptível ou catequista. A ideia do Karma. E isso é um ponto e tanto.

Uma ressalva importante: como filme, as únicas historias que realmente se apresentaram instigantes e que mereciam uma abordagem independente foram o núcleo todo de Sonmi; e a historia conturbada de  Frobisher e Sixmith.

Ao final, Cloud Atlas se torna um grande filme, relevante sim, com erros dispersos por conta do formato, mas que merece ser visto, revisto analisado, discutido e principalmente contemplado sim, mesmo em sua não sutileza de instigar a frase: “e o que é um oceano afinal, senão inúmeras gotinhas juntas?”. Pelo simples fato de propor uma discussão valida a cerca dessa nossa grande viagem rumo ao lugar que ninguém ainda conhece.

Trailer:  




FICHA TÉCNICA

Diretor: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Susan Sarandon, Hugh Grant, Ben Whishaw, Keith David, Jim Broadbent, James D'Arcy, Götz Otto, Zhu Zhu, Doona Bae, Xun Zhou, David Gyasi, Alistair Petrie, Daniele Rizzo, Brody Nicholas Lee, Mya-Lecia Naylor, Louis Dempsey, Robin Morrissey, Raevan Lee Hanan, Valerie Lillibeth, Laura Vietzen, Lyly Schoettle, Charly Yoon, Korbyn Hawk Hanan, Liz Strange, Barry Van Lee, Alexander Yassin
Produção: Stefan Arndt, Grant Hill, Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Roteiro: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Fotografia: Frank Griebe, John Toll
Trilha Sonora: Reinhold Heil, Johnny Klimek, Tom Tykwer
Duração: 172 min.
Ano: 2012
País: EUA, Alemanha, Hong Kong, Cingapura
Gênero: Drama





















quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Critica: Holy Motors


O filme que foi aplaudido de pé durante longos 15 minutos no Festival de Cannes de 2012. E merecidamente.

AÇÃO!

Holy Motors, novo filme – depois de um hiato de mais de quatro anos – do diretor Leos Carax é um deleite incomodo a cinéfilos do mundo todo.


O filme inicia-se com trechos de um filme em preto e branco, mudo, antigo, de um homem forte, de costas e nu, fazendo movimentos corporais. Em seguida somos levados a uma sala de cinema. Onde os espectadores nos olham. A montagem eficaz nos leva então para um quarto onde um senhor (o diretor Carax) acorda em seu quarto de papeis de parede repletos de arvores, como a simular uma floresta em preto e branco, após escutar sons de porto. De barcos chegando ou desembarcando do cais.
Ele investiga a origem do som e através de uma chave de metal que é um de seus dedos da mão direita, ele abre um portal através da parede de floresta branca e recai sobre a sala de cinema do inicio. Onde todos os expectadores dormem, enquanto vemos que a origem dos sons vem do filme passando na tela grande.
No corredor da sala vemos uma criança fugindo de 2 enormes cães, para em seguida vislumbrarmos uma menina dando tchau a seu pai através da janela de seu quarto numa casa que parece um grande iate.
O Homem, que já não é mais Carax e sim Lavant, entra numa limousine branca dirigida por uma senhora de cabelos brancos belíssima. E assim inicia-se Holy Motors.

Essa sequência já nos coloca a par do surrealismo proposto em tela. Mas mais do que isso, essa sequência metafórica nos mostra a intenção clara do diretor ao realizar tal obra: falar e transpassar o Cinema.
Holy Motors nada mais é do que um Ode a sétima arte, a arte e a indústria. Uma critica pessoal que remonta todas as características históricas dos filmes desde seus primórdios e o publico que o acompanha ao longo dos anos. Quando Carax acorda e abre o portal para o cinema, nada mais esta fazendo do que nos apresentando seu mundo. Seu mundo cinematográfico, nos convidando a embarcar(daí o cais e o porto) nessa experiência que nem sempre será clara, nem sempre será bela (os caos perseguindo e provavelmente atacando a criança), mas que será cinema em toda sua brutalidade, verdade e mentira bela.
A critica esta no publico que dorme diante da arte, esta nas lapides que só servem como banner para vender produtos, na beleza contrastando com a feiura, ser cinema pela fama e não pela identificação e essência, esta na própria limusine e no dialogo de Oscar com seu suposto chefe:

“Porque você ainda faz isso Oscar?”// “Pelo mesmo motivo que comecei. Pela beleza do ato”// “mas e quando não houver mais ninguém para ver?” 

e a cena se dissolve como se nunca houvesse existido. Deixada sem resposta. O dialogo fala do cinema. Do porque vemos e fazemos cinema. 'Pela beleza do ato'. Mas será que ainda há alguém vendo?

Cada vez mais o publico aplaude de pé e exalta super produções artificiais e sintéticas, com efeitos especiais milionários, ou romances vazios sem conteúdo algum; e dormem literalmente diante de obras que caem fundo na comunicação social e na arte sensorial clássica.
O Artista já não é mais visto como vagabundo ou genial. É visto como galã e diva. Cinema da beleza para estampar editoriais de moda.

É a visão de Carax sobre uma indústria e uma arte que vai perdendo espaço para as câmeras de mão, dos celulares. “Não mais motores”.

Não Por acaso o nome do personagem de Lavant é OSCAR.


Com uma narrativa densa e repleta de reviravoltas e pontos de viradas quase episódicos, o filme traz referencias cinematográficas em cada detalhe. Seja nos personagens vividos por Oscar, seja pelas sequências que trazem clara alusão a filmes clássicos do cinema. Vemos desde Pietá (na cena com Eva Mendes e Denis Lavant nu e excitado) ate mesmo Casablanca (na cena com Kylie Minogue).

A fotografia soberba em alguns pontos nos conduz aos primórdios cinematográficos, onde a tecnologia virtual não fazia parte da arte. Tons nada saturados e uma filmagem quase que completamente limpa, para em seguida sutilmente surgir carregada, escura e texturizada.

Há nudez, há simulação de sexo virtual e bizarro, há referencias ate mesmo ao teatro, e as artes circenses, no ato de interpretar e se mover tão caricatural de Lavant, e mesmo na maneira com que ele se caracteriza e se desdobra em incontáveis personas peculiares.

Mas independente do roteiro bem decupado e do enredo por vezes confuso, o grande trunfo do filme esta no trabalho de maquiagem e na atuação de Lavant. Nome recorrente a qualquer menção ao filme. O trabalho vocal, corporal e de expressão facial do ator é deslumbrante. Ele consegue imprimir clareza – única talvez durante toda a experiência que a película nos brinda- nos mais improváveis personagens numa naturalidade e facilidade extrema. Consegue emocionar e chocar na mesma medida.

Ao fim. Holy Motors nos contempla de maneira cruel com todos os clichês possíveis propositais e uma critica absurda não só ao cinema, mas ao ser humano no geral. Tudo sem cair na falha ambiciosa de soar intelectual demais ou forçado demais. Tudo é cru, direto, sujo.

Que vai alem da película e transforma essa experiencia numa visão do ser humano e da sociedade a cada dia mais robotizada raro de se ver atualmente de uma maneira eficaz - vista que Cosmópolis ( Cronemberg 2012) por exemplo tentou e não conseguiu plenamente-. Não sagazmente ao final vemos um Homem, retornando ao lar, para sua família de macacos afetuosos. Nosso primitivo exalando mais humanidade, do que a evolução tem permitido e demonstrado. Maquinas que tal qual desde a época do "Exterminador do Futuro" predizem conseguirem ser mais humanos que gente de carne, osso e coração. Ou mesmo ainda remontando as tragedias gregas, as atuações dos 'bizarros' entre suas mascaras sociais exalando papeis cotidianos em cada persona de Oscar.

Buñel e Lynch com certeza devem estar ainda pulando numa perna só e brindando de pé a essa obra.
Não é fácil, não é compreensível. Mas é instigante, densa e interessante. Uma obra obrigatória para a atualidade.

E como o próprio filme diz:  “a beleza esta nos olhos de quem vê”.

E assim o filme se coloca a mercê de ser mais um elemento de seu próprio feito ou se mostrar um messias diante de sua própria categoria.

Faça suas próprias interpretações. Porque muito mais do que tentar entender, Holy Motors existe para buscar compreensão pessoal em cada um que o assiste. Mil interpretações e sentidos para cada mil pessoas a vê-lo. Assim como o cinema.

E no final, é de Carax o ultimo quadro no projetor. 

CORTA!

Trailer:



FICHA TÉCNICA

Diretor: Leos Carax
Elenco: Denis Lavant, Edith Scob, Eva Mendes, Kylie Minogue, Elise Lhomeau, Jeanne Disson, Michel Piccoli, Leos Carax, Nastya Golubeva Carax, Reda Oumouzoune, Zlata,
Produção: Martine Marignax, Albert Prévost, Maurice Tinchant
Roteiro: Leos Carax
Fotografia: Yves Cape, Caroline Champetier
Duração: 115 min.
Ano: 2012
País: França, Alemanha
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos