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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Apostas Criticofilia Oscar 2013



A premiação mais importante e mais famosa do cinema, se aproxima. No próximo dia 24 de fevereiro, domingo, os melhores do ano que se passou serão premiados na 85° edição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (no original: Academy of Motion Picture Arts and Sciences ou AMPAS), que este ano, resolveu adotar o nome popular de vez; apenas Oscar. A premiação acontecera em Los Angeles, nos Estados Unidos, e será comandada pelo diretor do polemico filme Ted, Seth MacFarlane com a ajuda de Salma Hayek, Melissa McCarthy, Liam Neeson e John Travolta. 

Este ano, além da premiação estar acirrada e já se iniciar de forma inesperada. O site oficial do evento resolveu dialogar ainda mais com seu publico e criou em seu site uma ferramenta que ajuda os internautas a fazerem suas apostas para a premiação.
Basicamente, basta acessar o site, fazer suas escolhas, um voto para cada categoria e depois decidir se quer entrar na brincadeira dos famosos "Bolões do Oscar" que ocorrem nas redes sociais, compartilhando- ou não - suas apostas com seus contatos. Ainda ha a opção de imprimir suas apostas com as respectivas categorias para facilitar na hora de marcar os acertos e erros enquanto assiste a premiação pela internet ou pela TV - no Brasil a transmissão sera feita pelo canal pago TNT e pela emissora de televisão publica Rede Globo -.
Nas categorias técnicas, como edição e mixagem de som, fotografia, e direção de arte por exemplo, há videos, ilustrações e tutoriais explicando o que são cada categoria e como se dá a avaliação das mesmas pela Academia.
Para ter acesso ao site clique >> Oscar.Go (o site é oficial e por isso todo em inglês, mas nada que o Google Tradutor não dê uma ajudinha)

Da mesma maneira o Criticofilia que nesta edição fez a cobertura quase que total, fornecendo criticas das principais categorias do Oscar 2013, compilou abaixo, nossas apostas a Premiação, justificando-as.


Apostas do Criticofilia: 


 Melhor Filme

Apesar dos ventos estarem soprando para o possível azarão “Argo”, vencer nessa categoria – já que durante a campanha para o Oscar, “Argo” despontou como favorito em todas as premiações que se antecederam, “Lincoln” ainda detém vantagem por tratar de um patriotismo muito mais latente e explicito do que “Argo”. “Lincoln” tem uma grandiosidade bem maior que a Academia costuma gostar, alem é claro, de ter o fator Diretor VS. Filme que sempre possuem um paralelo. Foram extremamente raros os filmes que conseguiram vencer nesta categoria sem que seu diretor não tenha sido ao menos indicado também.
Lincoln” é extremamente bem realizado, com planos fabulosos, um trabalho milimetricamente pensado. É inquestionável isso. Porem, se ele não possuísse o nome Spielberg nos créditos, ele nada mais seria do que um bom filme de moral extremamente duvidosa, uma vez que sua visão é deturpada e leviana, alem de carregar um tom que beira ao vicio fílmico que Spielberg parece ter caído nos últimos anos.
Argo” é inegavelmente um bom filme também, com uma visão que tenta- mesmo que não consiga- de tratar com imparcialidade um ato real do governo de seu país; com uma edição impecável e um roteiro sensacional.
Alias, esta categoria possui ótimos representantes, onde ambos de acordo com as características típicas da premiação, fazem jus a indicação.
Temos “Os Miseráveis” que tinha tudo para se tornar um filme épico, e só conseguiu ser grandioso em termos visuais e de elenco, prejudicado pela direção imprudente de Tom Hooper; mas que ao final das contas é um musical. O que lhe dá largo destaque aqui, uma vez que historicamente a Academia adora Musicais. Em “Indomável Sonhadora” vemos uma presença um tanto o quanto surpresa, mas não menos digna de estar aqui, num filme saboroso e reflexivo, que consegue mesclar a beleza da visão de uma garotinha num mundo bucólico. Porem o filme chama mesmo a atenção mais pela jovem protagonista do que realmente por suas outras qualidades.
Já “O Lado Bom da Vida” esta aqui por uma combinação incrível que se obtém quando em meio a sua produção existem nomes de peso na indústria, apesar de ser um bom filme.
As Aventuras de Pi que traz uma obra grandiosa e impressionante principalmente por seu visual marcante numa historia fantástica. Um filme fabuloso que merece a indicação que recebeu. O mesmo pode se dizer de Django Livre”, que apesar das ressalvas que possua sobre seu roteiro, direção e seu fatídico personagem central, é um grande filme, bem elaborado, com uma qualidade técnica invejável.
Então temos “Amorque de modo simplista se torna talvez o filme melhor executado dentre todos ao lado de “A Hora Mais Escura”. Um filme poético, cru, que consegue ir da mais tenra reflexão sobre a vida e a morte e este sentimento que o permeia, ate a uma alegoria de choque e arrebatamento ao demonstrar total segurança em abordar um tema que tinha todos os elementos para serem transformados em sensacionalismo ou indevidamente “abusados” nas mãos de um outro diretor. Um pequena obra prima. Porem, dentre os nove indicados, o merecedor seria “A Hora Mais Escura”, que supera todos os outros oito em diversos pontos. Uma vez que Amor” desponta como provável vencedor ao premio de “Melhor Filme Estrangeiro” ao qual também foi indicado. Assim, “A Hora Mais Escura que promove uma discussão e traz uma visão intensa e a flor da pele sobre as operações governamentais dos EUA na captura e execução de Osama Bin Laden, acaba sendo o mais  apto. O filme consegue ser impecável do ponto de vista técnico e de desenvolvimento de roteiro, alem de possuir uma reflexão pertinente e desafiadora- assim como 'Amor' também faz-.
Porem a disputa parece estar mesmo entre Lincoln” e “Argo”.

Merecedor Criticofilia: A Hora Mais Escura
Favorito ao premio: Argo
Provável vencedor: Lincoln


Melhor Ator

Esta categoria não resta nenhuma duvida. Esse prêmio nasceu com o "Lincoln" de Day Lewis. O ator faz por merecer seu favoritismo, tendo entregado um trabalho inventivo. Porem, esta categoria possui monstros em termos de atuação, deixando a desejar apenas pelo lado de Bradley Cooper. O ator em O Lado Bom Da Vida”, esta apenas correto. Ao contrario de Denzel Washington que entregou em seu “O Voo uma atuação visceral, de entrega. Ou mesmo Hugh Jackman que aparece sóbrio, numa atuação madura em “Os Miseráveis”.
Porem é inquestionável que a melhor atuação dentre os indicados esta com Joaquim Phoenix pelo o excelente “O Mestre”. O trabalho de atuação de Phoenix é algo assombroso, digno da sua indicação e real merecedor por competência ao premio. Porem, a melhor campanha foi de Lincoln, onde nem Mesmo O Mestre conseguiu competir entre as principais categorias alem de seus atores. Assim, o premio será de Day-Lewis, não injustamente, pois Lewis fez por merecer, mas...

Merecedor Criticofilia: Joaquim Phoenix
Favorito ao premio: Daniel Day-Lewis
Provável vencedor: Daniel Day-Lewis


Melhor Atriz



Outra categoria que assim como, a categoria de “Melhor Filme” esta extremamente imprevisível.
Isso porque todas as atuações assim, como as de “Melhor Ator”, merecem extremamente suas indicações. Todas as atuações marcantes ou surpreendentes. Mas aqui, a duvida é sobre qual vertente os votantes da Academia irão optar. De um lado temos Emmanuelle Riva que fez um trabalho intenso, de entrega e sensibilidade no ótimo “Amor”. Num papel difícil, que tem encantado e impressionado o mundo todo. E algo interessante permeia sua indicação e seu possível prêmio. Emmanuelle Riva completará no dia da premiação, 86 anos de idade, um digito a mais do que o numero de edições que no mesmo dia, a Academia comemorara de existência. E com isso, Emmanuelle ainda se torna a concorrente mais velha nessa categoria a ser indicada. Fatores como este podem lhe dar certa vantagem. Por outro lado temos a favorita ao premio Jeniffer Lawrence que com apenas 22 anos de idade, tem chamado a atenção de publico – que tem se formado uma legião de fãs fervorosos – e critica, com seu talento e versatilidade em compor variados personagens. Mas ao contrario do que ela fizera no excelente “Inverno da Alma”, aqui, JLaw, esta apenas correta, com uma ou duas cenas que se destacam durante a projeção de “OLado Bom Da Vida”. Seu favoritismo vem mais da sua popularidade atual, do que de seus méritos por esse papel. Mas dentre todas as indicadas, ela tem sido a mais dedicada em sua campanha rumo ao premio. Ainda temos Naomi Watts que sempre foi lembrada pela Academia por sua competência extrema e inquestionável durante anos no cinema. Sempre expressiva Naomi entregou em “O Impossível” uma atuação de total entrega a seu personagem. Em termos de atuação, não há nada demais, Naomi já teve melhores oportunidades de demonstrar sua competência. Mas aqui, a entrega total que deu a sua personagem é o que lhe rendeu essa indicação. E uma vez que durante anos, a Academia tem sido complacente com seu trabalho, apenas lhe dando indicações e nunca o premio, pode ser que isso pese dessa vez. Ao mesmo tempo, temos a excelente Jessica Chastain, que entregou uma performance ‘humana’ a sua personagem em “A Hora Mais Escura”. Seu papel chama a atenção, por conseguir conferir peso e exaustão e ao mesmo tempo garra, num personagem complexo.
Mas não podemos esquecer da jovem Quvenzhané Wallis, que com apenas 5 anos de idade à época de sua atuação em Indomável Sonhadora, conseguiu ser a mais jovem indicada a esta categoria em toda a historia da premiação. É Importante ressaltar, que Wallis que atualmente possui 9 anos de idade, além de ter impressionado num papel denso para sua idade, com expressões tão claras, teve em Indomável sonhadora seu primeiro papel no cinema. Ela não era atriz e nem fazia nenhum tipo de aulas de atuação. Wallis nem mesmo era totalmente alfabetizada na época de gravação do longa. Ela treinava e ensaiava suas falas com a ajuda de um treinador de atores. Tal detalhe conta bons pontos a seu favor. Mas a disputa esta acirrada mesmo, entre Riva e Lawrence; com consideráveis chances de uma possível reviravolta para Chastain, mas difícil.
 Importante destacar, o maravilhoso trabalho da atriz Marion Cotillard, por seu papel no bom "Ferrugem e Osso". Um trabalho que a Academia esqueceu de ressaltar e que merece seus louros, numa atuação emocionante, que mesclou a melancolia e a garra em uma mulher devastada por uma tragedia em sua vida. Merecia ser indicada talvez ate mesmo no lugar da pequena Wallis.

Merecedor Criticofilia: Emmanuelle Riva
Favorito ao premio: Jeniffer Lawrence
Provável vencedor: Emmanuelle Riva


Melhor Ator Coadjuvante

Outra categoria disputada. Com apenas duas atuações realmente marcantes, esta categoria possui uma imprevisibilidade absurda.
Apesar do favoritismo claro ao Christoph Waltz por seu ótimo papel no duvidoso “Django Livre”, onde ele nos entrega um papel inventivo, original e totalmente maneirista em tela; temos na disputa Philip Seymour Hoffman, que impressiona por seu papel catártico em “O Mestre”, repleto de oscilações entre a intensidade e a sutileza.
Ainda temos Robert De Niro que pela primeira vez em muitos anos, parece ter finalmente saído do piloto automático ao qual tem estado, e entregou uma atuação sincera em O Lado Bom da Vida”; Alan Arkin que esta correto no ótimo “Argo e Thommy Lee Jones, que esta Thommy Lee Jones no duvidoso “Lincoln”. Isso porque, a atuação de Thommy Lee, não se diferencia muito do que ele vem demonstrando nos últimos anos. Lembram o piloto automático mencionado acima? Então...
Mas a disputa aqui parece ficar mesmo entre os dois primeiros.

Menção honrosa, aos totalmente esquecidos pela Academia e demais premiações.
Quando se pensa em Ator Coadjuvante nos lançamentos do ano que se passou é impossível não lembrar das atuações marcantes e impecáveis de Leonardo DiCaprio por seu vilão em Django Livre, e em Javier Bardem pelo seu também vilão no bom  007 - Operação Skyfall.
Leo Dicaprio transcende em tela, num personagem curioso e bem escrito. sua atuação é tão intensa que chega a entristecer não ver seu nome ali entre os indicados, onde se concorresse teria larga vantagem em todos os 5 indicados oficiais. Foi um trabalho marcante na carreira do ator de fato. O mesmo se pode dizer de Javier  Bardem, que simplesmente roubou o filme de Daniel Craig - que ainda assim surpreende com seu agente James Bond -. Javier construiu um dos melhores vilões que a serie 007 já viu em toda a sua historia. o ar repulsivo e louco de seu personagem é algo incomum de se presenciar. E ainda assim a Academia escolheu lhe esnobar. Mas é fato: se Leo Dicaprio e Javier Bardem estivessem aqui concorrendo, a categoria seria totalmente deles e de mais nenhum outro - talvez Philip Hoffman continuasse no páreo-. Uma pena.

Merecedor Criticofilia: Philip Seymour Hoffman
Favorito ao premio: Christoph Waltz
Provável vencedor: Christoph Waltz


Melhor Atriz Coadjuvante

Aqui, tal qual a categoria de “Melhor Ator” não resta duvida de que o premio vem com o nome talhado de Anne Hathaway. Ela é claramente a favorita ao premio e por méritos inquestionáveis.
A atuação de Hathaway no duvidoso “Os Miseráveis  chama tanto a atenção que com seus pouco mais de 30 minutos totais em tela, é dela as atenções plenas no longa. Uma atuação marcante de entrega e visceralidade. Porem, temos Amy Adams, que entre as 5 concorrentes é a que mais se aproxima do ‘grau’ de 'impressionabilidade' que Hathaway nos brindou. O trabalho de Adams em “O Mestre é muito interessante, onde a atriz conseguiu de modo surpreendente conferir um ar de dubiedade a sua personagem, ofuscada apenas pela monstruosa presença de Joaquim Phoenix em cena. Dentre as 5 Indicadas ela é a que foi mais competente. Porem Anne Hathaway literalmente se desconstruiu diante de nossos olhos de uma maneira tão intensa que seria leviano não lhe dar o premio - mas que fique as considerações a Adams-.
Mas temos também a veterana Sally Field, que entregou uma atuação poderosa – forçada e caricatural demais é verdade – em “Lincoln”. Já a presença de Helen Hunt que esta apenas correta no bomAs Sessões” entre as indicadas se justifica por sua coragem em expor-se de maneira sóbrio a um papel lhe exigiu diversas cenas de nu frontal. Pela competência da atriz, tais cenas jamais atingiram uma conotação sexualizada, vulgar ou impressionista. E isso é admirável. Porem em termos de atuação, não há nada além do normal. O mesmo pode ser dito da veterana Jacki Weaver, que em “O Lado Bom Da Vida não Chama a atenção em nenhum momento. Esta apenas atuando. Num papel que não lhe exige nada também.
Como ressalva é importante lembrar, o esquecimento da excelente atuação de Judi Dench em 007 - Operação Skyfall. A atriz encarna de maneira total sua personagem neste longa como nunca antes durante a serie do agente secreto. Um trabalho que chama a atenção durante o longa e que merecia ser melhor lembrado.

Merecedor Criticofilia: Anne Hathaway
Favorito ao premio: Anne Hathaway
Provável vencedor: Anne Hathaway


Melhor Filme de Animação


Dentre as Ótimas Animações indicadas este ano, temos destaque para "Frankeneenie" e "Valente".
"Frankenweenie", pela técnica típica de Tim Burton e seu teor que mescla a fantasia e o sombrio de maneiras únicas, sempre tendo como base o expressionismo alemão. Já Valente se destaca principalmente por seu enredo, onde uma protagonista claramente feminista surge sem precisar do amparo de um príncipe encantado para lhe salvar. Algo raro na filmografia de animações Disney/Pixar,  onde a primeira; é conhecida por ser a eterna fabrica de sonhos da princesa que tem que ser salva pelo príncipe valente. O Valente aqui é dado a protagonista. E isso merece atenção.
Ainda temos o ótimo e engraçado "Paranorman" que traz uma parodia aos filmes de adolescente estadunidenses de terror, lidando com os estereótipos desses enredos de maneira bem original e interessante. "Piratas Pirados", talvez o mais fraco dentre os indicados que é apenas “bem feitinho”, uma animação em Stop Motion com um roteiro raso com pouquíssimos momentos inventivos ou que se destaquem.
Mas a grande disputa pode vir pelo excelente "Detona Ralph"- este sim da Disney -que vem despontando como grande favorito, após arrebatar a critica em diversos prêmios mundo afora onde tem saído vencedor, e pelo publico, onde conquistou uma grande bilheteria; onde traz uma trama deliciosa que remonta os clássicos jogos de vídeo games, numa animação que impressiona pelos gráficos.

Mas o premio deve ficar disputado mesmo entre os estúdios Disney/Pixar e seu "Valente", - pelo peso que o nome Disney e Pixar possuem, Tim Burton e seu "Frankenweenie" - que é claramente a melhor animação em termos técnicos dentre os 5 indicados - , e o inventivo "Detona Ralph" - também da Disney.

Merecedor Criticofilia: Frankenweenie
Favorito ao premio: Detona Ralph
Provável vencedor: Detona Ralph

Melhor Direção

O Favoritismo é claro. Se para a categoria de “Melhor Filme” 'Lincoln' desponta como favorito, a lógica se estende a sua direção. Uma direção correta alias do Spielberg que tem pleno domínio de seu filme, que mesmo diante de tantas bobagens, é inquestionável a qualidade técnica que possui. Porem temos o excelente Michael Haneke, que entregou em Amor um trabalho meticuloso, repleto de dedicação e extremo exímio em detalhes. Uma direção segura e que merece a indicação sem duvidas. Temos ainda outros monstros nessa área como o ótimo Ang Lee que mais uma vez realizou um filme marcante e fabuloso que é As Aventuras de Pi. Um filme grandioso que não teria a maestria que possui sem a visão e as rédeas claras de Lee.
Na esteira vem David O.Russell pelo seu mediano “O Lado Bom da Vida” que tal qual seu filme é apenas correto. E Benh Zeitlin com seu “Indomável Sonhadora que impressiona mais pelo fato de lidar com uma historia repleta de “não atores”. Por mostrar uma visão bucólica de uma realidade dura e tentar extrair delicadeza em meio a feiura de La. Uma direção boa.
É imprescindível e inevitável, falar dessa categoria e não salientar a injustiça obtusa da Academia em deixar de fora os nomes de Paul Thomas Anderson e Ben Affleck – e se formos mais justos ainda, o nome de Leos Carax pelo seu fabuloso trabalho, no impecável e totalmente esquecido pela Academia e demais premiações “Holy Motors” filme extremamente bem conduzido.
Ben Affleck, por seu trabalho madura e impressionante devido a sua pequena filmografia por “Argo”, contradizendo todas as noções possíveis dessa edição do Oscar. Uma vez que Affleck tem ganhado quase que totalmente todas as premiações ao qual participa nesta categoria, assim como seu filme. Uma incoerência que esta custando muito a Academia antes mesmo do resultado sair.
E Paul Thomas Anderson pelo excelenteO Mestre, que não só merecia sua devida indicação visceral e peculiar na direção, como inclusive na categoria principal de “Melhor Filme”.
E claro, talvez ao lado de Affleck , outra maior e polemica injustiçada, Kathryn Bigelow por seu excelente “A Hora Mais Escura”. Onde sua não indicação é a mais obvia dentre todas: política. Uma vez que seu filme tem sido vastamente mal visto entre o governo americano, com a desculpa infundada de que o longa incita a pratica de tortura do país em processos de investigações e interrogatório com terroristas.
Injustiça, pois o trabalho que Bigelow entrega com seu filme é algo que beira ao impecável.
Mas a disputa parece ficar entre o Spielberg e Haneke.

Merecedor Criticofilia: Michael Haneke
Favorito ao premio: Steven Spielberg
Provável vencedor: Steven Spielberg


Melhor Filme em Língua-estrangeira


Categoria que possui ótimos representantes – alguns deles ate mais relevantes do que os que concorrem a principal categoria -. Porem é inegável o favoritismo de “Amor” que não satisfeito com a indicação a “Melhor Filme” ainda marca presença aqui, onde levará.
Mas é importante salientar as qualidades de seus concorrentes como o ótimo A Feiticeira da Guerra” que possui um roteiro profundo, numa narrativa densa e bem executada. Kon-tiki”, que promove um show visual, numa fotografia impressionante e bem feita. “O Amante da rainha” que traz um enredo batido, numa narrativa surpreendente com atuações boas, uma direção de arte conceitual impecável; e ainda o fabuloso e intenso “No”, que se destaca por trazer de volta o ‘U-Matic’, tecnologia de gravação em videocassete, que confere ao longa uma imagem meio desfocada, que se assemelha bastante ao efeito que se tem quando vemos um filme em 3D sem os óculos, com certas cenas com luz estourada, que transforma o filme num deleite visual, alem de possuir um roteiro inventivo e atuações excelentes.
Um Filme que merecia levar o premio para casa por ser superior em vários sentidos aos indicados acima, talvez apenas igualável ao sensacional "Amor". Sendo assim, o principal concorrente da Obra de Haneke.


Merecedor Criticofilia: No
Favorito ao premio: Amor
Provável vencedor: Amor

Melhor Filme Curta-metragem de Animação

No link a seguir confira pequenos comentários de cada um dos 5 indicados nesta categoria, justificando as escolhas abaixo: >> Indicados Ao Oscar de Melhor Curta de Animação

Merecedor Criticofilia: Head Over Heels
Favorito ao premio: Paperman
Provável vencedor: Paperman



Abaixo, outras apostas mas sem comentários ou menção aos favoritos ou merecedores. Apenas quem provavelmente levara o premio :


Melhor Fotografia

Melhor Direção de Arte

Melhor Figurino
Espelho, Espelho Meu..

Melhor Edição

Melhor Maquiagem

Melhor Trilha Sonora
Mychael Danna - As Aventuras de Pi

Melhor Música Original
007 - Operação Skyfall

Melhor Edição de Som

Melhor Mixagem de Som

Melhores Efeitos Visuais
Prometheus

Melhor Roteiro Adaptado


*Impossível não colocar uma ressalva aqui.
É imperdoável a não inclusão do excelente "As Vantagens de Ser Invisível"  e seu roteiro fabuloso assinado pelo escritor, roteirista e também aqui diretor Stephen Chbosky . Um filme definitivamente bem construído  elaborado, com um roteiro decupado, de narrativa delimitada repleto de acertos. Merecia estar aqui indicado e se fosse este o caso, estaria despontando inclusive como franco favorito ao premio. Imperdoável essa falha.*

Chris Terrio - Argo

Melhor Roteiro Original
Mark Boal - A Hora Mais Escura


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Critica: The Day He Arrives ( O Dia em Que Ele Chegar)


O ex-diretor de cinema Sungjoon vai a Seul e tenta em vão encontrar seu amigo que mora no bairro de Bukchon. Andando pela redondeza, ele encontra por acaso uma atriz que ele conhecia. Os dois conversam por um tempo e logo vão embora. Num bar de Insadong, Seongjun bebe makgeolli (vinho de arroz) e alguns estudantes de cinema o chamam para sua mesa. Bêbado, ele se dirige ao apartamento da antiga namorada. No dia seguinte ou em qualquer outro dia, Sungjoon ainda está perambulando por Bukchon.

Essa sinopse pode parecer um tanto o quanto imprecisa ou mesmo confusa. Mas não é o caso.
Com direção de Sang-soo Hong ,  The Day He Arrives ( O Dia em Que Ele Chegar) segue a linha de trabalho do diretor e trás um filme que se cria a partir das repetições, das possibilidades diversas de um mesmo fato ou momento.

Assim como o diretor nos mostrou no seu ótimo "In Another Country"; aqui, o acaso dos fatos dá vazão a uma serie de repetições que nos mostram como uma possibilidade pode mudar totalmente as percepções das coisas e consequentemente a conclusão delas.

Em "The Day He Arrives" seguimos a mesma linha que parece permear o trabalho do diretor, que é o das repetições. Os mesmo atores interpretando diversas maneiras de um mesmo fato ocorrer.

Contando com atuações corretas, nada surpreendentes, o filme possui uma narrativa coesa e linear apesar da estrutura ir e voltar no espaço e no tempo das ações.

É como se estivéssemos diante de um looping, onde ao final do dia, tudo voltasse a acontecer. Porem não da mesma maneira, por uma conversa diferente apenas. Ou por uma pessoa diferente que se encontrou. Um mesmo dia adquire diversas conotações.

Há uma sequencia muito interessante onde alguns personagens se revezam entre as repetições e situações em que eles se encontram num bar a noite para beber algumas garrafas de cerveja e um deles tocar piano. O que chama a atenção é a escolha do diretor em manter as garrafas vazias consumidas pelos personagens mesmo nas outras repetições seguintes. Apesar de serem outras situações paralelas que de nada tem haver com as anteriores- são repetições isoladas, é como se cada situação fosse uma "possibilidade" de "e se ocorresse assim?" Então o enredo volta sempre nos mesmos locais mas com outro desenvolvimento.

Para quem assistiu "Memento" vai ficar um pouco mais fácil de entender. A ideia primaria é parecida, Mas aqui é mais incisiva- . Porque em “Memento”, as repetições se dão na mente do protagonista que é incapaz de reter na memória mais que um dia – algo visto também na comedia romântica “Como se fosse a primeira vez”- porem aqui, as repetições se dão em toda a trama – algo visto também em “Feitiço do tempo”-. Mas não existe volta de fato. É como se o filme fosse um retalho montado de vários cortes e versões de um mesmo roteiro.

O diretor escolheu deixar nesta sequencia, contudo, as garrafas seguirem as narrativas independentes das anteriores, contando quantas repetições houve. Se antes havia apenas quatro garrafas, ao final, na ultima sequencia, já são quase dez garrafas vazias independente de quantos personagens estão em cena. Isso é brilhante.

O filme ainda tem uma fotografia toda em preto e branco com umas texturas granuladas e raros momentos saturados muito bem captados.

Porem mesmo que seja interessante essas repetições, aqui, diferentemente de seu outro filme “In Another Country”, a edição do filme peca um pouco ao não delimitar direito as passagens de uma repetição para outra. Quando enfim surge a suspeita de que estamos diante de mais uma repetição, a sequencia já avançou para uma próxima. Isso confunde um pouco e prejudica a narrativa. Uma vez que não há tempo para estabelecer coerência. Isso dentro do contexto, da proposta do filme é ate mesmo ilógico. Isso causa extrema confusão principalmente em quem não esta habituado a essa característica do diretor.

O filme ainda possui uma excelente trilha sonora, instrumental que vão compondo as cenas de maneira gradual.

É um bom filme; que pode confundir sim, mas que promove uma reflexão acerca dos acasos e coincidências bem interessante e de maneira inventiva.

Um filme simples, mas que vale a pena.

Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Sang-soo Hong
Roteirista : Sang-soo Hong
Elenco:  Jun-Sang Yu, Sang Jung Kim, Bo-kyung Kim ,Seon-mi Song
Fotografia: Hyung-ku Kim
Trilha sonora: Yong-jin Jeong










sábado, 16 de fevereiro de 2013

Critica: A Vida em Um Dia



Produzido pelos irmãos Ridley e Tony Scott, e dirigido pelo mesmo diretor de O Ultimo Rei da Escócia, Kevin Macdonald, “A Vida em Um dia” é um experimento que tinha tudo para não ser nada alem de algo interessante, mas que conseguiu ir além, e se tornar um filme surpreendentemente coeso.

O projeto consistia em pedir para varias pessoas ao redor do mundo enviar vídeos de um único dia - 24 de julho de 2010 – em suas vidas. Só isso.

A partir disso, os cineastas se proporiam a receber todos os vídeos, em que formato e em qual duração fosse, e compilar tudo num único documentário.

Apesar dessa premissa demonstrar uma ousadia enorme, mas sem muitas esperanças de ser nada alem de uma sucessão de imagens dispersas em tela, o que o filme consegue fazer é criar não só uma narrativa eficaz, como elaborar uma técnica de enredo e estrutura invejável e impressionante.

A começar pela fotografia que é lindíssima e bem trabalhada ao nos colocar diante de cada país e cultura de acordo com as cores tratadas em tela. Se levarmos em conta que estamos falando de mais de 192 países em diversos vídeos com mais de 4.200 horas de gravações com qualidades que vão desde uma super câmera profissional ate a câmera de um celular, e tudo isso conseguir ser saturado num único tom é admirável. A fotografia segue uma linha lógica de acordo com o que é mostrado em tela, compreendendo a cultura que esta sendo mostrada e principalmente o tempo.

O filme é dividido em três atos (a principio tem se a sensação de que são apenas dois, pela ausência de clímax).  Por vezes o ar documental dá vazão a uma estrutura fílmica quase ficcional que contribuem de maneira eficaz a trama, não deixando o longa disperso.

Durante pouco mais de uma hora e meia, somos levados durante um dia inteiro na vida de varias pessoas diferentes ao redor do mundo mas que se assemelham como qualquer ser humano. Ha culturas, dialetos, costumes, sentimentos, medos e vitorias todos incluídos num único contexto com N interpretações. Bonito de se ver e impressionante de se constatar quanta diversidade existe no mundo ao redor independente do nosso, da nossa casa. Como ainda existem culturas que aos nossos olhos podem parecer injustas ou atrasadas mas que se revelam nada mais do que uma historia própria.

Do segundo ato em diante, quando começam os depoimentos em uma edição rápida e com cortes secos, onde um casal sem falar, fazem perguntas através de cartazes, e numa montagem recorrente vão se obtendo respostas às perguntas, como: 

“O que é amor para você? "
"O que você mais ama?" – 

trazendo a tona reflexões e pensamentos interessantes.

Alguns textos ali arrebatam e faz o espectador refletir. Surgem inclusive teorias interessantes sociologicamente falando. Nisso o longa cria um paralelo entre a ficção e o real que aproxima e dialogo diretamente com o espectador que se reconhece em tela e mais ainda, se descobre.

Há um pai que desmaia ao ver o parto do filho, há um rapaz apaixonado pela melhor amiga tentando reunir coragem para se declarar, há um jovem atleta que vive uma vida desregrada com pequenos furtos, há um pai solteiro que cuida de seu filho num cubículo e reza para a esposa falecida todas as manhãs, há o garoto que se barbeia pela primeira vez, há o jovem que espia uma estranha bela pela janela do metro sem ela saber, há o nascimento de uma girafa e o sacrifício de um animal, há os sonhos de um camponês e a destruição da vida de um empresário, há a pobreza, há o neto criando coragem para revelar sua sexualidade, há o respeito a cultura de um povo, há um pedido de casamento e a filosofia de uma jovem em um carro escuro, no fim do dia.

É realmente um primor o que conseguiram fazer com retalhos de vídeos e diversas narrativas numa única unidade fílmica. Tornando o documentário coerente. Isso é claro é resultado de uma montagem eficaz e inteligente, e de uma edição perspicaz e criativa.

Conseguir criar um enredo, trama e narrativa independente não é fácil, nem mesmo em projetos ficcionais com planejamento; e conseguir isso através de um projeto experimental que tinha tudo para dar errado, é mais impressionante ainda.

O que se obtém é um documentário fomentado e que definitivamente não é apenas mais um.
Um filme que possui uma experiência que se mostrou eficaz.

Assim, A Vida em Um Dia vale bela beleza e crueza que nos proporciona, numa visão que transcende os estúdios cinematográficos e cria um filme do mundo, sobre si mesmo.

*O Longa pode ser visualizado gratuitamente na própria pagina do projeto no Youtube. >> life in a day << Através do recurso "CC" ligado no player é possível visualizar com legendas em Português, porém o melhor é obter o longa devidamente legendado, já que esse recurso as vezes apresenta falhas.

Trailer



FICHA TÉCNICA

Diretor: Kevin Macdonald
Elenco: Cindy Baer, Caryn Waechter, Hiroaki Aikawa, Bob Liginski Jr., Drake Shannon, Ashley Meeks, David Jacques, Cec Marquez, Arsen Grigoryan, Christopher Brian Heerdt, Ester Brymova, Boris Grishkevich, Jaap Dijkstra, Ranja Kamal, Teagan Bentley, Shahin Najafipour, Jaap Dijkstra, Shir Decker, Lilit Movsisyan, Ayman El Gazwy, Catherine Liginski, Jane Haubrich, Fredeik Boje Mortensen, Ildikó Zöldi, Amelie Sara Kukucska, Cristina Bocchialini.
Produção: Ann Lynch
Fotografia: Soma Helmi
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams, Matthew Herbert
Duração: 95 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Documentário
Classificação: Livre








sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Indicados ao Oscar de Melhor Curta de Animação



A 85° edição do Oscar irá ocorrer no próximo dia 24 de Fevereiro de 2013.
Este talvez seja a edição mais imprevisível e aguardada dos últimos anos.
Seja pelo alto nível dos concorrentes e as mudanças constantes de favoritismos entre os indicados, ou seja pela promessa de uma premiação mais dinâmica e interessante do que vem sendo feita nos últimos dez ou oito anos.
Esta edição, contara ainda com o diferencial de que na maior parte do planeta, a maioria do publico pode e poderá conferir grande parcela dos indicados em todas as categorias antes da premiação. O que com certeza reaproximara a audiência.
Entre as categorias, a de melhor Curta de Animação, sempre foi uma das mais difíceis de se conseguir obter divulgação e mais ainda em conseguir ser vistas, antes e mesmo depois da premiação. Mas este ano, todas as 5 indicados podem ser vistos de graça através da internet.
Abaixo, os 5 curtas que concorrem nessa categoria, com pequenos comentários acerca deles.



Paperman

Com Direção de John Kahrs, esse curta da Disney segue a história de um jovem solitário na cidade de Nova Iorque do meio do século, cujo destino toma um rumo inesperado após um encontro casual com uma mulher bonita na ida ao trabalho pela manhã. Convencido de que a garota dos seus sonhos foi embora para sempre, ele ganha uma segunda chance quando a vê em uma janela de um arranha-céu na avenida de seu escritório. Com apenas o seu coração, imaginação e uma pilha de papéis para obter a sua atenção, seus esforços não são páreo para o que o destino tem reservado para ele.
O grande diferencial desse trabalho esta na concepção da técnica de animação. Que consiste numa técnica que mistura animação convencional, desenho a mão, com animação digital. Essa técnica é chamada de "final line advection". É a primeira vez que essa técnica é apresentada, a qual promete revolucionar as animações daqui para frente. Basicamente é a junção do 2D com o 3D. Isso confere um resultado ainda mais belo e com efeito impressionante de imersão aos traços. No vídeo abaixo é possível observar alguns dos efeitos criados pela técnica:



O filme é narrado de forma nostálgica, impulsionado pela belíssima trilha sonora orquestral que se encaixam perfeitamente nas cenas mostradas. Com uma fotografia totalmente em preto e branco- com exceção da marca de um beijo em vermelho - o filme ainda consegue o feito de trazer uma edição de som surpreendente  principalmente em seus momentos finais.

Assista ao Curta:



Maggie Simpson: The Longest Daycare

Com direção de David Silverman, este curta narra as aventuras exclusivamente de Maggie Simpson numa creche.

O Curta apesar de não apresentar nada de surpreendente ao que ja estamos acostumados do humor e técnica tipicas dos Simpsons, se destaca aqui, unica e exclusivamente pela técnica 3D nos seus Gráficos  em 2D não ha percepção alguma disso, mas mesmo em 3D não é nada demais - e por suas referencias as grandes narrativas de suspense do cinema. Aliados ao fato de não possuir nenhum dialogo, nem mesmo do de Marge Simpson- sua mãe- nos poucos segundos em que surge em tela.
Com um final bonitinho, repleto de ensinamentos morais, o curta é o tipico representante do "o que um nome de peso pode fazer". Bom, nada mais que isso.

Assista ao curta:



Head over Heels

Diretamente do Reino Unido e com direção de Timothy Reckart esta animação, narra a historia de um casal de meia idade que vivem em mundos paralelos. ou melhor, em gravidades inversas.
A casa onde moram viaja através do espaço/céu girando copiosamente, enquanto eles vivem uma vida normal no interior da casa, sem serem influenciados pelos movimentos da casa. Porem o normal aqui para eles, consiste no marido viver do lado de baixo da casa e a mulher do lado de cima. Um de ponta cabeça para o outro. onde a gravidade de ambos estão paralelamente inversas com o do outro. Com um casamento desgastado, eles vão perceber que a distancia e as diferenças no relacionamento deles podem ser maiores do que a gravidade existente entre eles.

O filme é captado pela técnica Stop Motion, e tem uma direção de arte carregada nos detalhes. Principalmente no interior da casa de madeira. As metáforas existentes ali para caracterizar o relacionamento e o distanciamento de ambos é fantástico, de forma inteligente e também sem diálogos  o filme vai traçando uma analise metódica dessa relação amorosa de maneira sutil e extremamente sensível  causando empatia imediata no espectador. Um conto fantástico que emociona e é muito bem realizado. Destaque para as cenas externas.

Assista ao curta:


Fresh Guacamole

Com direção inventiva do artista, argumentista e diretor PES, esse curta mostra o processo de preparação de Um Guacamole - especiaria- com objetos relacionados a jogos.

O diretor já havia feito algo semelhante com o curta chamado "Western Spaghetti", que como o nome sugere, consistia na preparação de Um spaghetti utilizando os objetos que houvessem pela frente, para se assemelharem aos produtos utilizados num spaghetti de verdade.
Veja:




O interessante da técnica em Stop Motion, é que ela se trata de um Stop Motion Live, com objetos reais. A sonoplastia também é muito bem conduzida e o tratamento dado as imagens impressionam pela qualidade.
Além é claro da inventividade de relacionar os produtos, alimentos com os objetos e peças de jogos, como cartas, dados, cubos mágicos e peças de xadrez. Um curta em todos os sentidos da palavra - pouco mais de 1 minuto de duração- e que serve ao seu proposito de modo objetivo.

Assista ao Curta:




Adam and Dog

Contando com um time de nomes relevantes no mundo artístico e encabeçado pelo Diretor Minkyu Lee, este talvez seja o curta mais ousado dentre os indicados em termos narrativos.

o curta mostra as descobertas e o inicio da relação de um cão ao encontrar um homem.

O filme em 2D, feito a mão, faz lembrar muito os antigos desenhos animados feitos pela Disney, antes da era digital. Os cenários milimetricamente compostos e estáticos, como pinturas de quadros, enquanto somente os objetos que terão interação com os personagens se movem ou  adquirem alguma profundidade de campo.

A animação possui um visual belíssimo  com grandes planos abertos mostrando o Paraíso  Isso porque a força e o interessante neste curta é a relação bíblica que ele tem. O curta faz alusão ao primeiro cão criado e ao primeiro Homem (Adão, daí o nome Adam ali). Porem o curta não se utiliza de mensagem doutrinais ou de catequismos, muito pelo contrario, o final extremamente emocionante, revela uma abertura para uma discussão pertinente acerca do amor do bicho pelo homem através nos seculos. Tudo é mostrado sob a perspectiva do cão.

Sem diálogos  - a menos que se considere os latidos do cão - o Curta ainda conta com uma trilha sonora delicada em tons baixos e uma mixagem de som, repleta de sons da natureza.

Comovente, triste, reflexivo e muito bem feito. O mais longo dentre os 5 indicados, com pouco mais de 15 minutos de duração - que valem a pena-.

Assista ao curta:



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Critica: O Primeiro Que Disse ( Mine Vaganti)



Ferzan Ozpetek é um diretor Turco, radicado na Itália. É gay assumido a tempos e sua carreira desponta com uma característica peculiar em seus filmes: filmes extremamente dramáticos com veia critica a sociedade moderna, que não desvinca as raízes dos preconceitos antigos.

Essa informação é relevante, por que diz muito sobre o porque seu mais recente filme conseguiu pegar uma premissa sem muito peso, se tornar um melodrama cômico de ótima qualidade.

Assim O Primeiro Que Disse (no original Mine Vaganti uma expressão antiga que faz alusão aquelas Minas- bombas- que flutuavam a deriva, típicas da segunda guerra mundial. E que atualmente tem tradução livre para a expressão “Bala perdida”), mais recente filme de Ferzan, já pela sua sinopse já carrega uma previa surpresa, por aparentar se tratar de uma comedia 'pastelona' e leve. Fazer tal leitura é um erro, dos mais terríveis. Isso porque O Primeiro Que Disse não só consegue ser um filme denso e extremamente dramático, como também promove uma ousada critica humorada a uma sociedade retrograda e ainda extremamente machista e preconceituosa.

Logo de inicio, num travelling longo, vemos uma noiva, correndo por um vasto campo abandonado, com ruínas por todos os lados, porem num ambiente belíssimo e de cunho poético  Ela corre desesperada, parecendo querer ao mesmo tempo chegar a algum lugar desesperadamente, e ao mesmo tempo estar fugindo de algo. Sua expressão a principio é indecifrável, mas ela parece chorar.

Essa beleza em contra partida a tristeza permeia todo o longa. Porem devemos lembrar que se trata de uma comedia. E o roteiro assinado por Ivan Cotroneo e o próprio Ferzan Ozpetek, não nos deixa esquecer isso. Isso por que, o filme logo no primeiro ato nos introduz numa trama divertida e com um cunho cômico extremo, ainda que por diversas vezes se apresente clichê e escrachada.

Tommaso (Riccardo Scamarcio) pertence a tradicional família Cantone, proprietária de uma fábrica de massas no sul de Itália. Ele veio de Roma, onde almeja uma carreira de escritor, para uma reunião com todos. Sua família acredita que ele foi estudar e se formar em Administração. Seu irmão mais velho será anunciado como eleito para tocar os negócios da empresa e ele pretende aproveitar a ocasião para contar a todos sobre sua homossexualidade. Só que ele não contava que seu irmão mais velho Antônio (Alessando Preziosi) tomaria a dianteira comunicando aos familiares que também é gay, obrigando Tommaso a esconder sua revelação e ainda assumir a fábrica, tendo em vista que todos ficaram chocados e seu pai Vincenzo (Ennio Fantastichini) mais ainda, tendo um infarto e expulsando Antônio de casa. Tommaso está sem saída. Como escapar de uma obrigação que não quer? Como contar a verdade sobre si, se isso pode custar a saúde de seu pai? E para piorar a situação, seu namorado em Roma, resolve lhe fazer uma visita surpresa, trazendo seus amigos. E nesse meio tempo, Tommaso ainda tem de lidar com um interesse que começa a nascer entre ele e uma das sócias da fabrica a jovem e bela Alba Brunetti (Nicole Grimaudo).

O filme utiliza o humor, como forma de criticar e trazer a tona toda a hipocrisia e pre-ceitos de uma sociedade que continua as margens da aceitação. Se os temas LBGT’s atualmente são exaustivamente tratados, pelo cinema americano, na Europa, especificamente na Itália, este tema ainda é um tabu.
Junta-se a isso o fato, de escolher uma seleção de atores conceituados no país, incluindo o mais recente galã que o pais possui, interpretando justamente o protagonista gay Tommaso, o que se obtém é um filme corajoso, ousado e por si só interessante.

Em dado momento, a mãe de Tommaso, Stefania (Lunetta Savino) pergunta ao namorado de Tommaso ( sem saber que este é namorado de seu filho, claro), que também é formado em medicina; se o a homossexualidade se Antonio tem cura. Tal detalhe no enredo, pode a um primeiro momento parecer jocoso, mas para a realidade daquele país e de uma família tão tradicional, não. Isso revela uma compreensão pelo enredo muito coeso.

Apesar das atuações do núcleo central, incluindo os amigos estereotipados e espalhafatosos de Tommaso em dado momento do filme – que é usado como artifício para quebrar o arco dramático com humor, que segue uma linha intensa ate então-, é da veterana, outrora uma grande atriz de teatro, Ilaria Occhini o grande destaque da projeção.

Isso porque, é de sua personagem – a avo e matriarca da família-  todas as grandes reflexões e ganchos do longa. É dela a narração da historia, é dela a redenção final, é dela as falas mais instigantes e inclusive é a personagem dela que transforma os personagens e o próprio filme em determinado momento.
Sua própria historia esta intrínseca no enredo, de maneira que o filme constantemente nos remete ao seu passado.

Contando com uma edição rápida e com uma boa fotografia, clara em tons escuros quando estamos no interior da casa da família e na fabrica, o que representa o tom claustrofóbico que Tommaso sente em tais lugares, o filme ainda possui uma ótima e divertida trilha sonora- um tanto repetitiva em seu tema central- mas que encaixa e funciona extremamente bem.

Mas é na relação entre Tommaso, Alba e o namorado de Tommaso, Marco (Carmine Recano), que a narrativa consegue surpreender. Isso porque, o roteiro cria uma intensa e complexa relação entre os sentimentos entre os três, criando uma discussão acerca de do amor muito interessante, no qual a máxima mais marcante se dá através da seguinte frase: "Somente os amores impossíveis são eternos." 
Ao qual serve de gancho para a sequencia extremamente bela e emocionante, e bem conduzida do final da projeção.

Entre lindas paisagens e planos abertos, e panoramas que mostram lugares distintos de Toscana, o longa ainda como qualquer outro filme italiano, transito milimetricamente entre o limite do drama e do humor.

A critica a uma sociedade hipócrita, que se esconde atrás de um conservadorismo falso permeia boa parte da projeção. Seja pela subtrama da tia que mantém um caso não oficial com um homem que entra por sua janela todas as noites, ao que ela grita “Ladrão!Ladrão!” todas as madrugadas assim que ele vai embora, para disfarçar. Seja a avo que entre suas historias esconde uma vontade latente de se libertar, mas tendo que manter as aparências, seja o pai, que mantém casos extraconjugais, seja a mãe que sabe de tais casos mas finge não saber, seja o próprio Tommaso que sonha em ser escritor, que sonha em oficializar seu namoro mas não o faz por medo de contar a família.

O filme traça um extenso e interesse panorâmica de nossa sociedade inclusive, que se esconde atrás de fachadas e ainda assim julga.

Um dos pontos mais emblemáticos se dá quando numa cena, Tommaso declara através de um bilhete, que não consegue dialogar, não consegue unir forças na voz para dizer o que pensa, e que encontra nas palavras a única maneira de dizer ao mundo quem verdadeiramente é. Ou mesmo na fala da Tia Luciana ( interpretada pela aqui irreconhecível e linda Elena Sofia Ricci), que fala bem baixo o que realmente pensa sobre certa situação e logo em seguida se cala envergonhada e com medo, assim que os olhares surpresos recaem sobre ela.

Um filme que pode aparentar ser apenas mais uma comedia italiana, repleta de seus clichês “quando a família se junta, sempre dá confusão”, mas não é. Ele cumpre esse papel e vai alem. Consegue ser um filme interessante amplamente, com todas as características que fazem do cinema europeu um dos melhores em termos de comedia, com diálogos peculiares, e ainda assim um filme extremamente critico e coeso, com um melodrama corajoso e no mínimo instigante e delicioso de ver.

Um filme que merece ser visto, revisto, apreciado e descoberto.

*É interessante as sequencias que compõem os créditos após o termino do filme também.

Trailer



FICHA TÉCNICA

Diretor: Ferzan Ozpetek
Elenco: Riccardo Scamarcio, Nicole Grimaudo, Alessandro Preziosi, Ennio Fantastichini, Lunetta Savino, Ilaria Occhini, Bianca Nappi, Carmine Recano, Massimiliano Gallo
Produção: Domenico Procacci
Roteiro: Ivan Cotroneo, Ferzan Ozpetek
Fotografia: Maurizio Calvesi
Trilha Sonora: Pasquale Catalano
Duração: 110 min.
Ano: 2010
País: Itália
Gênero: Comédia Dramática
Classificação: 14 anos