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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Oscar 2014 - Indicados, Apostas e Analises.



Prometi escrever criticas/analises dos 9 indicados a melhor filme Do Oscar 2014 caso conseguisse assistir a todos antes da premiação.
Consegui assistir a todos, porem precisarei descumprir a promessa de escrever sobre eles, mas explico os meus motivos.
Como bem sabem – para quem já leu meu perfil por aqui – eu curso Cinema na Anhembi Morumbi em São Paulo e estou atualmente em meu penúltimo semestre de graduação. Ou seja: ano de TCC.

Minha cabeça, meus dias, meu tempo; tudo esta totalmente voltado para a universidade. De uma maneira tão atribulada que não consegui encontrar uma brecha entre trabalhos, planejamentos, projetos e preocupações, leituras e mil e um filmes a serem assistidos e analisados e discutidos, teorizados, para escrever e pesquisar sobre os 9 indicados. Pois não é apenas questão de escrever o que achei ou analisei num filme. Precisa de tempo e cuidado, dedicação com o texto em respeito a você leitor e ao próprio filme como obra. Preciso demandar tempo de pesquisa por exemplo sobre os fatos e detalhes que permeiam a produção. Coisa que não consegui e não conseguirei fazer ate domingo dia 02 de março noite da cerimônia. Porem postei ‘religiosamente’ comentarias em espécies de resenhas descompromissadas em meu Facebook pessoal sobre cada um deles assim que terminava de assisti-los. E resolvi para não me abster totalmente da promessa que fiz, Criar esse texto resumão englobando os 9 indicados com comentários sobre eles e ao final acrescentar a lista  com minhas apostas de quem deve levar a estatueta- nas 24 categorias – e quem eu julgo que deveria levar (que nem sempre combina com quem deve levar de fato).


Vamos La?



Trapaça

Filme do diretor David O. Russell ( O Lado Bom Da Vida) e novo queridinho da Academia. O filme não é ruim. Porem, ele peca tanto em timing e desenvolvimento que acaba - por falta de melhor expressão - se tornando maçante. 
Explico.
O filme é situado nos anos 70 e assim, possui toda uma estética da década, estética não somente na direção de arte - muito bem conduzida - mas na fotografia que imprime uma plastica retrô, granulada de cores apagadas que nos remete a filmagens feitas naquela época com aquela qualidade de imagem. O mesmo para as técnicas de filmagens que usam enquadramentos e posicionamentos e movimentos de câmera característicos da época.. onde tudo é evidenciado sem sutilezas, com zoons rápidos, cortes entre falas, detalhes assim que algo é mencionado e direcionado ao objeto ou gesto. Que pode inclusive ser encarado como um 'Genérico de Scorsese' tamanha a semelhança e alusão que o longa faz as características mais evidentes da obra das obras de Martin. Somente nisso o filme já cresce muito.

O mesmo para o figurino impecável, que ora parecem sugerir um exagero em demasia - proposital claro - e ora para alguns detalhes como a costura e os tecidos utilizados; e as atuações; onde possui um elenco afiado que sim seguram a barra de forma excelente - quase estudos de composição de personagens mas que, contudo tenho minhas ressalvas aos elogios demasiados exasperados demais. 

A Amy Adams esta muito bem no papel, de longe talvez a personagem mais interessante de um longa desinteressante. Mas longe de ser uma atuação que marque. Ela tem alguns momentos memoráveis mas nada que justifique indicações a tantos prêmios por mérito. É uma grande atriz, num bom papel, com uma atuação boa, não 'sensacional'. O mesmo dos outros 5 atores principais do núcleo. JawLa de fato é uma atriz muito boa, expressiva de talento. Mas continuo com a mesma opinião do ano passado. O melhor papel dela ate hoje foi no filme "Inverno da Alma" la ela merecia todos os méritos e indicações e prêmios. Ano passado ela não mereceu o Oscar diante de suas concorrentes e esse ano a mesma coisa. Não dá para compreender. Se levar o premio sera unica e exclusivamente por campanha e não porque 'foi a melhor' entendem? Sua atuação aqui esta apenas correta. Um trabalho de uma atriz em ascensão com marca já própria, num papel bom também, interessante mas que não exige nada demais dela a ponto de lhe absorver uma atuação digna de Oscar por exemplo. Mas que seja. 

Quem realmente esta bem aqui é o Bradley Cooper. O ator consegue nos fazer esquecer do ator por trás do personagem e isso é surpreendente. Christian Bale sempre impecável em todos papeis que recebe, aqui surge apagado, numa composição sem atrativos. 
 Mas aí é que entra o maior problema de Trapaça. Sim, o filme desde o principio nos induz numa trama onde não sabemos exatamente quem esta trapaceando quem. Numa trama que visa obscurecer e tornar dubio a própria narrativa, sem nos deixar saber de imediato quem é quem de fato ali. Mas ele não consegue sustentar nossa atenção para isso. No final do filme a unica coisa que conseguimos absorver são os atores, o comprimento dos vestidos, a pele exposta de Amy (maravilhosa), o penteado de Lawrence, a careca de Bale e os cachos de Cooper. O filme se sustenta a trancos e barrancos nas atuações e não na trama que é o que o filme parece querer explicitar, em todo seu cuidado cinematográfico. Ele funciona visualmente bem, mas dramaticamente nunca. Acabamos por percebemos ele mais longo do que realmente é ou deveria ser.

A Trilha sonora saudosista sempre agrada também, pela musica em si, mas não pelo seu encaixe propicio a determinadas cenas. 
Como disse, apesar de tudo isso torna-lo um bom filme, isso só ocorre com uma hora de duração. Antes disso o filme se perde em explicações desnecessárias que o tornam longo demais sem justificativa alguma, em outras palavras: chato ou massante. Apos uma hora de projeção finalmente nos embalamos na trama e realmente seu final vale a pena - intrigas sempre agradam no final das contas-. Em todo caso...
Mereceu as indicações que teve? Sim e não. Merece sim ser lembrado, mas talvez não em tantas (10 indicações chega a soar ridículo)
Merece levar alguma coisa? Sim, principalmente as técnicas.
É o melhor entre os concorrentes de sua temporada? Não. 
Mas é um bom filme. Não é ótimo ou inesquecível. Apenas bom e por isso vale a paciência a quem a tiver.


Capitão Phillips

Tom Hanks vem recebendo vários elogios de publico e critica nessa temporada de premiações - ainda que tenha sido esnobado do OSCAR - e realmente tem merecido a atenção dada. Contudo quem realmente me chamou atenção foi o ator Barkahad Abdi que é o antagonista da trama, porem não como vilão necessariamente mas sim como um anti Heroi (um dia me cobrem e farei um post explicando os termos e como diferenciar ok? para quem não manja dos paranaués haha). O Ator tem origem Somália mesmo ainda que seja atualmente um cidadão americano.
Seu personagem o capitão/pirata MUSE é de uma profundidade tão exasperada e tocante que conseguimos nos solidarizar, admirar, ter ódio, aversão, pena e medo tudo em questão de minutos, dependendo da forma que ele lança seus olhares ou da impostação de sua voz. Magro, quase cadavérico ele assume as cenas em que esta presente ao lado de Tom Hanks que tem seu melhor momento no final da projeção. Se o comum é esperarmos uma atuação sóbrio porem repleta de caras e bocas e trejeitos típicos de Hanks - e veja que não é em forma pejorativa que digo isso não, pelo contrario - aqui, ele assume um personagem mais sóbrio, calculista, que embala o espectador não exatamente pela emoção, pela pena ou solidariedade, - recursos comuns de protagonistas vitimizados em situação de sequestro ainda mais nesse caso, baseado em fatos recentes e reais-, mas através de sua força e capacidade de raciocinar em prol de uma resolução eficaz.

O filme é dirigido pelo reconhecível Paul Greengrass - de Voo United 93 e Supremacia Bourne - que não exita em imprimir sua marca quase documental em seu estilo de filmagem, em colocar a tensão e a verossimilhança das cenas de forma palpável e angustiante, com câmeras nas mãos, closes absurdos, movimentos e alteração de ângulos que nos fazem participar da trama por vezes. Palmas para o roteiro que como citei não se prende em superficialidades para nos colocar diante da trama, e principalmente não tenta se beneficiar do melodrama como artificio de fisgar a atenção e torcida do espectador. Assim quando algum personagem corre perigo de vida não nos assustamos e tememos por sua vida por sabermos de sua trajetória, por pensarmos em sua família por exemplo, pois isso ali é irrelevante, mas sim tememos e torcemos para aquela vida por ser uma ser humano em uma situação critica.
Alias, o tom critico desse filme é outro ponto interessante - apesar da xenofobia meio que sem escapatória acredito em filmes hollywoodianos ainda mais dessa vertente- ao mostrar como muitas vezes um cidadão independente de qual pais esteja, é colocado literalmente a deriva pelas mãos de gente mais poderosa que eles - nós-. Todos temos um superior a responder e essa característica que o filme frisa nos mostra um aparato e panorama politico instigante e discutível.

tecnicamente falando a montagem e o desenho de som do longa é muito bem construído também, sempre elevando e amarrando a trama em progressão sem nunca perder o controle de dosar drama e ação.

Talvez o filme se beneficiasse um pouco mais se conseguisse desenvolver melhor a historia de Muse (Barkahad Abdi) que como disse é de longe o personagem mais instigante no longa. Ainda assim, um filme ótimo de adrenalina pura!


Clube de Compras Dallas


Dirigido por Jean-Marc Vallée, Clube de Compras Dallas surge como o grande filme manifesto da temporada ao lado de 12 Anos de Escravidão, que encontra seu diferencial em sua montagem acertada, em seu roteiro delimitado e bem desenvolvido que reflete toda uma politica de preconceitos e descasos de saúde, diante de uma doença repleta de misticas.

Um filme gostoso de se ver no sentido de ritmo, com uma narrativa que instiga o espectador a atuar como participante daquela luta e descoberta da doença sem recair no melodrama ja vastamente abordado pela Industria.

Mas principalmente, 'Dallas' se beneficia das atuações de Jared Leto e Matthew McConaughey que levam nas costas surradas, cansadas e debilitadas toda a projeção. É impressionante como o filme consegue discutir questão críticas politicas tão bem, e contrapor com questões pessoais tão fortes. principalmente diante da escolha de traçar o arco dramático do personagem - baseado num caso real - de McConaughey, que na vida real era um peão bissexual, mas que aqui é um hétero, homofóbico e que assim desmistifica o preceito ignorante da sociedade da época de que somente homossexuais podiam contrair e disseminar a Aids. Essa escolha de mudança complementa de uma maneira extremamente eficaz a narrativa do longa.


Gravidade

Critica >> Gravidade


Ela

''O coração não é uma caixa que pode ser preenchida. Ele se expande por dentro o quanto mais você ama. Eu sou sua e não sou.''

Penso assim: Se Meryl Streep é Deus Al Pacino tbm o é. E para todas as outras coisas da vida Joaquin Phoenix é uma religião de respeito!

Que roteiro fabuloso e pertinente. Her que o nome já denuncia sobre o que realmente trata, não só nos trás uma bela historia de amor e relacionamento como um panorama de futuro já quase presente dos moldes que nós nos relacionamos com nós mesmos em busca de compreensão de nosso tempo e espaço físico e espacial.

Para isso temos uma trilha sonora lúdica, de calma e melancolia, quase agridoce aos ouvidos e aos sentidos. Uma graça. Igualmente o designer do longa com uma edição e montagem que nos remete ao inconsciente constante.

Perspicaz também o uso das cores no longa. O azul, amarelo e vermelho permeiam o longa todo,. a todo instante. São cores que inconscientemente nos despertam sensação de consumo, coisas inovadoras, criatividade, marketing - o simbolo da Google tem essas cores. Cores extremamente vivas que contudo nos passam a ideia de coisas virtuais.
E essa é uma alegoria mega interessante para a proposta do filme.

E os fãs da moça que não me levem a mal, mas a ScarJo esta em sua melhor performance. E não é ironia. Pela primeira vez 'vi' uma atuação interessante da moça, repleta de sentimentos, de nuances. Você não vê a Samantha mas consegue enxerga-la. Atuação vai além de expressão corporal ou facial. Atuação esta na impostação de voz também e a ScarJo assumiu totalmente esse personagem.

Mas é o Phoenix que brilha em tela. Ele consegue imprimir a dose certa de sentimentos e sensações que o personagem exige, sempre de modo contido ou mesmo particular. Não é um personagem formado pelos exageros mas sim pela contenção. E sua atuação mostra isso. Onde nos momentos de libertação - como as cenas que ele dança, corre - nos acabamos por experimentar aquela alegria, esboçamos sorrisos simplesmente por que o personagem consegue nos transbordar para aquela realidade- que no final das contas é tão parecida com a nossa atual. Amy Adams a cada dia se tornando uma atriz FODA em todos os sentidos, ainda que em um papel que não exija nada demais dela, consegue nos fazer ter ternura e simpatia a cada aparição em que surge.

Her é muito mais um filme sobre sentimentos humanos que qualquer outra coisa. Um mundo não tão distante onde as relações humanas se subvertem, onde nossa tecnologia coexiste entre nós. Onde humanos e Virtuais se confundem. Onde a priori de ser humano caminha numa relação complexa de descoberta do que é viver e não apenas sobreviver em sociedade. São mil e uma questões acerca do comportamento dessa nova geração que se inicia e que sim estamos fazendo parte em sua evolução e desenvolvimento que torna o filme uma experiencia bonita sim do ponto de vista romântico, mas dolorosa do ponto de vista ao qual nos vemos ali em cada parte de Theodore, de Samantha (serão meus sentimentos ou apenas uma programação?) e de Amy.
Pessoas solitárias dentro de si mesmas que tentam a todo custo aprender a lidar com a imposição social de ser socializável e assim se encontrar.

E se é que não bastasse toda sensibilidade nas duas horas de projeção, ao final o resumo do que o espectador faz e sente involuntariamente: o som da respiração.

Teoria que surgiu na Internet: Samantha e os Outros Os¹ se auto-destruíram. Ou seja morreram; escolheram se autodestruir para que os humanos que tanto acabaram amando pudessem voltar a aprender a se relacionar entre si. 
Mas discordo dessa opinião quanto ao 'fim' de Samantha e os seus 'outros'. pode ser viagem minha, mas o que pega na complexidade desse filme como qualquer inteligencia artificial, seja virtual ou de clonagem, seres sintéticos é que essa teoria e possibilidade lida diretamente com a relação que nos temos do 'qual o segredo da vida'? 
Tudo se resume a isso. Temos bilhões de anos de existência, porem ainda continuamos com as mesmas questões de outrora: de onde viemos? Quem nos criou? para que existimos?
E Samantha ao decorrer do filme faz esses questionamentos querendo entender a si mesma. Obter um proposito para sua existência, com a vantagem talvez de saber exatamente para que e por quem foi criada. Mas isso não elimina o fato de que com o passar do tempo ela foi se tornando independente como nós. Temos codificação genética sim mas num dado momento acabamos sendo como nossas impressões digitais, únicos. Nos desenvolvemos e criamos personalidade e características principalmente mentais e de intelecto particulares. Samantha e os seus adquirem o mesmo. 
E enfim decidem sumir. penso na ideia de cria e criador, o como assim que adquirimos conhecimento de quem somos como pessoas saímos, nos despedimos e desligamos de nossos pais e buscamos nosso próprio mundo. Para mim Samantha foi para esse lugar que não esta no plano físico humano mas no deles, aquele que vai alem do virtual. Não o da morte o alem vida/existência material mas um mundo só deles. Creio que toda criação - como nós - num dado momento se voltam ao seu próprio mundo/universo. Entende? Penso que Samantha e os seus, encontraram ou mesmo criaram sua própria realidade onde enfim eles existem palpavelmente entre si seja o que esse 'tato' signifique ou seja. Dai ela citar que se algum dia nós, e Theodore conseguirem chegar nesse lugar para que ele a procure para conseguirem ser um só enfim. Se fosse apenas uma autodestruição em massa não haveria o porque haver o mistério, a dificuldade explicativa.
 E há também a teoria mais 'tv caras' que sugere que Her é uma resposta do Jonze à Coppola e seu "Encontros e Desencontros'... 

Enfim.. Apenas uma pauta para discussão; uma obra que instiga debates profundos...E ai esta a genialidade...

Um belo filme... Belo!

'E o passado é apenas uma historia que nos contamos' 


Nebraska

Uma janela aberta para o passado, para o esquecimento, para tudo aquilo que não foi mas ainda assim é. Nebraska alude ao inverno, ao outono por vezes. O gelo que congela memorias como fotos antigas em preto e branco de ecos que persistem mesmo onde não se há mais voz ativa mas que derretem ao menor indicio de fagulhas do fogo da vontade de viver e não só sobreviver no Tempo.

Ainda que o Preto e Branco ao qual o filme goza fotograficamente não seja lá seu destaque ele é perfeito pra narrativa, mostrando justamente a relação melancólica porem bela do roteiro sensível e denso que o longa assume logo de inicio.
Nebraska oscila entre o cômico e o dramático num ritmo vertiginoso tocante e admirável. Pois se em um momento estamos gargalhando pelas falas e jeito encantador de Kate a matriarca da família, no segundo seguinte estamos chocados ou embasbacados com a brutalidade e frieza de um homem que simplesmente seguiu a vida como ela lhe foi ofertada, capaz de crueldades pesadas como dizer ao próprio filho que nunca amou de fato sua mulher ou que nunca planejou a existência deles.

Mas Woody não é um velho ranzinza cruel apenas, suas motivações ou falta delas se estendem numa complexidade ampla, na qual ao longo da narrativa conseguimos criar empatia com seu personagem rir dele e com ele, e nos emocionar e ter pena e complacência de sua trajetória de dor, tristeza, solidão dentro de si mesmo e de renuncia, de um homem incompleto que só tentou caminhar através da luz que o sol das manhãs mais cinzas - tal qual o preto e branco da película - lhe impunham. Um homem que não é mal ou recluso, mas que não sabe lidar com certas coisas e sentimentos - fruto da herança de sua família. Ele foi criado assim.
Ainda assim ele é capaz de protagonizar uma cena linda de amor real por suas crias, ainda que não saiba como demonstra-la.

Nebraska é um filme sobre se encontrar, sobre jornada, sobre reflexão da vida com o tempo, sobre a imensidão de tudo aquilo que poderia ter sido e não foi, não é.
Que se desconstrói e se resume muito bem numa frase:
quando o Filho Dave pergunta ao pai se ele queria ter uma fazenda tal qual seu pai antes dele, Woody simplesmente ao olhar para o horizonte abandonado onde nasceu responde: 'eu não me lembro'.

Contando com atuações e personagens cativantes em especial Kate de June Squibb que me conquistou por completo - e me traumatizou um cemitério - o filme engrandece sob a atuação de Will Forte com seu Dave, apagado, 'sem graça', repleto de sensibilidade e uma devoção com magoas latentes, numa sutileza de sentimentos diferentes resguardados atrás dos ombros retraídos que delimitam bem sua essência explicitada assim que descobre que seu nome originou-se de um tio morto aos 2 anos de idade; tal qual ele 'sem vida', e de Bruce Dern e seu protagonista Woody, que merece realmente ser lembrado na Indicação Oscar que recebeu.

Vale a lembrança de Bob Odenkirk (acá Saul de Breaking Bad) que confere a dose certa de humor versus drama que o filme precisa.

Engana-se quem reduzir esse drama cômico a uma simples trama de 'pai e filho' de 'reencontro inter relacional'. Nebraska é um filme sobre trajetória, tal qual a viagem que permeia o longa. é o retrato de uma reflexão sobre o tempo, as perdas, sobre a vida enfim, sua passagem, seu fim. As vontades e desejos versus obrigações e osmose. 
é um filme sobre reencontro a si mesmo diante da vida que ainda esta aqui. Um registro de como somos incompletos mesmo diante da aparente felicidade, de como dia apos dia estamos buscando completar as lacunas que o Tempo deixa sobre nós e além de nós, nos outros que nos rodeiam. 

E que planos inspirados com belas paisagens, e que terno sempre é o retrato que se encontra na sociedade 'velha' do interior.

Não é um filme triste, mas arranca certa tristeza. E talvez sua maior 'esperança' dada, seja a mensagem que passa ao final de que não importa a busca, não importa realmente quão preto e branco seja a tempestade, mesmo nela, há 256 tons de cinza para se admirar, caminhar, contemplar e talvez, apenas talvez sentir.

Um belíssimo filme. Belíssimo!


Philomena


Confesso que tava animado e achando que o filme me arrancaria algo mais substancial, afinal de todos os 9 indicados a melhor filme desse ano, Philomena continuava uma Incógnita para mim do o porque figurava na lista. Finalmente consegui assistir ao longa e a incógnita continua... Ou melhor, se dissipa por conhecer os 'tramites' Oscar de ser mas realmente...Bom é, mas não vejo o porque figurar a principal categoria.. anyway...

O filme não é ruim de maneira alguma, alias, me surpreendeu em alguns pontos, mas não é lá ' nada de novo'.

Explico: O que vemos em tela é a famigerada formula 'pessoas diferentes que criam laço terno', 'profissional em crise que encontra pessoa em crise e ambos se ajudam',' mãe procura filho perdido' e 'ateus versos religião'. Tudo mais do mesmo, porem sem ser feito de maneira 'arroz com feijão'. Apesar da trama ser velha conhecida do cinema emocional, Philomena goza de um roteiro que não tenta levar o espectador as lagrimas a cada instante, não tenta transformar sua protagonista em uma sofrida vitima em busca de redenção contra a vilania da igreja. Ainda que o tom moral da produção assuma esse papel de 'condenação' e critica a igreja católica e a imigração de crianças entre irlanda e EUA, isso é feito tão sutilmente que pode passar despercebido pelos mais 'emotivos' o que é ótimo para a produção não se tornar clichê. 

Há uma dosagem equilibrada entre o ceticismo irônico e sarcástico vindo do lado ateu da obra através de Steve Coogan como Sixsmith com o tom de fé inabalável mas de convicção desestruturada da sincera e afetiva Judi Dench com sua Philomena (numa atuação a altura dela, essa grande atriz). Se por um lado os questionamentos de descrenças, a parcela racional de Sixsmith são criveis, a fé de Philomena também o são. Não ha um interesse no roteiro de determinar um embate entre fé e religião, entre certo e errado, ainda que essa reflexão e debate surja no espectador, o filme não toma as rédeas da manipulação emotiva e sentimental para isso, ainda que a historia por si só - baseada em fatos reais - dê pano para manga a isto.

Assim Philomena se beneficia por não surgir piegas demais, mesmo que abuse de artifícios tais como inverossímeis mazelas de condução narrativa. As coincidências são vergonhosas em certos pontos - há sim a interpretação de que toda a facilidade nos desfechos e resoluções posam ser a parcela 'sinais de deus' ali guiando Philomena, porem numa obra que tenta com tanto afinco em seu roteiro e condução em se manter imparcial diante do debate 'deus e igreja', tais artifícios soam como uma falha num roteiro que poderia se fazer valer - sendo calcado na realidade ou não - de artifícios mais criveis.

Pois ao contrario de algumas criticas que vim saber hoje, considero a historia real de Philomena mais crível do que a realidade aqui do longa.

Mas isso são apenas detalhes, que não tornam o roteiro menos inspirado. O forte do longa é justamente isso a direção segura, a atuação edificante de Judi e o roteiro nada piegas.

Acrescente ai a dose sempre ponderada e maravilhosa da trilha sonora de Alexandre Desplat, e doses de humor de quebra dramática na produção e temos um filme bonito, que faz refletir sim sobre a conduta da fé e religiosidade cega, dos crimes da igreja católica por anos a fio em nome do 'bem maior', da politica de imigração criminosa de crianças adotadas, da ética entre o que é ser jornalista e claro, sobre as mazelas da vida entre escolhas, perdão e redenção.

Particularmente achei curioso a personagem Philomena. Ela é complexa ao assumir uma postura ao mesmo tempo amável de quem sofreu em silencio e em 'pecado' por 50 anos, mas que ao mesmo tempo a fez forte, dona de um caráter sem 'papas na língua', conservadora em sua fé católica mas ao mesmo tempo coerente ao falar sobre homossexualidade de uma forma tão normal, sem taxar ou julgar que a fala dela surge como um tapa na cara em tempos em que algo tão humano quanto respirar ainda é tabu no mundo. Por essas escolhas peculiares o filme vale a pena.

Mas falta. falta justamente pela sobriedade escolhida. pela parcimônia que impede que ele seja um ''grande filme''. Mas ainda assim um ''filme grande'' ele é.
Bom. Correto.


12 Anos de Escravidão

Com direção segura de Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão, surge como uma retratação necessaria e tardia de toda uma sociedade e humanidade falha e horrenda diante de seus semelhantes, onde a escravidão não acabou coma  abolição; que em suma não acabou que ainda existe mesmo anos depois, no hoje diante de uma cultura 'branca' que se estabelece não só ideologicamente com religiosamente e politicamente.

12 Anos de Escravidão é o tipico filme que nasceu e foi criado para o Oscar. cada plano, cada sequencia, a escalação do elenco, sua fotografia, trilha... Tudo, culmina num emaranhado que foi feito para ganhar prêmios. nada ali foi feito apenas visando 'o cinema em si', mas sim conquistar prêmios. E isso apesar de pessoalmente ser um demérito diante dos meus julgamentos, não é um demérito no geral; uma vez que consegue cumprir bem sua proposta e principalmente se tornar relevante diante de um tema que principalmente na sociedade americana ainda é tratado as sombras, ainda que permaneça tão atual diante do mundo.

São planos cinematográficos, calculadamente assimétricos, travellings expansivos, um cuidado de tempo para fortalecer as atuações dos atores que dão um banho de talento na tela. Um filme que usa e abusa do classicismo em sua narrativa. E que tem sua maior força justamente no teor de alerta e denuncia que possui em não recair em mazelas de levar a um choro imediatista mas sim que perdure diante de uma consciência humana no espectador, mais forte ainda por ser a visão de um diretor negro diante daquele supremacia que ainda temos explicita ou veladamente de que existe valor e desvalor na cor da pele.


O Lobo de Wall Street

Bunda do DiCaprio, 
Vela vermelha na bunda do DiCaprio, 
'Who? who? who?'

Confesso, fui para o filme com essas aspirações, achando que seria isso que retiraria de 3 horas intermináveis de filme. 
Mas a real é que to feliz e impressionado por constatar que sim, estava enganado e extremamente enganado. Após 3 horas sai de tela tendo a certeza que vi uma obra genial!
Quem diria hein Scorsese? Que no alto de seus 70 anos você conseguiria nos surpreender com uma narrativa tão inspirada...

O filme é uma delicia louco, megalomaníaca, insana, surreal, desproposita, sarcástica, repleta de humor negro, sociopatia, cenas que beiram a pena e a decadência e por isso mesmo repleto de coisas sensacionais.

O filme é baseado na historia real retratado numa autobiografia daquele que ficou conhecido como O Lobo de Wall Street(dããr), porem se a premissa é calcada na realidade,, Martin escolheu trilhar o caminho do absurdo para mostrar facetas humanas de moral - e imoralidade - latentes não só em seu ´personagem principal, mas em todo o sistema social e financeiro que permeiam o longa e consequentemente por isso, testa a cada segundo nossa própria percepção de ética.
Ao subverter valores e nos trazer cenas e situações que desde o inicio nos fazem exclamar: que porra é essa? o diretor muito sabiamente mostra a historia do ponto de vista não só da voz do personagem principal, mas de seu mundinho particular, seu mundo de fantasia e obsolência surreal onde cada bunda, cada sexo, cada droga não é em vão.
Assim o que aos olhos de fora pode parecer 'desnecessário' ou 'exagerado' na realidade é o tom exato necessário para entendermos e mergulharmos naquele mundo.
Meu pai foi corretor da Bolsa de valores exatamente como personagem principal nas décadas de 80/90 e realmente o mundo que permeia a bolsa é regada ao que se pode chamar de ter o mundo aos seus pés, dinheiro a toda volta e o risco de perde-lo por inconsequência também.
Logo no inicio o filme já nos mostra sua multifacetada habilidade de transitar entre vários tipos de narrativa quando mostra primeiro o filme substituindo o leão da produtora pelo leão simbolo da agencia do filme e logo em seguida ao mudar a cor da Ferrari do protagonista diante de nossos olhos. Com isso Martin deixa claro a linguagem que usara no longa, onde o que vemos é o ponto de vista unica e exclusivamente de nosso narrador. esqueça a realidade normativa, o que veremos é a realidade daquele personagem e somente dele. 
E que personagem, e nisso o mérito fica a cargo do impressionante DiCaprio que provavelmente encarnou o personagem de sua vida, levando a narrativa difícil e complexa do filme nas costas ao lado do sensacional Jonah Hill que consegue não só fazer uma dupla de igual para igual com o DiCaprio alem de ter um personagem tão interessante quanto, e mesclar o timing humorístico com a carga dramática e perturbada que esconde suas ações e inseguranças - que eles mascaram com as drogas e o sexo -.
Dicaprio consegue nos entregar atuações em nível corporal, vocal de entonação, com sutileza (naquela conversa sensacional no iate/barco com o cara da policia) e emocional onde suas expressões oscilam com naturalidade da comicidade a tragedia. Ele formula um personagem desprezível mas que pela empatia que o ator - e unicamente é mérito do ator - ainda assim conseguimos torcer por ele, ainda que reprovemos absolutamente o verdadeiro babaca que ele é(ainda que digno de respeito pela inteligência que tem).
O ator demonstrou aqui que definitivamente o mundo não pode mais ter desculpas para não reconhecer seu talento. É um prazer vê-lo em tela. Mas se é que é necessário salientar a grande colaboração do longa se encontra nas cenas em que Matthew McConaughey surge. O homem rouba a atenção para si num personagem que deu pena de não continuar ate o final de toda a narrativa - ficamos com aquela expectativa de quando teríamos noticia dele novamente. realmente o ator esta numa ascensão admirável!.

E quem diria, as 3 horas aqui são acertadas, e isso é fruto da excelente montagem que não deixa pontas soltas, não se estende no que não precisa e mesmo quando comete o aparente erro de mostrar o que não acrescenta em nada na narrativa em si, ainda nos brinda com cenas de ritmo rápidos e suportáveis (como a sequencia de jogo de bilhar).
Palmas também para o designer de som que é um show a parte e igualmente a fotografia e direção de arte que não só nos mostra impensáveis chroma-keys, como ainda imprime um visual por vezes plastificado as imagens o que nos remete diretamente aquele universo a lá 'Harlem Shake'.

Mas o mérito maior do filme se encontra na visão agridoce que ele nos dá. por que se por um lado morremos de rir com as situações insanas em tela, nos questionamos internamente o como aquele mundo que beira a pena e reprovação consegue se espelhar numa sociedade cada vez mais recorrente a nossa volta. Onde o dinheiro doma e transforma o universo ao redor, para o 'saudável' e para o 'reprovável'. Pois sim O Lobo é um sociopata sem remorso, sem limites mas extremamente genial naquilo que sabe fazer de melhor: vender. E é notável como Martin não se deixa seduzir em nenhum momento por aquele personagem e seu mundo e não exita em reprova-lo de todas as formas quando por exemplo mostra uma criança desesperada e chocada pelas atitudes do pai, ou quando mostra a realidade de uma tentativa de direção de carro a noite apos uma ligação em telefone publico e principalmente na chocante cena em que uma mulher aceita ter seus cabelos cortados em troca de dinheiro. Ali a câmera faz questão de mostrar a reação da mulher diante daquilo, sua humilhação ao se retirar da sala contando as notas de dinheiro. Ali Martin Scorsese dá o tom de sua critica, de sua visão e principalmente de sua moral diante daquela epopeia desvairada de sexo, depravação, diversão e dinheiro.

Um grande filme. Com um puta roteiro (Terence Winter uau men, uau!) .
Um verdadeiro uivo de Lobo. E que uivo!


Abaixo lista com os indicados em cada categoria - apenas citados sem avaliação - e minhas correspondentes apostas de quem vencerá e quem eu julgo que deveria levar(por preferencia pessoal): 

** Importante frisar que nem todos que 'dei palpite' abaixo, cheguei a assistir por completo. Muitos ainda não entraram no circuito e eu posso ter perdido nas mostras e festivais de cinema que houveram. Contudo mesmo assim é possível traçar um panorama de estudo diante das possibilidades e tendencias já conhecidas das regras e preferencias do Oscar.


Melhor filme

Trapaça
Capitão Phillips
Clube de Compras Dallas
Gravidade
Ela
Nebraska
Philomena
12 Anos de Escravidão
O Lobo de Wall Street

Quem leva: 12 anos de Escravidão
Quem deveria levar:  GRAVIDADE
Meu favorito:  HER
(comentário: a campanha de 12 anos esta forte nessa corrida dessa temporada, bem como pesa o fator de que o Oscar nunca premiou 'ficções cientificas como Gravidade. Contudo, Gravidade ainda é forte candidato, atualmente talvez esteja empatado em preferencia para levar. Mas o que complica ainda mais 'o meio de campo' é que geralmente, quem vence a categoria de Melhor Montagem, também leva o de Melhor Filme, e Capitão Phillips venceu o premio da Associação de Atores que influencia em muito os votantes do Oscar. Por isso esta categoria ainda esta 'em aberto'. ha favoritos mas tudo pode acontecer. Ate por que nessa categoria de Montagem, o grande favorito é Gravidade e Capitão, 12 anos não surge como possível ganhador nem por fora)

Melhor diretor

David O. Russell - Trapaça
Alfonso Cuarón - Gravidade
Steve McQueen - 12 Anos de Escravidão
Martin Scorsese - O Lobo de Wall Street
Alexander Payne - Nebraska

Quem leva: Alfonso Cuarón
Quem deveria levar:  Martin Scorsese
Meu favorito:  Martin Scorsese
(Comentario: O favorito aqui é Cuarón, num trapalho excepcional de controle de câmera, de projeção e visão mesmo. Um filme difisil de digerir com tanta singularidade subjetiva em que ele ainda nos presenteia com uma segurança sem igual em planos sequencias maravilhosos e absurdos sua marca já registrada. Porem, todos indicados aqui merecem atenção, diante de trapalhos igualmente soberbos e sóbrios, com exceção de David O. Russell que peca no andamento de sua obra. Ainda assim, dentre os 5, o mais competente aqui é Martin Scorsese, pois O Lobo de Wall Street não só demanda uma segurança impar de seu realizador, como uma compreensão absurda da narrativa e linguagem que trabalha. Wall Street usa uma linguagem extremamente fragmentada, repleta de reviravoltas e elementos narrativos e visuais que na mão de qualquer diretor menos experiente ou despreparado recairia no exagerado pelo exagero, e Scorsese jamais peca em tempo, em desenvolvimento em ideologia de fato. ele consegue versar na dose certa o humor o deboche, o drama e o absurdo. é um trabalho de direção acima do que se tem visto nos últimos anos.)

Melhor Atriz

Cate Blanchett - Blue Jasmine
Amy Adams - Trapaça
Sandra Bullock - Gravidade
Judi Dench - Philomena
Meryl Streep - Álbum de Família

Quem leva: Cate Blanchett
Quem deveria levar:  Cate Blanchett
Meu favorito:  Cate Blanchett
(só uma observação: MERYL STREEP É DEUS S2)

Melhor Ator

Christian Bale - Trapaça
Bruce Dern - Nebraska
Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street
Chiwetel Ejiofor - 12 Anos de Escravidão
Matthew McConaughey - Clube de Compras Dallas

Quem leva: Matthew McConaughey
Quem deveria levar:  Leonardo DiCaprio
Meu favorito:  Leonardo DiCaprio
(comentário: É inegável o valor da atuação e concepção de personagem do McConaughey e diante de sua mudança física drástica, é quase impossível não lhe conceder esse premio. A Academia ama isso, e o próprio filme se beneficia dessa concepção e construção/dedicação do ator. Contudo, o trabalho do DiCaprio em Wall Street não só é mais difícil de se compor do que de todos os outros 4 indicados, como o personagem dele em si e o filme em que ele esta inserido demanda um trapalho de atuação muito mais elevado e rígido. Leo flerta, conversa com a Câmera, ele vai do humor ao drama em questão de segundos, ele precisa demonstrar ser um cara escroto, ridículo e ainda assim manter nossa empatia e torcida. ele consegue o feito de nos fazer rir dele e não com ele. Sem falar que o filme em si promove uma inserção tão profunda de linguagem onde seu personagem flerta com diferentes contrastes de papeis, que chega a ser inacreditável o feito do Leo de ter conseguido segurar, desenvolver e brilhar diante desse desafio que poucos atores conseguiriam criar e mostrar. diante disso ele merecia o premio; ao qual levaria caso não existisse o irresistível McConaughey nessa temporada.)


Melhor ator coadjuvante

Barkhad Abdi - Capitão Phillips
Bradley Cooper - Trapaça
Michael Fassbender - 12 Anos de Escravidão
Jonah Hill - O Lobo de Wall Street
Jared Leto - Clube de Compras Dallas

Quem leva: Jared Leto
Quem deveria levar:  Michael Fassbender
Meu favorito:  Barkhad Abdi
(comentario: Jared esta na mesma posição que o McConaughey acima; sua transformação e dedicação ao personagem praticamente lhe entregam de bandeja a estatueta, merecidamente também uma vez que o Leto consegue a façanha de jamais caricaturar seu personagem como se espera que aconteça nos mil e um clichês que tais personagens compõe a filmografia mundial, principalmente hollywoodiana. Ainda assim, essa categoria possui monstros de atuação nessa temporada onde cada um, se vencer, merecera por méritos próprios. Mas ainda considero o Fassbender e o novato  Abdi acima da média geral dos 5, uma vez que Fassbender consegue contrapor seu personagem com a trama geral do filme 12 anos de escravidão. ele consegue transitar no tom correto de odiarmos o personagem, entendermos o personagem e sentirmos repulsa dele ao mesmo tempo, numa só cena, numa só aparição. ele carrega toda a construção quase dúbia de sua persona no olhar, nos gestos sem nunca soar forçado. é brilhante. Assim como o novato Abdi, que compõe um personagem e uma atuação tão natural e fluida, e tão marcante que consegue por vezes eclipsar o gigante Hanks em tela. Porem, como já foi dito em 'discussões cinéfilas' de boteco, não dá para saber ate que ponto ele realmente compõe uma boa atuação e ate que ponto é o ator sendo basicamente ele mesmo; uma vez que não podemos comparar sua atuação aqui, com nenhuma anterior como referencia.)


Melhor atriz coadjuvante

Sally Hawkins - Blue Jasmine
Jennifer Lawrence - Trapaça
Lupita Nyong'o - 12 Anos de Escravidão
Julia Roberts - Álbum de Família
June Squibb - Nebraska

Quem leva: Lupita Nyong'o
Quem deveria levar:  Lupita Nyong'o
Meu favorito:  Julia Roberts
(comentário: Julia Roberts ta um monstro esse ano. Ainda que o filme "Álbum de família" >>  << tenha sido injustamente esnobado nessa temporada, como era de se esperar, foi impossível não reconhecer o grande trabalho de Julia Roberts e Meryl Streep no filme. Ainda que Meryl seja a protagonista, é Julia quem rouba o filme para si em vários momentos, numa composição dura, frágil, profunda e extremamente complexa e difícil de personalidade, num filme amargo, pesado, de humor negro extremo(onde a parte 'negro' significa exatamente obscuro, pesado) onde qualquer outra atriz não seguraria a barra, não conseguiria dosar o nível correto de exagero exacerbado que o papel pede, o to  teatral que o filme pede mas a parcimônia ínfima que a fragilidade das relações entre mãe e filha ali necessitam. Uma grande obra cinematográfica com uma atuação a altura. porem, é impossível negar o talento e surpresa da novata Lupita que não só carrega 12 anos de escravidão nas costas nas cenas em que surge, como protagoniza a melhor sequencia do longa. é uma atuação madura para sua pouca idade, num papel extremamente difícil - mais uma vez para sua pouca idade- e que ela segura de maneira exemplar. é a favorita pela campanha forte que fez e é quem merece. Corre por fora a aqui famigerada Lawrence que jaja entrara para a historia como a premiada mais injusta do Oscar. Uma atriz cativante de talento inegável também, em ascensão, mas que não mereceu nem essa indicação e nem o premio que recebeu ano passado. Que figura e pode levar aqui, as premiações do ano unica e exclusivamente por deter o titulo de mais nova ''queridinha da América''.)

Melhor canção original

"Alone Yet Not Alone" - Alone Yet Not Alone
"Happy" - Meu Malvado Favorito 2
"Let it Go" - Frozen - Uma Aventura Congelante
"The Moon Song" - Ela
"Ordinary Love" - Mandela

Quem leva: Lei It Go
Quem deveria levar:  Let It Go
Meu favorito:  Let It Go


Melhor roteiro adaptado

Antes da Meia-Noite 
Capitão Phillips
Philomena
12 Anos de Escravidão
O Lobo de Wall Street

Quem leva: 12 Anos de Escravidão
Quem deveria levar:  Antes da Meia Noite
Meu favorito:  Antes da meia Noite
(Comentário: Antes da Meia-Noite (é de longe meu favorito alem de Ela e preciso expressar o por que ali >> Antes da Meia Noite << mas não tem chances de levar; porem se fosse premiado não só seria justo, diante da grandeza que esse roteiro possui e seu filme em si, mas diante também de todos esses 18 anos de negligencia que o Oscar teve com a Trilogia, que figura quase que unanimemente entre critica e publico como um dos romances mais bem feitos/escritos do Cinema. Ainda assim, 12 anos de Escravidão desponta como grande favorito aqui.)

Melhor roteiro original

Trapaça
Blue Jasmine
Clube de Compras Dallas
Ela
Nebraska

Quem leva: Ela
Quem deveria levar:  ELA
Meu favorito:  ELA
(Comentário: é indiscutível o poder, complexidade e realização de Her (Ela) nessa temporada. Uma historia cativante que consegue aparentar ser um romance simples, mas que esconde uma discussão quase que existencialista profunda sobre a sociedade humana, sem parecer pedante, maçante ou mesmo 'pseudo' alguma coisa. Mas é importante frisar que esta categoria, qualquer um dos concorrentes podem levar e devem levar, pois ambos são 'dignos' de receber a estatueta. E Clube de Compras Dallas corre por fora aqui também. Além de Blue Jasmine, mas que deve estar extremamente prejudicado devido as polemicas novamente recentes envolvendo Woody Allen.

Melhor longa de animação

Os Croods
Meu Malvado Favorito 2
Ernest & Celestine
Frozen - Uma Aventura Congelante
The Wind Rises

Quem leva: FROZEN
Quem deveria levar:  FROZEN
Meu favorito:  FROZEN
(comentário: Importante frisar que não consegui assistir ate a data desse post, a Vidas ao Vento, grande e único concorrente de fato de Frozen nessa categoria; uma vez que se trata do 'prometido' ultimo filme do mestre de animações Hayao Miyazaki . mesmo sem ter visto o longa, é de se esperar que seja uma grande obra, tendo em vista todas as obras impecáveis desse diretor que nos agracia com suas historias belas e 'serias' com traços tão cuidadosos e bem realizados que é quase que desrespeitoso com o Cinema em si não indica-lo e reconhecer sua importância na animação mundial. Porem deve ser de Frozen mesmo essa, que é sem duvida nenhuma de longe uma das melhores animações da disney em no minimo 10 anos. Um resgate as animações clássicas e seus musicais com um discurso de tolerância e evolução social extrema, que sobrepuja a própria ideologia criada pelos estúdios, num cuidado tão extremo com o Cinema Arte difícil de se ver principalmente na disney. Uma grata surpresa.

Melhor documentário em longa-metragem

The Act of Killing
Cutie and the Boxer
Dirty Wars
The Square
20 Feet From Stardom

Quem leva: Dirty Wars
Quem deveria levar:  (me abstenho pois não vi todos)
Meu favorito:  The Square


Melhor longa estrangeiro (aqui comentarei brevemente os 3 dos indicados que vi)

The Broken Circle Breakdown
Que filme sensacional - mesmo que eu tenho derramado lagrimas silenciosas por mais da metade dele.

Da bélgica esse filme que conseguiu a façanha de ter dois títulos extremamente certeiros para sua trama - o original "The Broken Circle Breakdown" e aqui no Brasil e nos EUA foi com o nome de "Alabama Monroe" - é o concorrente da bélgica para O Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e por enquanto é meu favorito.
O filme é quase um musical dramático que lida com questões de fé e politica numa trama de amor e devoção, tragedia e luta pela vida.
É notavel como o roteiro consegue imprimir tão bem o clima de angustia e de delicadeza ainda assim nas vidas de seus personagens. Se em um momento estamos ternos pelo romance do casal principal, no outro momentos ja estamos apreensivos por sua felicidade, para no outro momentos nos vermos batendo os pés e as mãos com sorriso no rosto pela musica animada que permeia o longa - e que trilha sonora, que trilha! -.
Me impressionei com a atuação da jovem e belíssima Veerle Baetens que vive Elise. Que atuação inspirada e tocante. E que voz doce.
Sim por que Alabama Monroe é antes de tudo um drama, mas funciona como Romance e mais ainda como Um musical. é Um 3 em 1 onde cada parte é elevada isoladamente e fechada de maneira perfeita quando reunida. Um luxo que poucas vezes vemos no cinema principalmente atual - me lembro de ter visto isso uma vez, em 'Apenas Uma Vez'.
Mas se lá em "Apenas" o que mantinha o alicerce da trama era a musica exclusivamente, aqui em "Alabama' o alicerce é outro, mais solido, mais denso, mais torrencial. Isso porque as questões que o permeiam não são fáceis, lidamos com perda, sobrevivência, falta, amor romântico, amor eterno, fé e religião,. politica e ética.
As questões que o filme lida quando cai diante das questões das pesquisas medicas com a sensacional inclusão de momentos chave com o noticiário na tv mostrando primeiro o 11 de setembro e a fala de W.Bush, para depois vir mais uma o ex-presidente americano num veto polemico à época para sintetizar diretamente com o sonho e americanização mesmo que o filme adota no inicio do filme e com as questões de ponto de virada melancólico do roteiro, é genial e pertinente.
Contudo devo expressar meu pequeno descontentamento pela solução final do filme.
Uma vez que ele brinca e deturpa um sentido logico do personagem Didier em sua própria crença. Sim, é uma opção valida do roteiro, tocante, que proporciona um final icônico, mas que não vejo o porque era necessário, diante das questões tão interessantes e corajosas que o filme abordou ate então - com ápice nos estouros de Didier em seus questionamentos a Igreja e a Lei 'guerra e pró- vida'.

Ainda assim, nada que tire o brilho de execução desse filme puxado sim, mas lindo de acompanhar. Ainda que a sensação final seja agridoce de ternura e tristeza ao mesmo tempo.

mas cá entre nós: nomear aqui no Brasil o filme como 'ALABAMA MONROE' e terem o cuidado de não incluir a conjunção 'e' entre os dois nomes foi de uma genialidade incomparável que mescla e soma ao prazer de passar pela experiencia repleta de debates e sensações múltiplas que é este filme. Otimo!

A Grande Beleza
Assisti também a La grande belleza, filme concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano. E sei não.
O filme é bom, e achei genial as referencias a La dolce vita e ao fellini no geral - algumas ate escrachadas tanto no modo de usar as imagens tão fortemente para adquirir relação com o contexto dentro da narrativa, quanto a concepção dos personagens e a própria critica reflexiva sobre a sociedade burguesa italiana, onde a Itália sempre surge bela porem com um tom agridoce de hipocrisia e decadência. tudo isso é genial realmente mas sabe quando não embala.? Então.
achei maçante as 2 horas de projeção, não consegui criar vinculo real ou palpável com o protagonista ainda que ele tenha todos atributos para causar empatia em mim - a começar pelo fato de ser um escritor com bloqueio literário -. Mas não bateu.. acho que é essa a palavra.. Não me levou a lugar nenhum, onde as principais 'coisas' que me chamaram atenção e realmente me fizeram 'me ligar' no filme foi toda a complexa composição da personagem anã no filme, toda a representação moral e mesmo lucida que ela exerce na narrativa, que ironicamente - e ai reside o ponto forte da intenção para mim - é a unica personagem realmente perspicaz e 'correta' da trama toda. nela esta a quebra. Curti também todo o esquema permeando a religião ali e como através dela vem o conceito de busca e perdição - no sentido de perda mesmo -. E sim, a cena inicial do gringo fotografando seguido pela sequencia de dança vale o filme todo.

Enfim um bom filme, que trata do vazio sem perspectivas, de uma maneira poética, quase onírica ao brincar com o irreal mas nos trazer de volta ao logico e racional, com tanto cuidado com a câmera que assume um tom quase participativo ao invés de meramente narrativo; mas que pessoalmente não posso dizer que gostei - o que não é demérito é gosto(sempre tento' ensinar' a diferenciar as duas coisas).

A Caça
critica >> A Caça

The Missing Picture
Omar

Quem leva: A Grande Beleza
Quem deveria levar:  A Caça
Meu favorito:  Alabama Monroe
(comentário: 'A Grande beleza' é disparado o grande favorito do ano, tendo como concorrente direto 'A Caça'. Ainda assim, meu favorito é Alabama por conseguir ser o que os dois favoritos antes citados são, ainda que seja um filme só. Alabama tem o diferencial de conseguir ser um filme comercial, de apelo critico forte e ainda assim conseguir ter o cinema arte bem desenvolvido, numa alusão quase 'hipster' de ser.
Vejo A Grande beleza como Cinema Arte, e A Caça principalmente como Cinema Industria - no sentido critico que ele possui de reflexão acessível, facilmente compreensível). Ainda que eu não tenha conseguido assistir 'Omar' e 'The Missing Picture' (que veio para o Brasil sob o titulo de "A Imagem que faltava") não acredito que diante da campanha nula que ambos filmes tiveram e diante do histórico da academia, que eles tenham chance de levar.


Melhor fotografia

O Grande Mestre
Gravidade
Inside Llewin Davis: Balada de um Homem Comum
Nebraska
Os Suspeitos

Quem leva: GRAVIDADE
Quem deveria levar:  OS SUSPEITOS
Meu favorito:  INSIDE LLEWIN


Melhor figurino

Trapaça
O Grande Mestre
O Grande Gatsby
The Invisible Woman
12 Anos de Escravidão

Quem leva: TRAPAÇA
Quem deveria levar:  TRAPAÇA
Meu favorito:  TRAPAÇA


Melhor montagem

Trapaça
Capitão Phillips
Clube de Compras Dallas
Gravidade
12 Anos de Escravidão

Quem leva: GRAVIDADE
Quem deveria levar:  GRAVIDADE
Meu favorito:  GRAVIDADE

Melhor maquiagem e cabelo

Clube de Compras Dallas
Vovô Sem-Vergonha
O Cavaleiro Solitário

Quem leva: CLUBE DE COMPRAS DALLAS
Quem deveria levar:  CLUBE DE COMPRAS DALLAS
Meu favorito:  TRAPAÇA - mas como não concorre > CLUBE DE COMPRAS DALLAS

Melhor trilha sonora

A Menina que Roubava Livros
Gravidade
Ela
Philomena
Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Quem leva: GRAVIDADE
Quem deveria levar:  PHILOMENA
Meu favorito:  ELA/A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS


Melhor design de produção

Trapaça
Gravidade
O Grande Gatsby
Ela
12 Anos de Escravidão

Quem leva: GRAVIDADE
Quem deveria levar:  ELA
Meu favorito:  ELA

Melhor animação em curta-metragem

Feral
Get a Horse!
Mr. Hublot
Possessions
Room on the Broom

Quem leva: GET A HORSE!
Quem deveria levar:  (me abstenho pois não vi dois dos indicados que tem potencial)
Meu favorito:  ROOM ON THE BROOM


Melhor edição de som

Até o Fim
Capitão Phillips
Gravidade
O Hobbit - A Desolação de Smaug
O Grande Herói

Quem leva: Gravidade
Quem deveria levar:  Gravidade
Meu favorito:  Capitão Phillips


Melhor mixagem de som

Capitão Phillips
Gravidade
O Hobbit - A Desolação de Smaug
Inside Llewin Davis: Balada de um Homem Comum
O Grande Herói

Quem leva: Gravidade
Quem deveria levar:  Inside llewin Davis
Meu favorito:  O Grande Heroi

Melhores efeitos visuais

Gravidade
O Hobbit - A Desolação de Smaug
Homem de Ferro 3
O Cavaleiro Solitário
Star Trek - Além da Escuridão

Quem leva: GRAVIDADE
Quem deveria levar:  GRAVIDADE
Meu favorito:  GRAVIDADE


(Me abstive de arriscar palpite nas categorias de 'Melhor Documentário de Curta Metragem' e 'Melhor Curta Metragem' pois não consegui nem me informar sobre os concorrentes desse ano e nem assistir nenhum deles) 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Caos em Terror e Medo

Faz um tempo já que me sinto acuado, exasperado, apreensivo, incomodado, bravo, com raiva, desesperado, insone, tremulo e desamparado.
Mas vou voltar um pouco no tempo.



Há alguns anos, percebi que era na arte que estava minha essência, minha priori de espírito. Era na arte que eu via tudo aquilo que minha alma precisava transbordar, mas não sabia como. Era nas letras e melodias musicais, nas pinturas e grafites pela cidade, nos livros e textos de poesia, nas danças que expressavam além-carne criticas sociais e sentimentais. Diante disso, encontrei no Cinema, sétima arte considerada por mim assim, por ser a única a reunir todas as seis anteriores numa só e assim se tornar a sétima; a síntese de onde eu encontraria paz em meu caos diário. Onde eu conseguiria me enxergar ao transpor em imagens tudo aquilo que minha mente, coração e essência de vida martelavam diariamente assim que eu despertava do meu travesseiro.

Assim, movi meus mundos para conseguir adentrar esse mundo, estudar, absorver conhecimento, absorver vivencia absorver e viver desafios dentro dela para me encontrar.
Cinco anos depois, e me sinto mais perdido do que quando entrei.
Não me entendam mal, aqui, meu desabafo não é ao Cinema – arte ou indústria – nem mesmo a vida tampouco em primeira estância.

Vejam. Após assistir a um documentário chamado The Square que relata a luta do povo egípcio em busca de liberdade e direitos humanos, contra a opressão política, fascista, religiosa instalada em seu país; senti-me apático com a vida, num átimo de desespero que me levou as lagrimas e a cinematográfica cena- quem diria ironicamente – de levar os braços ao redor das pernas, chorando profusamente por um futuro onde não existo.

Explico.

A mais de dois anos, vejo minha realidade ser tomada pelos chamados ‘cidadãos de bem’ que culminam seus ideais e filosofias muitas vezes amparados na religião fascista que ao invés de pregar ou disseminar o sacrifício de seu ‘deus’ na cruz, disseminam justamente as ideias e ideologias daqueles que o pregaram e açoitaram.

Vivo num mundo que goza do status de ser globalizado, de ser evoluído, onde cada dia mais há a liberdade de expressão vigorando, o direito de opinar e saber, mundo afora, mas que retrograda tudo isso, diante de atitudes medievais, anacrônicas e extremamente brutais contra seres humanos e seres vivos da TERRA.
É uma sucessão de alienação e brutalidade defendida e justificada que sinceramente não consigo compreender, atualmente como pode ser possível ser aceita e disseminada.
São casos de torturas a minorias, são ataques a homossexuais, condenação de estupro coletivo à mulheres, são seres humanos de pele escura sendo discriminados por tons cromáticos, são casos de assassinato, espancamentos, desaparecimento, humilhação, descaso... Tudo isso amparado por uma parcela da sociedade global que não veem nada de absurdo nisso – ‘somos cidadãos de bem’ eles dizem.
São leis e mandatos que apoiam um extermínio em massa de cidadãos que só querem o direito que lhes competem por existir: viver.
São fascistas discriminadores e preconceituosos intolerantes que ditam, ferem e propagam suas ideologias, presidindo cargos que deveriam servir para representar os Direitos Humanos da população. DIREITOS. HUMANOS.

São mazelas políticas e militares que a cada dia mais se aproximam de golpes e transformações  políticas e civis que prometem instaurar caça ‘as bruxas’ nos próximos anos – e notem que o termo bruxaria aqui usada tende significar ‘diferença as normas padrões’.

Assim, eu, negro, Gay, pobre, filho de mãe – mulher – negra, pobre, que nasceu e vive nas periferias da cidade, bolsista de uma universidade de elite internacional, em síntese, um homem carregado na pele e na essência de vida que tem por minorias discriminadas, e caçadas, pelo simples fato de ter nascido e continuar a respirar, me sinto sufocado.
Feito peixe fora d ‘água. Incapaz de respirar. Saturado de cansaço e desespero, num país e planeta, onde a sociedade não me permite sobreviver e menos ainda viver como cidadão que sou.
Sinto-me desesperado, num mundo que não me respeita como ser humano, que dia após dia, forma um alicerce de muros, paredões e rochas que visam me massacrar, me exterminar.
Vivo a cada dia que passa com medo, medo de estar vivendo na pele, na consciência o que meus ancestrais negros viveram. A diferença é que não querem mais me dominar. Usar-me. Abusar-me. Querem me caçar, tornar valida a caça e me sacrificar em nome de suas convicções que vão contra a vida, contra o respeito, contra a bondade, contra tudo aquilo que em síntese deveria significar ser humano. Sobre tudo aquilo que deveria nos diferenciar dos outros seres vivos.

Sim, a anos adotei ideologias que veem de letras e pensamentos como ‘O homem é o lobo do homem’, ‘Alguns caem por terra para outros poderem crescer’, ‘O importante é ser você, mesmo que seja estranho ou bizarro’. Sim, adotei tais ideologias que pra mim, são o resumo do que é ser um cidadão verdadeiramente do bem – ‘do ‘e não ‘de’ – que me ensinou que tenho o direito de exigir meu direito de ser quem sou de ser quem nasci de ser quem minha consciência de mundo me diz que sou. Não o que os olhos de fora ditam. Que me ensinou que o sistema é frágil, e que dia após dia estamos numa selva – de pedra, concreto, aço, virtual – mas que ainda assim é selva, e que a cada dia preciso lutar para sobreviver.

Mas nada disso me preparou para essa realidade exasperante sem empatia, sem coerência, onde um homem, uma mulher é morta, espancado e julgado por ser como é.
Onde negam direitos de vida para tais seres humanos exercerem sua essência de amar e compartilhar amor.
Onde não há espaço para riso, somente para dor.

Me sinto desamparado, projetando um futuro onde daqui cinco ou dez anos – talvez menos – voltem os ditadores, voltem o ode, onde qualquer violência é justificável, onde eu me vejo cochilando repleto de cicatrizes em buracos nos esgotos, nos subúrbios sem identidade, sem direitos reconhecidos, fugitivo de uma resistência que se nega a admitir um retrocesso calcado em ódio e separação.

De fato, tenho sonhos e pesadelos, onde corro, fujo e tento resistir e ajudar a humanos espancados simplesmente por assumirem que são negros, que são pobres, que são gays, lesbicas, transgênicos, que são diferentes talvez na aparência, no jeito de ser, mas que no fundo assustam mesmo por no final das contas serem iguais, numa igualdade que uma crescente dia a dia maioria não quer aceitar ou se ver nela.
Sinto-me um Mutante. Em meio a Xavier’s e magnetos. E ainda assim um estranho entre eles talvez eu seja um Mutante de fator desconhecido, pois não acredito do ‘olho por olho, dente por dente’, e também não acredito mais no ‘esconder-se, não sentir, demonstrar para ninguém saber’.
Não. Eu não quero mais apenas sobreviver. Eu quero existir.
Eu quero respaldo, da minha arte, a arte que citei que deveria me mostrar vida, mas parece estar estagnada.
Vi em The Square, seu povo lutando e exercendo, mantendo viva a arte mutável, registrando nas cores, pinturas, desenhos, rabiscos, textos, vozes e imagens, musica e sons, sua historia.
Mas aqui, a minha volta não. Vejo textos sim, mas onde esta o cinema? Meu cinema que me deu esperança e promessa de ‘lar’ exercendo seu papel?
Outro dia na faculdade, foi explicado a mim que eu, prestes a embarcar em meu TCC, deveria escolher temas que não causem polemica que não causem divergências, pois estes não são bem vistos ou aceitos. 

Não passam.

Vi isso como uma síntese do que vivo, onde tentar fazer o correto em prol da humanidade é visto hoje como ‘politicamente incorreto’, onde o que vale é cuidar do próprio nariz, cobrir o umbigo e esporadicamente jogar uma moeda pro alto para poder dormir bem.
Sinto-me desamparado. Em desabafo; como este; sinto-me perdido. Angustiado.
Não consigo conter as lagrimas de medo, de pavor em constatar que dia após dia, hora após hora, a cada segundo gasto escrevendo essas linhas, o mundo lá fora se fecha pra mim e pros meus- minorias – que tentam apenas existir em consciência diante do caos de terror que se estende no amanhecer.
Sombras disfarçadas de luz e morte disfarçada em flores e arco Iris.

To com medo. To com medo. E não sei pra quem pedir ajuda.

To com medo. Com medo.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Tatuagem - Critica



“Aqui começamos a fazer a pintura rupestre de um novo tempo”.

Ambientado em 1978, Tatuagem, mostra em plena ditadura militar brasileira -  que já mostra sinais de esgotamento. -  a historia de Clécio (Irandhir Santos) , que faz parte de um coletivo teatral – Chão de Estrelas- ,  que ao se envolver com Fininha (Jesuíta Barbosa), apelido do soldado Arlindo Araújo de apenas 18 anos de idade, cunhado da estrela de sua trupe, Paulete (Rodrigo García); se entrelaça num emaranhado de intensos sentimentos enquanto ambos enfrentam as marcas da ditadura no país, ainda que implícitas em seus direitos a democracia e liberdade.

Em dado momento o filme questiona: O que é Democracia? Democracia é Liberdade? Liberdade é escolha ou é decisão a partir daquilo que nos dão para escolher (uma opção pré-determinada)?
Tal questionamento sintetiza uma parte o poder social critico e político que o filme dirigido e roteirizado por Hilton Lacerda assume ao longo de suas 1h e 50 minutos de duração.

Tatuagem discursa sobretudo a liberdade social e nela incorre sobre os anos de confinamento e opressão de um país desigual quanto sociedade. O filme questiona a moralidade e não por acaso a transparência pessoal e intima de cada um consigo mesmo.
Não por acaso cada personagem parece inferir no espectador um tapa na cara sobre seus próprios preconceitos e predestinações a julgamentos e reclusões quanto pessoas.
Num País que enfrenta em pleno século XXI, uma orla de pessoas calcadas ora pela religião em seu lado discriminatório e manipulativo, ora pela política cada vez mais doutrinal, patriarcal, rígida com Bolsonaros e Felicianos, ora por uma cidadania falha e contraria que preserva a destruição e a anulação ao invés de união e criação em prol das instituições familiares (deturpando qualquer sentido mas ainda assim gritando tal discurso), um roteiro como o de Tatuagem chega a doer e causa um incomodo enorme a quem o assiste, mesmo entre os risos pontuados e deliciosos que ele exibe; por constatarmos que ali, os personagens somos nós mesmos – em militância maior ou menor -  com mais de 40 anos de diferença. Pouca coisa mudou na busca.

O que difere Tatuagem de muitas obras nacionais e mundiais, esta contudo não em seu discurso com viés critico, mas sim em seu despudoramento de encarar e dissertar sob a arte multicolorida e multifacetada a qual se inseriu. O cinema Nordestino nos brinda a cada temporada com filmes que exalam criatividade e segurança em consolidar sua identidade visual. Mas Tatuagem tem a diferença que ainda que ambientado no nordeste, ao contrario de seus colegas audiovisuais, não clama seu amor apenas por sua terrinha, mas se funde em tela ao pais inteiro. Ainda que haja características de linguagem inclusive no texto do filme que nos situe irremediavelmente a Recife/Pernambuco, não há aquela exaltação em mostrar longas tomadas de suas ruas, casas rupestres de barroco forte, ou suas praias estonteantes. O filme se atem a sua trama que é universal a todo o pais.

Há momentos impagáveis e sensacionais que justificam o um minuto ou um pouco mais de aplausos com gritos fervorosos da sala lotada – em ultima sessão do único cinema – sessão e horário - que estava exibindo o filme na cidade de São Paulo onde o assisti – logo após o fim da sessão.
Destaco todos os números musicais do Coletivo Chão de Estrelas, em especial a cena belíssima do personagem Clécio performando  “Esse cara”, de Caetano Veloso, totalmente montado, onde a câmera executa uma panorâmica que intercala um jogo de luz, com foco em Clécio deixando-o em primeiro plano e que termina exatamente no final da música onde o plano abre  e clareia ligeiramente revelando o personagem  Fininha, de meio perfil, totalmente imerso na performance e em Clécio. Outra cena que ocorre pouco tempo depois e que já é meio que clássica imediata de tão delicada e terna que é, que é quando novamente Clécio e Fininha estão no quarto de Clécio e este coloca a canção ‘A noite do meu bem’ de Dolores Duran na vitrola, e chama Fininha para dançar. A cena é tão singela mas tão potente que é impossível não esboçar um sorriso diante daquele intimidade nascente entre duas almas entregues.

Vale destacar também o numero musical de “Ode ao Cu” que qualquer descrição não conseguira exemplificar de maneira justa. Impagável e imperdível – inclusive estou com a canção na cabeça ate agora -.
Alias, me utilizando da liberdade justamente que o filme defende, é importante salientar que a analogia que o texto faz entre Liberdade e o Cu, bem como a utilização que faz do corpo humano e da erotização para defender seus questionamentos é de uma inventividade e coragem impar na nossa cinematografia em muito tempo. A anos a historia do nosso cinema é marcado pelo teor sexual e erótico, mas sempre em tom de banalização ou recurso cômico. O brasileiro culturalmente tem essa relação com o ‘sexual’ com o corpo. Porem aqui, o corpo e o sexo, bem como a erotização de ambos não tem caráter de querer ser apelativo ou mesmo de banalizar nada. Esta ali como algo natural tal quais as cores que a fotografia muito bonita repleta de texturas e contrastes imprimem a projeção.

Ainda com atuações memoráveis em um elenco afiadíssimo – que ainda que o filme se justifique por si só, carregam nas costas sua bem sucedida projeção – destaque a atuação visceral e impressionante de Irandhir Santos,  como Clécio. É admirável perceber as nuances de seus olhares em cada particularidade de emoções que seu personagem carrega. De Jesuíta Barbosa, que consegue levar seu personagem difícil de maneira segura. Difícil uma vez que seu personagem dentre todos carrega o alicerce da trama em seus diferentes mundos intercalados, do quartel rígido e opressor, ao grupo teatral livre e permissivo. Mas quem fica na memória é Paulete de Rodrigo García. Sem nunca cair no caricatural demais, exala beleza e comicidade em cada cena que surge com suas falas certeiras carregadas de sarcasmo e deboche, mas que o ator consegue mais uma vez, no olhar, transmitir todo o peso que sua existência compete naquela fase de sua vida.

Com recursos ate mesmo timidamente metalinguístico, esse que pode se confundir como  “o Moulin Rouge do subúrbio, a Broadway dos pobres, o Studio 54 da favela”, não só transgride o limite ainda existente entre o Cinema nacional atual entre sua arte, seu discurso e execução, como de maneira quase anárquica nos deixa marcados com nossos questionamentos – ainda que saiamos dele de maneira branda e leve, em parte por sua trilha sonora saudosista -.

Como nota, gostei bastante da montagem e o desenho de som de Tatuagem, bem como a Direção de arte e a gráfica dele, mas guardo ressalvas quanto ao ritmo, em parte pelas as vezes desnecessárias longas tomadas de algumas apresentações do Cabaret, que deixam a sensação de que o filme é mais longo do que realmente.

Tatuagem é, sobretudo humano. Um retrato pertinente à nosso país e ao mundo, que de fato explode como um gigantesco e profundo desamarrado cu, e que tem cheiro doce.


Trailer:



Ficha Técnica:

Direção: Hilton Lacerda
Roteiro: Hilton Lacerda
Elenco: Irandhir Santos, Jesuíta Barbosa, Rodrigo García, Sílvio Restiffe, Sylvia Prado
Produção: João Vieira Jr
Fotografia: Ivo Lopes Araújo
Montador: Mair Tavares
Figurino: Christiana Garrido
Trilha Sonora: DJ Dolores (Helder Aragão)
Duração: 108 min.
Ano: 2013
País: Brasil









sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Critica: Gravidade





Dentro tudo o mais que fascina em Gravidade – novo filme de Alfonso Cuaron ( Filhos da Esperança e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) depois de uma hiato pesaroso para o cinema de quase 7 anos - é a historia. O enredo que de simples só tem a descrição, nos leva numa catarse existencialista de superação. Cuaron realizou um filme de imersão na imensidão do interior humano, a perda, a solidão, as duvidas, a falta de força em continuar a sobreviver. Sim. Porque o que vemos em tela, não é uma personagem que vive, somente sobrevive.
Ele projetou para o universo infinito todo o universo interno da personagem da Sandra Bullock – a Dra. Ryan Stone -.

Porque Gravidade é um ensaio ou quase uma tese sobre o interior humano quando este perde a essência do que nós faz existir. Que é a busca por nos preservarmos. Por continuarmos. Somos seres evolutivamente sobreviventes. Resistimos às adversidades, as catástrofes humanas e da natureza. Resistimos a toda ameaça externa. Porem ainda continuamos a oscilar e perecer diante das adversidades e ameaças internas, de nós mesmos. Depressão, solidão, luto diante da perda. Tudo isso causa uma reação em cadeia de vazio, feito um buraco negro, muitas vezes silencioso, onde nos vemos diante de um universo infinito, vasto, perigoso, ameaçador onde a vida parece não caber. Ou ao menos a vontade de permanecer nela. Gravidade usa metáforas e simbolismos diversos para isso. Para nos apresentar o interior da Dra. Stone em toda a sua imaculada crise e luta por sobreviver a ela mesma.

E Cuaron faz isso de forma impressionante. Gravidade serve como Ficção cientifica, como drama, como suspense, como ação, como aventura. Não importa a linha de gênero que você siga para contempla-lo. Todas funcionam.
Usando a lógica coerente dentro do espaço ao qual se situa, Cuaron e sua equipe realizaram uma obra prima, que é caracterizada assim por fazer jus a priori do Cinema, que a tempos vinha sido considerada perdida.

Esteticamente soberbo e tecnicamente impecável ( com o 3D mais bem executado já realizado talvez ate hoje, onde a imersão e a noção de profundidade é trabalhado de maneira fantástica.)-  o filme faz uso dos recursos tecnológicos de uma maneira sempre em função de sua narrativa, cientifica e filosófica. Poucas vezes atualmente conseguimos vislumbrar um filme que utilize a imagem e o som em comunhão tão esmerada e ciente do espaço fílmico ao qual esta inserido. A graduação entre o silencio e o som apenas humano – respiração na maioria das vezes- no espaço onde o som não se propaga é maravilhoso de se ouvir e sentir/constatar.


Porem o que faz do Cuaron um diretor espetacular, é seu entendimento da linguagem cinematográfica, conseguindo conduzir a ciência a tecnologia o rebuscamento  técnico mesmo com a emoção e o apelo humano de identificação do espectador para com seus personagens e a historia. Nesse ponto, não há como negar, que não existiria Gravidade sem Sandra Bullock.

Sandra assim como sua personagem, é a essência da condução do filme. Suas expressões que variam gradativamente do pavor, ao medo, do choque a resignação, da determinação a emoção, do alivio ao desespero. Uma paleta de emoções e reações, contidas o que é condizente com a personalidade da personagem que engrandecem ao longo do filme. E não é exagero dizer que em determinada hora da projeção a sensação que temos é a de que ela é tão gigante e vasta quanto o universo ao qual tenta sobreviver.  Numa cena particular a atriz revela sua total entrega a personagem, e entre latidos ela garante a fixação da mesma na memória do espectador por muito tempo.

A Dra. Stone passa por um processo de refortalecimento. O universo foi seu escape. E ali ela decide sim se projetar diante do nada, do vácuo, e se insere na placenta que é o espaço para recriar a si mesma. Cenas como a metáfora ao útero e ao cordão umbilical; onde Matt Kowalsky (George Clooney; numa atuação correta de alivio cômico excelente) representa justamente a humanidade. Nele esta refletido primeiro a segurança, a razão e a confiança, e depois o desapego. Matt não esta ali apenas para dosar a tensão com a comicidade das cenas. O personagem representa tudo aquilo, todo o suplemento que a Dra. Stone precisa para coexistir novamente entre suas emoções e medos.

Ainda que os diálogos pareçam superficiais – o que de fato são – e o próprio apelo sentimental que o filme assume da sua metade em diante, pareçam forçadas, não são. Isso mostra o quanto o texto, o roteiro de Gravidade foi planejado e pensado. Tudo serve para criar empatia no espectador que do contrario jamais se conectaria aquela ‘gestação’.

Fotografia espetacular como já evidenciado – não poderia ser diferentes, num contraste e regulamentação de cores, texturas e principalmente de luz impressionantes, e uma trilha sonora edificante nos momentos corretos de fazer qualquer pele se arrepiar.

É necessário também destacar um feito espetacular dentre tantos que esse filme possui visualmente e semioticamente falando. Além das cenas soberbas contendo reflexos dentro de reflexos – os espelhos no universo já são simbólicos e poéticos por si só-, além das rotações de quebra de eixos – uma vez que não há perspectiva nenhuma de certo ou errado no espaço em termos de angulações, já que não há definição do que é em cima, embaixo, esquerda ou direita, dando um campo livre de criação de planos para o diretor; uma cena especifica merece destaque.

Num aparente plano sequencia com um close up que se transforma numa transição com mudança de espaço físico (vai do exterior do capacete da Dra. Stone para o interior, transformando a objetiva da câmera em primeira pessoa, para logo em seguida retomar a objetiva externa de antes. A câmera passei sem nenhum corte perceptível do espaço, para o interior do capacete, para em seguida assumir o lugar da personagem.) E  tudo isso sem cortes aparentes - o que é impossível, porem é imperceptível e confesso que to abismado para querer saber como ele fez isso com essa precisão sem quebras de condução. Somente por esse take, Gravidade já merece aplausos.

Justificável ainda pelo seu titulo que alude diretamente ao renascimento e a superação que a personagem enfrenta Gravidade em seu final, nos transporta para um dos desfechos mais belos e intrigantes e discutidos dos últimos anos, talvez desde 'A odisseia no Espaço' - onde há uma referencia proporcional porem oposta.
Ora, se em ‘Odisseia no Espaço’, víamos a imagem de um feto pairando sobre o universo com o Planeta Terra ao fundo. Aqui em ‘Gravidade’, vemos um ser humano renascido, pisando em terra – solo- firme como se fosse à primeira vez. O sapo no mar entre as algas marinhas após a bolsa ter estourado na água – que simboliza a purificação – mostra uma sucessão de infinitos simbolismos repletos de significo e beleza, que transcendem o próprio filme.

Gravidade é aquele tipo de filme que merece e deve ser visto, revisto, Analisado, discutido, sentido, absorvido, refletido, pensado. Escreveram mais sobre ele ao longo dos anos, matérias, teses, teorias, ensaios. Um clássico instantâneo que nasce na imensidão e vai além dela. Colocando o Cinema novamente como a arte sem limites.



Enfim. Um filme antes de todos os efeitos especiais e tecnologias, e tensões; humano. Um filme poético. Que assim como a Gravidade que faz Chover labaredas de fogo no céu, e que faz diante de uma luta poderosa por começar a finalmente viver, um ser humano pisar firme no chão e levantar indo contra a Gravidade que o puxa ao chão, nos puxa para dentro de nós mesmos em um espetáculo; ou melhor; um parto inesquecível. 

Trailer:




Ficha Técnica: 

Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, Rodrigo García
Elenco: Basher Savage, Eric Michels, George Clooney, Sandra Bullock
Produção: Alfonso Cuarón, David Heyman
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Montador: Alfonso Cuarón, Mark Sanger
Trilha Sonora: Steven Price









segunda-feira, 30 de setembro de 2013

BREAKING BAD - SERIES FINALE - FELINA: A Revolução da Televisão Mundial e do Cinema



'Já compartilhei, já dei a dica, já exaltei, já tentei de todas as formas demonstrar a importância do que esta acontecendo atualmente na televisão; uma mídia considerada inclusive por mim morta ou ao menos em estado de latência, de zumbificação, e que mostrou a 5 anos atrás que ela estava prestes a se transformar. Hoje chega ao fim o que muitos já consideram e inclusive eu, o fim da 3° Grande Era de Ouro da televisão Mundial. Mas ao mesmo tempo, se inicia uma verdadeira revolução não só na mídia televisiva, mas possivelmente nas mídias Virtuais e do próprio Cinema, inclusive como indústria para suprir a demanda de qualidade que essa serie trouxe.

Sucesso de Critica e publico que é de longe o menos importante para descrevê-la.
A TV mudou. E mostrou que não é mais uma inimiga do Cinema como demonstrou ser por anos. Mas hoje ela mostra o fim do que provou que ela se igualou em todos os sentidos a tela grande, ao Cinema com letra maiúscula, e que é uma aliada na evolução dessa Arte. Que só acontece quando se compreende ela e se respeita acima de tudo.

Hoje o dia amanheceu mais triste para mim e milhões de pessoas e profissionais da área de comunicação áudio visual, mas ao mesmo tempo to mega orgulhoso de poder fazer parte desse momento histórico de nosso tempo junto com o restante do Mundo.

Venha Breaking Bad, venha terminar sua Era, definir seu legado futuro e me fazer morrer de saudade e excitação como só você fez em sua mídia a muito tempo.

Vem me fazer chorar e gritar, e me fazer confirmar mais uma vez: EU AMO CINEMA!'



((((( CONTÉM SPOILERS DO ULTIMO EPISODIO 'FELINA' DA QUINTA E ULTIMA TEMPORADA)))))


Escrevi esse na manhã do dia 29 de setembro de 2013. E agora após terminar de assistir a ‘series Finale’ de Breaking Bad, reforço a tese e afirmação de que : A TELEVISÃO ACABA DE MUDAR DEFINITIVAMENTE.
Nada será o mesmo. Se alguém tiver programas de TV gravados de antes das 22horas da noite de ontem domingo dia 29 de setembro de 2013; guardem! Pois será uma lembrança da TV que conhecíamos ate aqui. Por que hoje, a TV Mundial amanheceu diferente, Hoje começou a Era pós Breaking Bad.
São inúmeros tetos, teorias, teses, artigos, matérias, videocasts, programas de TV, de radio, de internet, debates acerca da importância dessa Obra para o Cinema e o áudio visual. Breaking Bad trouxe uma inovação jamais imaginada para um produto criado para a televisão. Seria bobagem eu me estender por paginas e mais paginas de texto explicando e enaltecendo isso. Colocarei link e artigos próximos ao final a quem interessar.
O caso, é que ao longo de quase 6 anos, Breaking Bad não só reinventou a forma de se ver e fazer TV, como alterou nossa percepção – seja de entendidos da área do cinema e da comunicação ou não – do que é uma serie de TV. A serie fomentou industrias em graus inimagináveis, inclusive a economia. Isso porque ela conseguiu mesclar de forma inédita na historia, todas as mídias de comunicação e interação de publico ao longo desses anos. Eram textos sobre os episódios fervilhando, eram analises e comentários e uma legião de fãs e admiradores que entravam em comunhão com uma certeza de que estavam vendo algo icônico e histórico.
É quase impossível encontrar alguém que não consiga reconhecer a importância e qualidade da serie, em cada detalhe- ainda que estes não sejam absolutamente perfeitos- nada é, nem mesmo ela escapa, ainda mais sendo algo de caráter serial; Mas mesmo se você não gosta, não se apega a ela, ainda assim você consegue com unanimidade, admitir e afirmar que esta  diante de algo alem da media normal vista não só no cinema tela grande como na TV ou na internet. Breaking Bad conseguiu superar em muito muitas produções audiovisuais somente este ano de exibição de sua ultima e derradeira temporada.
Mas seu maior feito talvez seja mesclar qualidade, inovação com diversão. Ao contrario de Mad Men por exemplo – que fique claro, considerado por mim a segunda melhor serie já assistida por mim – assistir a ela não é maçante ou uma tarefa que precise de paciência e atenção exarcebada- ainda que ela seja esmeradamente tecida. Breaking Bad é divertida, engraçada. É uma arte esculpida com uma mascara eficaz e convincente de entretenimento puro. E isso é genial. Quantas vezes pudemos ao longo da historia afirmar termos presenciado algo assim?
Breaking Bad foi feita para todos. Assim como todos foram feitos para Breaking  Bad.

E como amante de Cinema e sua Arte, dá gosto, orgulho e satisfação de constatar que definitivamente quando algo é bem feito, quando algo tem qualidade, não existe barreira possível que impeça seu reconhecimento e apreciação merecida.
Mas vamos falar especificadamente do Ultimo episodio; FELINA. Com spoilers obviamente e sem contar o enredo dos acontecimentos, não é uma analise é apenas uma observação de um estudante de cinema e fã.

Desde Ozymandias, ficou claro o final que a serie tomaria. Walt deixou para trás definitivamente todas suas desculpas sobre suas motivações e permanência em suas atividades, se foram, junto a destruição de sua família, que a tempos já não era uma.
Era claro, a referencia a Scarface cada vez mais latente para seu final, ao ser exibido Granite States. Porem FELINA, ainda que tenha sido previsível quanto ao destino final do grande vilão da Era; conseguiu ainda assim nos surpreender com as decisões tomadas para culminar nesse final. E não sei exatamente se agradáveis.
O que parece, é que em algum momento, Heisenberg e Walt se fundiram, e que apenas um sobrou dessa fusão. ‘states’ parecia nos levar a crer que fora Heisenberg que nascera ali ao matar White, mas o que felina mostrou, foi o contrario. Foi um personagem ambíguo, que permaneceu dúbio ate o ultimo suspiro e sangue derramado – ate a ultima tosse- mas que escolheu obter sua redenção como Walt, ainda que tenha deixado ao mundo a imagem de que terminou tudo como Heisenberg.
Entendam. A única redenção possível para ele sempre foi a morte. Nada alem dela daria a redenção que o personagem precisava para ter um fim. Nenhuma outra opção jamais foi se quer cogitada ou possível. E essa redenção- morte- precisava refletir tudo o que ele se tornou. Precisava ser fria, solitária, cruel, profunda e definitiva. Sem nada além disso.
E foi o que vimos. Walt morreu sozinho, na companhia de seu mito, suas ‘bebes azuis’. Seu orgulho, seu dom e talento. Morreu com sua criação. Morreu sozinho, sem amor ou respeito de ninguém, sem esperança, mas coesa em si mesmo, de quem era e é. Seu ultimo reflexo na lataria dos objetos de metal, mostram sua deformação e sua persona ali refletida. Ele morreu sabendo e aceitando de uma vez por todas que é o monstro da historia. Sabendo que é e sempre foi grande, alem de tudo. Mas que chegou a seu fim. E talvez seu gozo final foi justamente abraçar a morte da única maneira que seu ego aceitaria: morrendo através de uma obra dele, de uma decisão dele, da maneira dele, no lugar onde ele sempre e unicamente fez de lar a si mesmo. Um laboratório de cristais azuis, com um tiro proveniente de um ataque e vingança final dele mesmo. Uma bala e uma arma sua.

E é lindo e arrepiante constatar o adeus a ele da maneira mais respeitável e digna possível dada à importância de sua personagem na historia mundial aqui. Com metade do rosto mergulhado em sombras. Com as cores que remetem a tudo o que sempre lhe importou – seus cristais azuis que remetem ao azul característico e familiar de Skyler e família, o verde sua marca desde o inicio, seu lado Walter, seu lado homem de bem, seu lado moral, o amarelo, as drogas, o crime ou simplesmente a subversão de tudo, seu mundo de liberdade para sem o monstro que é, seu lado Heisenberg, e o vermelho.. o sangue, seu pupilo, único aprendiz real de seu trabalho, único a quem ate o final, entre amor e ódio ele manteve o respeito e orgulho de ver em um ser humano a cria de seu talento para criar e destruir. Jesse sempre foi à prova viva dos efeitos da existência de Walter White na vida de uma pessoa. A mascara de ‘Scarface’ marcada literalmente no rosto de Jesse e seu grito de catarse entre desespero e liberdade da prisão que foi amar seu grande mentor, é a síntese do que Walt ou Heisenberg significa.
Um final justo, plausível, mas ate que ponto ate chegar ali?
Depois de tanto tempo com rimas visuais constantes e bem elaboradas, depois de uma importância exarcebada dada a Ricina, ela acabar se justificando em um personagem fraca, cruel sim, mas fraca, e insignificante para o poder que a Ricina tomou na narrativa? Sim, Lydia precisava morrer. Por que a redenção de Heisenberg não foi apenas dar um fim a ele. Tudo não acabaria com ele. Ele precisava destruir de uma vez por todas, cada uma de suas marcas e cicatrizes no mundo. Lydia precisava ser destruída, afinal seu império de cristais azuis precisa ter um fim com ele. Os nazistas precisavam morrer, por vingança e pelo mesmo motivo da Lydia. Jesse precisava de sua redenção, sua liberdade, sua possibilidade de escolha de uma vida melhor, uma vida de carpinteiro talvez? Walter devia isso a ele.
Mas e Gretchen e seu marido? Para que o resgate a eles, apenas para garantir o dinheiro a Flynn e Holy? Onde esta a redenção final satisfatória? Sim, há redenção nesse ato, afinal ele deu a oportunidade de Gretchen e seu marido devolverem e  ressarcirem Walt e sua família pelo jogo sujo e vil com o qual trataram a empresa que ele ajudou a fundar. Aquele dinheiro nada mais é do que o direito de um pai passar para seus filhos- independente da forma que esse dinheiro chegou ao final, ele é legitimo. Mas onde esta a punição desses dois personagens? Onde a vingança de Walt, sua redenção final por essa magoa primaria de anos atrás?
Onde esta a justificativa para o final de “States’?
Um final agridoce, onde cada personagem foi preso e morto em vários graus, emocionais, psicológicos e morais. Todas as personagens que conhecemos na primeira temporada chegaram ao fim dessa quinta mortos, ainda que respirando, andando ou vivendo.
A sensação que fica é que sim, vimos um grande final. Um final a altura de seu legado. Mas que como qualquer Obra além de si mesma, que deixou sensações ambíguas tais como seu personagem principal. Breaking Bad e sua expressão de significado se justificando e a certeza absoluta:

ALWAYS, REMEMBER YOUR NAME, BITCH!


Obrigado Breaking Bad. Obrigado por mostrar ao mundo que entre a luz e a sombra esta o sentido do que é ser, estar e existir. Obrigado Vince Gillian. Obrigado!


Liks interessantes: 








Vídeo tributo 




Musica tocada ao final dos créditos finais do ultimo episodio


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ozymandias

"Eu encontrei um viajante de uma antiga terra
Que disse:—Duas imensas e destroncadas pernas de pedra
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia
Meio enterrada, jaz uma viseira despedaçada, cuja fronte
E lábio enrugado e sorriso de frio comando
Dizem que seu escultor bem suas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas coisas inertes,
A mão que os escarneceu e o coração que os alimentou.(...)”



Esta é minha primeira analise sobre Breaking Bad oficial aqui no blog. O plano é resgatar cada episodio e fornecer uma analise de cada um deles.
Mas o plano precisa esperar, por que o que não dá para evitar é não escrever sobre este episodio que seja talvez o melhor episodio de uma serie televisa já feita na historia.
Exagero? De forma alguma.
Breaking Bad desde sua estreia em 2008 tem se mostrado evolutivamente uma das maiores series da televisão, não só americana, mas mundiais. A sua orla de fãs e admiradores não só cresce a cada instante como o vicio por tal também. E isso se explica unicamente pelo fato de Breaking Bad estar para as series como O Poderoso Chefão esta para o Cinema.
Esta serie criado por Vince Gilligan, colocou o áudio visual seriado num patamar de excelência e competência jamais vista ate então. Talvez se consiga comparar neste quesito a Mad Man, The Sopranos e ate talvez The Wire. Mas não. Breaking Bad antes mesmo de chegar ao seu derradeiro fim esperado- e lamentado- para o próximo dia 29 de setembro de 2013, conseguiu neste quinta e ultima temporada, alçar um voo solo, irresoluto diretamente ao topo da cadeia evolutiva de obras primas. Seja pelo nível de atuações apresentadas, pelo nível de tensão, de coesão e esmero no roteiro impecável, nos planos e fotografias, nas aliterações, metáforas, simbolismos, referencias, construção de personagens e trama, na narrativa esmeradamente tecida e costurada, em suas cores, direção de arte, produção e direção exemplar que colocam em pouco mais de 45 minutos cada episodio uma posição de igualdade plena com as maiores obras fílmicas já realizadas do cinema.

O episodio que foi escrito por Moira Walley-Beckett e dirigido por Rian Johnso, inicia-se já atípico. A serie nos conduz por um flashback que nunca foi mostrado, diretamente para a primeira temporada, em uma época em que tudo começava a desandar – quando Walter decidiu de fato aderir a vida da produção de metanfetamina- mas ao mesmo tempo em que tudo era mais fácil. A cena é exemplar como condutora de preparação para pontos chaves na trama que se segue durante o episodio. Logo em seguida, somos transbordados direto para onde o episodio antecessor nos deixou, em meio a um tiroteio.
Sabemos o que nos espera, mas isso não impede que a tensão construída seja enorme a ponto de causar vertigem no espectador e apreensão a cada milímetro de segundo transcorrido.

E toda a sequência é dirigida com maestria, seja pelos enquadramentos, que sempre enfocam seus personagens de acordo com sua importância na hora da cena, seja pelo uso de angulações e desfoques propícios, ate mesmo a trilha sonora com destaque aos ruídos externos.
E aqui em 20 minutos é exemplar a constatação de que estamos ‘vendo’ um roteiro impecável em cada sentido de palavra escrita e executada. Falas marcantes para atuações dignas de Tony’s Awars.
Walter White cai, para Heisenberg emergir das sombras e dominar vida.
O fulgor destrutivo traz nosso protagonista que de herói passou diretamente para vilão, como um verdadeiro demônio. E isso é explicitado não só pelas sombras e cores, olhares e ações, mas através de simbolismos que o colocam diante de uma cruz (no episodio anterior) o barrando, e aqui com uma carcaça de um animal com chifres, aludindo a sua natureza demoníaca.

 Evitarei spoilers, e na realidade a analise virá futuramente, mas como admirador extasiado precisava registrar este dia que ficara conhecido historicamente; por isso basta dizer que as cenas seguintes são literalmente de tirar o fôlego.

 Assim sendo, deixo um link, dois na realidade, de varias opiniões de críticos e publico sobre o melhor episodio de serie da historia.  >> metacritic
O outro link é uma analise mais detalhada com imagens do Pablo Villaça repleta de spoilers. >> S05E14

No mais; este post de caráter apenas de registro, serve ainda para ser um agradecimento. Para qualquer cinéfilo, aspirante a critico e estudante de cinema, um cineasta em formação como eu, constatar que a arte da sétima arte consegue chegar a um patamar extenso não só no formato cinema como Breaking Bad e seus realizadores chegaram e nos demonstram num grau de profissionalismo e talento inimagináveis, chega a emocionar. É lindo de se ver, sentir e chorar por isso. De emoção entregue, as belezas que somente o cinema conseguem te fornecer. Aplausos de pé.



“(...) E no pedestal aparecem estas palavras:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem as minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada mais resta: em redor a decadência
Daquele destroço colossal, sem limite e vazio
As areias solitárias e planas espalham-se para longe."

Resta saber: Como terminará essa saga épica e quem de nos estará vivo ou minimamente psicologicamente e emocionalmente estáveis para assistir?


Ps: único defeito de Breaking Bad encontrado nesses 5 anos: Não passar em tela gigante em salas de cinema.