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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Critica: PROCURA-SE UM AMIGO PARA O FIM DO MUNDO


Com ares de Melancolia, comédia romântica aposta no sentimental com mesclas de tom cômico e acerta o alvo, num filme gostoso, mas que poderia ser mais interessante.

Em sua estreia na direção Lorene Scafaria nos presenteia com um filme leve, de humor agridoce, com características que o fazem assemelhar-se com Melancolia, filme de 2011 do diretor dinamarquês Lars Von Trier.

Mas calma, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Enquanto melancolia pega pesado em dramas existenciais, com uma perfeição visual, quase orquestrada em tela, com firmeza, num drama perturbador e denso, “Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo", não assume tal pretensão, mas nos entrega uma película semelhante no que diz respeito à “espera pelo fim”.

A premissa é simples e peculiar: Um meteoro- Matilda - está em rota de colisão com a Terra, e a última missão humana enviada para desviá-lo falha em sua tentativa. Não há mais saída: em três semanas, o mundo vai acabar. Algumas pessoas aproveitam os últimos dias de vida para beberem e fazerem sexo sem compromisso; outras se rebelam pelas ruas e começam a destruir os carros e os comércios. Além delas, existe Dodge (Steve Carell), corretor solitário que acaba de ser abandonado pela esposa, e Penny (Keira Knightley), sua vizinha triste, que nunca teve um namoro satisfatório. Juntos, eles decidem percorrer o país para reencontrarem suas famílias e seus amores de juventude antes que seja tarde demais.

Porem, o filme nos entrega uma divertida narrativa, repleta de boas piadas e irônicas observações.
O roteiro assinado pela própria Scafaria constrói um mundo normal, sem imagens deslumbrantes e inóspitas de destruição, no qual o foco esta justamente na maneira que cada personagem escolhe lidar com tal fim.
É o ex-namorado que quer repovoar a humanidade, são os trabalhadores e a empregada domestica que fingem que nada demais esta acontecendo, são os homens solteiros de meia idade aproveitando tal oportunidade para viverem sem medo de consequências tudo que sempre quiseram, são os suicidas que resolvem dar cabo de si mesmo antes do fim.
Vemos famílias em crise, ou se unindo ainda mais. Personagens em busca de redenção e perdão, em processo de recuperar tempos há tempos perdido. Nisso drogas, sexo sem proteção, roubos e crimes diversos, vão surgindo aqui e ali, naturalmente. Mas tais atos, tais fatos não são destaque. Estão ali apenas para dar certa “verossimilhança” talvez, enquanto o foco é a descoberta em si mesmos dos protagonistas. O erro!
O tom minimalista alcança absurdos graus de falta de arco dramático que sustente o enredo. O espectador não se entrega totalmente ao filme, é como se os personagens estivessem aquém de seu ambiente. Tudo soa artificial, justamente pela insistência em torna-lo leve, num tema que não foi pensado para ser leve. O humor aqui entra como osmose, não tem real significado.
Mas tal qual seu enredo, ora profundo e ora artificial, é inegável o poder de deslumbramento que o filme possui, justamente por ir contra a maré justamente artificial em que vivemos no cinema.
É cada vez mais comum nos depararmos com filmes que versam sobre o fim da raça humana e sua busca por redenção, num reflexo moral. Nisso, entram dramas complexos ou cenários apocalípticos de terror, que utilizam-se da tecnologia de ponta para contar suas historias alarmistas e urgentes. Aqui não, aqui vemos um filme humano, simples mas principalmente físico  onde o cenário natural, onde roupas normais, onde não ha um minimo de efeito especial, ou computação gráfica para servir de alicerce. A força do filme esta em seus personagens e em sua busca. E isso lhe dá todo o credito para se tornar, ironicamente aceitável.

Keira Knightley esta deslumbrante e irreconhecível com seus cabelos curtos e descuidados, no papel de Penny, uma garota solitária que neste fim do mundo quer apenas morrer ao lado da família, deixando para trás todo o fracasso sentimental e amoroso que a assolou durante toda a vida. E é tocante o modo que ela nutre uma paixão intensa por seus discos de vinil. Única preocupação que tem- proteger e manter seguro seus discos. Nisso entra a trilha sonora totalmente nostálgica e simpática que vai desde Radiohead a Samba-rock.
Steve Carell surge aqui como Dodge, um acanhado corretor de seguros, que tenta manter o controle sobre si mesmo após ser abandonado pela esposa. Ele tenta levar uma vida corriqueira, apenas a espera do fim. Sozinho ele vê em Penny, uma igual, mesmo com todas as brutais diferenças de personalidade de ambos.

O filme carrega ainda características de Road Movie, no qual cada personagem, cada parada na estrada representa uma evolução a mais aos protagonistas, mudando-os.
Com um cunho altamente romântico, que beira ao leite condensado com açúcar de tão doce e meloso em algumas partes, o filme consegue encontrar em seu clímax, mesmo que ainda melodramático, um final satisfatório, poético e tocante.

O tempo aqui assume um papel especial. É comum ouvirmos dialogos que versem sobre o tempo que resta, o tempo perdido, o tempo vivido. Penny representa essa mescla de tempos, ao amar vinis antigos, ao usar um vestido surrado antigo, mas manter uma posição comportamental atual e evoluída. Dodge em contra partida, é o cara de meia idade, que vive uma vida regrada, de bons costumes, correta, mas que expressa em suas roupas e jovialidade, uma alma jovem e contemporânea.

É impossível não simpatizar com a química evidente de Keira e Steve em tela, e com a historia, a busca de seus personagens.

Entre tanto, a sensação que fica é que o filme poderia ser mais. Ir além, ser mais audacioso. Onde havia um leque vasto de possibilidades para ser trabalhado, o filme estagna, em mostrar apenas o lado romântico da narrativa. Apesar de toda essa premissa interessante, onde cada ser humano demonstra tudo àquilo que esta intrínseca em si, numa mescla de extinto e complexidades sentimentais e emocionais em vista do fim de tudo, o filme acaba não indo alem de mais uma comedia romântica. Mas interessante mesmo assim.

Não, não é Melancolia; é Romance cômico, mas nem por isso deixa de ser tocante e profundo a sua maneira.

Decepciona apenas por escolher o obvio, o mais fácil, o simples, num enredo construído para ser ousado, rebuscado e complexo. Atores excelentes tem ótima noção de construção narrativa e de cenas, também. O que falta? Um pouco de sal, onde o açúcar transbordou demais.

Longe de ser um grande filme, o filme se limita a ser regular com ótimos momentos, mas para o gênero a que se propôs encaixar e tendo em vista ser uma realização de uma iniciante na direção, Procura-se um Amigo Para o fim do Mundo pode considerar-se sortudo, pois deve encontrar bastantes candidatos a ocupar o que procura.






Ficha técnica

Titulo original: Seeking a Friend for the End of the World
País: EUA/Singapura/Malásia/Indonésia
Ano: 2012
Direção/roteiro: Lorene Scafaria.
Elenco:  Steve Carell, Keira Knightley, Nancy Carell, Connie Britton, Mark Moses, Martin Sheen, William Pettersen.
Classificação:  12 anos.









terça-feira, 20 de novembro de 2012

Critica - In A Better World (Em Um Mundo Melhor)



Com direção de Suzane Bier, esse filme Dinamarquês -  vencedor como Melhor Filme estrangeiro no Oscar 2011, e  vencedor do Globo de Ouro na mesma categoria do mesmo ano - é um retrato Tenso, denso e extremamente perturbador de uma realidade próxima e ainda sem soluções.

Com um roteiro muito bem conduzido pela própria Susanne Bier em parceria com Anders Thomas Jensen,  In A Better World (Em Um Mundo Melhor), traça um panorama extenso sobre o Certo versus Errado. Violência
 Versus Luta.
A sinopse é simples:

"Anton (Mikael Persbrandt) é um médico que trabalha em um campo de refugiados em um lugar qualquer da África. Na Dinamarca, seu país natal, estão sua mulher Marianne (Trine Dyrholm) e seus dois filhos, Elias (Markus Rygaard) e Morten (Toke Lars Bjarke). Paralelamente, acompanhamos a história do garoto Christian (William Jøhnk Nielsen) que emigra para a Dinamarca, ao lado de seu pai Claus (Ulrich Thomsem) logo após a morte da mãe. Dois mundos distintos que irão se cruzar."

Mas a narrativa não. Ela é complexa e pesada.
A vida dessas duas famílias se entrelaça numa serie de atos e momentos que culminam e uma constante provocação nos espectadores sobre o que faríamos em tal situação.
Em dado momento um dos personagens surge com a seguinte fala:

“Pra que brigar? Bater não nos leva a nada. Que mundo seria esse se para viver tivéssemos que viver lutando e brigando?”

Na cena seguinte esse mesmo personagem, tenta resolver algo com diálogos e é agredido na frente dos próprios filhos. Tenta mais uma vez dialogar e é humilhado novamente.

Ate onde a violência (briga por defesa) é valida? Ou não é nem questão de ser cogitada? Essas são as reflexões que o filme propõe e se realiza ao conseguir passar e instigar tal reflexão de maneira funcional.
Isso demonstra uma estrutura de narrativa extrema, ao nos conduzir a um clímax extremamente questionador.

O filme tem atuações memoráveis, que conferem a produção uma realidade crua.
Sua trilha sonora imprime a exata densidade que a película exige, é melodramática, totalmente orquestral e com passagens que chegam a nausear a quem ouve.

Mas o grande trunfo esta justamente no roteiro mesmo. Diálogos pesados, um enredo interessante e bem escrito puxado e personagens tão complexamente reais e humanos que chega a incomodar as semelhanças que podemos ter com cada um deles.

Aqui o que é revelado quase como uma tese, é a violência em todas as suas escalas, mas mais que isso. Ate que ponto a falta de dialogo, de comunicação entre os seres humanos pode silenciar o mundo para sempre e de maneira devastadora.
Não importa onde seja essa falta de dialogo, essas escolhas, essa violência  Seja dentro de casa, na escola, no trabalho ou ate mesmo numa guerra civil africana.
Muito se acha, muito se pensa, muito se percebe, mas quanto disso realmente se sabe, se diz?

Um grande filme, que pode a um primeiro momento não oferecer nada, mas que vai fundo no nosso maior medo e necessidade: a força. A luta.

Mas um aviso: é Perturbador.



Ficha Técnica

Diretor: Susanne Bier
Elenco: Mikael Persbrandt, William Jøhnk Nielsen, Markus Rygaard, Trine Dyrholm, Wil Johnson, Eddie Kimani, Emily Mglaya, Gabriel Muli, Ulrich Thomsen
Produção: Sisse Graum Jørgensen
Roteiro: Susanne Bier, Anders Thomas Jensen
Fotografia: Morten Søborg
Trilha Sonora: Johan Söderqvist
Duração: 118 min.
Ano: 2010
País: Suécia/ Dinamarca
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos









sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crítica: Les Chansons D'amour




Uma relação a três que encontra num dia comum uma tragédia. Essa é pura e simplesmente a sinopse deste musical.

Dirigido por Christophe Honoré Les Chansons D'amour ( Canções de Amor) transita alem do gênero, e mescla angustia e romance na mesma vertente.

Louis Garrel é Ismaël Bénoliel, namorado de Julie Pommeraye (a bela Ludivine Sagnier); que mantém um relacionamento a três com a também bela Alice (Clotilde Hesme).

Mas o relacionamento deles não é nem de longe o mais importante aqui. A liberdade é o tema, e a busca.
A relação amorosa e sexual se mescla de forma natural, sem ser pedante, critica ou chocante. Ha uma naturalidade extrema a tratar disso. A sexualidade não esta ali para chocar ou polemizar, e sim para fazer parte do cotidiano natural, normal e isso é crível ali. O roteiro preza pelo estado emocional dos personagens e não pelos seus atos, fatos e consequências e isso é peculiar. De pouco importa as ações ocorridas ali, o que importa é somente a sensação de perda, de angustia daquela geração retratada, as duvidas, anseios e paixões no meio disso tudo (emprego falho, condição financeiro tensa, existencialismo em cheque ) .

O verdadeiro embate entre os personagens centrais são com eles mesmo, mas de nada tem haver com o fato deles manterem uma relação a três. Isso é pano de fundo. Uma decisão acertada, na qual muito diretores não pensariam duas vezes em abusar do tema, transformando o filme numa experiência maçante e extremamente clichê.




O ponto alto fica pela beleza e acerto dos planos e concepção de cenas. Com todo um ar independente que cativa e prende. Em especial a cena em que Ismael parece ser perseguido pelas ruas ao ir para o trabalho. Numa sequencia em primeira pessoa, onde nos sentimos parte do filme, como se nós estivéssemos perseguindo e nos escondendo do personagem.

Mas é sua excelente trilha sonora assinada por Alex Beaupain - cujo trabalho neste longa lhe rendeu um César (principal prêmio do cinema francês) de Trilha Sonora Original - que transforma o longa numa experiência no mínimo interessante. As belas canções trazem letras extremamente dolorosas, pesadas, melancólicas, reflexivas, mas em melodias lindas e delicadas. As canções fazem parte da trama e não são apenas um recurso ou artifício.

Apesar do tom leve e descontraído que o longa assume, ele esta longe de ser um filme simples ou pouco complexo ou com temas banais. Ele cai fundo nas angustias dos personagens, em seus olhares, na entonação de suas vozes, nos cigarros fumados, nas noites sempre chuvosas e esfumaçadas de Paris, numa fotografia apagada e quase pasteurizada. Tudo é bucólico.

Ao final, tudo se reafirma. Naturalidade versus Complexidade. em cenas repletas de belas analogias.

Criar um musical original assim, não é tarefa fácil, ainda mais numa indústria que parece ter se esquecido do gênero que outrora foi tão popular no mundo. E por isso Les Chansons D'amour merece ser visto, seja para odiá-lo ou para ama-lo.

De minha parte: Um Ótimo Filme.




Ficha Tecnica: 

Diretor: Christophe Honoré
Elenco: Louis Garrel, Ludivine Sagnier, Chiara Mastroianni, Clotilde Hesme, Grégoire Leprince-Ringuet, Brigitte Roüan, Alice Butaud.
Produção: Paulo Branco
Roteiro: Christophe Honoré
Fotografia: Rémy Chevrin
Trilha Sonora: Alex Beaupain
Duração: 100 min.
Ano: 2007
País: França
Gênero: Musical
Classificação: 12 anos













sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Apostas: Oscar 2013


Com a aproximação do final do ano, aumentam as especulações d apostas e interesse geral pelo Oscar.
Diferentemente do que havia sido divulgado à imprensa, a lista final de indicados ao Oscar 2013 não sera mais liberada no dia 15 de Janeiro, e sim no dia 10 de janeiro.
Segue abaixo a agenda geral da Academia:

30/11 - Prazo final para definição dos créditos dos profissionais de cada filme
01/12 - Cerimônia do Governors Awards (entrega dos Oscar's honorários)
17/12 - Início da votação dos indicados
03/01/2013 - Encerramento da votação dos indicados
10/01 - Anúncio dos indicados às 5h30min. da manhã (horário de Los Angeles)
04/02 - Almoço dos indicados
08/02 - Início da votação final
09/02 - Cerimônia das categorias técnicas e científicas
19/02 - Encerramento da votação
24/02 - 85ª edição do Oscar (Oscar 2013)

Pela primeira vez a Academia fara uma votação eletronica entre os Membros de Juri, assim, não ha data prevista ainda para o envio final das famosas cedulas de premiados.
Estações de votação serão abertas em Los Angeles, Nova York e Londres. No comunicado, a Academia não esclarece como fará com os membros que não têm acesso a essas três cidades, nem informa se haverá a possibilidade de votar online, porém afirma que ainda será possível enviar pelo correio os votos em papel, como ocorre tradicionalmente.


Com essa crescente atmosfera em torno da premiação, cresce também as apostas sobre quais filmes merecem ou estarão entre os indicados aos grandes prêmios dados pela academia.
Eis que o Criticofilia traz aqui uma compilação de possíveis indicados as principais categorias ofertadas, baseado na receptividade e características comuns que agradam sempre a Academia.

Alguns filmes da lista não estrearam ainda no Brasil- alguns ainda estão em processo de finalização inclusive – mas para integrar a lista é levado em conta também o destaque dado a tais produções desde o inicio de seus projetos de produção. Ha filmes que já nascem focando O Oscar.


Argo

Com direção de Ben Affleck, o filme tem sido vastamente elogiado, inclusive no Festival de Toronto deste ano. No longa um grupo da CIA é enviado ao Irã para resgatar reféns, disfarçando-se de equipe de filmagem de um falso longa-metragem para infiltrar-se no território.
O próprio Affleck protagoniza o longa, que é favorito a figurar entre os seletos 5 indicados a Melhor Filme.




O Mestre

Paul Thomas Anderson traz um enigmático filme sobre a Cientologia após um intervalo de cinco anos afastado das telas(onde seu ultimo grande feito, foi o excelente Sangue Negro) . Repleto de ótimas criticas, o longa se destaca por seu elogiado elenco(muito premiado no Festival de Veneza deste ano.


As Aventuras de Pi

Ang Lee, dessa vez nos trás uma aventura em 3D. As Aventuras de Pi começou a ser exibido em alguns festivais dos EUA recentemente. O longa adapta o best-seller de Yann Martel, trazendo um jovem que fica preso em alto mar com um tigre. Contando com uma visceralidade visual tremenda, o filme tem sido muito bem recebido, e é cotado como possível indicado ao Oscar d Melhor Filme.

A Viagem

Ambicioso projeto dos irmãos Andy e (agora) Lana Wachowski em parceria com o diretor Tom Tykwer; Cloud Atlas, nos apresenta seis épocas diferentes e um elenco estelar que interpreta múltiplos personagens. Ousado, o longa tem dividido opiniões mundo afora. Aparenta ser o tipico filme que ou se ama, ou se odeia veementemente.
E a academia adora isso- talvez não para premia-lo, mas para indica-lo sim-.




Django Livre

Quentin Tarantino, que agora ataca de faroeste sulista, retorna em uma trama de vingança e personagens com sua assinatura: estranhos e excêntricos  O filme será lançado em 25 de dezembro. Mas já é cogitado as grandes premiações, pela magnitude do projeto e claro, o nome de Tarantino.

Silver Linings Playbook

Novo filme de David O. Russell (de O Vencedor), fez sucesso no festival de Toronto. O longa que mistura humor e drama, mostra a relação de um cara, retornando à casa de seus pais com uma mulher problemática.
Sem titulo traduzido e sem data de estreia prevista ainda no Brasil, o longa promete levar as principais indicações.






Lincoln

Cinebiografia do presidente americano Abraham Lincoln,, que ainda esta em fase de finalização. Com estreia prevista apenas para Dezembro este ano (La fora), o filme é extremamente aguardado desde o inicio da sua pretensão de levar o projeto às telas...
Comandado por Steven Spielberg, o filme ainda se beneficia de trazer Daniel Day-Lewis como protagonista.






Hitchcock

Mas na lista das cinebiografias, talvez nenhum longa consiga ter a espera e ansiedade que carrega Hitchcock. O Longa promete marcar presença entre os principais indicados. A trama é promissora e a escalação de Anthony Hopkins como “Alfred” já é indicio disso. Contudo, muitos o apontam como superestimado demais, podendo vir a ser um Sete Dias com Marilyn, que prometeu e não cumpriu no Oscar do ano passado.
O filme trará a historia dos bastidores- e a relação de amor entre Alfred e sua Esposa- durante as filmagens de seu mais famoso filme: O clássico absoluto Psicose.


Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ultimo filme da trilogia comandada por Christopher Nolan, tem grandes chances de finalmente figurar a lista dos indicados a Melhor Filme. Não só pela qualidade técnica que vem apresentando e boa receptividade de publico e critica, mas também pela “injustiça” ao qual foi submetido o Cavaleiro das Trevas em 2009, tendo ficado de fora da premiação. Fato esse vastamente mal vista mundo a fora, o que dizem ter causado tanto mal estar na Academia, que por esse motivo resolveu mudar o numero de indicados a melhor filme de Cinco, para dez, no ano seguinte.


O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Peter Jackson retorna ao universo de J. R. R. Tolkien, que lhe rendeu o maior numero de Oscar’s ganho da historia da premiação(ao lado de Titanic) com singelos 11 estatuetas, com seu Senhor dos Anéis o Retorno do rei. Dessa vez ele surge com a adaptação de O Hobbit, que também será dividida em três partes.
Alem de ser muito esperado, O Hobbit tem grandes chances de ser indicado, principalmente pela magnitude já conhecida criada por Jackson para este universo, como pelo proprio nome e importância do mesmo na historia da premiação.

Moonrise Kingdom

Wes Anderson, abriu o Festival de Cannes deste ano com este longa e teve uma recepção positiva não só no festival, mas também em todo os EUA, tanto de crítica quanto de público (o maior arrecadamento da carreira do diretor ate agora).
Carregando não só todas as características que fizeram o nome de Anderson no cinema, Kingdom, traz uma trama artística que pode agradar muito a Academia.

007 – Operação Skyfall

“James Bond” nunca conseguiu se firmar nas principais categorias do Oscar. Sempre indicado apenas as categorias técnicas, Sam Mendes que comanda esta vigésima terceira missão do agente 007, pode acabar por quebrar esse Tabu de anos, e fazer o longa receber a tão esperada indicação a Melhor Filme. Isso porque desde o inicio de produção, toda a equipe do longa vem prometendo um filme pensado com foco para a premiação, alem de ser o maior e melhor filme de toda a franquia. E vale lembrar que a franquia acaba de completar 50 anos...

Nota: Antes mesmo do filme em questão, o que tem dado o que falar tem sido a canção do longa. Adele vem sendo cotada como grande favorita a receber o Oscar de Melhor  Canção com a musica Skyfall. A faixa feita para o filme tem sido classificada como jovem clássico e figura no topo da lista a semanas no mundo todo como musica mais executada e vendida.Contudo, uma recente noticia pode dar fim as esperanças de Skyfall levar esse premio.
A academia do Oscar expressa rigorosamente que a música como um todo tenha sido escrita/produzida originalmente para o filme em questão, mas a faixa usa o tema original da franquia que foi escrito por Monty Norman como parte da ‘harmonia’ da canção; logo, o uso desse ”sample” tornaria a canção inelegível. O estúdio vai continuar com a campanha planejada e deixar que o comitê de música do Oscar decida se ela poderá ou não ser indicada.



Resumo das Apostas e suas respectivas categorias:

007 – Operação Skyfall: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Craig), Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Moonrise Kingdom: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Fotografia, Figurino e Direção de Arte.

O Hobbit: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Maquiagem, Efeitos Visuais (Smeagol is back, bitches), Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

A Viagem: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Montagem, Maquiagem, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som

Hitchcock: Possíveis Indicações: Melhor Ator (Anthony Hopkins), Atriz (Helen Mirren), Roteiro Adaptado, Fotografia e Trilha Sonora.

O Mestre: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Joaquin Phoenix), Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman), Roteiro Original, Fotografia, Trilha Sonora, Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som.

Argo: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Figurino, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

As aventuras de Pi: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Efeitos Visuais, Edição de Som, Mixagem de Som e Trilha Sonora.

Django Livre: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jamie Foxx, Christoph Waltz), Ator Coadjuvante (Leonardo DiCaprio), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Figurino, Direção de Arte, Edição de Som e Mixagem de Som.

Silver Linings Playbook: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert DeNiro) e Roteiro Original.

Lincoln: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Day-Lewis), Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Maquiagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Talvez...:


Prometheus – Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais.

Os Vingadores – Efeitos Visuais

Ted – Roteiro


E aí!? Façam suas apostas!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Trailer: The Evil Dead


Acaba de ser liberado o primeiro trailer do remake do filme clássico de horror The Evil Dead (Uma Noite Alucinante - A Morte do Demônio) dirigido e roteirizado originalmente por Sam Raimi em 1981. O filme teve duas sequências: Evil Dead II (1987) e Army of Darkness (1992), além de ser adaptado para um musical de teatro.

O Remake que levara o mesmo nome do original é assinado por Fede Alvarez, Rodo Sayaguese e Diablo Cody (Juno, Garota Infernal). Com direção do próprio Fede Alvarez.

Nessa nova versão a protagonista é Mia (Jane Levy), uma viciada em drogas que procura se reabilitar - e os sintomas de sua desintoxicação se misturam com os eventos estranhos que ela passa a presenciar no local. Lou Taylor Pucci (Impulsividade), Shiloh Fernandez,(A Garota da Capa Vermelha), Jessica Lucas (da nova versão de Melrose Place) e a novata Elizabeth Blackmore também estão no elenco.

O filme conta a historia de Cinco jovens que vão passar um fim de semana em uma cabana isolada nos bosques de Tennessee. Os jovens tem estranhas experiências, obviamente causadas pela presença ali do Livro dos Mortos (o Necronomicon Ex Mortis, encadernado em pele humana e escrito em sangue), que logo encontram. Logo depois encontram um gravador. Dentro do mesmo a fita que foi gravada pelo dono da cabana (um arqueólogo), contém a tradução de algumas passagens do livro. Ao ser reproduzida (escutada) pelos estudantes, desperta os espíritos que estavam adormecidos e que habitam o bosque. Agora os cinco estudantes tentam sobreviver, mas não será tão fácil assim.

Alem de apresentar um esmero de produção superior ao original de 81 – ate por conta das condições financeiras, técnicas e tecnológicas diferentes da época – essa nova versão traz muito mais terror, sustos, sangue e corpos brutalmente abatidos.

O filme tem estreia prevista para o dia 19 de abril de 2013 aqui no Brasil.

Assista abaixo o Trailer que não é recomendado para menores de idade:



sábado, 20 de outubro de 2012

Luz... Câmera.. e.... OI OI OI!



A novela Avenida Brasil chegou ao fim nessa sexta feira dia 19 de Outubro. Com quebra de recordes de audiência  a novela sem duvida se tornou um dos eventos de cultura mais catárticas que o pais já viu em anos.


Um evento cultural que surpreendeu.
Sem carros nas ruas, silencio absoluto, bares, padarias, mercados e lanchonetes. Famílias se reunindo, amigos, conhecidos; nas rádios, na TV e na internet. Veículos de comunicação de todos os tipos, com visibilidade internacional...

O País parou e fez o mundo parar também para observar o que acontecia por aqui.
Todos direcionados para o final de uma novela, que mesmo que alguém não tenha acompanhado, foi impossível ficar alheio a ela.
Digam o que quiserem, tenham as ressalvas que tiverem, da maneira que tenho as minhas inclusive; mas que definitivamente o dia 19 de Outubro de 2012 ficou marcado na historia desse país, a isso ficou!

Parecia final de copa do mundo. E se para alguns isso mostra a bitolação brasileira, eu vejo como um ganho excepcional. Onde o país parou para celebrar e reconhecer mesmo com todas as idiocrasias em volta e acerca de; o talento e capacidade do próprio mercado, a produção e bens nacionais que temos a oferecer. O que prova que qualidade e interesse há, só falta a motivação e a crença.
Eu como cinéfilo, não pude deixar de ter aquela pontinha de esperança em ver essa massa toda em prol do nosso país. Foi bonito de ver, temos que admitir.

Mas antes desse grande evento que tomou conta do país; a equipe do site Ovo de Fantasma reuniu  uma lista com grandes cineastas, uma análise sobre como eles fariam o TCHAU TCHAU TCHAU ao OI OI OI da novela.
Nomes como Almodôvar, Michael Bay, Lars Von Trier e Aronofsky surgem, em versões interessantes e cômicas.


Todo o texto abaixo se encontra originalmente publicado e de autoria da redação do blog Ovo de Fantasma, ao qual sigo como blogueiro. Apenas coloquei o texto aqui para os leitores do "Criticofilia" que por ventura preferem o design do BlogSpot. Os nomes presentes ao final de cada versão correndem a seus autores que fazem parte da redação do blog em questão.
Para conferir o texto original no site do Ovo basta acessar >> Clique Aqui


Como cineastas famosos fariam o final de “Avenida Brasil”?



Versão de Pedro Almodôvar


Jorginho matou Max. Descobrimos que ele na verdade nasceu mulher e sempre conviveu com essa enorme crise de identidade, forçada por todos. No final congela nele, saindo do Divino e do Armário, rumo à felicidade. – Virgílio Souza e Daniel Corrêa

Versão de Michael Bay


Carminha arromba o portão de um quartel militar com seu carro. Lá dentro, rouba uma série de armas de guerra e explosivos. Ela pretende explodir o lixão, com Nina e todos os outros personagens dentro. Nina a espera no lixão dentro de um tanque de guerra. Os jogadores de futebol convertem-se em soldados, como forma de honrar o Divino F.C e vingar a traição imposta a Tufão. Carminha atira o carro cheio de explosivos em direção ao tanque de Nina e pula pela porta do carro a máxima velocidade em câmera lenta. Antes que a explosão ocorra, porém, o monte de lixo se retorce e transforma-se num grande monstro de lixo, semelhante a um Megazord: “Vocês nunca deviam ter me incomodado”, ele diz. “Eu matei Max!”. Todos choram copiosamente. O monstro voa sobre Nina e Carminha e atira mísseis em direção a elas, aniquilando todos. Por fim diz: “Esse lugar precisa pertencer a quem realmente o merece”. O monstro finca uma bandeira americana no solo e desfaz-se novamente num monte de lixo. Close da bandeira americana flamulando. – Pedro Freitas

Versão de Lars Von Trier


Nina se converte em freira da igreja Anglicana. Ela desiste de sua vingança contra Carminha, a procura e a perdoa. Tenta fundar uma nova ordem de caridade no Lixão, com o apoio das crianças. Uma a uma, porém, as crianças vão assumindo comportamentos estranhos. Numa noite, Santiago aparece com uma faca enfiada na garganta. A morte de Max se relaciona intimamente com esses acontecimentos. Nina vai lentamente sendo escravizada pelas crianças, apesar de achar que as serve por espontânea vontade. Leleco diz para as crianças que Nina é a reencarnação de uma bruxa da Idade Média. A gota d’agua para Nina é quando as crianças extendem uma faixa “Carminha Forever” na entrada do lixão. Desesperada, ela corre e se joga nos escombros, sendo em seguida atropelada pelo caminhão de lixo. – Pedro Freitas

Versão de Wes Anderson

Leleco descobre que tem câncer e tenta reconquistar toda a família. Tufão, cego de amor por sua irmã, tenta se matar. Suellen tem gêmeos, os pais são diferentes. Dadson vira hare-krishna. Agatha vira um porquinho da índia em stop-motion. Carminha e Nina se encontram em um quarto em Paris para resolver tudo e acabam se apaixonando. Jorginho resolve cometer crimes e é preso. – Matheus Weyh

Versão de Ingmar Bergman

Silêncio e sofrimento. Acompanhamos o cavaleiro ingênuo Adauto, na sua busca pelo sentido da vida, até o lixão. Lá ele vê uma figura nefasta indo rumo ao horizonte, acompanhada por Carminha, Nina (que depois de tanto discutirem, agora até se parecem fisicamente), Tufão e Família. Essa figura havia matado Max, após vencê-lo numa partida de xadrex. – Daniel Correa

Versão de Darren Aronofsky

Carminha começa a alucinar que Nina está em todos os lugares. Em uma busca frenética e intensa pela casa, mata Max achando ser a inimiga. No final, todos confrontam Carminha: Nina nunca existiu, sempre foi uma alucinação constante de Carminha, inconscientemente traumatizada pelo incidente do lixão. Carminha mata todos com tesouradas e depois se mata. Uma Nina real chega – ela convenceu o pessoal a mentir para enlouquecer Carminha de vez – e tem pedaço de sua mente fragmentado pela visão de todos mortos. Começa a achar também que é alucinação da mente de Carminha, aos poucos se tornando a mente de Carminha, aos poucos se tornando Carminha. “Ninaminha” se dirige ao lixão, e a história se repete. – Fernando de Lucca

Versão de Sofia Coppola

Téssalia decide fazer faculdade de filosofia e fazer bicos como fotógrafa e DJ. Ao som de Oi Oi Oi (Phoenix Remix), personagens rondam o Divino, sem direção. Nina e Carminha desistem de sua disputa, e se entregam à reconciliação, olhando entediadas para o horizonte enquanto relembram impassíveis os eventos de suas vidas. Descobrimos que Max morreu vitimado pelo peso de seu próprio conflito existencial. – Ana Clara Matta

Versão de Daniel Filho

Nina e Carminha trocam de corpo. Entendem os problemas uma da outra e fazem as pazes. Tudo acaba tranquilo. – Daniel Corrêa

Versão de Cronenberg

Foi Nina quem matou Max. E tal fato acarreta nela um súbito ímpeto assassino que a faz sentir que a sua vingança só será plena se ela própria matar os seus algozes. Primeiro, Nina utiliza um caminhão de lixo para matar Santiago onde, após tê-lo feito desmaiar com um golpe na cabeça, o joga dentro da carroceria e o seu corpo é triturado pelo compactador de lixo. Já Carminha recebe um telegrama anônimo dizendo pra ir ao Lixão caso queira ter informações sobre o assassino de Max. E ao chegar no local é atacada por Nina que a agride fisicamente e a afoga no chorume do Lixão. Ainda mais transloucada, Nina explode o Divino com os gases emitidos pelo Lixão. Percebendo que matou Jorginho, amor da sua vida e que se encontrava no bairro destruído, Nina se desespera e se dirige para o meio do Lixão onde permite ser comida por urubus.

A novela acaba e entra um fundo preto com a música OI OI OI tocando de trás pra frente. Em sequência, a cabeça dos telespectadores explode. – Rodrigo Laurentino



Versão de Woody Allen

Nina tem uma epifania; ela conclui que o universo está constantemente pregando peças em todos nós, e que o capítulo com Carminha foi apenas um de vários “de uma outra avenida, uma maior, chamada ‘vida’”. Percebe que a vingança não tem mais sentido, e no fim, decide escrever uma peça sobre sua história. Cadinho, não satisfeito com três mulheres, se declara para Carminha, dizendo algo do tipo “It’s always been you”. A eterna punição de Carminha é cair no papel coadjuvante de um quadrilátero amoroso que ninguém sabe exatamente por que veio. No fim, Carminha escreve um roteiro sobre sua história. Tufão declara seu amor pelo Rio e decide escrever um livro sobre sua história. Na última cena, a festa de lançamento das três obras de arte acontece na Avenida Brasil, e cada um explica para o outro exatamente o que aprendeu com a história que acompanhamos. – Fernando de Lucca

Versão de Rob Marshall

Max, em um número musical chamado “Fácil fingir, difícil é quando acontece”, conta postumamente o que realmente aconteceu com ele, em um palco com um leve foco de luz sobre ele. Carminha e Nina finalmente se confrontam: tudo é posto à mesa, é a cartada final, o baralho está pronto. Em um número em um salão de pôquer burlesco, as duas realizam uma performance apoteótica chic-decadente chamada “Corta a vagabunda”, viradas em direção à câmera como se fosse um palco, sendo que aquilo é uma novela e não tem ninguém realmente assistindo lá na hora. Os coadjuvantes fazem coro e aos poucos se unem a Nina, finalmente destruindo Carminha com o poder daquela música. Nina e uma Carminha derrotada cantam juntas o grand finale, Carminha jogada no lixão e Nina em um palco de tesouras e mechas de cabelo louros. Vale lembrar que as duas estão sempre de cinta-liga. – Fernando de Lucca

Versão de David Lynch

Flashback para a noite em que Genésio morreu: ele vagueia pelas ruas chuvosas e passa por uma cortina vermelha para uma sala escura onde um anão misterioso lhe entrega um machado; Genésio vê em meio à escuridão Max de costas, então o golpeia com o machado e corre para longe, voltando para a rua chuvosa. No presente, Carminha é presa pelo assassinato de Max e vai para a cadeia. Lá, ela se contorce e acorda no corpo da pequena Rita, no lixão. Em uma sala misteriosa, estão a pequena Rita, outros personagens e o anão, que finge atirar com o dedo na cabeça de Tufão. Vemos Santiago fugindo dirigindo em alta velocidade por uma estrada escura quando sua cabeça explode e o carro atropela Genésio! – Rodrigo Campos

Versão de Peter Greenaway

Descobrimos que ninguém matou Max, ele cometeu uma forma extravagante de suicídio. No entanto, Santiago é preso e, no chuveiro da prisão, os outros presos fazem um ritual forçando-o a se enforcar por ter estragado uma boa garrafa de uísque quando matou Nilo. Nina leva Carminha ao lixão onde comenta como 79% dos abandonos de crianças nos últimos 27 anos, 11 meses e 16 dias aumentou em 41,19% anualmente, ou algo assim. Ela menciona que os grupos de reciclagem (vidro, metal, plástico e papel) são representados respectivamente pelas cores cinza, amarelo, vermelho e azul e encontra algum padrão nisso tudo. Então, Nina joga tripas de peixes em Carminha, que é devorada por gaivotas assassinas. Nina então anda pelo lixão infinitamente. – Rodrigo Campos

Versão de John Hughes

Descobrimos que Max foi morto por um erro infeliz – uma criança, interpretada por Macauley Culkin, confundiu seu machado de brinquedo com um machado real em uma daquelas longas armadilhas, que lançou a arma em cima de Max quando ele pisou em determinado local. Um grande baile é organizado, e Monalisa deve escolher entre seus dois homens durante a dança, com um vestido feito de elementos do lixão. Cadinho reconquista tudo que perdeu, inclusive suas três mulheres, quebra a quarta parede durante o banho e diz para a câmera: “o fim”. – Ana Clara Matta

Versão de Buñuel

Após a morte de Max, cujo mistério não será solucionado e Nilo, os personagens da novela ficam presos no Divino (não conseguem sair e quem está fora não conseguem entrar). Dá-se subitamente em Santiago um desejo de matar Nina e as pessoas próximas a ela por acreditar que só assim conseguirá sair no bairro. Ele consegue matar todos, menos a Nina. Mesmo assim, consegue sair do Divino, junto com Carminha, embora o único lugar para o qual ele consegue ir é a mansão de Tufão. Nina percebe também que consegue sair do Divino e chegar na mansão. Ao chegar lá é morta por Carminha que joga, sem querer, um balde de água fervente nela. Os moradores do Lixão ficam sabendo do acontecimento e decidem se vingar de Nina, que se torna uma mártir. Ao chegarem na mansão, matam Santiago e Carminha com as próprias mãos e para comemorar a vingança decidem realizar um grande banquete no local, mas, por algum motivo, não conseguem fazer. De mártir, Nina se torna um mito. E de mito, é alçada a santa da Igreja Católica, protetora dos moradores dos lixões.

A novela acaba e os telespectadores não conseguem sair das suas casas. – Rodrigo Laurentino

Versão de Paul Thomas Anderson

Tufão compra o lixão e descobre petróleo lá. Os catadores ficam ao lado de Carminha, que volta à sua pose de santinha. Tufão ensina seu lado empreendedor e sem emoções (pelo menos em expressões faciais) ao seu filho, Jorginho. Auge do capítulo é a misteriosa chuva de esposas do Cadinho. – Daniel Corrêa

Versão de Malick

A Globo adia a exibição do capítulo final em três semanas. Finalmente exibido, o episódio traz narração em voice-over de Carminha e Nina, alternando entre a (des)graça e a natureza (morta). Nilo aparece ao lado de Clarinha, sua filha, numa praia. Murilo Benício reclama por ter ficado fora do corte final. O assassino de Max nunca é revelado, mas especula-se: foi o acaso?, foi o divino?, ou foi o Santiago, mesmo? – Virgílio Souza



Versão de Spielberg

Descobrimos que Carminha era um alien, ela volta para seu planeta e tudo fica bem no Divino. – Matheus Weyh

Versão da Disney

Todos vivem felizes para sempre…
…mas antes que isso aconteça, a bela Rita resolve revelar sua verdadeira identidade. Ela diz a Jorginho que é a princesa perdida entre o real e o imaginário. Convoca todos os bichinhos amiguinhos para limpar todos os lugares do lixão. Aos poucos tudo fica brilhando, e os rastros do verdadeiro vilão vão aparecendo. Por trás da negra cortina, sentado em meio aos seus bonecos quebrados lá está o bruxo Santiago, velho, com nariz pontudo e olhos frios. Mas de repente surge Tufão e destrói Santiago. No chão,quase sem vida, Carminha se sente livre do feitiço que a transformava em vilã. Um número musical no lixão transformado encerra a novela, com todos abraçados, entoando Gangnam Style. – Simone Moraes

Versão de Scorsese

Santiago manda seus comparsas matarem Carminha, que descobriu que ele matou Max, mas Nina o encontra e atira em sua cabeça. Carminha, que não é boba nem nada, deixa a polícia esperando pelos bandidos, iniciando um tiroteio do qual ela escapa. Ela vai até Tufão, por alguma razão, para matá-lo. Ela o faz e foge com milhões roubados de diversas pessoas. Ela está aproveitando sua fortuna, com a narração em primeira pessoa dizendo como ela é esperta quando Nina surge sorrateiramente e a espanca incessantemente com um taco de baseball e a coloca viva em um moedor de lixo no lixão. Escutamos “Gimme Shelter”, dos Rolling Stones, enquanto Nina se afasta cheia de estilo. – Rodrigo Campos

Versão de Haneke

Carminha assume os cuidados das crianças do lixão, quando estranhos sacrifícios animais começam a acontecer – urubus mortos são deixados em sua porta, com o mesmo corte de machado que vitimou Max. Estaria Nina por trás disso? Não. Nina desparece… justamente a tempo de Jorginho se apaixonar por uma forasteira nova do Divino… uma tal de Ana Laurente. – Ana Clara Matta

Versão de Tarkovsky

Passam-se muitos anos no Divino, um tempo indefinido. Nina se olha no espelho, e relembra as crianças brincando no lixão. – E Carminha, quem era? Uma outra face de Nina, menos afetada pelos preceitos da Moral, livre de seus laços familiares? A imagem de Carminha permanece no espelho, enquanto Nina sai e caminha por entre os escombros. Não há mais lixo alí, apenas um grande deserto. Tempo de desolação. O mistério resolve-se na mente humana: “Max não foi morto, mas tragado pelo tempo”, pensa Nina ajoelhando-se sobre a terra. “Valeu a pena defender a família pela vingança”. E dizendo isso, acende uma vela para seu pai, no local de sua morte. Em seguida, planta uma árvore no mesmo lugar, saindo de quadro. A semente germina e cresce. – Pedro Freitas



Versão de Tarantino

Carminha e Lúcio tentam assaltar uma lanchonete carioca, mas são impedidos por Nina, que compra um macacão amarelo e recita passagens bíblicas antes de matar Carminha em um duelo de espadas. Mãe Lucinda resolve se vingar de Santiago arrancando o seu escalpo. A novela termina com Jorginho, Tufão e Leleco discutindo a letra de Oi Oi Oi em um café no Divino. – Nina Rocha

Versão de Robert Rodriguez

É a versão do Tarantino, só que mal escrita e dirigida e disfarçada de trash. – Daniel Corrêa

Versão de George Lucas

Ele resolveu reeditar e colocar em 3D. Não ficou pronta à tempo. – Daniel Corrêa




Novamente salientando. O texto não é de minha autoria, o texto se encontra e foi retirado do site Ovo de Fantasma, publicado originalmente dia 18 de Outubro de 2012, por Daniel Correa.*

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Critica: Sociedade Dos Poetas Mortos

" Ohh captain, my captain!! 



Em 1959, John Keating (Williams) volta ao tradicionalíssimo internato Welton Academy, onde foi um aluno brilhante, para ser o novo professor de Inglês. No ambiente soturno da respeitada escola, Keating torna-se uma figura polêmica e mal vista, pois acende nos alunos a paixão pela poesia e pela arte e a rebeldia contra as convenções sociais. Os estudantes, empolgados, ressuscitam a Sociedade dos Poetas Mortos, fundada por Keating em seu tempo de colegial e dedicada ao culto da poesia, do mistério e da amizade. A tensão entre disciplina e liberdade vai aumentando, os pais dos alunos são contra os novos ideais que seus filhos descobriram, e o conflito leva à tragédia.

Essa é a sinopse. Mas esse não é o filme.

Sociedade dos Poetas Mortos, dirigido brilhantemente por Peter Weir, e roteirizado por Tom Schulman – e que levou o Oscar de Melhor Roteiro -, que vai além dessa premissa, é um verdadeiro ode a maior e mais importante profissão que a humanidade possui: A do Professor.

Logo ao inicio, somos impelidos a uma espécie de calabouço de bons costumes e moralidades, num regime intensamente autoritário e disciplinar. A direção de arte assume seu papel ao imprimir paredes de madeira escuras, simbolismos, bandeiras escuras, simetria absoluta em cada cadeira, banco e linhas em cena. Quadros de autoridades e antigos diretores mostrados em enquadramentos centralizados sempre em contra-plongée.

Não por acaso, a fotografia comedida, transita de maneira bem sutil, do preto, cinza, marrom e tons pasteis, meio difusos, as cores mais vibrantes, ao amarelo principalmente quando o Professor Keating  surge em sala de aula.

O filme traça uma narrativa que preza pela relação e importância do professor com o aluno, a formação do caráter e principalmente a importância das escolhas, independente de dogmas ou conceitos moralistas pré-fabricados e estabelecidos. E é na poesia e na filosofia do “carpie diem” que o enredo e os diálogos transitam.

No trecho abaixo a primeira aula do professor novo:



Desde o aluno tímido sem o mínimo de confiança em si mesmo, ate ao aluno apaixonado pela garota popular da outra escola, ate ao aluno que mascara com indisciplina o peso que carrega em amar o teatro e as artes e não poder seguir seu sonho pelas imposições irresolutas do pai.
Autoridade e liberdade, Poesia e vida, morte e escolhas, assumem em Sociedade um papel quase que palpável em tela.

A era do Romantismo surge aqui como pilastra contra os dogmas maçantes e a recusa na intertextualidade entre gerações do passado e da atualidade- atualidade em que se passa o filme-.

No trecho abaixo, o professor sugere uma atividade aos alunos para demonstrar o conceito de conformismo e liderança:



Amparando-se a conceitos universais, Sociedade não é só uma obra prima contra os moldes ultrapassados de resvalos educacionais. Mas utilizando-se da metáfora com a adolescência e suas descobertas, ele traça um panorama de discussões acerca de tudo aquilo que realmente rege a vida humana na vida adulta. Ate que ponto nossas regras de sociedade ainda defende-se sem nenhuma ressalva.

É um filme lírico, poético, extremamente forte do ponto de vista dramático, que cativa, emociona, entristece, nos fisga e permanece na memória pela eternidade.

E como tal, vale ressaltar aqui, alem das brilhantes atuações de Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke e Josh Charles, uma das diversas cenas clássicas, que ficaram definitivamente nos anais do cinema mundial.

O poema e a cena em questão dizem respeito ainda ao primeiro ato do longa, onde o Professor pede uma tarefa a seus alunos de criarem poemas.
Um deles, Sr. Anderson, o mais tímido, que não acredita no próprio talento para as palavras, não faz a tarefa, mas demonstrando seu dom de passar confiança e de ver alem do rosto e convenções de seus alunos, o professor lhe chama a frente da sala e instiga seu brado.



O poema abaixo se encontra geralmente nos extras do DVD do filme, algumas versões foram editadas, simplesmente por questões de andamento da narrativa.

Mas ironicamente é o poema mais denso e inesquecível de todo o longa. Ele é declamado pelo Sr. Anderson, numa das sessões da Sociedade dos Poetas Mortos, brilhantemente ambientada numa caverna, um ode a teoria de Platão.:

“Sonhamos com o amanhã e o amanhã não vem 
Sonhamos com a glória que não desejamos 
Sonhamos com um novo dia, quando este já chegou 
E fugimos da batalha, uma que deve ser enfrentada 
 Mesmo assim dormimos 

 Ouvimos a chamada, mas não escutamos 
Esperamos pelo futuro, quando não passa de planos. 
Sonhamos com a sabedoria da qual fugimos diariamente 
Oramos por um salvador quando a salvação esta nas nossas mãos 

 mesmo assim dormimos, 
mesmo assim sonhamos, 
mesmo assim tememos, 
mesmo assim oramos, 
mesmo assim dormimos.” 

Ao fim, com um clímax extremamente intenso e repleto de peso, uma das cenas mais lindas do cinema surge para nos arrebatar por completo. Mais que um excelente filme; uma obra prima que vive!






FICHA TÉCNICA

Diretor: Peter Weir
Elenco: Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, Josh Charles, Gale Hansen, Dylan Kussman, Allelon Ruggiero, James Waterson, Norman Lloyd, Kurtwood Smith, Carla Belver.
Produção: Steven Haft, Paul Junger Witt, Tony Thomas
Roteiro: Tom Schulman
Fotografia: John Seale
Trilha Sonora: Maurice Jarre
Duração: 128 min.
Ano: 1989
País: EUA
Gênero: Drama