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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Apostas Criticofilia Oscar 2013



A premiação mais importante e mais famosa do cinema, se aproxima. No próximo dia 24 de fevereiro, domingo, os melhores do ano que se passou serão premiados na 85° edição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (no original: Academy of Motion Picture Arts and Sciences ou AMPAS), que este ano, resolveu adotar o nome popular de vez; apenas Oscar. A premiação acontecera em Los Angeles, nos Estados Unidos, e será comandada pelo diretor do polemico filme Ted, Seth MacFarlane com a ajuda de Salma Hayek, Melissa McCarthy, Liam Neeson e John Travolta. 

Este ano, além da premiação estar acirrada e já se iniciar de forma inesperada. O site oficial do evento resolveu dialogar ainda mais com seu publico e criou em seu site uma ferramenta que ajuda os internautas a fazerem suas apostas para a premiação.
Basicamente, basta acessar o site, fazer suas escolhas, um voto para cada categoria e depois decidir se quer entrar na brincadeira dos famosos "Bolões do Oscar" que ocorrem nas redes sociais, compartilhando- ou não - suas apostas com seus contatos. Ainda ha a opção de imprimir suas apostas com as respectivas categorias para facilitar na hora de marcar os acertos e erros enquanto assiste a premiação pela internet ou pela TV - no Brasil a transmissão sera feita pelo canal pago TNT e pela emissora de televisão publica Rede Globo -.
Nas categorias técnicas, como edição e mixagem de som, fotografia, e direção de arte por exemplo, há videos, ilustrações e tutoriais explicando o que são cada categoria e como se dá a avaliação das mesmas pela Academia.
Para ter acesso ao site clique >> Oscar.Go (o site é oficial e por isso todo em inglês, mas nada que o Google Tradutor não dê uma ajudinha)

Da mesma maneira o Criticofilia que nesta edição fez a cobertura quase que total, fornecendo criticas das principais categorias do Oscar 2013, compilou abaixo, nossas apostas a Premiação, justificando-as.


Apostas do Criticofilia: 


 Melhor Filme

Apesar dos ventos estarem soprando para o possível azarão “Argo”, vencer nessa categoria – já que durante a campanha para o Oscar, “Argo” despontou como favorito em todas as premiações que se antecederam, “Lincoln” ainda detém vantagem por tratar de um patriotismo muito mais latente e explicito do que “Argo”. “Lincoln” tem uma grandiosidade bem maior que a Academia costuma gostar, alem é claro, de ter o fator Diretor VS. Filme que sempre possuem um paralelo. Foram extremamente raros os filmes que conseguiram vencer nesta categoria sem que seu diretor não tenha sido ao menos indicado também.
Lincoln” é extremamente bem realizado, com planos fabulosos, um trabalho milimetricamente pensado. É inquestionável isso. Porem, se ele não possuísse o nome Spielberg nos créditos, ele nada mais seria do que um bom filme de moral extremamente duvidosa, uma vez que sua visão é deturpada e leviana, alem de carregar um tom que beira ao vicio fílmico que Spielberg parece ter caído nos últimos anos.
Argo” é inegavelmente um bom filme também, com uma visão que tenta- mesmo que não consiga- de tratar com imparcialidade um ato real do governo de seu país; com uma edição impecável e um roteiro sensacional.
Alias, esta categoria possui ótimos representantes, onde ambos de acordo com as características típicas da premiação, fazem jus a indicação.
Temos “Os Miseráveis” que tinha tudo para se tornar um filme épico, e só conseguiu ser grandioso em termos visuais e de elenco, prejudicado pela direção imprudente de Tom Hooper; mas que ao final das contas é um musical. O que lhe dá largo destaque aqui, uma vez que historicamente a Academia adora Musicais. Em “Indomável Sonhadora” vemos uma presença um tanto o quanto surpresa, mas não menos digna de estar aqui, num filme saboroso e reflexivo, que consegue mesclar a beleza da visão de uma garotinha num mundo bucólico. Porem o filme chama mesmo a atenção mais pela jovem protagonista do que realmente por suas outras qualidades.
Já “O Lado Bom da Vida” esta aqui por uma combinação incrível que se obtém quando em meio a sua produção existem nomes de peso na indústria, apesar de ser um bom filme.
As Aventuras de Pi que traz uma obra grandiosa e impressionante principalmente por seu visual marcante numa historia fantástica. Um filme fabuloso que merece a indicação que recebeu. O mesmo pode se dizer de Django Livre”, que apesar das ressalvas que possua sobre seu roteiro, direção e seu fatídico personagem central, é um grande filme, bem elaborado, com uma qualidade técnica invejável.
Então temos “Amorque de modo simplista se torna talvez o filme melhor executado dentre todos ao lado de “A Hora Mais Escura”. Um filme poético, cru, que consegue ir da mais tenra reflexão sobre a vida e a morte e este sentimento que o permeia, ate a uma alegoria de choque e arrebatamento ao demonstrar total segurança em abordar um tema que tinha todos os elementos para serem transformados em sensacionalismo ou indevidamente “abusados” nas mãos de um outro diretor. Um pequena obra prima. Porem, dentre os nove indicados, o merecedor seria “A Hora Mais Escura”, que supera todos os outros oito em diversos pontos. Uma vez que Amor” desponta como provável vencedor ao premio de “Melhor Filme Estrangeiro” ao qual também foi indicado. Assim, “A Hora Mais Escura que promove uma discussão e traz uma visão intensa e a flor da pele sobre as operações governamentais dos EUA na captura e execução de Osama Bin Laden, acaba sendo o mais  apto. O filme consegue ser impecável do ponto de vista técnico e de desenvolvimento de roteiro, alem de possuir uma reflexão pertinente e desafiadora- assim como 'Amor' também faz-.
Porem a disputa parece estar mesmo entre Lincoln” e “Argo”.

Merecedor Criticofilia: A Hora Mais Escura
Favorito ao premio: Argo
Provável vencedor: Lincoln


Melhor Ator

Esta categoria não resta nenhuma duvida. Esse prêmio nasceu com o "Lincoln" de Day Lewis. O ator faz por merecer seu favoritismo, tendo entregado um trabalho inventivo. Porem, esta categoria possui monstros em termos de atuação, deixando a desejar apenas pelo lado de Bradley Cooper. O ator em O Lado Bom Da Vida”, esta apenas correto. Ao contrario de Denzel Washington que entregou em seu “O Voo uma atuação visceral, de entrega. Ou mesmo Hugh Jackman que aparece sóbrio, numa atuação madura em “Os Miseráveis”.
Porem é inquestionável que a melhor atuação dentre os indicados esta com Joaquim Phoenix pelo o excelente “O Mestre”. O trabalho de atuação de Phoenix é algo assombroso, digno da sua indicação e real merecedor por competência ao premio. Porem, a melhor campanha foi de Lincoln, onde nem Mesmo O Mestre conseguiu competir entre as principais categorias alem de seus atores. Assim, o premio será de Day-Lewis, não injustamente, pois Lewis fez por merecer, mas...

Merecedor Criticofilia: Joaquim Phoenix
Favorito ao premio: Daniel Day-Lewis
Provável vencedor: Daniel Day-Lewis


Melhor Atriz



Outra categoria que assim como, a categoria de “Melhor Filme” esta extremamente imprevisível.
Isso porque todas as atuações assim, como as de “Melhor Ator”, merecem extremamente suas indicações. Todas as atuações marcantes ou surpreendentes. Mas aqui, a duvida é sobre qual vertente os votantes da Academia irão optar. De um lado temos Emmanuelle Riva que fez um trabalho intenso, de entrega e sensibilidade no ótimo “Amor”. Num papel difícil, que tem encantado e impressionado o mundo todo. E algo interessante permeia sua indicação e seu possível prêmio. Emmanuelle Riva completará no dia da premiação, 86 anos de idade, um digito a mais do que o numero de edições que no mesmo dia, a Academia comemorara de existência. E com isso, Emmanuelle ainda se torna a concorrente mais velha nessa categoria a ser indicada. Fatores como este podem lhe dar certa vantagem. Por outro lado temos a favorita ao premio Jeniffer Lawrence que com apenas 22 anos de idade, tem chamado a atenção de publico – que tem se formado uma legião de fãs fervorosos – e critica, com seu talento e versatilidade em compor variados personagens. Mas ao contrario do que ela fizera no excelente “Inverno da Alma”, aqui, JLaw, esta apenas correta, com uma ou duas cenas que se destacam durante a projeção de “OLado Bom Da Vida”. Seu favoritismo vem mais da sua popularidade atual, do que de seus méritos por esse papel. Mas dentre todas as indicadas, ela tem sido a mais dedicada em sua campanha rumo ao premio. Ainda temos Naomi Watts que sempre foi lembrada pela Academia por sua competência extrema e inquestionável durante anos no cinema. Sempre expressiva Naomi entregou em “O Impossível” uma atuação de total entrega a seu personagem. Em termos de atuação, não há nada demais, Naomi já teve melhores oportunidades de demonstrar sua competência. Mas aqui, a entrega total que deu a sua personagem é o que lhe rendeu essa indicação. E uma vez que durante anos, a Academia tem sido complacente com seu trabalho, apenas lhe dando indicações e nunca o premio, pode ser que isso pese dessa vez. Ao mesmo tempo, temos a excelente Jessica Chastain, que entregou uma performance ‘humana’ a sua personagem em “A Hora Mais Escura”. Seu papel chama a atenção, por conseguir conferir peso e exaustão e ao mesmo tempo garra, num personagem complexo.
Mas não podemos esquecer da jovem Quvenzhané Wallis, que com apenas 5 anos de idade à época de sua atuação em Indomável Sonhadora, conseguiu ser a mais jovem indicada a esta categoria em toda a historia da premiação. É Importante ressaltar, que Wallis que atualmente possui 9 anos de idade, além de ter impressionado num papel denso para sua idade, com expressões tão claras, teve em Indomável sonhadora seu primeiro papel no cinema. Ela não era atriz e nem fazia nenhum tipo de aulas de atuação. Wallis nem mesmo era totalmente alfabetizada na época de gravação do longa. Ela treinava e ensaiava suas falas com a ajuda de um treinador de atores. Tal detalhe conta bons pontos a seu favor. Mas a disputa esta acirrada mesmo, entre Riva e Lawrence; com consideráveis chances de uma possível reviravolta para Chastain, mas difícil.
 Importante destacar, o maravilhoso trabalho da atriz Marion Cotillard, por seu papel no bom "Ferrugem e Osso". Um trabalho que a Academia esqueceu de ressaltar e que merece seus louros, numa atuação emocionante, que mesclou a melancolia e a garra em uma mulher devastada por uma tragedia em sua vida. Merecia ser indicada talvez ate mesmo no lugar da pequena Wallis.

Merecedor Criticofilia: Emmanuelle Riva
Favorito ao premio: Jeniffer Lawrence
Provável vencedor: Emmanuelle Riva


Melhor Ator Coadjuvante

Outra categoria disputada. Com apenas duas atuações realmente marcantes, esta categoria possui uma imprevisibilidade absurda.
Apesar do favoritismo claro ao Christoph Waltz por seu ótimo papel no duvidoso “Django Livre”, onde ele nos entrega um papel inventivo, original e totalmente maneirista em tela; temos na disputa Philip Seymour Hoffman, que impressiona por seu papel catártico em “O Mestre”, repleto de oscilações entre a intensidade e a sutileza.
Ainda temos Robert De Niro que pela primeira vez em muitos anos, parece ter finalmente saído do piloto automático ao qual tem estado, e entregou uma atuação sincera em O Lado Bom da Vida”; Alan Arkin que esta correto no ótimo “Argo e Thommy Lee Jones, que esta Thommy Lee Jones no duvidoso “Lincoln”. Isso porque, a atuação de Thommy Lee, não se diferencia muito do que ele vem demonstrando nos últimos anos. Lembram o piloto automático mencionado acima? Então...
Mas a disputa aqui parece ficar mesmo entre os dois primeiros.

Menção honrosa, aos totalmente esquecidos pela Academia e demais premiações.
Quando se pensa em Ator Coadjuvante nos lançamentos do ano que se passou é impossível não lembrar das atuações marcantes e impecáveis de Leonardo DiCaprio por seu vilão em Django Livre, e em Javier Bardem pelo seu também vilão no bom  007 - Operação Skyfall.
Leo Dicaprio transcende em tela, num personagem curioso e bem escrito. sua atuação é tão intensa que chega a entristecer não ver seu nome ali entre os indicados, onde se concorresse teria larga vantagem em todos os 5 indicados oficiais. Foi um trabalho marcante na carreira do ator de fato. O mesmo se pode dizer de Javier  Bardem, que simplesmente roubou o filme de Daniel Craig - que ainda assim surpreende com seu agente James Bond -. Javier construiu um dos melhores vilões que a serie 007 já viu em toda a sua historia. o ar repulsivo e louco de seu personagem é algo incomum de se presenciar. E ainda assim a Academia escolheu lhe esnobar. Mas é fato: se Leo Dicaprio e Javier Bardem estivessem aqui concorrendo, a categoria seria totalmente deles e de mais nenhum outro - talvez Philip Hoffman continuasse no páreo-. Uma pena.

Merecedor Criticofilia: Philip Seymour Hoffman
Favorito ao premio: Christoph Waltz
Provável vencedor: Christoph Waltz


Melhor Atriz Coadjuvante

Aqui, tal qual a categoria de “Melhor Ator” não resta duvida de que o premio vem com o nome talhado de Anne Hathaway. Ela é claramente a favorita ao premio e por méritos inquestionáveis.
A atuação de Hathaway no duvidoso “Os Miseráveis  chama tanto a atenção que com seus pouco mais de 30 minutos totais em tela, é dela as atenções plenas no longa. Uma atuação marcante de entrega e visceralidade. Porem, temos Amy Adams, que entre as 5 concorrentes é a que mais se aproxima do ‘grau’ de 'impressionabilidade' que Hathaway nos brindou. O trabalho de Adams em “O Mestre é muito interessante, onde a atriz conseguiu de modo surpreendente conferir um ar de dubiedade a sua personagem, ofuscada apenas pela monstruosa presença de Joaquim Phoenix em cena. Dentre as 5 Indicadas ela é a que foi mais competente. Porem Anne Hathaway literalmente se desconstruiu diante de nossos olhos de uma maneira tão intensa que seria leviano não lhe dar o premio - mas que fique as considerações a Adams-.
Mas temos também a veterana Sally Field, que entregou uma atuação poderosa – forçada e caricatural demais é verdade – em “Lincoln”. Já a presença de Helen Hunt que esta apenas correta no bomAs Sessões” entre as indicadas se justifica por sua coragem em expor-se de maneira sóbrio a um papel lhe exigiu diversas cenas de nu frontal. Pela competência da atriz, tais cenas jamais atingiram uma conotação sexualizada, vulgar ou impressionista. E isso é admirável. Porem em termos de atuação, não há nada além do normal. O mesmo pode ser dito da veterana Jacki Weaver, que em “O Lado Bom Da Vida não Chama a atenção em nenhum momento. Esta apenas atuando. Num papel que não lhe exige nada também.
Como ressalva é importante lembrar, o esquecimento da excelente atuação de Judi Dench em 007 - Operação Skyfall. A atriz encarna de maneira total sua personagem neste longa como nunca antes durante a serie do agente secreto. Um trabalho que chama a atenção durante o longa e que merecia ser melhor lembrado.

Merecedor Criticofilia: Anne Hathaway
Favorito ao premio: Anne Hathaway
Provável vencedor: Anne Hathaway


Melhor Filme de Animação


Dentre as Ótimas Animações indicadas este ano, temos destaque para "Frankeneenie" e "Valente".
"Frankenweenie", pela técnica típica de Tim Burton e seu teor que mescla a fantasia e o sombrio de maneiras únicas, sempre tendo como base o expressionismo alemão. Já Valente se destaca principalmente por seu enredo, onde uma protagonista claramente feminista surge sem precisar do amparo de um príncipe encantado para lhe salvar. Algo raro na filmografia de animações Disney/Pixar,  onde a primeira; é conhecida por ser a eterna fabrica de sonhos da princesa que tem que ser salva pelo príncipe valente. O Valente aqui é dado a protagonista. E isso merece atenção.
Ainda temos o ótimo e engraçado "Paranorman" que traz uma parodia aos filmes de adolescente estadunidenses de terror, lidando com os estereótipos desses enredos de maneira bem original e interessante. "Piratas Pirados", talvez o mais fraco dentre os indicados que é apenas “bem feitinho”, uma animação em Stop Motion com um roteiro raso com pouquíssimos momentos inventivos ou que se destaquem.
Mas a grande disputa pode vir pelo excelente "Detona Ralph"- este sim da Disney -que vem despontando como grande favorito, após arrebatar a critica em diversos prêmios mundo afora onde tem saído vencedor, e pelo publico, onde conquistou uma grande bilheteria; onde traz uma trama deliciosa que remonta os clássicos jogos de vídeo games, numa animação que impressiona pelos gráficos.

Mas o premio deve ficar disputado mesmo entre os estúdios Disney/Pixar e seu "Valente", - pelo peso que o nome Disney e Pixar possuem, Tim Burton e seu "Frankenweenie" - que é claramente a melhor animação em termos técnicos dentre os 5 indicados - , e o inventivo "Detona Ralph" - também da Disney.

Merecedor Criticofilia: Frankenweenie
Favorito ao premio: Detona Ralph
Provável vencedor: Detona Ralph

Melhor Direção

O Favoritismo é claro. Se para a categoria de “Melhor Filme” 'Lincoln' desponta como favorito, a lógica se estende a sua direção. Uma direção correta alias do Spielberg que tem pleno domínio de seu filme, que mesmo diante de tantas bobagens, é inquestionável a qualidade técnica que possui. Porem temos o excelente Michael Haneke, que entregou em Amor um trabalho meticuloso, repleto de dedicação e extremo exímio em detalhes. Uma direção segura e que merece a indicação sem duvidas. Temos ainda outros monstros nessa área como o ótimo Ang Lee que mais uma vez realizou um filme marcante e fabuloso que é As Aventuras de Pi. Um filme grandioso que não teria a maestria que possui sem a visão e as rédeas claras de Lee.
Na esteira vem David O.Russell pelo seu mediano “O Lado Bom da Vida” que tal qual seu filme é apenas correto. E Benh Zeitlin com seu “Indomável Sonhadora que impressiona mais pelo fato de lidar com uma historia repleta de “não atores”. Por mostrar uma visão bucólica de uma realidade dura e tentar extrair delicadeza em meio a feiura de La. Uma direção boa.
É imprescindível e inevitável, falar dessa categoria e não salientar a injustiça obtusa da Academia em deixar de fora os nomes de Paul Thomas Anderson e Ben Affleck – e se formos mais justos ainda, o nome de Leos Carax pelo seu fabuloso trabalho, no impecável e totalmente esquecido pela Academia e demais premiações “Holy Motors” filme extremamente bem conduzido.
Ben Affleck, por seu trabalho madura e impressionante devido a sua pequena filmografia por “Argo”, contradizendo todas as noções possíveis dessa edição do Oscar. Uma vez que Affleck tem ganhado quase que totalmente todas as premiações ao qual participa nesta categoria, assim como seu filme. Uma incoerência que esta custando muito a Academia antes mesmo do resultado sair.
E Paul Thomas Anderson pelo excelenteO Mestre, que não só merecia sua devida indicação visceral e peculiar na direção, como inclusive na categoria principal de “Melhor Filme”.
E claro, talvez ao lado de Affleck , outra maior e polemica injustiçada, Kathryn Bigelow por seu excelente “A Hora Mais Escura”. Onde sua não indicação é a mais obvia dentre todas: política. Uma vez que seu filme tem sido vastamente mal visto entre o governo americano, com a desculpa infundada de que o longa incita a pratica de tortura do país em processos de investigações e interrogatório com terroristas.
Injustiça, pois o trabalho que Bigelow entrega com seu filme é algo que beira ao impecável.
Mas a disputa parece ficar entre o Spielberg e Haneke.

Merecedor Criticofilia: Michael Haneke
Favorito ao premio: Steven Spielberg
Provável vencedor: Steven Spielberg


Melhor Filme em Língua-estrangeira


Categoria que possui ótimos representantes – alguns deles ate mais relevantes do que os que concorrem a principal categoria -. Porem é inegável o favoritismo de “Amor” que não satisfeito com a indicação a “Melhor Filme” ainda marca presença aqui, onde levará.
Mas é importante salientar as qualidades de seus concorrentes como o ótimo A Feiticeira da Guerra” que possui um roteiro profundo, numa narrativa densa e bem executada. Kon-tiki”, que promove um show visual, numa fotografia impressionante e bem feita. “O Amante da rainha” que traz um enredo batido, numa narrativa surpreendente com atuações boas, uma direção de arte conceitual impecável; e ainda o fabuloso e intenso “No”, que se destaca por trazer de volta o ‘U-Matic’, tecnologia de gravação em videocassete, que confere ao longa uma imagem meio desfocada, que se assemelha bastante ao efeito que se tem quando vemos um filme em 3D sem os óculos, com certas cenas com luz estourada, que transforma o filme num deleite visual, alem de possuir um roteiro inventivo e atuações excelentes.
Um Filme que merecia levar o premio para casa por ser superior em vários sentidos aos indicados acima, talvez apenas igualável ao sensacional "Amor". Sendo assim, o principal concorrente da Obra de Haneke.


Merecedor Criticofilia: No
Favorito ao premio: Amor
Provável vencedor: Amor

Melhor Filme Curta-metragem de Animação

No link a seguir confira pequenos comentários de cada um dos 5 indicados nesta categoria, justificando as escolhas abaixo: >> Indicados Ao Oscar de Melhor Curta de Animação

Merecedor Criticofilia: Head Over Heels
Favorito ao premio: Paperman
Provável vencedor: Paperman



Abaixo, outras apostas mas sem comentários ou menção aos favoritos ou merecedores. Apenas quem provavelmente levara o premio :


Melhor Fotografia

Melhor Direção de Arte

Melhor Figurino
Espelho, Espelho Meu..

Melhor Edição

Melhor Maquiagem

Melhor Trilha Sonora
Mychael Danna - As Aventuras de Pi

Melhor Música Original
007 - Operação Skyfall

Melhor Edição de Som

Melhor Mixagem de Som

Melhores Efeitos Visuais
Prometheus

Melhor Roteiro Adaptado


*Impossível não colocar uma ressalva aqui.
É imperdoável a não inclusão do excelente "As Vantagens de Ser Invisível"  e seu roteiro fabuloso assinado pelo escritor, roteirista e também aqui diretor Stephen Chbosky . Um filme definitivamente bem construído  elaborado, com um roteiro decupado, de narrativa delimitada repleto de acertos. Merecia estar aqui indicado e se fosse este o caso, estaria despontando inclusive como franco favorito ao premio. Imperdoável essa falha.*

Chris Terrio - Argo

Melhor Roteiro Original
Mark Boal - A Hora Mais Escura


domingo, 13 de janeiro de 2013

Critica: A Hora Mais Escura ( Zero Dark Thirty )


Filme sobre a caça e execução do terrorista saudita Osama Bin Laden (Ricky Sekhon) por soldados americanos no Paquistão, em maio de 2011.



Osama bin Mohammed bin Awad bin Laden, mais conhecido como Osama bin Laden, foi um líder e fundador da al-Qaeda, organização terrorista à qual são atribuídos vários atentados contra alvos civis e militares dos Estados Unidos e seus aliados, dentre os quais os ataques de 11 de setembro de 2001. 
Procurado havia pelo menos dez anos pelos EUA, Bin Laden era considerado o mentor dos atentados de 11 de Setembro de 2001, que derrubaram as Torres Gêmeas em Nova York, atingiram o Pentágono e deixaram cerca de 3.000 mortos.
Os ataques levaram à invasão do Iraque e do Afeganistão por tropas lideradas pelos EUA, no que ficou conhecido como "guerra ao terror".

Em 2 de maio de 2011 autoridades dos Estados Unidos divulgaram que Bin Laden teria sido capturado e morto em um esconderijo nos arredores de Abbottabad durante uma operação secreta realizada por forças da Joint Special Operations Command em conjunção com a CIA e o governo paquistanês, que colaborou para a localização do paradeiro do terrorista.

“A Hora Mais Escura”, novo filme da diretora Kathryn Bigelow, conta detalhes sobre essa operação secreta que culminou na morte de um dos homens mais procurados do mundo.

O resultado, é uma obra superior a anterior de Bigelow (Guerra Ao terror), que vai além de suas próprias possíveis limitações, e condensa-se num filme denso, repleto de tensão e tamanha crueza e detalhes nos fatos narrados, tornando-se uma digna obra prima que subverte qualquer conceito pré estabelecido de ser apenas mais um filme patriota norte americano.

Kathryn Bigelow, numa direção segura, repleta de cuidados quanto sua narrativa, nos entrega um filme estruturalmente eficaz e coeso e uma trama que surpreende por contar detalhes ínfimos sobre as operações especiais da Cia.

O trabalho de pesquisa da produção do filme levou nada mais nada menos que longos 9 anos. Onde foi decupada cada informação acerca de manejos sobre operações de tal calibre. Mas A Hora Mais Escura não se limita a apenas mostrar os fatos que culminaram na morte de Bin Laden. 
Não se limita em demonstrar uma saga de vitoria americana. 
Muito pelo contrario.
O filme tem um tom muito mais de Causa e Consequência, do que ode pela justiça.

Com ares episódicos, quase como se fosse um filme relatório, o filme traça um panorama do pais EUA em paralelo com os países Islâmicos, onde entre culpa e vitimizações vão alem da política de tais países. Isso fica claro, quando num dialogo distinto, a personagem de Jessica Chastain, Maya, uma agente da Cia especializada em pesquisar o paradeiro de Bin Laden, diz durante uma reunião em resposta a um comentário de um de seus colegas sobre pistas quanto ao paradeiro de Bin Laden : 

“nós acreditamos que ele (Bin Laden) não alterou suas táticas de segurança.”; 
ao que Maya retruca: 
“Nos atacamos o Afeganistão. Essa é a razão”

Apenas essa passagem demonstra o tratamento que diretora e roteirista escolheram tratar o assunto.

É importante salientar que Bigelow e Boal (roteirista) visavam retratar o fracasso americano nas investigações. Porem tudo mudou, quando durante as pesquisas para realizar tal filme, o terrorista foi capturado e morto.

Longe de cunho políticos. Apenas fato sobre fato, atribuindo em posições estritamente pessoais de cada personagem ali descrito, suas parcelas de culpa. O filme tem um tom quase jornalístico. Patriotismo definitivamente não tem lugar aqui.
Com exceção talvez de algumas montagens e concepção de cenas que remontam a protagonista como a sombra da bandeira americana. 

Com longas e incômodas cenas de tortura o filme vem causando polemica, nos próprios cidadãos americanos- mais especificamente na política americana – por abordar o fato de os EUA utilizarem de torturas pesadas para conseguir informações sobre a al-Qaeda.
Muitas vezes durante a projeção, fica a duvida de quem é mais terrorista nesse sentido.

E aqui entra o trabalho de atuação fantástico de Jessica Chastain, que consegue imprimir todo o seu desgaste e obsessão em resolver o mistério do paradeiro de Bin Laden. Ela se entrega de tal maneira numa busca sem controle e com desgaste psicológico e emocional tal que causa uma simpatia imediata no espectador, e uma torcida por uma resolução valida para ela, independente de qual lado da trama se escolha ficar. Alias o personagem de Maya é o mais interessante ali, é o que tem mais destaque claro, mas  possui uma construção de persona que diz muito sobre a própria diretora e suas motivações aparentes por tal tema.

Para quem acompanha a serie Homeland, notara as semelhanças tanto na linguagem quanto no desenvolvimento da trama. Ainda que a semelhança entre as produções terminem ai. 

O filme inicia-se num inspirador plano negro, apenas com sons de ligações e de rádios, durante o ataque do 11 de setembro. É uma sequencia de quase 3 minutos, sem imagem alguma, apenas os sons de conversas dispersas que já trazem o tom do enredo.

Repleto de câmeras com planos longos e sequências rápidas, o filme ainda possui diálogos ágeis, por vezes difíceis de acompanhar, mas que prendem a atenção do inicio ao fim e são cruciais em cada silaba fala, em cada impostação para o desenrolar do enredo, mesmo que o espectador- o que é aconselhável- já possua certo embasamento sobre o assunto.

O clímax do filme traz uma eletrizante sequência de exatos 40 minutos, que nos leva ate a captura e morte de Bin Laden. Os exatos 40 minutos informados oficialmente pelo governo americano, que durou tal operação. A sequência utiliza câmeras infravermelhas, em tons esverdeados, ora com câmeras na mão, outras que lembram circuitos internos de câmeras de segurança. É de aplaudir de pé o esmero técnico com o que a diretora conduz essa sequência.

Alias não há como falar sobre A Hora Mais escura e não citar a falha- que muitos atribuem ter sido por questões meramente políticas- que deixaram de fora Kathryn Bigelow no posto de melhor direção no Oscar. Categoria essa que ela não só merecia estar indicada como merecia vencer. Uma pena realmente.
                         
Por fim, A Hora Mais Escura, que designa um termo militar para os momentos certos de se realizar um ataque; termina sua projeção num plano media no rosto de Maya, exalando todas as emoções que tal fato causam ate hoje no mundo inteiro.

Um belíssimo filme, um trabalho excepcional de direção que remontam um dos acontecimentos mais assombrosos da historia humana atual, e sua aparente resolução parcial.

São quase 3 horas de clareza e imersão que merece ser vista e discutida inúmeras vezes.

**Categorias no Oscar 2013: melhor edição, melhor edição de som, melhor roteiro original, melhor atriz (Jessica Chastain) e melhor filme.

Trailer




 Ficha Técnica

Diretor: Kathryn Bigelow
Elenco: Ricky Sekhon, Jessica Chastain, Joel Edgerton, Scott Adkins, Mark Strong, Jennifer Ehle, Chris Pratt, Taylor Kinney, Kyle Chandler, Édgar Ramírez, Harold Perrineau, Frank Grillo, Mark Duplass, Stephen Dillane, Jason Clarke, Lee Asquith-Coe, Fredric Lehne, Fares Fares, Callan Mulvey, Daniel Lapaine, Jessica Collins
Produção: Kathryn Bigelow, Mark Boal, Megan Ellison
Roteiro: Mark Boal
Fotografia: Greig Fraser
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama








quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Lista com os Indicados ao Oscar 2013




Hoje foram anunciados finalmente os indicados oficiais as principais categorias do Oscar 2013. Que ocorrera dia 24 de fevereiro.
Muitas surpresas e algumas obviedades inclusive consolidadas no post de Apostas aqui do Criticofilia que você pode relembrar aqui >> Apostas Oscar 2013
Talvez o que tenha mais surpreendido, tenha sido o filme Francês "Os Intocáveis  largamente elogiado mundialmente e dito como favorito para o premio de melhor filme estrangeiro, ter ficado de fora da disputa. E a menção da pequena Quvenzhané Wallis, que com apenas 6 anos de idade(a época que fez o filme) foi indicado a melhor atriz por sua atuação no filme "Indomável Sonhadora" que concorre também ao principal premio da noite; o de melhor filme. E a ausência de qualquer menção a Holy Motors em qualquer uma das Categorias.
Segue abaixo lista completa com todos os filmes e categorias anunciados hoje pela academia:



MELHOR FILME

"Indomável Sonhadora"
"O Lado Bom da Vida"
"Lincoln"
"A Hora Mais Escura"
"As Aventuras de Pi"
"Os Miseráveis"
"Amor"
"Django Livre"
"Argo"

MELHOR DIREÇÃO

Michael Haneke – “Amor”
Benh Zeitlin - “Indomável Sonhadora”
Ang Lee – “As Aventuras de Pi”
Steven Spielberg – “Lincoln
David O.Russell – “O Lado Bom da Vida”

MELHOR ATOR

Daniel Day Lewis - “Lincoln”
Denzel Washington - “Flight”
Hugh Jackman – “Os Miseráveis”
Bradley Cooper - “Silver Lining Playbook”
Joaquin Phoenix – “The Master”

MELHOR ATRIZ

Jessica Chastain – “A Hora Mais Escura”
Jennifer Lawrence – “O Lado Bom da Vida”
Emmanuelle Riva – “Amour”
Quvenzhané Wallis – “Indomável Sonhadora”
Naomi Watts – “O Impossível”

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz - "Django Livre"
Philip Seymour Hoffman - "The Master"
Robert De Niro – “O Lado Bom da Vida”
Alan Arkin – “Argo”
Tommy Lee Jones – “Lincoln”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Adams – “The Master”
Sally Field – “Lincoln”
Anne Hathaway – “Os Miseráveis”
Helen Hunt – “The Sessions”
Jacki Weaver – “O Lado Bom da Vida”


MELHOR ANIMAÇÃO

"Valente", de Mark Andrews e Brenda Chapman
"Frankenweenie", de Tim Burton
"Para Norman", de Sam Fell e Chris Butler
"Piratas Pirados", de Peter Lord
"Detona Ralph", de Rich Moore

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

“Amor” - Michael Haneke
"Django Livre” – Quentin Tarantino
“Flight” – John Gatins
“Moonrise Kingdom” – Wes Anderson e Roman Coppola
“A Hora Mais Escura” – Mark Boal

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

“Argo” – Chris Terrio
“Adorável Sonhadora” – Lucy Alibar e Benh Zeitlin
“As Aventuras de Pi” – David Magee
“Lincoln” – Tony Kushner
“O Lado Bom da Vida” – David O.Russell

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

"Amor"
"Kon-Tiki"
"No"
"O Amante da Rainha"
"War Witch"

MELHOR FIGURINO

“Anna Karenina” – Jacqueline Durran
“Os Miseráveis” – Paco Delgado
“Lincoln” – Joanna Johnston
“Espelho, Espelho Meu” – Eiko Ishioka
“Branca de Neve e o Caçador” – Colleen Atwood

MELHOR DOCUMENTÁRIO

“5 Broken Cameras”
“The Gatekeepers”
“How to Survive a Plage”
“The Invisible War”
“Searching for Sugar Man”

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM

“Inocente” – Sean Fine e Andrea Nix Fine
“Kings Point” – Sari Gilman e Jedd Wider
“Mondays at Racine” – Cynthia Wade e Robin Honan
“Open Heart” – Kief Davidson e Cori Shepherd Stern
“Redemption” – Jon Alpert e Matthew O’Neill

MELHOR MAQUIAGEM

“Hitchcock” – Howard Berger, Peter Montagna e Martin Samuel
“O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” – Peter Swords King, Rick Findlater e Tami Lane
“Os Miseráveis” – Lisa Westcott e Julie Dartnell


MELHOR EDIÇÃO

“Argo” – William Goldenberg
“As Aventuras de Pi” – Tim Squyres
“Lincoln” – Michael Kahn
“O Lado Bom da Vida” – Jay Cassidy e Crispin Struthers
“A Hora Mais Escura” – Dylan Tichenor e William Goldenberg

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Skyfall" - 007 - Operação Skyfall
“Everybody Needs a Best Friend” -  Ted
“Before My Time” - Chasing Ice
“Suddenly” - Os Miseráveis
“Pi’s Lullaby” - As Aventuras de Pi.


DESENHO DE PRODUÇÃO

Anna Karenina
O Hobbit
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln