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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Critica: Salmon Fishing in the Yemen (Amor Impossível)



Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor) é um cientista introvertido do Departamento de Pesca e Agricultura. Levando a vida pessoal e profissional calmamente, com um casamento estagnado, ele é subitamente jogado em um projeto criado pelo Sheike Muhammed (Amr Waked), obcecado com a pesca com mosca, que sonha com o impossível: introduzir a pesca do salmão no Yemen.
Mesmo desacreditando que isso possa ser possível, o Dr. Jones, motivado pela assistente do Sheike Muhammen, a bela Harriet (Emily Blunt) eles seguem em frente com o projeto milionário  enquanto a assessora de imprensa do Primeiro Ministro britânico, Patricia Maxwell (Kristin Scott Thomas) sai no encalço do projeto apoiando-o visando melhorar a imagem da Inglaterra nas relações internacionais com os Países do oriente médio.

Com essa premissa, o filme Salmon Fishing in the Yemen (Que recebeu o titulo de Amor Impossível no Brasil) pode ate parecer uma historia desconexa e água com açúcar, mas mesmo que sua condução realmente seja por essas vias, o que se entrega em tela, é um roteiro inventivo que surpreende pela originalidade, mas principalmente pelo toque de humor peculiar que emprega ao construir uma estrutura de relações humanas muito bem.

Com atuações medianas dentro da proposta do filme Emily Blunt e Ewan McGregor cumprem bem seu papel dentro da trama. Principalmente Ewan McGregor doando a seu Dr. Jones um sotaque e trejeitos maravilhosamente britânicos, desde seu humor peculiar, ate a sua sensibilidade e excessivo grau de educação aristocrática, e máxima vida regrada.

Uma ótima fotografia também e belas paisagens, em planos longos de contemplação também surgem ao longo da projeção. Mas o que chama a atenção aqui não é nada disso, nem mesmo a direção correta de Lasse Hallström; mas sim o seu roteiro, que consegue transformar uma historia improvável e quase absurda, que parece que jamais se sustentaria, e transforma-lo numa complexa construção de relações.

A todo instante, o espectador fica na duvida de quem deve ‘escolher’ torcer pelas formações de casais ali. O filme nos dá personagem distintos, mas igualmente ‘morais’ em relações mornas, frias e que são tão inconstantes que a única certeza que temos é de que, do jeito que esta não pode ficar.

O roteiro que é assinado por Simon Beaufoy, e adaptado do livro de Paul Torday (livro de mesmo nome) é repleto de mensagens de fé, perseverança, paciência, determinação que o filme compra e vende, e que serve de metáfora para a pesca e os peixes, o rio que corre, a migração do salmão pelas águas rio acima e tantos etc incontáveis para fazerem alusão a essa filosofia moral de auto ajuda. Porem sem parecer piegas ou forçado - salvo alguns momentos, dois ou três no máximo - e nem mesmo doutrinal. Realmente um roteiro original e inventivo. Com diálogos primorosos e extremamente ágeis e com coesão que se intercalam e se amarram lindamente ate o final. Sim, sabemos após o clímax qual sera o final pois não teria como não cair na obviedade, mas ainda assim ele segura a atenção e o interesse do espectador. realmente um deleite.

Alias nesse sentido, pode ate parecer “pecado”, mas o roteiro do filme assume ares 'Woodyanos' em seu tom pitoresco de ser.

O destaque fica pelas cômicas cenas trazidas pela aqui sensacional Kristin Scott Thomas e sua Patrícia. É hilário a comunicação dela com o ministro pastelão, e a forma como ela emprega s estereótipos do governo e da política nas cenas e que se contrapõe a sua vida pessoal com seus filhos. Um personagem divertidíssimo.

Um filme singular, que não possui nada de tão mais, mas definitivamente nada de menos.

 Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Lasse Hallström
Elenco: Emily Blunt, Ewan McGregor, Kristin Scott Thomas, Amr Waked, Catherine Steadman, Tom Mison, Steven Blake, Waleed Akhtar,
Produção: Paul Webster
Roteiro: Simon Beaufoy
Fotografia: Terry Stacey
Trilha Sonora: Dario Marianelli
Duração: 107 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos







Critica: O Impossivel



A história de uma família em meio ao tsunami que assolou o litoral da Tailândia, em 2004. Maria (Naomi Watts), Henry (Ewan McGregor) e seus três filhos iniciam suas férias na Tailândia em busca de alguns dias de sossego no paraíso tropical. Porém, na manhã de 26 de dezembro, enquanto a família relaxa na piscina depois das festividades de Natal, um terrível barulho surge do centro da terra, Colocando a família numa corrida contra o tempo para sobreviverem.

Originalmente, esta que conta uma historia baseada em fatos reais, a família principal é espanhola. Mas por algum motivo Juan Antonio Bayona (que já nos presenteou no passado com o excelente O Orfanato) resolveu transformar essa família espanhola, numa família Inglesa residente no Japão.
Somente essa escolha já denuncia o foco de Bayona para seu Longa O Impossível.

O impossível nada mais é do que mais um produto criado, realizado e focado em produzir lagrimas e mais lagrimas, comoção e mais comoção em quem o assiste. Ele se esconde através do artifício comum de emocionar e criar empatia no publico, para não revelar um enredo vazio, porem numa narrativa funcional. É o que o publico espera, é o que o publico amara.

O longa permeia as tentativas dessa família inglesa em sobreviver a maior tragédia que a Tailândia já recebeu.

Em dezembro de 2004, um terremoto de magnitude 9,1 na costa da província indonésia de Aceh desencadeou um tsunami no oceano Índico, que causou a morte de cerca de 226 mil pessoas na Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia e outros nove países.
E a família encabeçada por Maria e Henry, estavam entre as pessoas que sobreviveram a esse evento devastador.

Mas ao contrario do que se imaginava, ou se esperaria de um filme de tragédias reais, o longa não se preocupa em mostrar o tamanho da devastação em níveis sociais ou mesmo ambientais. Ele foca em mostrar apenas a devastação que permeia essa família em especifico.

Visualmente o filme é belíssimo, uma fotografia clara, com uma iluminação excelente, uns planos que nos faz emergir junto nas águas tenebrosas, uma edição corrida e brusca que aumenta a tensão e causa impacto ao nos mostrar quão impressionante é uma força da natureza assim recair sobre um ser humano. Mas é só isso.

O Roteiro apesar de lindíssimo e coeso, que se interliga ao longo da trama através de imagens, como a cena final por exemplo, repleta de signos, peca contudo, ao usar uma narrativa carregada de comoção e exageros de linguagem para induzir emoção. Ele foca totalmente na relação mãe e filho, a relação de Maria com o filho mais velho Lucas. O amor entre os dois que interliga tudo.
Não que tal tragédia não seja comovente e a luta de uma família em se reencontrar e se manter viva, não cause suspiros, porem são tantos artifícios impostos sucessivamente para nos induzir lagrimas, que o tom do filme fica carregado como um melodrama extremamente pesado e nada sutil. É um artifício que demonstra uma falta de conteúdo de enredo incrível. 
Uma pena.

Sim,  as atuações de Naomi Watts e Ewan McGregor, são excelentes. Eles carregam o filme numa segurança tremenda. Mesmo que o núcleo se feche apenas a eles sem coadjuvantes em nenhum momento, eles conseguem segurar o arco dramático exclusivo entre eles muito bem. Principalmente Naomi que se doa de tal maneira ao papel que impressiona.

Tom Holland que interpreta Lucas; filho mais velho do casal é a grande surpresa do elenco. Mesmo com toda a doação impressionante de Naomi, Tom e seu Lucas que brilham em tela, pelo amadurecimento que ele transparece em seu papel. A Atuação dele é tão consistente que não seria absurdo dizer que ele promete bons feitos futuramente.

A Maquiagem do filme surge estupenda, a um nível que chega a chocar pela crueza que escolheram caracterizar os ferimentos e a devastação física de tal tragédia em seus personagens. As feridas de Naomi surgem com tal realidade que mesmo que ela não demonstrasse nada, o espectador já sentiria dor e compadecimento por ela.

Sim, é um filme feito para emocionar que abusa de artifícios emocionais e um drama carregado que te faz chorar e ficar apreensivo a cada 10 minutos de projeção.
Mas para o bem ou para o mal: funciona. E é isso que parece importar.

Ao final, não importa as falhas ou o vazio que a trama possui em ser algo a mais do que um engradado de lagrimas emotivas. O Impossível é um filme grande, bem feito, bonito, que foge da realidade cruel que foi aquela tragédia, mas que funciona no final. Atende as expectativas de quem vai ate ele.

Impossível não chorar ou não se emocionar com ele. Munido de lenços e total despretensão de ver um filme profundo, vale o ingresso. 

 Trailer


Ficha técnica

Diretor: Juan Antonio Bayona
Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Russell Geoffrey Banks, Marta Etura, Geraldine Chaplin, Sönke Nöhring,
Produção: Belén Atienza, Álvaro Augustín, Enrique López Lavigne, Ghislain Barrois
Roteiro: Sergio G. Sánchez
Fotografia: Óscar Faura
Trilha Sonora: Fernando Velázquez
Duração: 107 min.
Ano: 2011
País: Espanha/ EUA
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos