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domingo, 13 de janeiro de 2013

Critica: A Hora Mais Escura ( Zero Dark Thirty )


Filme sobre a caça e execução do terrorista saudita Osama Bin Laden (Ricky Sekhon) por soldados americanos no Paquistão, em maio de 2011.



Osama bin Mohammed bin Awad bin Laden, mais conhecido como Osama bin Laden, foi um líder e fundador da al-Qaeda, organização terrorista à qual são atribuídos vários atentados contra alvos civis e militares dos Estados Unidos e seus aliados, dentre os quais os ataques de 11 de setembro de 2001. 
Procurado havia pelo menos dez anos pelos EUA, Bin Laden era considerado o mentor dos atentados de 11 de Setembro de 2001, que derrubaram as Torres Gêmeas em Nova York, atingiram o Pentágono e deixaram cerca de 3.000 mortos.
Os ataques levaram à invasão do Iraque e do Afeganistão por tropas lideradas pelos EUA, no que ficou conhecido como "guerra ao terror".

Em 2 de maio de 2011 autoridades dos Estados Unidos divulgaram que Bin Laden teria sido capturado e morto em um esconderijo nos arredores de Abbottabad durante uma operação secreta realizada por forças da Joint Special Operations Command em conjunção com a CIA e o governo paquistanês, que colaborou para a localização do paradeiro do terrorista.

“A Hora Mais Escura”, novo filme da diretora Kathryn Bigelow, conta detalhes sobre essa operação secreta que culminou na morte de um dos homens mais procurados do mundo.

O resultado, é uma obra superior a anterior de Bigelow (Guerra Ao terror), que vai além de suas próprias possíveis limitações, e condensa-se num filme denso, repleto de tensão e tamanha crueza e detalhes nos fatos narrados, tornando-se uma digna obra prima que subverte qualquer conceito pré estabelecido de ser apenas mais um filme patriota norte americano.

Kathryn Bigelow, numa direção segura, repleta de cuidados quanto sua narrativa, nos entrega um filme estruturalmente eficaz e coeso e uma trama que surpreende por contar detalhes ínfimos sobre as operações especiais da Cia.

O trabalho de pesquisa da produção do filme levou nada mais nada menos que longos 9 anos. Onde foi decupada cada informação acerca de manejos sobre operações de tal calibre. Mas A Hora Mais Escura não se limita a apenas mostrar os fatos que culminaram na morte de Bin Laden. 
Não se limita em demonstrar uma saga de vitoria americana. 
Muito pelo contrario.
O filme tem um tom muito mais de Causa e Consequência, do que ode pela justiça.

Com ares episódicos, quase como se fosse um filme relatório, o filme traça um panorama do pais EUA em paralelo com os países Islâmicos, onde entre culpa e vitimizações vão alem da política de tais países. Isso fica claro, quando num dialogo distinto, a personagem de Jessica Chastain, Maya, uma agente da Cia especializada em pesquisar o paradeiro de Bin Laden, diz durante uma reunião em resposta a um comentário de um de seus colegas sobre pistas quanto ao paradeiro de Bin Laden : 

“nós acreditamos que ele (Bin Laden) não alterou suas táticas de segurança.”; 
ao que Maya retruca: 
“Nos atacamos o Afeganistão. Essa é a razão”. 

Apenas essa passagem demonstra o tratamento que diretora e roteirista escolheram tratar o assunto.

É importante salientar que Bigelow e Boal (roteirista) visavam retratar o fracasso americano nas investigações. Porem tudo mudou, quando durante as pesquisas para realizar tal filme, o terrorista foi capturado e morto.

Longe de cunho políticos. Apenas fato sobre fato, atribuindo em posições estritamente pessoais de cada personagem ali descrito, suas parcelas de culpa. O filme tem um tom quase jornalístico. Patriotismo definitivamente não tem lugar aqui.
Com exceção talvez de algumas montagens e concepção de cenas que remontam a protagonista como a sombra da bandeira americana. 

Com longas e incômodas cenas de tortura o filme vem causando polemica, nos próprios cidadãos americanos- mais especificamente na política americana – por abordar o fato de os EUA utilizarem de torturas pesadas para conseguir informações sobre a al-Qaeda.
Muitas vezes durante a projeção, fica a duvida de quem é mais terrorista nesse sentido.

E aqui entra o trabalho de atuação fantástico de Jessica Chastain, que consegue imprimir todo o seu desgaste e obsessão em resolver o mistério do paradeiro de Bin Laden. Ela se entrega de tal maneira numa busca sem controle e com desgaste psicológico e emocional tal que causa uma simpatia imediata no espectador, e uma torcida por uma resolução valida para ela, independente de qual lado da trama se escolha ficar. Alias o personagem de Maya é o mais interessante ali, é o que tem mais destaque claro, mas  possui uma construção de persona que diz muito sobre a própria diretora e suas motivações aparentes por tal tema.

Para quem acompanha a serie Homeland, notara as semelhanças tanto na linguagem quanto no desenvolvimento da trama. Ainda que a semelhança entre as produções terminem ai. 

O filme inicia-se num inspirador plano negro, apenas com sons de ligações e de rádios, durante o ataque do 11 de setembro. É uma sequencia de quase 3 minutos, sem imagem alguma, apenas os sons de conversas dispersas que já trazem o tom do enredo.

Repleto de câmeras com planos longos e sequências rápidas, o filme ainda possui diálogos ágeis, por vezes difíceis de acompanhar, mas que prendem a atenção do inicio ao fim e são cruciais em cada silaba fala, em cada impostação para o desenrolar do enredo, mesmo que o espectador- o que é aconselhável- já possua certo embasamento sobre o assunto.

O clímax do filme traz uma eletrizante sequência de exatos 40 minutos, que nos leva ate a captura e morte de Bin Laden. Os exatos 40 minutos informados oficialmente pelo governo americano, que durou tal operação. A sequência utiliza câmeras infravermelhas, em tons esverdeados, ora com câmeras na mão, outras que lembram circuitos internos de câmeras de segurança. É de aplaudir de pé o esmero técnico com o que a diretora conduz essa sequência.

Alias não há como falar sobre A Hora Mais escura e não citar a falha- que muitos atribuem ter sido por questões meramente políticas- que deixaram de fora Kathryn Bigelow no posto de melhor direção no Oscar. Categoria essa que ela não só merecia estar indicada como merecia vencer. Uma pena realmente.
                         
Por fim, A Hora Mais Escura, que designa um termo militar para os momentos certos de se realizar um ataque; termina sua projeção num plano media no rosto de Maya, exalando todas as emoções que tal fato causam ate hoje no mundo inteiro.

Um belíssimo filme, um trabalho excepcional de direção que remontam um dos acontecimentos mais assombrosos da historia humana atual, e sua aparente resolução parcial.

São quase 3 horas de clareza e imersão que merece ser vista e discutida inúmeras vezes.

**Categorias no Oscar 2013: melhor edição, melhor edição de som, melhor roteiro original, melhor atriz (Jessica Chastain) e melhor filme.

Trailer




 Ficha Técnica

Diretor: Kathryn Bigelow
Elenco: Ricky Sekhon, Jessica Chastain, Joel Edgerton, Scott Adkins, Mark Strong, Jennifer Ehle, Chris Pratt, Taylor Kinney, Kyle Chandler, Édgar Ramírez, Harold Perrineau, Frank Grillo, Mark Duplass, Stephen Dillane, Jason Clarke, Lee Asquith-Coe, Fredric Lehne, Fares Fares, Callan Mulvey, Daniel Lapaine, Jessica Collins
Produção: Kathryn Bigelow, Mark Boal, Megan Ellison
Roteiro: Mark Boal
Fotografia: Greig Fraser
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama








sábado, 12 de janeiro de 2013

Critica: Django Livre ( Django Unchained )



Django (Jamie Foxx) é um escravo, comprado pelo caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz) para auxiliá-lo em uma missão. A dupla acaba fazendo amizade e, após resolver os problemas do caçador, parte em busca por Broomhilda (Kerry Washington), esposa de Django. Para isso, eles devem enfrentar o vilão Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), proprietário da escrava.

Django Unchained (Django Livre no Brasil), é o mais recente filme de Quentin Tarantino, que concorre ao Oscar 2013 de melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (para Christoph Waltz). Repleto de Humor acido, e com uma veia Tarantinesca latente, Tarantino repete formula de sangue e violência para contar uma saga que pretende ser de superação contra a opressão bem ao seu modo de ser.

Logo no inicio da projeção, Tarantino nos conduz por uma introdução que remonta aos clássicos filmes de faroeste. Numa montagem dinâmica que lembra aberturas de seriados antigos, aliado a uma trilha totalmente western que vai nos apresentando aos poucos o ambiente ao qual seremos levados por longas duas horas e quarenta de película.

Com diálogos rápidos e bem caricatos, Django Livre vai recriando um faroeste inventivo e inspirador com uma narrativa sóbria porem numa condução cômica latente.

A edição que por vezes incomoda por ser ágil demais, e possuir cortes secos tanto nas cenas de transição quanto na trilha sonora que é bruscamente modificada, nada mais é do que um artifício para levar o espectador a um lugar cômodo, onde piadas racistas e fascistas dão lugar a um dado momento na historia recriado para entreter e ser apreciado. Mas ele vai alem.

Tarantino remonta uma época inexistente. Ele altera a historia americana de acordo com sua vontade e cria uma realidade própria, tal qual ele fizera em “Bastardos Inglórios”, mas sem o artifício da critica social e humana. 

O diretor parece focar seus últimos trabalhos na vingança. E aqui não é diferente. Django Livre nada mais é do que uma retratação pela visão de Tarantino de como uma vingança na historia deveria ocorrer. Se em Inglórios eram os Judeus se vingando dos alemães; e em Kill Bill era a força feminina contra a opressão masculina  Aqui são os escravos negros voltando-se contra seus patrões brancos. 
Essa seria a lógica, correto? Essa é a expectativa. Essa parecia ser a intenção. Mas Não para o diretor.

Django Livre cria sem medo ou pudor algum um anti-herói negro capaz das mesmas perversidades de seus dominadores senhores brancos. Um negro orgulhoso que não mede esforços para atingir seus objetivos. 
Pouco importa sua condição e seus irmãos de escravidão. Para ele a cor da pele não importa- o que de certa forma o torna um ser humano muito mais coerente do que qualquer outro personagem com relação à igualdade social e racial a principio apenas-. O que importa é sua sobrevivência e as condições rumo a sua meta: ganhar a liberdade de sua esposa.

Em Django Livre não há heróis – talvez a figura mais icônica e “bondosa”, ou correta esteja no Dr. Schultz – vivido pelo ator Christoph Waltz, num papel inventivo repleto de trejeitos em sua fala, que beira a hilaridade-, que demonstra uma sincera repugnância a escravidão. Ou melhor: a crueldade com que é tratada a situação. Porem, mesmo ele, demonstra ter um senso de moral duvidosa, ao nunca pensar duas vezes ao matar algum procurado pela justiça, apenas visando sua recompensa. Todos os personagens possuem uma frieza latente em seus atos.

Leonardo DiCaprio surge seguro e interessante em seu papel de vilão como o sanguinário Sr. Calvin Candie. Suas falas e seu olhar, suas pausas criam um personagem instigante, misterioso e extremamente cruel.
Mas é de Jamie Foxx e seu Django, e de Samuel L. Jackson e seu detestável chefe dos escravos de CandieLand, Stephen, o brilhantismo em termos de atuação. Foxx surge como um protagonista versátil, dotando a seu personagem uma figura grandiosa, visível, mas sem conduto ser o centro das atenções. E Samuel criou uma persona repugnante, que surge a principio como um velho empregado senhorial, repleto de vícios de costumes, mas que esconde no olhar uma perversidade talvez maior do que a de seu próprio “sinhô”. Isto é visto na cena primorosa em que ele surge sentado numa poltrona conversando com seu senhor e tomando uma dose de conhaque.

Quentin Tarantino é visto como um dos diretores mais conceituados e mais promissores do cinema atual. E não por acaso, uma vez que ele demonstra ter a inventividade e desejo jovem de investigar e testar gêneros cinematográficos atrás de uma formula assertiva sem medos, mas ao mesmo tempo, demonstrando em suas referencias fílmicas e históricas, todo um amadurecimento de um diretor que sabe o publico que tem e mais que isso: entende a indústria como poucos hoje em dia.

Isso fica claro em passagens como a icônica cena em que o Dr. King Schultz conta para Django a historia da origem do nome de Broomhilda. Shultz surge sentado numa pedra elevada, enquanto Django senta-se no chão atento a historia, e o Doutor parte numa narrativa rápida e resumida na antiga lenda nórdica enquanto à luz da fogueira entre eles produzem sombras difusas na pedra atrás do Doutor, nos dando a sensação de que a qualquer momento surgirão gravuras para ajudar a contar a historia.

O filme vai do faroeste americano ate a menções a Grécia Antiga, numa naturalidade e coerência incrível.
Como na cena em que a dublê Zoë Bell aparece bem rapidamente. Ela olha por um daqueles binóculos de plástico com fotografias dentro, vê uma foto que parece mais com uma gravura em 3D do que parecem ser Dois caubóis diante do Parthenon. 
Dentro do contexto do enredo do filme isso não faz sentido algum. Mas quando se lembra que é um filme Tarantinesco, a cena se torna esplêndida, pelo simples fato de compor com mais segurando a narrativa escolhida para contar tal saga sarcástica e improvável.

Mas nem tudo é correto.

Justamente por entender a industria como poucos e possuir uma vasta bagagem pop; Tarantino utiliza sua licença poética como realizador para remodelar e criar um universo único e próprio  E é dentro deste universo banhado a sangue, palavrões, transgressões e referencias cinematográficas que ele fez sua marca transformando seu nome, quase num adjetivo, e que por vezes se perde diante de tal vastidão.

O filme possui erros de montagem e de roteiro muitas vezes quando escolhe abusar de artifícios linguísticos.
Tarantino parece ter abocanhado um peixe maior do que consegue aguentar. Não chega a abandonar o barco e deixa-lo a mercê, mas o barco balança perigosamente muitas vezes.

Mas o  problema maior de Django Livre esta na construção de um personagem que surge na narrativa como coadjuvante  mesmo que dê nome ao titulo do longa. Django tem apenas uma perspectiva e um interesse: a esposa. E nada que esteja em seu caminho lhe interessa de fato. Ele não mede esforços para isso, nem mesmo exita em desconstruir toda uma moral duvidosa ou ética para isso.

Django surge como um anti-herói que em seu saldo final nada mais é do que mais um negro transformado em branco. Suas ações não devem em nada para qualquer monstruosidade branca mostrada em tela, diante de seus "irmãos negros". não ha heroísmo de fato. E isso se comprova no olhares dos próprios negros diante dele. ha medo no olhar. e isso é uma falha não só na construção do personagem que assim surge vazio, como também demonstra um tratamento que modifica todo o argumento do roteiro inteiro.

Ele não é um protagonista pró-ativo. Diante de nossos olhos, Django vai demonstrando a unica certeza que se retira do longa: que o negro ali só vencerá ou sera respeitado se agir e for igual a seus opressores. É a lei do mais forte que impera a projeção inteira.

Ao contrario do que vimos em Bastardos Inglórios, aqui em Django Livre, não ha real justificativa ou sentido na trama para chama-lo de uma vingança histórica de ordem natural, como a premissa aguardada prometia ou fazia parecer ser. A critica a escravidão proposta no roteiro se perde a partir do momento que tais agressões e torturas mostradas perde sentido de existirem na narrativa. Independente se é a crueza como de fato existiu, que mesmo a época não havia sentido para tais atos, num filme, num roteiro, tais atos precisam dar significado a narrativa. E como seu suposto herói não assume o papel de vingador ou o papel de redentor, diante daquele sistema imposto em nenhum momento, seja objetivamente ou a longo prazo, elas surgem dispersas e sem motivo algum de estarem ali.

Não por acaso a vingança de fato que move o filme inteiro, venha e surja na figura do Dr. Schultz e não de Django. E Isso é um erro tremendo, que só comprova o que se afirma no final da projeção: este é um filme feito exclusivamente do diretor para admiradores e fãs Tarantinescos. Ponto.

Este é também um dos filmes mais sangrentos de sua carreira. Mais ate do que ‘Kill Bill’. Apesar de aqui o artifício do sangue não ser usado a todo instante com o simples motivo de compor cenas cômicas. A sequência do clímax do filme é o maior deslize de toda a projeção. Visualmente impecável, narrativamente dispensável. Quase se pode ouvir em tal cena o diretor com as mãos erguidas gritando e pulando “sangue! Sangue! mais sangue!” de tamanha falta de senso que a cena adquiriu.

Visualmente o filme é impecável, com um tom a La Spaghetti, o Western Django Livre, utiliza ora câmeras em panorâmicas e travellings de contemplação nas belas paisagens, e ora zoom's exageradamente rápidas. 
Sua fotografia repleta de tons avermelhados e alaranjados, tem um cuidado de delineamento plausível. Tornando a experiência interessante visualmente.

Mas não há como deixar de falar sobre Django Livre e não citar sua trilha sonora que nos brinda com batidas do rapper Tupac e o rei do soul James Brown, ate baladinhas tipicamente provindas do faroeste americano. Outra marca de Tarantino: Compreender a arte sonoramente. Um primor.

O primeiro passo para se compreender antes de ir ate o cinema assistir a Django Livre, é lembrar que se esta entrando no mundo de Tarantino. Onde sua mente e suas opiniões é que ditam as regras. Django nada mais é do que um filme de humor adulto, repleto de referencias ao cinema, principalmente os da década de 20, que visa entreter. Mesmo que causa uma reflexão mais profunda, acerca de seu papel quanto a critica social, após sua exibição. 
A intenção é clara: é um Tarantino voltando aos tempos estéticos de ‘Um Drink no Inferno’ – inclusive com sua icônica participação especial em dado momento, numa atuação bem pastelão- mas com características de direção e visão vindas desde ‘Bastardos Inglórios’ quanto ao tipo de linguagem a ser usada.

Visando ser um filme ora serio e ora cômico, ora critico e ora fantástico, é talvez um hibrido de gêneros, que muitos verão como um retalho de copias. Mas que na realidade é um retalho de copias em forma de parodia. 
E isso faz toda a diferença.

Mas não justifica - dessa vez - um filme que tem um único proposito: ser mais um.

Um filme Grandioso, épico, ousado - muito ousado-, controverso, divertido - talvez o mais divertido de toda a carreira do diretor- e que merece ser vistos varias vezes sim. 
Seja para identificar cada detalhe sórdido de Quentin – como os ataques dos mascarados brancos ( que lembra bastantes a seita racista Ku-Klux-Klan, numa clara critica do diretor)  –; ou apenas para rir de seu humor negro latente banhado a sangue e palavrões. Mas que não é nada mais que isso: Um Filme.

Afinal, estamos falando de Tarantino, e nada que ninguém diga irá fazer seu filme não ultrapassar os 7 mares em seu nome e em volta de seu nome.
Um deleite feito sob medida para seus admiradores, e para seus questionadores também. Entre controvérsias e polemicas ele com certeza seguira rendendo discussões.

Ao final, entre aplausos ou vaias, fica de Sergio Leone talvez, a sentença final.

Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Quentin Tarantino
Elenco: Leonardo DiCaprio, Sacha Baron Cohen, Joseph Gordon-Levitt, Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Christoph Waltz, Jamie Foxx, Kerry Washington, Walton Goggins, James Remar, Don Johnson, Anthony LaPaglia, Tom Savini, James Russo,
Produção: Reginald Hudlin, Pilar Savone, Stacey Sher, Harvey Weinstein
Roteiro: Quentin Tarantino
Fotografia: Robert Richardson
Trilha Sonora: Mary Ramos
Duração: 165 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Faroeste











Critica: Kon-Tiki




Tiki era o nome do povo milenar que habitava a Polinésia.

Em 1947, Uma expedição Norueguesa, parte pelo pacifico afim de provar a teoria proposta pelo historiador Thor Heyerdahl (Pal Sverre Valheim Hagen), de que a Polinésia havia sido povoada por descendentes Peruanos e não por asiáticos como se acreditava à época.

Para isso, ele na companhia de mais 5 homens, resolvem provar sua teoria construindo uma jangada tal qual se fazia a 1500 anos atrás, e se lançar ao mar, provando que tal embarcação resistia a travessia entre os dois continentes e que por isso sua teoria estava correta.

O filme que conta com direção de Joachim Rønning e Espen Sandberg, narra de forma poética e épica esta trama, que por mais fabulesca que pareça ocorreu de verdade. É baseado em fatos reais.
Contando com uma produção ousada e grandiosa, o filme possui uma fotografia espetacular, em tons claros, viva que lembra o tom épico tratado pelo cinema europeu e americano para obras assim.

O roteiro bem composto peca porem ao doar uma idolatria por vezes exacerbada demais ao 6 viajantes. Eles são caracterizados como homens destemidos, passiveis de erros e falhas. São sempre nos mostrado como homens valorosos e corajosos, com inteligencia e determinação. Compreensível dada a importância do fato histórico para o pais, mas no filme a ideia recai na monotonia que incomoda.

Com total ausência de arco dramático, como por exemplo algum conflito valido alem do obvio de saber se a estrutura da jangada suportaria ou não a jornada, a narrativa ainda se utiliza de uma trama paralela de romance entre Thor e sua esposa que não funciona. Não há motivos para estar ali. Tanto que sua resolução se apresenta tão errada que é difícil não se entristecer por algo tão falho estar ali quase destruindo um trabalho tão primoroso. Falta emoção ou identificação.

As atuações são moderadas mas corretas do inicio ao fim.

No inicio, ha uma subtrama - que faz um gancho com o romance de Thor e sua esposa- no qual o roteiro nos mostra as possíveis ambições e motivações de Thor em provar sua teoria. Logo no incio Thor ainda criança demonstra um desejo latente de subverter regras e de ir alem dos limites, sem se preocupar com o medo. Alias aqui entra um detalhe interessante no roteiro acerca do personagem: ela não sabe nadar. 

O filme retrata a luta eterna do Homem contra a força da natureza. A mesma força que salva é a que pode destruir. Mostra o Homem tão pequeno diante da imensidão de um planeta inteiro.

Pois sim, Kon-Tiki é grandioso. Possui uma trilha sonora coesa, diálogos assertivo e uma qualidade técnica invejável. Mas esta longe de ser uma obra prima para o gênero. Sua valia esta em remontar as antigas jornadas marítimas de forma inventiva em sua linguagem sem enrolação.
O trabalho de caracterização também é excelente, e ao longo da projeção a maquiagem faz um trabalho bem feito de tornar os personagens a cada dia mais exaustos, magros, sujos e queimados pelo sol, devido ao sal do mar e aos dias e noites longas de perigo eminente.

Com efeitos visuais e especiais de ponta o filme ainda surpreende ao ter um átimo de inspiração e criar uma montagem de um plano longo que vai do azul do fundo do mar do pacifico ate a mais longínqua estrela do universo e voltar para o mar, nos dando a sensação exata de como tal aventura foi perigosa, ousada e grandiosa tal qual o filme que a resgatou.

Ao longo da viagem Thor com o auxílio de uma câmera de mão, registra a viagem, ao qual se tornou um documentário vastamente comentado à época e premiado, conseguindo vencer o Oscar de Melhor Documentário de 1951.

Alias esse ponto é um detalhe crucial para fazer do filme um deleite aos olhos. Todas a cenas em que um dos tripulantes surge com a câmera antiga nas mãos para registrar sua jornada, o filme utiliza efeitos visuais que intercalam montagens em preto e branco da expedição/documentário original e real de 1947. Introduzindo na sonoplastia sons característicos dessas câmeras antigas. Um deleite a parte e uma ideia inspirada dos diretores.

Mas é de seu clímax que fica o maior mérito de Kon-Tiki. Numa sequência repleta de tensão e adrenalina que leva o espectador a ponta da cadeira, mesmo já sabendo a resolução que terá, numa edição ágil com planos difusos muito bem conduzidos.

O filme esta concorrendo ao Oscar  2013 de Melhor Filme Estrangeiro. Não merece vencer tal categoria, mas merece sim estar entre os indicados. Pela ousadia de nos entregar um filme bem produzido e gostoso de se apreciar.


Trailer




Ficha Técnica 

Diretor: Joachim Rønning, Espen Sandberg
Elenco: Pål Sverre Valheim Hagen, Anders Baasmo Christiansen, Gustaf Skarsgård, Odd Magnus Williamson, Tobias Santelmann, Jakob Oftebro, Agnes Kittelsen,
Produção: Aage Aaberge, Jeremy Thomas
Roteiro: Petter Skavlan, Allan Scott
Fotografia: Geir Hartly Andreassen
Trilha Sonora: Johan Söderqvist
Duração: 118 min.
Ano: 2012
País: Reino Unido, Noruega, Dinamarca
Gênero: Aventura







Critica: A Feiticeira da Guerra ( Rebelle )




Em algum lugar da África Central, Komona (Rachel Mwanza) é uma adolescente de 14 anos, grávida. Ela conta a seu filho, ainda no ventre, a história de sua vida em meio à guerra, desde que foi raptada pelo exército rebelde, aos 12 anos.

Com essa premissa o filme inicia uma saga envolta em miséria, violência, caos e tristeza do inicio ao fim, num ambiente inóspito de uma vida sofrida e que pode muito bem ser a realidade de centenas de Komona sem face ou nome.

Logo na primeira sequência o diretor Kim Nguyen, demonstra que não quer que sua Obra “Rebelle”(no Brasil; “A Feiticeira da Guerra”) se torne um ode ao terror e uma critica essencialmente social a guerra. O filme parece focar na ideia do que tais ações produzem na vida de seus cidadãos e como tais “rebeldes” ditos e vistos como vilões sem futuro ou humanidade, são mais vitimas de um sistema tenebroso do que realmente vilões por escolha.

Com narração em off Komona, interpretada pela jovem atriz Rachel Mwanza que sustenta seu papel pesado de maneira natural e muito interessante; surge narrando como se fosse uma leitura de uma espécie de diário, sua vida desde que foi capturada pelos rebeldes em sua aldeia, forçada a lutar ao lado deles numa guerra sem nome e sem real sentido para ela- ou para nos espectadores-. Qual guerra que esta sendo retratada não é importante ali. 
Ou melhor: A guerra maior esta entre ela Komona e a vida. Sua sobrevivência.

Ela narra sua historia para seu filho ainda em sua barriga, afim dele entender plenamente o que causou sua vinda a este mundo e quem ela realmente foi antes dele nascer.
O filme então nos leva a captura violenta e aterrorizante de Komona onde ela é obrigada a matar seus próprios pais, com apenas 12 anos de idade. Ali ela já conhece um dos rebeldes, o Mágico, um garoto negro albino poucos anos mais velho que ela, que lidera os rebeldes soldados e tem ares místicos, na crença deles de que ele tem poderes de proteção.

O roteiro que tem uma estrutura solida, pouco antes do segundo ato de projeção já nos mostra a crueldade física e emocional e psicológica com o qual tais crianças são forçadas a estar. Seja no manuseio de armas de fogo que são ensinadas a idolatrar como se fossem seus novos pais, ou seja, pela narração de komona numa monotonia alarmante, contando sobre suas dores, espancamentos, lagrimas e submissão a drogas alucinógenas. Não há distinção de soldado mulher ou homem. Todos são tratados da mesma maneira.

O titulo – no Brasil – se refere a uma característica/crença que adotam com relação a Komona, quando ela se torna a única sobrevivente em batalha dos ‘irmãos’ capturados de sua aldeia. Sempre que ela é submetida a seiva de uma arvore, com a qual os rebeldes drogam as crianças, ela tem visões de espíritos e fantasmas que lhe alertam sobre o perigo, lhe salvando assim muitas vezes de levar uma bala na cabeça. Por conta disso os rebeldes e o líder deles “o Grande Tigre” elevam Komona como uma feiticeira. Eles creem que ela tem contato com forças sobrenaturais que os ajudaram a vencer a guerra.

No meio da narrativa Komona naturalmente se apaixona por Mágico e estes fogem juntos para tentarem ter uma vida normal. A partir daqui, qualquer coisa contada a mais sobre o filme estragaria a experiência instigante e incômoda porem bela de A Feiticeira da Guerra.

O filme utiliza-se de montagens  rápidas, na maioria das vezes com planos baixos e abertos, numa fotografia clara, mas que demonstra sua delicadeza nas cenas dos fantasmas. Alias a maneira que escolheram caracterizar tais ‘aparições’ é bem interessante. Ainda conta com uma trilha sonora delicada que em certos momentos ajudam a compor o cenário agridoce, quase bucólico da projeção.

Mas é interessante como o enredo, utiliza o artificio de abrandar a narrativa de maneira agridoce, inserindo uma saga momentânea de busca por uma Galo Branco. Essa escolha da direção é um acerto tremendo, e que diz muito sobre cada um dos personagens envolvidos ali.

A Feiticeira da Guerra promove uma reflexão dura sobre os efeitos da violência imposta em pessoas que passam de vitimas a vilões, sem ter escolha de mudar seus destinos. Komona é um exemplo disso. Ela vai perdendo o brilho da infância em apenas 3 anos que decorrem do inicio do longa ate seu final. 

Conseguimos enxergar a criança na voz e em alguns momentos raros de riso nervoso. Mas o olhar revela uma mulher sofrida que tenta resgatar e segurar uma esperança vazia que nem ela mesma mais sabe se existe ou se não passa de uma feitiçaria inventada por séculos de desilusões e condenações simplesmente por nascer.

O filme é triste, chocante, pesado, mas necessário. A direção segura, sem muita inventividade é verdade de Kim, criou um filme grande e simples que merece ter sua devida atenção. 

Não só a de estar entre os indicados a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2013 como esta, mas a atenção de uma realidade viva entre as florestas, armas, sangue e crenças perdidas ao redor do mundo. seja em plena guerra nacional ou nas guerras cotidianas da esquina e dos becos de nossos próprios bairros.
Quantas "Feiticeiras" e "Mágicos" não existem por ai? Através da Janela de nossas casas?

E é com Kim Nguyen e Rachel Mwanza que esta a resposta.

 Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Kim Nguyen
Elenco: Rachel Mwanza, Alain Lino Mic Eli Bastien, Serge Kanyinda, Mizinga Mwinga, Ralph Prosper, Jean Kabuya, Diane Uwamahoro, Jupiter Bokondji, Starlette Mathata,
Produção: Pierre Even, Marie-Claude Poulin
Roteiro: Kim Nguyen
Fotografia: Nicolas Bolduc
Duração: 90 min.
Ano: 2012
País: Canadá
Gênero: Drama










sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Critica: Linconl



Dois soldados negros conversam com o presidente Lincoln sobre suas experiências de guerra, enquanto um deles revela tramas sobre tratamentos diferenciados na União. Dois soldados brancos se unem a eles pouco tempo depois. E entre um tom humorado e simpático de Lincoln o cabo negro se afasta recitando as últimas frases do Discurso de Gettysburg. 

Essa é a cena de abertura de Lincoln novo filme de Steven Spielberg que concorre ao Oscar de Melhor Fotografia, Figurino, Diretor, Edição, Trilha Sonora, Efeito Sonoro, Filme, Roteiro Adaptado, Atriz Coadjuvante (Sally Field), Ator Coadjuvante (Tommy Lee Jones), Ator (Daniel Day-Lewis) e Direção de Arte.
   
Cinebiografia, do 16º presidente norte-americano que liderou o Norte dos Estados Unidos na vitória durante a Guerra Civil.  O longa enfatiza os tumultuados meses finais do presidente no cargo. Em um país dividido pela guerra e varrido por fortes ventos de mudança, Lincoln (Daniel Day-Lewis) segue estratégia para encerrar a guerra, unir o país e abolir a escravatura. Com coragem moral e determinação férrea de vencer, suas escolhas nesse momento crítico mudarão o destino das gerações futuras.
Essa é a premissa de um filme que nasceu para o Oscar. Mas...
  
O filme conta com um roteiro meticuloso, repleto de diálogos eloquentes e exasperados, rápidos que conduzem o espectador pela historia americana de uma maneira mais saudosista do que realmente educativa.
Fatos históricos são levianos aos olhos de Spielberg que escolheu mostrar um presidente carismático e extremamente humano, sem dar muita importância a historia do país realmente. O filme, não o personagem. 

O patriotismo é latente em cada cena, desde a direção de arte onde mulheres aristocratas surgem com as cores vermelho e azul da bandeira americana, ate a trechos entre as falas em alguns momentos com palavras contidas no hino nacional americano. É mais um ode aos EUA mas que peca quase absurdamente e de maneira absurda no tratamento que dão aos negros ali retratados. Os negros aparecem passivamente diante da própria luta pela liberdade e fim da escravidão. 
  
A sensação que fica é que o filme demonstra a bondade social dos brancos com relação a essa ação humanitária e econômica pratica de constituir a abolição. Os negros em questão não assumem papel direto ou mesmo indireto em nada. Só estão La para compor elenco. E isso é imperdoável. 
                                         
A rara exceção é o trabalho fantástico mesmo que momentâneo da Sra. Keckley interpretada pela atriz Gloria Reuben; que foi uma das costureiras negras mais famosas da historia, que com sua habilidade e talento se tornou a costureira oficial da Sra. Lincoln primeira dama dos EUA, e que com seu oficio conseguiu comprar sua liberdade e de seu filho.
A atriz demonstra uma sobriedade; numa ansiedade contida, entre a amargura e sofrimento e medo muito interessantes.
  
O figurino é um primor a parte durante o longa. Vestimentas ousadas e bem demarcadas e caracterizadas.
Mas falhas de visão e tratamento de enredo de lado, Spielberg mais uma vez demonstra amadurecimento e domínio na linguagem que escolhe usar. Sua direção é segura e inventiva, seja na escolha de elenco e trilha sonora, ou mesmo nos planos mais longos que ajudam ao espectador a se sentir parte de uma historia que – no caso nós brasileiros- não é deles.
  
Mas o destaque esta para Sally Field como a Primeira Dama. Sua postura emocional levianamente descontrolada psicologicamente caracteriza um personagem denso, complexo e extremamente dramático. Um ótimo trabalho sem duvidas. Exagerado mas convincente.

Igualmente bem esta Daniel Day-Lewis como Lincoln. Com trejeitos e impostações de voz soberbas. Interessante notar a escolha do ator de caracterizar seu personagem como se ele fosse um monumento vivo, tal qual a exibia e famosa estatua do Ex-presidente. Lewis parece carregar o mundo nas costas, com sua postura curvada, seu tom sempre cansado. Isso humaniza e confere fragilidade ao personagem, doando a ele uma persona no minimo instigante.
Ele surge repleto de elementos dubios, ao mesmo tempo em que é amável e justo, demonstra frieza extrema em suas decisões. Correto.

Não estranhamente uma das cenas mais fantásticas do filme esta no embate entre diálogos, numa discussão entre Lincoln e a Sra. Lincoln acerca de permitir um de seus filhos a participar da revolução. Cena lindíssima de entrega de ambos os atores. Filmado de forma a parecer que os estamos vendo através de um palco.

Mas nada disso adianta muito, quando Spielberg escolhe doar a persona de Lincoln um endeusamento extremo e falho. Todos os takes mostram o presidente elevado em tela, focos de luz, longas sequencias em que vemos ele contemplativo tal qual qualquer deus do olimpo. Soa forçado e artificial. E anula todo o empenho do ator em criar uma persona justamente contraria.

Ao final, se não bastasse as longas tomadas aliadas a trilha sonora saudosista e extremamente carregada de  apelo emocional, O filme desponta numa cena que seca ate a ultima estancia o final do presidente. Em uma montagem que dialoga diretamente com a emoção do espectador, deixando-nos com a sensação de que seriamos insensíveis se não vertêssemos ou não ameaçássemos derrubar algumas lagrimas, a começar pelo grito desesperado em prantos de seu filho.

Então o ápice chega, quando Spielberg não satisfeito, introduz um climax que abusa de todas as formas possíveis  seja pela contraluz usada, seja pela dramaticidade exacerbada ou mesmo pelo plano contemplativo e sequencia longa, a morte do presidente de maneira estarrecida, numa montagem piegas e quase beirando "a forçada de barra" entre uma chama e o discurso final do presidente em memoria.

Tecnicamente o filme é soberbo entretanto, a ponto de não parecer nenhum atrevimento dizer que não contem erros. Seja nos posicionamentos de câmera  nas longas tomadas que prezam em construir gradativamente as passagens geográficas contundentes do pais à época. na fotografia com iluminação corretíssima  que dá a ilusão realmente terem sido captadas apenas pela luz das velas. Spielberg revela uma direção segura, consistente e extremamente experiente, num meticuloso trabalho de fato. Mas que se perde justamente por seu roteiro exaltado, de mão pesada, sem a ousadia de outrora.
  
O saldo final que fica de Lincoln é que levara alguns prêmios sim, é um filme correto, redondo, bom; não se pode negar, mas que causa certo desconforto seja por seus diálogos longos ou simplesmente pela maneira obtusa que escolhe levar um fato histórico de extrema importância não só para o pais EUA mas para a historia humana, que é a questão da escravidão. E principalmente por despontar os negros como simples agentes passivos de sua própria historia.
  
Excelente personagem. Filme apenas Bom. Mas imperdoável por se tratar de uma obra nas mãos de um dos maiores nomes do cinema mundial.

Não foi desta fez que Spielberg voltou aos eixos perdidos...



Trailer




Ficha Técnica

Diretor: Steven Spielberg
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Tommy Lee Jones, Michael Stuhlbarg, Jackie Earle Haley, Daniel Day-Lewis, Gloria Reuben, Adam Driver, Jared Harris, Sally Field, James Spader, Lee Pace,
Produção: Steven Spielberg, Kathleen Kennedy
Roteiro: Tony Kushner, John Logan, Paul Webb, baseado na obra de Doris Kearns Goodwin
Fotografia: Janusz Kaminski
Trilha Sonora: John Williams
Duração: 120 min.
Ano: 2012
País: EUA, Índia
Gênero: Drama







Critica: Amor (Amour)



Uma densa historia sincera, sensível e angustiante sobre o amor. Em todas as conotações que ele assume.
Desde a 'Vida é Bela', é a primeira vez que um filme de língua não inglesa concorre a categorias tão importantes no Oscar. 

‘Amour’, filme austríaco do diretor Michael Haneke, concorre aos prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz no Oscar 2013.

Contando com um enredo aparentemente simples o filme nos leva as profundezas dos sentimentos humanos e nos brinda com um filme coeso, e tristemente belo.

George e Anne (Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva) são um casal de idosos, aposentados, que vivem tranquilamente num apartamento. Anne que quando mais jovem era professora de piano, vai com George prestigiar um de seus pupilos num concerto musical.
Alguns dias depois porem, Anne sofre um AVC, o que coloca sua vida e de seu marido num desafio continuo e diário para fortalecer o amor entre eles.

Logo de inicio, o filme nos mostra uma cena em que espectadores estão numa sala de concerto, voltados de frente para nós que assistimos ao filme, como se o espetáculo fossem nós e não eles. Isso revela bastante sobre a força de Amor sobre seu publico. Aliado a um roteiro bem estrutura onde os diálogos são essenciais para a trama, o filme constrói um arco dramático que em momento algum cai em clichês ou artifícios vazios e apelativos para mostrar o sofrimento do casal diante da atual situação deles. O sentimento de angustia e sensibilidade, surge a partir de experiências pessoais de quem assiste, identificando-se ali e refletindo sobre a vida a dois- seja de que forma for-.

Com segurança o diretor nos conduz ate uma questão mais seria e delicada de forma natural que é a eutanásia. Ate que ponto, devemos prolongar o sofrimento de alguém quando esse alguém decide partir?
O titulo apesar de parecer bem bobo, é totalmente condizente ao centro do filme. Pois tudo o que sustenta a película é justamente esse sentimento, demonstrado por silêncios dispersos, desenhos expostos na sala de estar da casa, ou mesmo no olhar de ambos.

A construção de personagens também é muito importante ao logo do filme, que recorre desde montagens sutis e edição lenta para compor com calma cada detalhe da direção de arte do filme que usa de artifícios repletos de metáforas e referencias que fazem um paralelo com os diálogos e lembranças das personagens, ate a trilha sonora quase inexistente, mas que quando atua produz no espectador um aperto na garganta entre a tristeza e a simpatia.

Um filme agridoce, que ao mesmo tempo que causa ternura pela relação ali exposta, também entristece e choca, pela crueza que é exposto a vitimização causada por um AVC.
E aqui a atuação brilhante e assustadoramente realista de Emmanuelle Riva (mais velha atriz a ser indicada a categoria de Melhor Atriz no Oscar) vem á tona. Num trabalho vocacional, corporal fantástico. Ela consegue compor a personagem e suas limitações cotidianas e sua melancolia e angustia por se tornar dependente do marido de uma maneira tal, que é impossível não aplaudir de pé seu desempenho ao final da projeção.

A fotografia apagada e escura- devido ao fato de que o filme se passa completamente em ambientes internos- ajudam a compor a sensação de que estamos visualizando realmente a vida intima de alguém. Muitas vezes nos sentimos intrusos de uma realidade ao qual não fomos convidados. E isso é soberbo.

Personagens como a Filha do casal ou mesmo o jovem pupilo apenas mencionado no inicio do filme e que faz uma pequena visita ao casal, servem apenas para construir e determinar a vida em que o casal esta inserido. E não é difícil imaginar- ou se identificar para aqueles que já vivem tal realidade- a forma que nossas relações vão adquirindo ao longo dos anos. Distanciamentos mas elos firmes.

Cenas memoráveis compõe o filme como a cena em que Anne é levada para tomar banho, a cena em que Anne e George conversam na cozinha, em que ele relembra um episódio de sua infância, e a cena em que uma pomba entra pela janela aberta do apartamento.
Metáforas tais como a da pomba tornam o filme uma pequena joia entre os lançamentos de 2012, que com certeza merece ser visto e sentido, chorado e refletido acerca de inúmeras questões sobre a vida.
Vide sequencia em que Anne folheia o antigo álbum de fotografias.

Mas é em seu clímax que esta uma resolução que coloca em xeque todo o enredo de acordo com a opinião pessoal de cada um que o assiste. Um clímax chocante, inesperado, mas estritamente necessário, que é o ponto final que torna o filme um pequeno deleite e obra prima. Ali o julgamento cabe ao espectador, igualmente ao seu entendimento do final da projeção.

Ao final, uma carta fecha como um signo, um símbolo mais que perfeito a toda a trama, encerrando Amor da maneira qual foi composto: com sinceridade, crueza e beleza.

Um filme Intrínseco que se justifica pelo silencio de um apartamento vazio, morto mas com rachaduras repleta de vidas.

Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco,
Produção: Stefan Arndt, Margaret Ménégoz
Roteiro: Michael Haneke
Fotografia: Darius Khondji
Duração: 127 min.
Ano: 2012
País: França, Alemanha, Áustria
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos




quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Lista com os Indicados ao Oscar 2013




Hoje foram anunciados finalmente os indicados oficiais as principais categorias do Oscar 2013. Que ocorrera dia 24 de fevereiro.
Muitas surpresas e algumas obviedades inclusive consolidadas no post de Apostas aqui do Criticofilia que você pode relembrar aqui >> Apostas Oscar 2013
Talvez o que tenha mais surpreendido, tenha sido o filme Francês "Os Intocáveis  largamente elogiado mundialmente e dito como favorito para o premio de melhor filme estrangeiro, ter ficado de fora da disputa. E a menção da pequena Quvenzhané Wallis, que com apenas 6 anos de idade(a época que fez o filme) foi indicado a melhor atriz por sua atuação no filme "Indomável Sonhadora" que concorre também ao principal premio da noite; o de melhor filme. E a ausência de qualquer menção a Holy Motors em qualquer uma das Categorias.
Segue abaixo lista completa com todos os filmes e categorias anunciados hoje pela academia:



MELHOR FILME

"Indomável Sonhadora"
"O Lado Bom da Vida"
"Lincoln"
"A Hora Mais Escura"
"As Aventuras de Pi"
"Os Miseráveis"
"Amor"
"Django Livre"
"Argo"

MELHOR DIREÇÃO

Michael Haneke – “Amor”
Benh Zeitlin - “Indomável Sonhadora”
Ang Lee – “As Aventuras de Pi”
Steven Spielberg – “Lincoln
David O.Russell – “O Lado Bom da Vida”

MELHOR ATOR

Daniel Day Lewis - “Lincoln”
Denzel Washington - “Flight”
Hugh Jackman – “Os Miseráveis”
Bradley Cooper - “Silver Lining Playbook”
Joaquin Phoenix – “The Master”

MELHOR ATRIZ

Jessica Chastain – “A Hora Mais Escura”
Jennifer Lawrence – “O Lado Bom da Vida”
Emmanuelle Riva – “Amour”
Quvenzhané Wallis – “Indomável Sonhadora”
Naomi Watts – “O Impossível”

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Christoph Waltz - "Django Livre"
Philip Seymour Hoffman - "The Master"
Robert De Niro – “O Lado Bom da Vida”
Alan Arkin – “Argo”
Tommy Lee Jones – “Lincoln”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Adams – “The Master”
Sally Field – “Lincoln”
Anne Hathaway – “Os Miseráveis”
Helen Hunt – “The Sessions”
Jacki Weaver – “O Lado Bom da Vida”


MELHOR ANIMAÇÃO

"Valente", de Mark Andrews e Brenda Chapman
"Frankenweenie", de Tim Burton
"Para Norman", de Sam Fell e Chris Butler
"Piratas Pirados", de Peter Lord
"Detona Ralph", de Rich Moore

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

“Amor” - Michael Haneke
"Django Livre” – Quentin Tarantino
“Flight” – John Gatins
“Moonrise Kingdom” – Wes Anderson e Roman Coppola
“A Hora Mais Escura” – Mark Boal

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

“Argo” – Chris Terrio
“Adorável Sonhadora” – Lucy Alibar e Benh Zeitlin
“As Aventuras de Pi” – David Magee
“Lincoln” – Tony Kushner
“O Lado Bom da Vida” – David O.Russell

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

"Amor"
"Kon-Tiki"
"No"
"O Amante da Rainha"
"War Witch"

MELHOR FIGURINO

“Anna Karenina” – Jacqueline Durran
“Os Miseráveis” – Paco Delgado
“Lincoln” – Joanna Johnston
“Espelho, Espelho Meu” – Eiko Ishioka
“Branca de Neve e o Caçador” – Colleen Atwood

MELHOR DOCUMENTÁRIO

“5 Broken Cameras”
“The Gatekeepers”
“How to Survive a Plage”
“The Invisible War”
“Searching for Sugar Man”

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM

“Inocente” – Sean Fine e Andrea Nix Fine
“Kings Point” – Sari Gilman e Jedd Wider
“Mondays at Racine” – Cynthia Wade e Robin Honan
“Open Heart” – Kief Davidson e Cori Shepherd Stern
“Redemption” – Jon Alpert e Matthew O’Neill

MELHOR MAQUIAGEM

“Hitchcock” – Howard Berger, Peter Montagna e Martin Samuel
“O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” – Peter Swords King, Rick Findlater e Tami Lane
“Os Miseráveis” – Lisa Westcott e Julie Dartnell


MELHOR EDIÇÃO

“Argo” – William Goldenberg
“As Aventuras de Pi” – Tim Squyres
“Lincoln” – Michael Kahn
“O Lado Bom da Vida” – Jay Cassidy e Crispin Struthers
“A Hora Mais Escura” – Dylan Tichenor e William Goldenberg

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Skyfall" - 007 - Operação Skyfall
“Everybody Needs a Best Friend” -  Ted
“Before My Time” - Chasing Ice
“Suddenly” - Os Miseráveis
“Pi’s Lullaby” - As Aventuras de Pi.


DESENHO DE PRODUÇÃO

Anna Karenina
O Hobbit
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Lincoln