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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Critica: De Pernas Pro Ar


Alice (Ingrid Guimarães) é uma executiva workaholic que pouco dá atenção ao marido João (Bruno Garcia) e ao filho (João Fernandes). Tendo o trabalho como foco principal de sua vida, é abandonada pelo companheiro no dia em que recebe a chance de uma promoção. Com esse choque de realidade da vida que ela considerava perfeita, Alice se atrapalha e falha na apresentação que a tornaria diretora de marketing da empresa. Desempregada e desquitada, ela conhece Marcela (Maria Paula), uma vizinha sensual que é dona de uma sex shop e que decide fazer Alice levar uma vida mais descontraída.

De Pernas Pro Ar, do diretor Roberto Santucci, prova que vai contra a ideia de seu titulo e nos concede uma deliciosa comedia, repleta de situações cômicas impagáveis, a confirmação de um talento nato e uma característica no nosso cinema que já havíamos esquecido, mesmo que tudo isso venha embalado em covardia.

O filme é uma delicia do inicio ao fim. Tem seus momentos cômicos mais mornos para se reafirmar como comedia, e não comedia romântica necessariamente- mesmo que possua um paralelo que conduz toda a narrativa no casamento da protagonista-. Mas o foco é o humor.

Há uma sequência sensacional envolvendo um apetrecho sexual e um jogo de futebol infantil. Impagável.
Mas o destaque esta com a atriz Ingrid Guimarães que reafirma seu posto como uma das atrizes comediantes mais inventivas e naturais que possuímos na atualidade. Seu personagem e extremamente coeso e em nenhum momento surge forçado ou inverossímil. Ela convence como mãe, convence como empresaria, convence como uma mulher recatada e convence como uma mulher liberta de seus próprios conceitos, limitações e prioridades e claro, de sua libido. Toda a ação dela explode em tela com uma naturalidade impressionante. De tal forma que é impossível não se identificar ou se cativar. Que alias é uma característica que há tempos o cinema nacional havia esquecido.

O filme transborda bem comum. Nos dá aquela sensação de que estamos assistindo algo natural, em nenhum momento o espectador se coloca abaixo ou inferior aos personagens ali mostrado, não há veneração, um querer estar ali. Ele nos da a sensação de que tudo ali pode sim ocorrer e ocorre em nossas vidas, no cotidiano. Ao contrario dos filmes essencialmente hollywoodianos que tem a característica focada na contra corrente. Onde os filmes compram e vendem a ideia de que as tramas ali mostradas devem ser ofertadas e nos dê a sensação de querer viver uma vida fictícia como a que esta sendo mostrada esquecendo-se da nossa, sem dar soluções para as nossas reais.

Mas não é totalmente correto. Pois peca em alguns momentos, mais pela expectativa e potencial do que pelo andamento.

O roteiro assinado pelo Marcelo Saback e Paulo Cursino introduz a ideia de libertação feminina. E isso é excelente. O Brasil, assim como o mundo ainda é extremamente machista quando o assunto é sexo. Mesmo que nosso país desde a Era das pornochanchadas tenha um desprendimento ao assunto, ao tema, ele ainda é visto como algo estritamente masculino, voltado ao sexo masculino. E quando sai desse nicho, cai no estereótipo comum e acaba sendo nada mais do que clichês cômicos ou um tabu, sendo apenas sugerido mas nunca explicitado para algo alem do apenas chamar a atenção.

De pernas Pro Ar, promove uma redescoberta ao tema e convida o espectador, principalmente a mulher a conversar, a direcionar sua visão para o próprio corpo, para o próprio prazer. Ao tratar do orgasmo, o roteiro nada mais faz do que passar a ideia de que a mulher deve sim olhar mais para si mesma e entender que é igual ao homem na busca pelo prazer, pela realização pessoal e profissional, que não deve aceitar apenas oferecer prazer ou o que quer que for sem receber  mesmo em troca. A narrativa é bem estruturada nesse sentido, ao mostrar a personagem Alice nesse caminho, se transformando se descobrindo- e a metáfora com a montanha russa é excelente nesse sentido-. 

Porem o filme conforme avança na narrativa vai se perdendo e acaba caindo no mesmo lugar comum de sempre, de que não existe uma com relação entre trabalho, família e prazer. Principalmente entre trabalho e família. Que a mulher deve sempre escolher ou o trabalho ou ser a dona de casa, mãe e esposa. Que não há possibilidade viável de conciliar as duas coisas. Mas a pior ideia vendida é a da submissão novamente imposta, caracterizada pelo momento que a Alice aceita se encontrar com o marido novamente. A atitude e principalmente a resolução, faz cair por terra toda a concepção criada na premissa do roteiro. E isso é uma falha, um erro ou simplesmente uma covardia em se manter num foco muito mais interessante, que era o inicial.

Mas nem mesmo essas falhas tiram a eficácia da produção. O filme é tecnicamente correto. Inclusive em vários planos e cenas realmente bem montadas, sem contar na edição – destaque para a sequência inicial-. Esta longe de ser algo soberbo, alias bem longe, mais pela falta de coragem do que por falta de competência ou potencia.

De Pernas Pro Ar revela a volta a essa característica comum que nosso cinema sempre possuiu, de aproximação a seu publico sem focar apenas em criticas sociais ou políticas. É um filme leve, divertido, com uma ótima fotografia e edição e que nos dá momentos de lazer, demonstrando algo que muitos olhos de fora  e de dentro também se esquecem: que sabemos rir. E não só diante das desgraças...

Criou uma possibilidade interessante que agradou a publico e criticas no gerais e que demonstrou mais uma vez que o cinema esta também aqui.

Um bom filme.

Trailer




Ficha Técnica

Diretor: Roberto Santucci
Elenco: Ingrid Guimarães, Bruno Garcia, Maria Paula, Denise Weinberg, Antônio Pedro, Flávia Alessandra, Marcos Pasquim, Cristina Pereira, Charles Paraventi, João Fernandes, Ricardo Barrão, Antônio Pedro
Produção: Mariza Leão
Roteiro: Marcelo Saback, Paulo Cursino
Fotografia: Antônio Luis Mendes
Trilha Sonora: Fabio Mondego
Duração: 101 min.
Ano: 2010
País: Brasil
Gênero: Comédia
Classificação: 14 anos





quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Critica: Salmon Fishing in the Yemen (Amor Impossível)



Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor) é um cientista introvertido do Departamento de Pesca e Agricultura. Levando a vida pessoal e profissional calmamente, com um casamento estagnado, ele é subitamente jogado em um projeto criado pelo Sheike Muhammed (Amr Waked), obcecado com a pesca com mosca, que sonha com o impossível: introduzir a pesca do salmão no Yemen.
Mesmo desacreditando que isso possa ser possível, o Dr. Jones, motivado pela assistente do Sheike Muhammen, a bela Harriet (Emily Blunt) eles seguem em frente com o projeto milionário  enquanto a assessora de imprensa do Primeiro Ministro britânico, Patricia Maxwell (Kristin Scott Thomas) sai no encalço do projeto apoiando-o visando melhorar a imagem da Inglaterra nas relações internacionais com os Países do oriente médio.

Com essa premissa, o filme Salmon Fishing in the Yemen (Que recebeu o titulo de Amor Impossível no Brasil) pode ate parecer uma historia desconexa e água com açúcar, mas mesmo que sua condução realmente seja por essas vias, o que se entrega em tela, é um roteiro inventivo que surpreende pela originalidade, mas principalmente pelo toque de humor peculiar que emprega ao construir uma estrutura de relações humanas muito bem.

Com atuações medianas dentro da proposta do filme Emily Blunt e Ewan McGregor cumprem bem seu papel dentro da trama. Principalmente Ewan McGregor doando a seu Dr. Jones um sotaque e trejeitos maravilhosamente britânicos, desde seu humor peculiar, ate a sua sensibilidade e excessivo grau de educação aristocrática, e máxima vida regrada.

Uma ótima fotografia também e belas paisagens, em planos longos de contemplação também surgem ao longo da projeção. Mas o que chama a atenção aqui não é nada disso, nem mesmo a direção correta de Lasse Hallström; mas sim o seu roteiro, que consegue transformar uma historia improvável e quase absurda, que parece que jamais se sustentaria, e transforma-lo numa complexa construção de relações.

A todo instante, o espectador fica na duvida de quem deve ‘escolher’ torcer pelas formações de casais ali. O filme nos dá personagem distintos, mas igualmente ‘morais’ em relações mornas, frias e que são tão inconstantes que a única certeza que temos é de que, do jeito que esta não pode ficar.

O roteiro que é assinado por Simon Beaufoy, e adaptado do livro de Paul Torday (livro de mesmo nome) é repleto de mensagens de fé, perseverança, paciência, determinação que o filme compra e vende, e que serve de metáfora para a pesca e os peixes, o rio que corre, a migração do salmão pelas águas rio acima e tantos etc incontáveis para fazerem alusão a essa filosofia moral de auto ajuda. Porem sem parecer piegas ou forçado - salvo alguns momentos, dois ou três no máximo - e nem mesmo doutrinal. Realmente um roteiro original e inventivo. Com diálogos primorosos e extremamente ágeis e com coesão que se intercalam e se amarram lindamente ate o final. Sim, sabemos após o clímax qual sera o final pois não teria como não cair na obviedade, mas ainda assim ele segura a atenção e o interesse do espectador. realmente um deleite.

Alias nesse sentido, pode ate parecer “pecado”, mas o roteiro do filme assume ares 'Woodyanos' em seu tom pitoresco de ser.

O destaque fica pelas cômicas cenas trazidas pela aqui sensacional Kristin Scott Thomas e sua Patrícia. É hilário a comunicação dela com o ministro pastelão, e a forma como ela emprega s estereótipos do governo e da política nas cenas e que se contrapõe a sua vida pessoal com seus filhos. Um personagem divertidíssimo.

Um filme singular, que não possui nada de tão mais, mas definitivamente nada de menos.

 Trailer



Ficha Técnica

Diretor: Lasse Hallström
Elenco: Emily Blunt, Ewan McGregor, Kristin Scott Thomas, Amr Waked, Catherine Steadman, Tom Mison, Steven Blake, Waleed Akhtar,
Produção: Paul Webster
Roteiro: Simon Beaufoy
Fotografia: Terry Stacey
Trilha Sonora: Dario Marianelli
Duração: 107 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos







Critica: O Impossivel



A história de uma família em meio ao tsunami que assolou o litoral da Tailândia, em 2004. Maria (Naomi Watts), Henry (Ewan McGregor) e seus três filhos iniciam suas férias na Tailândia em busca de alguns dias de sossego no paraíso tropical. Porém, na manhã de 26 de dezembro, enquanto a família relaxa na piscina depois das festividades de Natal, um terrível barulho surge do centro da terra, Colocando a família numa corrida contra o tempo para sobreviverem.

Originalmente, esta que conta uma historia baseada em fatos reais, a família principal é espanhola. Mas por algum motivo Juan Antonio Bayona (que já nos presenteou no passado com o excelente O Orfanato) resolveu transformar essa família espanhola, numa família Inglesa residente no Japão.
Somente essa escolha já denuncia o foco de Bayona para seu Longa O Impossível.

O impossível nada mais é do que mais um produto criado, realizado e focado em produzir lagrimas e mais lagrimas, comoção e mais comoção em quem o assiste. Ele se esconde através do artifício comum de emocionar e criar empatia no publico, para não revelar um enredo vazio, porem numa narrativa funcional. É o que o publico espera, é o que o publico amara.

O longa permeia as tentativas dessa família inglesa em sobreviver a maior tragédia que a Tailândia já recebeu.

Em dezembro de 2004, um terremoto de magnitude 9,1 na costa da província indonésia de Aceh desencadeou um tsunami no oceano Índico, que causou a morte de cerca de 226 mil pessoas na Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia e outros nove países.
E a família encabeçada por Maria e Henry, estavam entre as pessoas que sobreviveram a esse evento devastador.

Mas ao contrario do que se imaginava, ou se esperaria de um filme de tragédias reais, o longa não se preocupa em mostrar o tamanho da devastação em níveis sociais ou mesmo ambientais. Ele foca em mostrar apenas a devastação que permeia essa família em especifico.

Visualmente o filme é belíssimo, uma fotografia clara, com uma iluminação excelente, uns planos que nos faz emergir junto nas águas tenebrosas, uma edição corrida e brusca que aumenta a tensão e causa impacto ao nos mostrar quão impressionante é uma força da natureza assim recair sobre um ser humano. Mas é só isso.

O Roteiro apesar de lindíssimo e coeso, que se interliga ao longo da trama através de imagens, como a cena final por exemplo, repleta de signos, peca contudo, ao usar uma narrativa carregada de comoção e exageros de linguagem para induzir emoção. Ele foca totalmente na relação mãe e filho, a relação de Maria com o filho mais velho Lucas. O amor entre os dois que interliga tudo.
Não que tal tragédia não seja comovente e a luta de uma família em se reencontrar e se manter viva, não cause suspiros, porem são tantos artifícios impostos sucessivamente para nos induzir lagrimas, que o tom do filme fica carregado como um melodrama extremamente pesado e nada sutil. É um artifício que demonstra uma falta de conteúdo de enredo incrível. 
Uma pena.

Sim,  as atuações de Naomi Watts e Ewan McGregor, são excelentes. Eles carregam o filme numa segurança tremenda. Mesmo que o núcleo se feche apenas a eles sem coadjuvantes em nenhum momento, eles conseguem segurar o arco dramático exclusivo entre eles muito bem. Principalmente Naomi que se doa de tal maneira ao papel que impressiona.

Tom Holland que interpreta Lucas; filho mais velho do casal é a grande surpresa do elenco. Mesmo com toda a doação impressionante de Naomi, Tom e seu Lucas que brilham em tela, pelo amadurecimento que ele transparece em seu papel. A Atuação dele é tão consistente que não seria absurdo dizer que ele promete bons feitos futuramente.

A Maquiagem do filme surge estupenda, a um nível que chega a chocar pela crueza que escolheram caracterizar os ferimentos e a devastação física de tal tragédia em seus personagens. As feridas de Naomi surgem com tal realidade que mesmo que ela não demonstrasse nada, o espectador já sentiria dor e compadecimento por ela.

Sim, é um filme feito para emocionar que abusa de artifícios emocionais e um drama carregado que te faz chorar e ficar apreensivo a cada 10 minutos de projeção.
Mas para o bem ou para o mal: funciona. E é isso que parece importar.

Ao final, não importa as falhas ou o vazio que a trama possui em ser algo a mais do que um engradado de lagrimas emotivas. O Impossível é um filme grande, bem feito, bonito, que foge da realidade cruel que foi aquela tragédia, mas que funciona no final. Atende as expectativas de quem vai ate ele.

Impossível não chorar ou não se emocionar com ele. Munido de lenços e total despretensão de ver um filme profundo, vale o ingresso. 

 Trailer


Ficha técnica

Diretor: Juan Antonio Bayona
Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Russell Geoffrey Banks, Marta Etura, Geraldine Chaplin, Sönke Nöhring,
Produção: Belén Atienza, Álvaro Augustín, Enrique López Lavigne, Ghislain Barrois
Roteiro: Sergio G. Sánchez
Fotografia: Óscar Faura
Trilha Sonora: Fernando Velázquez
Duração: 107 min.
Ano: 2011
País: Espanha/ EUA
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos









Critica: The Paperboy (Um Rapaz do Sul)


Lee Daniels nos entrega uma obra densa, tensa, repleta de imprevisibilidade, instigante, que choca, aterroriza, nos leva as gargalhadas e ao mesmo tempo impressiona, pela crueza e bizarrice imposta totalmente coesa com sua proposta.

Um show bizarro e visualmente belo. Essa seria a palavra para The PaperBoy. Repleto de cenas chocantes, que carregam a visão animalesca do ser humano em passagens e trechos que se mesclam com a natureza lamacenta de um sul americano intolerante e abafado.

Com direção segura sem medo de erros, Daniels nos leva com perspicácia num Ode ao suspense policial clássico, mas com um toque de cinema pastelão em seus momentos mais inventivos. Matthew McConaughey surge como o misterioso Jornalista investigativo que ao lado de seu parceiro/amigo Yardley (David Oyelowo) um negro bem sucedido para a época  visam encontrar provas que provem a inocência de um famigerado homem condenado a cadeira elétrica pelo assassinato de um xerife local. Sua namorada, ao qual conhece apenas por cartas, a sedutora decadente Charlotte Bless ( Nicole Kidman), os contrata para juntos tirarem seu “homem” Hillary Van Wetter (John Cusack) da prisão. Com o apoio paralelo do ex-nadador e irmão mais novo de Ward (Mattehew), Jack (Zac Efron) eles partem rumo a uma investigação repleta de furos enquanto Jack vaio nutrindo uma paixão incondicional por Charlotte.
Tudo isso é narrado pela segura Macy Gray que trabalhou e ajudou a criar os irmãos Jack e Ward.

O trabalho visual desse filme é uma das coisas mais gostosas de se conferir. Adotando uma filmagem com uma fotografia repleta de luz e cores saturadas, em alguns momentos granuladas demais o que culmina numa imagem que nos remete a películas antigas da década de 60/70 o filme ainda nos brinda com uma trilha sonora de beco, repleta de Swing.

O longa passeia entre o mundo negro e o mundo branco decadente tão subdividido daquela época  contendo em falas e olhares a discriminação latente, onde palavras e sentenças eram de máxima importância para não passarem a ideia errada.

Numa construção de roteiro impecável, o longa estrutura seus atos de forma delineada, com o auxilio de uma montagem curiosa e bem feita, repleta de efeitos visuais, fusões e uma edição com cortes secos que instigam ainda mais a curiosidade do espectador e também inevitavelmente seu asco e choque em diversos momentos.

Há uma cena de sexo extremamente desprovida de qualquer pudor, que usa montagens em flashs de animais em decomposição enquanto o sexo rola brutalmente de maneira desajeitada quase absurda. Se ao primeiro momento ele causa hilaridade  depois se torna chocante e incomodo tamanha violência que é exasperada ali. Isso é brilhante da parte do diretor.

Do inicio ao fim, The Paperboy constrói uma narrativa rumo as perspectivas de cada personagem e do meio em que vivem. A pretensão do filme não é educar ou mesmo criticar – diretamente- o sistema judiciário, que é o pano de fundo da trama, nem mesmo  trabalho de integridade nos fatos da imprensa  Mas sim, cair fundo na reflexão e discussão das tormentas de cada personagem tão peculiar apresentados La. Personagens que buscam uma redenção cujo qual nem eles mesmos sabem definir qual é.

 Cada persona de The PaperBoy parece estar a procura de algo que eles mesmo não sabem definir. É uma insatisfação latentes em seus olhares cabisbaixos e mortos. Mesmos os sorrisos carregam certa melancolia. A degradação social e física e emocional é clara.

Seja na Mulher submissa, com baixo auto estima, sexy e selvagem que vai decaindo sobre as próprias escolhas, seja pelo garoto que viu seu sonho frustrado diante de um átimo de fúria pela perda da mãe, seja por um homem repleto de segredos que odeia a si mesmo ao ser quem é, seja por um outro homem que deseja se provar diante da intolerância imposta pela sociedade.

A todo momento o espectador é levado a crer em uma verdade que no momento seguinte se torna uma duvidosa mentira. E em seguida algo a se considerar novamente.

E o longa nesse sentido não nos polpa de cair fundo nesse cenário quase caótico interno e externo. Ele externaliza esses sentimentos em tela, seja mostrando uma ejaculação nas calças de um preso, uma mulher indo ao orgasmo em se tocar, seja um garoto sendo queimado por águas vivas e sendo em seguida mijado por uma mulher em plena praia, seja por uma faca rasgando e expondo as tripas de um jacaré recém abatido. The PaperBoy não polpa seu espectador de realidades cruas e feias, bizarras, para chocar e nos preparar para exatamente aquilo tudo que seu clímax arrebatador e imprevisível nos guarda.

O sexo e sensualidade aqui é usada e abusado, mas não como artificio para excitar, mas para compor ainda mais a sensação de degeneração que o longa adota para o meio e seus personagens. Zac Efron surge exalando um sex apple extremo, que quando junta com o de Nicole, explode em tela. Mas é notável constatar como o diretor se contem em privar o expectador justamente do momento prometido entre ambos. ficando apenas em nosso imaginário o que resultaria tal ato. Justamente para que as cenas seguintes surjam com mais impacto.

E importante salientar aqui um dos melhores papeis de Nicole Kidman em muitos anos. Tanto seu personagem quanto a atriz se doam completamente numa personificação marcante, que diverte, seduz e entristece, emociona pela decadência exposta de maneira tão cativante e cruel. Um papel grande que merecia e merece ser mais lembrado e aplaudido. A tal ponto que todos os outros atores - que fazem bonito, estando corretos em seus papeis -  ficam ligeiramente ofuscados pela simples menção de seu nome em cena. um trabalho realmente primoroso e que impressiona.

Por fim, The PaperBoy se revela mais uma preciosidade de Lee Daniels. Menor em sua produção e alcance, mas enorme na sua capacidade de demonstrar arte pura em um contexto soberbo. Um ótimo filme.


Trailer


Ficha técnica

Diretor: Lee Daniels
Elenco: Zac Efron, John Cusack, Nicole Kidman, Matthew McConaughey, Scott Glenn, Beau Brasseaux, Nikolette Noel, David Oyelowo, Ned Bellamy, Katarzyna Wolejnio,
Produção: Ed Cathell III, Lee Daniels, Cassian Elwes, Hilary Shor
Roteiro: Peter Dextel
Fotografia: Roberto Schaefer
Trilha Sonora: Mario Grigorov
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama













terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Critica: O Lado Bom Da Vida ( Silver Linings PlayBook)



A trama gira em torno de Pat Solatano (Bradley Cooper), um cara que perdeu tudo - sua casa, seu trabalho, e sua esposa. Ele agora se encontra vivendo com sua mãe (Jacki Weaver) e o pai (Robert DeNiro), depois de passar oito meses preso. O homem está determinado a reconstruir sua vida e voltar com sua esposa, apesar das circunstâncias difíceis de sua separação. Porém, quando Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma misteriosa e problemática garota, as coisas se complicam.

Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver), Roteiro Adaptado e Edição. E não é por acaso. Silver Linings Playbook ( O Lado Bom da Vida aqui no Brasil) consegue transformar um gênero cinematográfico batido, repleto de mais do mesmo, em algo inventivo, interessante, extremamente cômico e de uma coerência estrutural invejável.

O roteiro assinado por  David O. Russell – que também o dirige-, baseado na obra de Matthew Quick, leva o espectador a uma sucessão de diálogos rápidos e inteligentes que instigam cada vez mais a percepção do publico dentro da personalidade de seus personagens.

Bradley Cooper, irreconhecível ao demonstrar um talento sóbrio em tela, surge como Pat, um homem adulto que após ter um surto psicótico de raiva excessiva, ocasionando quase a morte de uma pessoa, é detido e designado a passar longos oito meses em um manicômio, sob tratamento intensivo de terapia para controlar seu problema. Ele se descobre com bipolaridade não diagnosticada.

Após obter permissão a liberdade condicional – ele precisa frequentar periodicamente as sessões de terapia – ele retorna para a casa dos pais, onde é recebido de braços abertos. Porem Pat é fissurado na ideia latente de querer recuperar seu casamento com Nikki, que impôs uma restrição judicial para que ele se mantenha pelo menos a 900 metros de distancia dela. E isso causa certos problemas de humor nele que culminam em desastres com sua família.

Tais cenas e tal premissa poderia cair num melodrama pesado, repleto de assuntos sérios que vão desde as atormentações psicológicas e emocionais dos personagens ate a busca de sua redenção. Mas o que o diretor Russell faz, é transformar tudo isso numa comedia repleta de sarcasmo, criando um filme não só denso, mas intensamente inventivo e imprevisível. O roteiro se qualifica ainda mais quando introduz a personagem de Jennifer Lawrence como a problemática Tiffany, no enredo. Tiffany é irmã da esposa de um dos melhores amigos de Pat. Tiffany tal qual Pat também precisou passar uns dias num manicomio fazendo tratamentos pesados após a morte repentina de seu marido. O que lhe causou uma serie de transtornos a tornando psicoticamente instável.

A sinceridade nela e sua marca registrada, para o bem e para o mal. E assim se torna uma personagem extremamente instigante, onde Jennifer brilha completamente ao conseguir se conectar com essa persona lhe doando uma fragilidade de movimentos e fala, mas um peso visceral, quase amedrontador no olhar. Vide duas cenas primorosas no qual ela tem um surto num café local, e depois num momento em que ela contracena diretamente numa discussão com Robert De Niro – que interpreta o famigerado pai de Pat, viciado em jogos de aposto e em futebol e que assim como o filho possui um histórico de agressões e restrições, num de seus melhores momentos como ator em muitos anos -. Jennifer demonstra uma segurança incrível em seu papel, de se admirar realmente.

Claro que mesmo com essas personalidades improváveis, Pat e Tiffany acabam se conectando de algum modo e começam uma amizade meio do avesso. Mesmo que o enredo denuncie sua resolução, afinal estamos falando de uma comedia romântica dramática; o que O Lado Bom da Vida tem de maior é justamente, pegar toda essa formulação e remontar um gênero a tempos desgastado.

A edição é extremamente rápida, repleto de montagens frenéticas o que para o brasileiro será um pouco complicado de inicio, já que exige uma atenção redobrado para captar os diálogos ditos, mas que é extremamente importante para o sucesso do filme. São diálogos instigantes, todos com boas doses de sarcasmo e “tiradas” inteligentíssimas, perspicazes que dominam nossa atenção e nos conquista logo de inicio.

Diversas cenas merecem destaque, mas citar ou contar qualquer uma delas seria um erro aqui, pois a surpresa de tais dentro do enredo é impecável e deve permanecer assim. Mas uma em especial há como citar. A cena logo no inicio da projeção quando Pat volta para casa e começa a ler um livro de Ernest Hemingway, chamado Adeus às Armas. Pat surge por horas e horas, extremamente concentrado na leitura e quanto por fim chega a seu final trágico, ele se indigna. Tem um acesso de fúria, arremessa o livro pela janela do quarto, quebrando-a, em plena madrugada, e ruma ao quarto de seus pais para reclamar e desabafar pela falta de “sensibilidade” do Sr. Hemingway. 
A cena toda se desdobra de uma forma ágil, mas extremamente cômica, onde muito do arco dramático e da estrutura do personagem se revelam.

Outro ponto que chama a atenção são os planos que o filme assume. Ora com câmeras na mão, sem serem tremidas demais, ora planos estáticos e abertos nos dando a sensação de que estamos apenas observando os personagens, ora com travellings dinâmicos e ora com panorâmicas ágeis, logo convertidas em travellings novamente de aproximação.

Vale citar também a participação de Chris Tucker como o amigo psicologicamente instável também, mas sempre divertido de Pat. Ele constantemente surge nas horas mais improváveis em plena fuga do manicômio  sempre hilario e competente.

Tudo em O Lado Bom Da Vida se mostra deliciosa de se contemplar e magnificamente interessante de se perceber. No cinema, uma das coisas mais primarias a seus realizadores é a de transgredir limites e buscar ir alem. Trazer coisas novas, elementos novas no jeito de se contar uma historia.
Mas mais difícil ainda, é recriar algo já existente, principalmente quando este já esta saturado a anos. 

E O. Russell consegue recriar o gênero. Remontando a comedia romântica dramática a um patamar raro de se ver hoje em dia: num filme serio pertinente, delicioso, eficaz e extremamente bem feito.

Trailer



Ficha Técnica

Diretor: David O. Russell
Elenco: Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper, Julia Stiles, Chris Tucker, Shea Whigham, Dash Mihok, John Ortiz, Anupam Kher, Jacki Weaver, Montana Marks, Bonnie Aarons, Romina, J
Produção: Bruce Cohen, Donna Gigliott, Jonathan Gordon
Roteiro: David O. Russell, baseado na obra de Matthew Quick
Fotografia: Masanobu Takayanagi
Trilha Sonora: Danny Elfman
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama








segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Critica: Os Miseráveis


Historia:

Les Misérables (Os Miseráveis) é uma das principais obras escritas pelo escritor francês Victor Hugo, publicada em 3 de abril de 1862 simultaneamente em Leipzig, Bruxelas, Budapeste, Milão, Roterdã, Varsóvia, Rio de Janeiro e Paris (nesta última cidade foram vendidos 7 mil exemplares em 24 horas).
A história passa-se na França do século XIX entre duas grandes batalhas: a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de 1832. Daqui resultam, cinco volumes, que vão contar desde a vida de Jean Valjean, um condenado posto em liberdade, até sua morte. Em torno dele giram algumas pessoas que vão dar seus nomes para os diferentes volumes do romance, testemunhando a miséria deste século, a pobreza miserável de: Fantine, Cosette, Marius, mas também Thénardier (incluindo Éponine e Gavroche) e o inspetor Javert.

Filme:

Com a França do século XIX como pano de fundo, Os Miseráveis; conta uma apaixonante história de sonhos desfeitos, de um amor não correspondido, paixão, sacrifício e redenção, num testemunho intemporal da sobrevivência do espírito humano.

Jean Valjean (Hugh Jackman) consegue a liberdade condicional do seu guarda prisional, Javert (Russel Crowe), após dezenove anos de penitência pelo roubo de um pão. A miséria impele Valjean a cometer roubo numa igreja, onde um bispo lhe concede abrigo. Novamente capturado, Valjean é perdoado pelo bispo e decide mudar sua vida para sempre, abandonando seu nome verdadeiro e assim a historia que tal nome carrega. Anos mais tarde, sob outro nome, tendo fugido à sua obrigação de se apresentar periodicamente às autoridades, Valjean volta a confrontar-se com Javert, que continua à sua procura. Na sequência, Valjean sem intenção, causa o desligamento de uma funcionária da sua fábrica, a jovem Fantine (Anne Hathaway),mãe solteira que batalha na vida sozinha para conseguir dinheiro para mandar para um casal, chefiado pelo mau caráter Senhor Thénard (Sacha Baron Cohen), que cuida de sua pequena filha Cosette( na vida adulta interpretada por Amanda Seyfried).
Após Fantine cair em total desgraça, Valjean lhe faz uma promessa de cuidar de sua filha Cosette. Mas com isso o agora inspetor Javert aumenta o cerco a sua procura. Todas essas vidas durante duas gerações se cruzam.

Essa é a premissa de Os Miseráveis, adaptação do famoso musical baseado na obra de Victor Hugo, dirigido por Tom Hooper. O que poderia se tornar um verdadeiro épico eterno na historia cinematográfica, sai pela culatra, numa obra repleta de falhas narrativas que tenta carregar mais do que suporta, restando por fim apenas a beleza visual/técnica e as atuações memoráveis de atores competentes.

Primeiro é preciso entender que Os Miseráveis, possui uma das historias mais complexas, longas e grandiosas da literatura global. São tramas e subtramas únicas e que ao longo da história se intercalam, formando grandes núcleos independentes com estruturas especificas. O livro em si, em seus cinco grandes volumes já se mostra um desafio e tanto de estrutura e desenvolvimento para não se tornar uma bagunça completa. O musical encenado pela primeira vez em 1980 na em Paris, por sua vez em e=intermináveis atos, possuía a mesma responsabilidade de dar coesão à trama e ainda adapta-la visualmente, o que denotava planejamento em escalas tanto de narrativa quanto de desenvolvimento em conjunto com as musicas e sua encenação.

Se tudo isso já é um desafio e tanto, imagina trazer tudo isso para o cinema, em tela, para se enquadrar em pouco mais de 2 horas e 40 de projeção!? Tom Hooper quis testar e comprar o desafio. E o resultado foi um desastre de direção.

Os miseráveis talvez seja a historia mais adaptada do cinema, com incríveis quarenta e seis adaptações entre cinema e televisão.
Mas é a primeira vez que se tenta levar uma adaptação do musical de 1980 e não da obra em si para a tela dessa forma tão grandiosa visando o mainstream.

O que se vê em tela é uma espécie de filme hibrido entre musical/peça teatral filmado e os antigos musicais de Hollywood quanto as encenações. Por incontáveis vezes fica difícil acompanhar a mescla entre o que é teatro filmado e cinema de fato. Isso destoou totalmente na linguagem do longa, em sua narrativa e inclusive impiedosamente prejudicou o enredo, que surge corrido e repleto de furos de desenvolvimento.

O que se obtém é um filme corrido, com sensação de ter sido mau decupado, mal editado, sem introdução coerente ou delineamento das tramas e principalmente de estruturação de seus personagens. Não há arco que se sustente por muito tempo. Os personagens e suas tramas surgem de repente e partem da mesma maneira. Não se tem clareza dos fatos. São episódios atrás de episódios como se fosse realmente uma peça de teatro onde cada quinze minutos de filme ou cada musica encenada é um ato. Que ao seu fim dá lugar a outro quase que independente ao seu antecessor. Sem coesão nenhuma.

Isso alem de causar confusão e exigir um prévio conhecimento do publico há trama original a qual o filme se baseia, ainda compromete o tom emocional e dramático do enredo que em suma é a maior força de Os Miseráveis. A historia é lendariamente famosa e amada por inúmeras gerações justamente pelo seu cunho extremamente emocional, por levar o melodrama ao ápice. Tom Hooper não consegue chegar nem perto.

Cito insistentemente a falha de Tom Hooper, pois o problema não esta na historia e sim no roteiro formado para contar tal historia e mais ainda na direção que aparenta muitas vezes insegurança em adéqua-la a um formato viável. Talvez se ele dividisse o filme em partes, talvez se ele não se utilizasse de musicas demais e diálogos “normais” de menos, a coisa funcionaria razoavelmente bem. Sim, porque Os Miseráveis de Hooper tem incríveis e por vezes cansativos e desnecessários 98% de musicas executadas. Os diálogos podem ser contados nos dedos de uma mão. E mesmo esses são corridos e sem muita importância.

Mas Os Miseráveis não é um erro completo no entanto. Pois ele conta com uma força tremenda que tem de ser levado em conta.

Tecnicamente o filme é primoroso. Possui uma fotografia esplendida  carregada de tons azuis, vermelhos e brancos – as cores da bandeira da frança – em saturações e granulações assertivas, da maneira correta, na hora e nos lugares corretos. Igualmente soberba é a direção de arte do filme, que conta com projeções de locações milimetricamente construídas e acabadas, um figurino marcante, uma sonoplastia clara e de timing certeiro.

Os planos são outro destaque. A maneira que Hooper escolheu filmar sua obra com lentes angulares, câmera na mão, planos longos que por vezes dão a ilusão de terem sido gravados em plano sequência, as panorâmicas gigantescas, e mesmo os repetitivos momentos de desnivelamento de câmera, conferem ao longa um tom épico e grandioso. Bonito de se ver e apreciar cada detalhe.

Mas se há algo que realmente vale o ingresso, a exibição e o aplauso aqui, é a atuação de Anne Hathaway e sua Fantini.

Mesmo que o longa conte com atores de peso como Hugh Jackman muito bem em seu papel, tendo a primeira sequencia e a ultima do longa, seus melhores desempenhos, Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, como os divertidos vilões pilantras e aproveitadores que tomam conta- abusam- de Cosette em sua infância, Amanda Seyfried e Eddie Redmayne como o principal par romântico, igualmente corretos em seus papeis, mas que sofrem também pelas falhas de construção de personagem que o roteiro possui, mas que brilham com suas vozes impecáveis; e ate mesmo Russell Crowe num dos seus papeis mais mornos, mas que consegue sustentar bem, apesar de apresentar falhas consideráveis na hora de executar as canções. Mesmo com todos esses talentos é impossível não se ater e aplaudir de pé ou mesmo se curvar pela atuação de total entrega de Anne Hathaway. 

Sua personagem Fantini é de longe a personagem que mais sofre e tem o destino mais miserável da trama. E a atriz demonstrando uma total compreensão disso, se doa fisicamente e emocionalmente de tal maneira ao papel, que não seria exagero considerar sua atuação – infelizmente com pouco tempo de tela- a melhor de toda a sua carreira, de ficar marcado durante tempos e tempos.

Toda cena em que Anne Hathaway surge, ela se torna o centro das atenções. E ganha seu ápice total na já clássica instantânea cena em que ela interpreta a famosa e histórica musica “I Dreamed A Dream”. A cena é tão impressionante que é talvez o único momento do filme em que o espectador consegue- não se contem- ir as lagrimas, ou no mínimo se emocionar ou se abalar. 
Ao final da projeção a musica fica gravada na mente igualmente com suas expressões de sofrimento e total desamparo de uma mulher que perdeu tudo e clama com uma voz belíssima e inflamada entre suspiros e um choro incontido por redenção.

É importante ressaltar também a atuação de Samantha Barks e sua Epónine; que alem de possuir a melhor voz de todo elenco, demonstra uma presença em tela que apaga em cena os próprios protagonistas em seus poucos minutos em tela também.

Alias outro aspecto que doa ao Os Miseráveis créditos  foi a escolha de Tom Hooper, aqui sim acertando completamente, de filmar as canções ao vivo, durante as filmagens e não como é habitual se fazer, adquirir as musicas gravadas previamente em estúdio e depois dubladas pelos atores. Quando os atores e atrizes estão cantando, não é dublagem. Eles realmente estão executando as canções ali, como se estivessem num teatro. E o efeito que isso dá em tela inclusive sonoramente falando é impagável e brilhante de conferir. Para amantes de musical, é um deleite a parte.

A trilha sonora como não poderia deixar de ser é perfeita em cada detalhe, letras poderosas e universais, e os arranjos aqui ganham um tom ainda mais orquestral e dinâmico.

Por fim a sensação que fica e a conclusão que se tira de Os Miseráveis  é que ele é um grande filme sim, que merece destaque e apreciação pela grandiosidade, ousadia e coragem de ter sido realizado, pela competência de seus atores, pela forma extrema de sua historia e principalmente pelo esmero visual que possui. Mas que peca imperdoavelmente ao tratar uma historia com tal nome como essa, de maneira leviana e sem um mínimo de preocupação com sua essência.

É o típico “enche os olhos mas não enche a barriga”.

Quando se espera diamantes e lhe entregam pepitas de ouro, a decepção é latente.

Mas nem mesmo Hooper consegue tirar o brilho dessa historia. Que trata da miséria humana de todas as formas possível.

E é de Anne Hathaway e seus Sonhos Sonhados a ultima nota cantada.

Trailer


Ficha Técnica

Diretor: Tom Hooper
Elenco: Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Hugh Jackman, Russell Crowe, Eddie Redmayne, Samantha Barks, Aaron Tveit, Colm Wilkinson, Ella Hunt, George Blagden, DanielHuttlestone,
Produção: Eric Fellner, Debra Hayward, Cameron Mackintosh
Roteiro: William Nicholson, baseado na obra de Victor Hugo
Fotografia: Danny Cohen
Trilha Sonora: Claude-Michel Schönberg
Ano: 2012
País: Reino Unido
Gênero: Musical