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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Critica: Weekend



Ator revelação e melhor produção no British Independent Film Award, vencedor da maioria dos destivais com temática gay da Tchecoslováquia, Hamburgo, LA Out Fest, San Francisco e Toronto, além de vencer como melhor roteiro no Festival Dinard, roteiro do prêmio do jornal Evening Standard, Prêmio dos Jovens em Ghent, revelação de diretor pelos críticos de Londres (Haigh), além de melhor ator e melhor filme dramático em Nashville. É com essa bagagem que Weekend, filme inglês do diretor Andrew  Haigh e, pouco mais de 90 minutos, chega ate o espectador de forma definitiva e extremamente surpreendente.

Com naturalidade, destreza e simplicidade, Weekend consegue fazer rir, emocionar, entristecer, mas principalmente emocionar e apaixonar.
Com um pequeno orçamento, calcado em pouco mais de 120 mil euros. Esse filme pode ser considerado um filme alternativo e artístico. Com características comuns ao gênero  temos planos bem conduzidos, com com fotografia clara mas que se descuida em certos pontos, justamente pela produção mais simples e sem muitos recursos. Ainda assim, temos enquadramentos bem interessantes e inventivos com destaque as cenas em que vemos o casal principal dialogando.

Lembrando o 'clima' de Antes do por do Sol e Antes do Amanhecer, o filme nos conduz numa narrativa progressiva que versa diante de diálogos e situações cotidianas num curto espaço de tempo, no qual vamos descobrindo e remontando os dois personagens. O que importa em Weekend são as personas dos personagens, seus anseios, seus medos e sonhos.

A sinopse é insuficiente quando se constata o conteúdo do filme. Na sinopse temos:

Depois de sair para jantar com seus amigos héteros, Russell ( Tom Cullen) decide tentar a sorte numa boate gay. Ele sai de lá com Glen (Chris New ) e os dois passam a noite juntos. Na manhã seguinte, Glen pede para gravar um depoimento de Russell sobre a noite anterior, dando início assim a uma intimidade inesperada entre os dois. Eles continuam juntos o resto do fim de semana, indo a bares, fazendo sexo, se drogando e contando histórias de suas vidas um para o outro. Mas o relacionamento entre eles está prestes a chegar ao fim: em poucos dias Glen se mudará para os Estados Unidos.

A premissa, que aparenta lidar com algo 'mais do mesmo' principalmente com a temática gay, surpreende ao não cair nos clichês um pouco difíceis de se escapar do gênero  e nos mostrar um filme totalmente coesa, promissor, com atuações criveis e humanas, e um roteiro extremamente bem conduzido e escrito, que foca nos diálogos rápidos e naturais que criam uma aproximação e identificação com o publico, seja este homossexual ou não.

Reflexivo, o filme trás a tona questionamentos interessantes mas sem contudo levantar nenhum tipo de bandeira ativista. O ativismo e ideologia ficara por conta de cada espectador. Como por exemplos as conversas de Russell e Glen sobre o casamento gay e como se dá a vida gay num mundo hétero  É o olhar de dentro para as pessoas de fora, e o olhar de dentro para os mesmo olhares de dentro mas que as vezes não conseguem enxergar direito justamente por estarem tão perto.

Sem trilha sonora, o que intensifica a experiencia de imersão diante daquelas duas vidas representadas e apresentadas a nós, o filme ainda tem o mérito de delimitar cada instante de mudanças, utilizando o sexo e as drogas de forma funcional. Geralmente o que vemos, são filmes com temática gay, abusando do artificio 'choque' para transmutar e transgredir valores, através do ato sexual, da nudez, das drogas e crime. Mas muitas vezes, tudo que se vê, é a estereotipagem de um mundo que já sofre justamente pelos pre conceitos que lhe atribuem. a relação homossexual é tão natural, que deve ser mostrada no cinema contemporâneo assim. De forma sincera, verdadeira. E Weekend consegue criar isso em poucos minutos. O sexo surge aqui como forma de demonstrar a afeição e a proximidade do casal principal. As drogas, são mostradas como um reflexo social atual e mais uma vez como simbolo para a construção e evolução daquela relação.
Nada ali esta por acaso. mesmo uma conversa sobre uma caneca comprada num brechó é relevante e tem contexto.

Ainda é importante salientar uma das passagens mais interessantes e instigantes do filme, em que um dos personagens explica para o outro uma das vertentes do sexo. O sexo casual na concepção das pessoas.

Através do sexo, falando do sexo ali, é possível mapear as pessoas..Porque quando conhecemos alguém novo, numa balada por exemplo, viramos uma especie de tela em branco.
Essa nova pessoa não te conhece; não sabe nada de você. Então ali podemos pode ser quem quisermos como quisermos, porque o sexo casual, a chamada 'pegação de balada' nos dá o poder, a sensação de que podemos apagar quem somos e recriar aquilo que queremos ser, onde queremos chegar.
E é nessa arquitetura, que esta quem somos. Somos aquilo que esta entre essa tela em branco do que queríamos/queremos e quem realmente somos. O vão entre esses dois paralelos é que somos nós de verdade. Apenas por essa teoria concebida o filme já valeria a pena.

Durante a projeção, vemos uma desconstrução de valores e de conceitos estabelecidos diante daquelas duas personas. Um, jovem salva vidas, gay assumido apenas para seu melhor amigo, órfão e tímido  Outro, gay assumido, artista e que leva a vida pelo agora sem nenhuma timidez. Sem cair no romance água com açúcar e jamais sendo piegas ou romantizado demais, ainda nos brinda com uma resolução honesta e sincera, sem se deixar levar pelo caminho mais fácil e por isso mesmo obvio. Assim engrandecendo-se diante de sua aparente pequenez  se tornando uma grande obra, uma grande obra de arte - com repetição na palavra- honesta.

Um Filme singelo que mais pessoas precisam conhecer.


Trailer:



Ficha Técnica:


Diretor: Andrew Haigh
Elenco: Tom Cullen, Chris New, Jonathan Race, Kieran Hardcastle, Vauxhall Jermaine, Sarah Churm, Martin Arrowsmith,
Produção: Tristan Goligher
Roteiro: Andrew Haigh
Fotografia: Urszula Pontikos
Trilha Sonora: James Edward Barker
Duração: 96 min.
Ano: 2012
País: Reino Unido
Gênero: Drama
Classificação: 16 anos












1 comentários:

Foi uma história muito bonita. A estréia da série Looking 2 levou-me a aprender mais propostas sobre filme gay e eu realmente têm sido agradáveis surpresas.

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