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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Apostas: Oscar 2013


Com a aproximação do final do ano, aumentam as especulações d apostas e interesse geral pelo Oscar.
Diferentemente do que havia sido divulgado à imprensa, a lista final de indicados ao Oscar 2013 não sera mais liberada no dia 15 de Janeiro, e sim no dia 10 de janeiro.
Segue abaixo a agenda geral da Academia:

30/11 - Prazo final para definição dos créditos dos profissionais de cada filme
01/12 - Cerimônia do Governors Awards (entrega dos Oscar's honorários)
17/12 - Início da votação dos indicados
03/01/2013 - Encerramento da votação dos indicados
10/01 - Anúncio dos indicados às 5h30min. da manhã (horário de Los Angeles)
04/02 - Almoço dos indicados
08/02 - Início da votação final
09/02 - Cerimônia das categorias técnicas e científicas
19/02 - Encerramento da votação
24/02 - 85ª edição do Oscar (Oscar 2013)

Pela primeira vez a Academia fara uma votação eletronica entre os Membros de Juri, assim, não ha data prevista ainda para o envio final das famosas cedulas de premiados.
Estações de votação serão abertas em Los Angeles, Nova York e Londres. No comunicado, a Academia não esclarece como fará com os membros que não têm acesso a essas três cidades, nem informa se haverá a possibilidade de votar online, porém afirma que ainda será possível enviar pelo correio os votos em papel, como ocorre tradicionalmente.


Com essa crescente atmosfera em torno da premiação, cresce também as apostas sobre quais filmes merecem ou estarão entre os indicados aos grandes prêmios dados pela academia.
Eis que o Criticofilia traz aqui uma compilação de possíveis indicados as principais categorias ofertadas, baseado na receptividade e características comuns que agradam sempre a Academia.

Alguns filmes da lista não estrearam ainda no Brasil- alguns ainda estão em processo de finalização inclusive – mas para integrar a lista é levado em conta também o destaque dado a tais produções desde o inicio de seus projetos de produção. Ha filmes que já nascem focando O Oscar.


Argo

Com direção de Ben Affleck, o filme tem sido vastamente elogiado, inclusive no Festival de Toronto deste ano. No longa um grupo da CIA é enviado ao Irã para resgatar reféns, disfarçando-se de equipe de filmagem de um falso longa-metragem para infiltrar-se no território.
O próprio Affleck protagoniza o longa, que é favorito a figurar entre os seletos 5 indicados a Melhor Filme.




O Mestre

Paul Thomas Anderson traz um enigmático filme sobre a Cientologia após um intervalo de cinco anos afastado das telas(onde seu ultimo grande feito, foi o excelente Sangue Negro) . Repleto de ótimas criticas, o longa se destaca por seu elogiado elenco(muito premiado no Festival de Veneza deste ano.


As Aventuras de Pi

Ang Lee, dessa vez nos trás uma aventura em 3D. As Aventuras de Pi começou a ser exibido em alguns festivais dos EUA recentemente. O longa adapta o best-seller de Yann Martel, trazendo um jovem que fica preso em alto mar com um tigre. Contando com uma visceralidade visual tremenda, o filme tem sido muito bem recebido, e é cotado como possível indicado ao Oscar d Melhor Filme.

A Viagem

Ambicioso projeto dos irmãos Andy e (agora) Lana Wachowski em parceria com o diretor Tom Tykwer; Cloud Atlas, nos apresenta seis épocas diferentes e um elenco estelar que interpreta múltiplos personagens. Ousado, o longa tem dividido opiniões mundo afora. Aparenta ser o tipico filme que ou se ama, ou se odeia veementemente.
E a academia adora isso- talvez não para premia-lo, mas para indica-lo sim-.




Django Livre

Quentin Tarantino, que agora ataca de faroeste sulista, retorna em uma trama de vingança e personagens com sua assinatura: estranhos e excêntricos  O filme será lançado em 25 de dezembro. Mas já é cogitado as grandes premiações, pela magnitude do projeto e claro, o nome de Tarantino.

Silver Linings Playbook

Novo filme de David O. Russell (de O Vencedor), fez sucesso no festival de Toronto. O longa que mistura humor e drama, mostra a relação de um cara, retornando à casa de seus pais com uma mulher problemática.
Sem titulo traduzido e sem data de estreia prevista ainda no Brasil, o longa promete levar as principais indicações.






Lincoln

Cinebiografia do presidente americano Abraham Lincoln,, que ainda esta em fase de finalização. Com estreia prevista apenas para Dezembro este ano (La fora), o filme é extremamente aguardado desde o inicio da sua pretensão de levar o projeto às telas...
Comandado por Steven Spielberg, o filme ainda se beneficia de trazer Daniel Day-Lewis como protagonista.






Hitchcock

Mas na lista das cinebiografias, talvez nenhum longa consiga ter a espera e ansiedade que carrega Hitchcock. O Longa promete marcar presença entre os principais indicados. A trama é promissora e a escalação de Anthony Hopkins como “Alfred” já é indicio disso. Contudo, muitos o apontam como superestimado demais, podendo vir a ser um Sete Dias com Marilyn, que prometeu e não cumpriu no Oscar do ano passado.
O filme trará a historia dos bastidores- e a relação de amor entre Alfred e sua Esposa- durante as filmagens de seu mais famoso filme: O clássico absoluto Psicose.


Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Ultimo filme da trilogia comandada por Christopher Nolan, tem grandes chances de finalmente figurar a lista dos indicados a Melhor Filme. Não só pela qualidade técnica que vem apresentando e boa receptividade de publico e critica, mas também pela “injustiça” ao qual foi submetido o Cavaleiro das Trevas em 2009, tendo ficado de fora da premiação. Fato esse vastamente mal vista mundo a fora, o que dizem ter causado tanto mal estar na Academia, que por esse motivo resolveu mudar o numero de indicados a melhor filme de Cinco, para dez, no ano seguinte.


O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Peter Jackson retorna ao universo de J. R. R. Tolkien, que lhe rendeu o maior numero de Oscar’s ganho da historia da premiação(ao lado de Titanic) com singelos 11 estatuetas, com seu Senhor dos Anéis o Retorno do rei. Dessa vez ele surge com a adaptação de O Hobbit, que também será dividida em três partes.
Alem de ser muito esperado, O Hobbit tem grandes chances de ser indicado, principalmente pela magnitude já conhecida criada por Jackson para este universo, como pelo proprio nome e importância do mesmo na historia da premiação.

Moonrise Kingdom

Wes Anderson, abriu o Festival de Cannes deste ano com este longa e teve uma recepção positiva não só no festival, mas também em todo os EUA, tanto de crítica quanto de público (o maior arrecadamento da carreira do diretor ate agora).
Carregando não só todas as características que fizeram o nome de Anderson no cinema, Kingdom, traz uma trama artística que pode agradar muito a Academia.

007 – Operação Skyfall

“James Bond” nunca conseguiu se firmar nas principais categorias do Oscar. Sempre indicado apenas as categorias técnicas, Sam Mendes que comanda esta vigésima terceira missão do agente 007, pode acabar por quebrar esse Tabu de anos, e fazer o longa receber a tão esperada indicação a Melhor Filme. Isso porque desde o inicio de produção, toda a equipe do longa vem prometendo um filme pensado com foco para a premiação, alem de ser o maior e melhor filme de toda a franquia. E vale lembrar que a franquia acaba de completar 50 anos...

Nota: Antes mesmo do filme em questão, o que tem dado o que falar tem sido a canção do longa. Adele vem sendo cotada como grande favorita a receber o Oscar de Melhor  Canção com a musica Skyfall. A faixa feita para o filme tem sido classificada como jovem clássico e figura no topo da lista a semanas no mundo todo como musica mais executada e vendida.Contudo, uma recente noticia pode dar fim as esperanças de Skyfall levar esse premio.
A academia do Oscar expressa rigorosamente que a música como um todo tenha sido escrita/produzida originalmente para o filme em questão, mas a faixa usa o tema original da franquia que foi escrito por Monty Norman como parte da ‘harmonia’ da canção; logo, o uso desse ”sample” tornaria a canção inelegível. O estúdio vai continuar com a campanha planejada e deixar que o comitê de música do Oscar decida se ela poderá ou não ser indicada.



Resumo das Apostas e suas respectivas categorias:

007 – Operação Skyfall: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Craig), Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Moonrise Kingdom: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original, Fotografia, Figurino e Direção de Arte.

O Hobbit: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Maquiagem, Efeitos Visuais (Smeagol is back, bitches), Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

A Viagem: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Figurino, Montagem, Maquiagem, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som

Hitchcock: Possíveis Indicações: Melhor Ator (Anthony Hopkins), Atriz (Helen Mirren), Roteiro Adaptado, Fotografia e Trilha Sonora.

O Mestre: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Joaquin Phoenix), Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman), Roteiro Original, Fotografia, Trilha Sonora, Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som.

Argo: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Direção de Arte, Fotografia, Montagem, Figurino, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

As aventuras de Pi: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Efeitos Visuais, Edição de Som, Mixagem de Som e Trilha Sonora.

Django Livre: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jamie Foxx, Christoph Waltz), Ator Coadjuvante (Leonardo DiCaprio), Roteiro Original, Fotografia, Montagem, Figurino, Direção de Arte, Edição de Som e Mixagem de Som.

Silver Linings Playbook: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Atriz (Jennifer Lawrence), Ator Coadjuvante (Robert DeNiro) e Roteiro Original.

Lincoln: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Diretor, Ator (Daniel Day-Lewis), Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Figurino, Maquiagem, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge: Possíveis Indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Efeitos Visuais, Trilha Sonora, Edição de Som e Mixagem de Som.

Talvez...:


Prometheus – Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais.

Os Vingadores – Efeitos Visuais

Ted – Roteiro


E aí!? Façam suas apostas!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Trailer: The Evil Dead


Acaba de ser liberado o primeiro trailer do remake do filme clássico de horror The Evil Dead (Uma Noite Alucinante - A Morte do Demônio) dirigido e roteirizado originalmente por Sam Raimi em 1981. O filme teve duas sequências: Evil Dead II (1987) e Army of Darkness (1992), além de ser adaptado para um musical de teatro.

O Remake que levara o mesmo nome do original é assinado por Fede Alvarez, Rodo Sayaguese e Diablo Cody (Juno, Garota Infernal). Com direção do próprio Fede Alvarez.

Nessa nova versão a protagonista é Mia (Jane Levy), uma viciada em drogas que procura se reabilitar - e os sintomas de sua desintoxicação se misturam com os eventos estranhos que ela passa a presenciar no local. Lou Taylor Pucci (Impulsividade), Shiloh Fernandez,(A Garota da Capa Vermelha), Jessica Lucas (da nova versão de Melrose Place) e a novata Elizabeth Blackmore também estão no elenco.

O filme conta a historia de Cinco jovens que vão passar um fim de semana em uma cabana isolada nos bosques de Tennessee. Os jovens tem estranhas experiências, obviamente causadas pela presença ali do Livro dos Mortos (o Necronomicon Ex Mortis, encadernado em pele humana e escrito em sangue), que logo encontram. Logo depois encontram um gravador. Dentro do mesmo a fita que foi gravada pelo dono da cabana (um arqueólogo), contém a tradução de algumas passagens do livro. Ao ser reproduzida (escutada) pelos estudantes, desperta os espíritos que estavam adormecidos e que habitam o bosque. Agora os cinco estudantes tentam sobreviver, mas não será tão fácil assim.

Alem de apresentar um esmero de produção superior ao original de 81 – ate por conta das condições financeiras, técnicas e tecnológicas diferentes da época – essa nova versão traz muito mais terror, sustos, sangue e corpos brutalmente abatidos.

O filme tem estreia prevista para o dia 19 de abril de 2013 aqui no Brasil.

Assista abaixo o Trailer que não é recomendado para menores de idade:



sábado, 20 de outubro de 2012

Luz... Câmera.. e.... OI OI OI!



A novela Avenida Brasil chegou ao fim nessa sexta feira dia 19 de Outubro. Com quebra de recordes de audiência  a novela sem duvida se tornou um dos eventos de cultura mais catárticas que o pais já viu em anos.


Um evento cultural que surpreendeu.
Sem carros nas ruas, silencio absoluto, bares, padarias, mercados e lanchonetes. Famílias se reunindo, amigos, conhecidos; nas rádios, na TV e na internet. Veículos de comunicação de todos os tipos, com visibilidade internacional...

O País parou e fez o mundo parar também para observar o que acontecia por aqui.
Todos direcionados para o final de uma novela, que mesmo que alguém não tenha acompanhado, foi impossível ficar alheio a ela.
Digam o que quiserem, tenham as ressalvas que tiverem, da maneira que tenho as minhas inclusive; mas que definitivamente o dia 19 de Outubro de 2012 ficou marcado na historia desse país, a isso ficou!

Parecia final de copa do mundo. E se para alguns isso mostra a bitolação brasileira, eu vejo como um ganho excepcional. Onde o país parou para celebrar e reconhecer mesmo com todas as idiocrasias em volta e acerca de; o talento e capacidade do próprio mercado, a produção e bens nacionais que temos a oferecer. O que prova que qualidade e interesse há, só falta a motivação e a crença.
Eu como cinéfilo, não pude deixar de ter aquela pontinha de esperança em ver essa massa toda em prol do nosso país. Foi bonito de ver, temos que admitir.

Mas antes desse grande evento que tomou conta do país; a equipe do site Ovo de Fantasma reuniu  uma lista com grandes cineastas, uma análise sobre como eles fariam o TCHAU TCHAU TCHAU ao OI OI OI da novela.
Nomes como Almodôvar, Michael Bay, Lars Von Trier e Aronofsky surgem, em versões interessantes e cômicas.


Todo o texto abaixo se encontra originalmente publicado e de autoria da redação do blog Ovo de Fantasma, ao qual sigo como blogueiro. Apenas coloquei o texto aqui para os leitores do "Criticofilia" que por ventura preferem o design do BlogSpot. Os nomes presentes ao final de cada versão correndem a seus autores que fazem parte da redação do blog em questão.
Para conferir o texto original no site do Ovo basta acessar >> Clique Aqui


Como cineastas famosos fariam o final de “Avenida Brasil”?



Versão de Pedro Almodôvar


Jorginho matou Max. Descobrimos que ele na verdade nasceu mulher e sempre conviveu com essa enorme crise de identidade, forçada por todos. No final congela nele, saindo do Divino e do Armário, rumo à felicidade. – Virgílio Souza e Daniel Corrêa

Versão de Michael Bay


Carminha arromba o portão de um quartel militar com seu carro. Lá dentro, rouba uma série de armas de guerra e explosivos. Ela pretende explodir o lixão, com Nina e todos os outros personagens dentro. Nina a espera no lixão dentro de um tanque de guerra. Os jogadores de futebol convertem-se em soldados, como forma de honrar o Divino F.C e vingar a traição imposta a Tufão. Carminha atira o carro cheio de explosivos em direção ao tanque de Nina e pula pela porta do carro a máxima velocidade em câmera lenta. Antes que a explosão ocorra, porém, o monte de lixo se retorce e transforma-se num grande monstro de lixo, semelhante a um Megazord: “Vocês nunca deviam ter me incomodado”, ele diz. “Eu matei Max!”. Todos choram copiosamente. O monstro voa sobre Nina e Carminha e atira mísseis em direção a elas, aniquilando todos. Por fim diz: “Esse lugar precisa pertencer a quem realmente o merece”. O monstro finca uma bandeira americana no solo e desfaz-se novamente num monte de lixo. Close da bandeira americana flamulando. – Pedro Freitas

Versão de Lars Von Trier


Nina se converte em freira da igreja Anglicana. Ela desiste de sua vingança contra Carminha, a procura e a perdoa. Tenta fundar uma nova ordem de caridade no Lixão, com o apoio das crianças. Uma a uma, porém, as crianças vão assumindo comportamentos estranhos. Numa noite, Santiago aparece com uma faca enfiada na garganta. A morte de Max se relaciona intimamente com esses acontecimentos. Nina vai lentamente sendo escravizada pelas crianças, apesar de achar que as serve por espontânea vontade. Leleco diz para as crianças que Nina é a reencarnação de uma bruxa da Idade Média. A gota d’agua para Nina é quando as crianças extendem uma faixa “Carminha Forever” na entrada do lixão. Desesperada, ela corre e se joga nos escombros, sendo em seguida atropelada pelo caminhão de lixo. – Pedro Freitas

Versão de Wes Anderson

Leleco descobre que tem câncer e tenta reconquistar toda a família. Tufão, cego de amor por sua irmã, tenta se matar. Suellen tem gêmeos, os pais são diferentes. Dadson vira hare-krishna. Agatha vira um porquinho da índia em stop-motion. Carminha e Nina se encontram em um quarto em Paris para resolver tudo e acabam se apaixonando. Jorginho resolve cometer crimes e é preso. – Matheus Weyh

Versão de Ingmar Bergman

Silêncio e sofrimento. Acompanhamos o cavaleiro ingênuo Adauto, na sua busca pelo sentido da vida, até o lixão. Lá ele vê uma figura nefasta indo rumo ao horizonte, acompanhada por Carminha, Nina (que depois de tanto discutirem, agora até se parecem fisicamente), Tufão e Família. Essa figura havia matado Max, após vencê-lo numa partida de xadrex. – Daniel Correa

Versão de Darren Aronofsky

Carminha começa a alucinar que Nina está em todos os lugares. Em uma busca frenética e intensa pela casa, mata Max achando ser a inimiga. No final, todos confrontam Carminha: Nina nunca existiu, sempre foi uma alucinação constante de Carminha, inconscientemente traumatizada pelo incidente do lixão. Carminha mata todos com tesouradas e depois se mata. Uma Nina real chega – ela convenceu o pessoal a mentir para enlouquecer Carminha de vez – e tem pedaço de sua mente fragmentado pela visão de todos mortos. Começa a achar também que é alucinação da mente de Carminha, aos poucos se tornando a mente de Carminha, aos poucos se tornando Carminha. “Ninaminha” se dirige ao lixão, e a história se repete. – Fernando de Lucca

Versão de Sofia Coppola

Téssalia decide fazer faculdade de filosofia e fazer bicos como fotógrafa e DJ. Ao som de Oi Oi Oi (Phoenix Remix), personagens rondam o Divino, sem direção. Nina e Carminha desistem de sua disputa, e se entregam à reconciliação, olhando entediadas para o horizonte enquanto relembram impassíveis os eventos de suas vidas. Descobrimos que Max morreu vitimado pelo peso de seu próprio conflito existencial. – Ana Clara Matta

Versão de Daniel Filho

Nina e Carminha trocam de corpo. Entendem os problemas uma da outra e fazem as pazes. Tudo acaba tranquilo. – Daniel Corrêa

Versão de Cronenberg

Foi Nina quem matou Max. E tal fato acarreta nela um súbito ímpeto assassino que a faz sentir que a sua vingança só será plena se ela própria matar os seus algozes. Primeiro, Nina utiliza um caminhão de lixo para matar Santiago onde, após tê-lo feito desmaiar com um golpe na cabeça, o joga dentro da carroceria e o seu corpo é triturado pelo compactador de lixo. Já Carminha recebe um telegrama anônimo dizendo pra ir ao Lixão caso queira ter informações sobre o assassino de Max. E ao chegar no local é atacada por Nina que a agride fisicamente e a afoga no chorume do Lixão. Ainda mais transloucada, Nina explode o Divino com os gases emitidos pelo Lixão. Percebendo que matou Jorginho, amor da sua vida e que se encontrava no bairro destruído, Nina se desespera e se dirige para o meio do Lixão onde permite ser comida por urubus.

A novela acaba e entra um fundo preto com a música OI OI OI tocando de trás pra frente. Em sequência, a cabeça dos telespectadores explode. – Rodrigo Laurentino



Versão de Woody Allen

Nina tem uma epifania; ela conclui que o universo está constantemente pregando peças em todos nós, e que o capítulo com Carminha foi apenas um de vários “de uma outra avenida, uma maior, chamada ‘vida’”. Percebe que a vingança não tem mais sentido, e no fim, decide escrever uma peça sobre sua história. Cadinho, não satisfeito com três mulheres, se declara para Carminha, dizendo algo do tipo “It’s always been you”. A eterna punição de Carminha é cair no papel coadjuvante de um quadrilátero amoroso que ninguém sabe exatamente por que veio. No fim, Carminha escreve um roteiro sobre sua história. Tufão declara seu amor pelo Rio e decide escrever um livro sobre sua história. Na última cena, a festa de lançamento das três obras de arte acontece na Avenida Brasil, e cada um explica para o outro exatamente o que aprendeu com a história que acompanhamos. – Fernando de Lucca

Versão de Rob Marshall

Max, em um número musical chamado “Fácil fingir, difícil é quando acontece”, conta postumamente o que realmente aconteceu com ele, em um palco com um leve foco de luz sobre ele. Carminha e Nina finalmente se confrontam: tudo é posto à mesa, é a cartada final, o baralho está pronto. Em um número em um salão de pôquer burlesco, as duas realizam uma performance apoteótica chic-decadente chamada “Corta a vagabunda”, viradas em direção à câmera como se fosse um palco, sendo que aquilo é uma novela e não tem ninguém realmente assistindo lá na hora. Os coadjuvantes fazem coro e aos poucos se unem a Nina, finalmente destruindo Carminha com o poder daquela música. Nina e uma Carminha derrotada cantam juntas o grand finale, Carminha jogada no lixão e Nina em um palco de tesouras e mechas de cabelo louros. Vale lembrar que as duas estão sempre de cinta-liga. – Fernando de Lucca

Versão de David Lynch

Flashback para a noite em que Genésio morreu: ele vagueia pelas ruas chuvosas e passa por uma cortina vermelha para uma sala escura onde um anão misterioso lhe entrega um machado; Genésio vê em meio à escuridão Max de costas, então o golpeia com o machado e corre para longe, voltando para a rua chuvosa. No presente, Carminha é presa pelo assassinato de Max e vai para a cadeia. Lá, ela se contorce e acorda no corpo da pequena Rita, no lixão. Em uma sala misteriosa, estão a pequena Rita, outros personagens e o anão, que finge atirar com o dedo na cabeça de Tufão. Vemos Santiago fugindo dirigindo em alta velocidade por uma estrada escura quando sua cabeça explode e o carro atropela Genésio! – Rodrigo Campos

Versão de Peter Greenaway

Descobrimos que ninguém matou Max, ele cometeu uma forma extravagante de suicídio. No entanto, Santiago é preso e, no chuveiro da prisão, os outros presos fazem um ritual forçando-o a se enforcar por ter estragado uma boa garrafa de uísque quando matou Nilo. Nina leva Carminha ao lixão onde comenta como 79% dos abandonos de crianças nos últimos 27 anos, 11 meses e 16 dias aumentou em 41,19% anualmente, ou algo assim. Ela menciona que os grupos de reciclagem (vidro, metal, plástico e papel) são representados respectivamente pelas cores cinza, amarelo, vermelho e azul e encontra algum padrão nisso tudo. Então, Nina joga tripas de peixes em Carminha, que é devorada por gaivotas assassinas. Nina então anda pelo lixão infinitamente. – Rodrigo Campos

Versão de John Hughes

Descobrimos que Max foi morto por um erro infeliz – uma criança, interpretada por Macauley Culkin, confundiu seu machado de brinquedo com um machado real em uma daquelas longas armadilhas, que lançou a arma em cima de Max quando ele pisou em determinado local. Um grande baile é organizado, e Monalisa deve escolher entre seus dois homens durante a dança, com um vestido feito de elementos do lixão. Cadinho reconquista tudo que perdeu, inclusive suas três mulheres, quebra a quarta parede durante o banho e diz para a câmera: “o fim”. – Ana Clara Matta

Versão de Buñuel

Após a morte de Max, cujo mistério não será solucionado e Nilo, os personagens da novela ficam presos no Divino (não conseguem sair e quem está fora não conseguem entrar). Dá-se subitamente em Santiago um desejo de matar Nina e as pessoas próximas a ela por acreditar que só assim conseguirá sair no bairro. Ele consegue matar todos, menos a Nina. Mesmo assim, consegue sair do Divino, junto com Carminha, embora o único lugar para o qual ele consegue ir é a mansão de Tufão. Nina percebe também que consegue sair do Divino e chegar na mansão. Ao chegar lá é morta por Carminha que joga, sem querer, um balde de água fervente nela. Os moradores do Lixão ficam sabendo do acontecimento e decidem se vingar de Nina, que se torna uma mártir. Ao chegarem na mansão, matam Santiago e Carminha com as próprias mãos e para comemorar a vingança decidem realizar um grande banquete no local, mas, por algum motivo, não conseguem fazer. De mártir, Nina se torna um mito. E de mito, é alçada a santa da Igreja Católica, protetora dos moradores dos lixões.

A novela acaba e os telespectadores não conseguem sair das suas casas. – Rodrigo Laurentino

Versão de Paul Thomas Anderson

Tufão compra o lixão e descobre petróleo lá. Os catadores ficam ao lado de Carminha, que volta à sua pose de santinha. Tufão ensina seu lado empreendedor e sem emoções (pelo menos em expressões faciais) ao seu filho, Jorginho. Auge do capítulo é a misteriosa chuva de esposas do Cadinho. – Daniel Corrêa

Versão de Malick

A Globo adia a exibição do capítulo final em três semanas. Finalmente exibido, o episódio traz narração em voice-over de Carminha e Nina, alternando entre a (des)graça e a natureza (morta). Nilo aparece ao lado de Clarinha, sua filha, numa praia. Murilo Benício reclama por ter ficado fora do corte final. O assassino de Max nunca é revelado, mas especula-se: foi o acaso?, foi o divino?, ou foi o Santiago, mesmo? – Virgílio Souza



Versão de Spielberg

Descobrimos que Carminha era um alien, ela volta para seu planeta e tudo fica bem no Divino. – Matheus Weyh

Versão da Disney

Todos vivem felizes para sempre…
…mas antes que isso aconteça, a bela Rita resolve revelar sua verdadeira identidade. Ela diz a Jorginho que é a princesa perdida entre o real e o imaginário. Convoca todos os bichinhos amiguinhos para limpar todos os lugares do lixão. Aos poucos tudo fica brilhando, e os rastros do verdadeiro vilão vão aparecendo. Por trás da negra cortina, sentado em meio aos seus bonecos quebrados lá está o bruxo Santiago, velho, com nariz pontudo e olhos frios. Mas de repente surge Tufão e destrói Santiago. No chão,quase sem vida, Carminha se sente livre do feitiço que a transformava em vilã. Um número musical no lixão transformado encerra a novela, com todos abraçados, entoando Gangnam Style. – Simone Moraes

Versão de Scorsese

Santiago manda seus comparsas matarem Carminha, que descobriu que ele matou Max, mas Nina o encontra e atira em sua cabeça. Carminha, que não é boba nem nada, deixa a polícia esperando pelos bandidos, iniciando um tiroteio do qual ela escapa. Ela vai até Tufão, por alguma razão, para matá-lo. Ela o faz e foge com milhões roubados de diversas pessoas. Ela está aproveitando sua fortuna, com a narração em primeira pessoa dizendo como ela é esperta quando Nina surge sorrateiramente e a espanca incessantemente com um taco de baseball e a coloca viva em um moedor de lixo no lixão. Escutamos “Gimme Shelter”, dos Rolling Stones, enquanto Nina se afasta cheia de estilo. – Rodrigo Campos

Versão de Haneke

Carminha assume os cuidados das crianças do lixão, quando estranhos sacrifícios animais começam a acontecer – urubus mortos são deixados em sua porta, com o mesmo corte de machado que vitimou Max. Estaria Nina por trás disso? Não. Nina desparece… justamente a tempo de Jorginho se apaixonar por uma forasteira nova do Divino… uma tal de Ana Laurente. – Ana Clara Matta

Versão de Tarkovsky

Passam-se muitos anos no Divino, um tempo indefinido. Nina se olha no espelho, e relembra as crianças brincando no lixão. – E Carminha, quem era? Uma outra face de Nina, menos afetada pelos preceitos da Moral, livre de seus laços familiares? A imagem de Carminha permanece no espelho, enquanto Nina sai e caminha por entre os escombros. Não há mais lixo alí, apenas um grande deserto. Tempo de desolação. O mistério resolve-se na mente humana: “Max não foi morto, mas tragado pelo tempo”, pensa Nina ajoelhando-se sobre a terra. “Valeu a pena defender a família pela vingança”. E dizendo isso, acende uma vela para seu pai, no local de sua morte. Em seguida, planta uma árvore no mesmo lugar, saindo de quadro. A semente germina e cresce. – Pedro Freitas



Versão de Tarantino

Carminha e Lúcio tentam assaltar uma lanchonete carioca, mas são impedidos por Nina, que compra um macacão amarelo e recita passagens bíblicas antes de matar Carminha em um duelo de espadas. Mãe Lucinda resolve se vingar de Santiago arrancando o seu escalpo. A novela termina com Jorginho, Tufão e Leleco discutindo a letra de Oi Oi Oi em um café no Divino. – Nina Rocha

Versão de Robert Rodriguez

É a versão do Tarantino, só que mal escrita e dirigida e disfarçada de trash. – Daniel Corrêa

Versão de George Lucas

Ele resolveu reeditar e colocar em 3D. Não ficou pronta à tempo. – Daniel Corrêa




Novamente salientando. O texto não é de minha autoria, o texto se encontra e foi retirado do site Ovo de Fantasma, publicado originalmente dia 18 de Outubro de 2012, por Daniel Correa.*

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Critica: Sociedade Dos Poetas Mortos

" Ohh captain, my captain!! 



Em 1959, John Keating (Williams) volta ao tradicionalíssimo internato Welton Academy, onde foi um aluno brilhante, para ser o novo professor de Inglês. No ambiente soturno da respeitada escola, Keating torna-se uma figura polêmica e mal vista, pois acende nos alunos a paixão pela poesia e pela arte e a rebeldia contra as convenções sociais. Os estudantes, empolgados, ressuscitam a Sociedade dos Poetas Mortos, fundada por Keating em seu tempo de colegial e dedicada ao culto da poesia, do mistério e da amizade. A tensão entre disciplina e liberdade vai aumentando, os pais dos alunos são contra os novos ideais que seus filhos descobriram, e o conflito leva à tragédia.

Essa é a sinopse. Mas esse não é o filme.

Sociedade dos Poetas Mortos, dirigido brilhantemente por Peter Weir, e roteirizado por Tom Schulman – e que levou o Oscar de Melhor Roteiro -, que vai além dessa premissa, é um verdadeiro ode a maior e mais importante profissão que a humanidade possui: A do Professor.

Logo ao inicio, somos impelidos a uma espécie de calabouço de bons costumes e moralidades, num regime intensamente autoritário e disciplinar. A direção de arte assume seu papel ao imprimir paredes de madeira escuras, simbolismos, bandeiras escuras, simetria absoluta em cada cadeira, banco e linhas em cena. Quadros de autoridades e antigos diretores mostrados em enquadramentos centralizados sempre em contra-plongée.

Não por acaso, a fotografia comedida, transita de maneira bem sutil, do preto, cinza, marrom e tons pasteis, meio difusos, as cores mais vibrantes, ao amarelo principalmente quando o Professor Keating  surge em sala de aula.

O filme traça uma narrativa que preza pela relação e importância do professor com o aluno, a formação do caráter e principalmente a importância das escolhas, independente de dogmas ou conceitos moralistas pré-fabricados e estabelecidos. E é na poesia e na filosofia do “carpie diem” que o enredo e os diálogos transitam.

No trecho abaixo a primeira aula do professor novo:



Desde o aluno tímido sem o mínimo de confiança em si mesmo, ate ao aluno apaixonado pela garota popular da outra escola, ate ao aluno que mascara com indisciplina o peso que carrega em amar o teatro e as artes e não poder seguir seu sonho pelas imposições irresolutas do pai.
Autoridade e liberdade, Poesia e vida, morte e escolhas, assumem em Sociedade um papel quase que palpável em tela.

A era do Romantismo surge aqui como pilastra contra os dogmas maçantes e a recusa na intertextualidade entre gerações do passado e da atualidade- atualidade em que se passa o filme-.

No trecho abaixo, o professor sugere uma atividade aos alunos para demonstrar o conceito de conformismo e liderança:



Amparando-se a conceitos universais, Sociedade não é só uma obra prima contra os moldes ultrapassados de resvalos educacionais. Mas utilizando-se da metáfora com a adolescência e suas descobertas, ele traça um panorama de discussões acerca de tudo aquilo que realmente rege a vida humana na vida adulta. Ate que ponto nossas regras de sociedade ainda defende-se sem nenhuma ressalva.

É um filme lírico, poético, extremamente forte do ponto de vista dramático, que cativa, emociona, entristece, nos fisga e permanece na memória pela eternidade.

E como tal, vale ressaltar aqui, alem das brilhantes atuações de Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke e Josh Charles, uma das diversas cenas clássicas, que ficaram definitivamente nos anais do cinema mundial.

O poema e a cena em questão dizem respeito ainda ao primeiro ato do longa, onde o Professor pede uma tarefa a seus alunos de criarem poemas.
Um deles, Sr. Anderson, o mais tímido, que não acredita no próprio talento para as palavras, não faz a tarefa, mas demonstrando seu dom de passar confiança e de ver alem do rosto e convenções de seus alunos, o professor lhe chama a frente da sala e instiga seu brado.



O poema abaixo se encontra geralmente nos extras do DVD do filme, algumas versões foram editadas, simplesmente por questões de andamento da narrativa.

Mas ironicamente é o poema mais denso e inesquecível de todo o longa. Ele é declamado pelo Sr. Anderson, numa das sessões da Sociedade dos Poetas Mortos, brilhantemente ambientada numa caverna, um ode a teoria de Platão.:

“Sonhamos com o amanhã e o amanhã não vem 
Sonhamos com a glória que não desejamos 
Sonhamos com um novo dia, quando este já chegou 
E fugimos da batalha, uma que deve ser enfrentada 
 Mesmo assim dormimos 

 Ouvimos a chamada, mas não escutamos 
Esperamos pelo futuro, quando não passa de planos. 
Sonhamos com a sabedoria da qual fugimos diariamente 
Oramos por um salvador quando a salvação esta nas nossas mãos 

 mesmo assim dormimos, 
mesmo assim sonhamos, 
mesmo assim tememos, 
mesmo assim oramos, 
mesmo assim dormimos.” 

Ao fim, com um clímax extremamente intenso e repleto de peso, uma das cenas mais lindas do cinema surge para nos arrebatar por completo. Mais que um excelente filme; uma obra prima que vive!






FICHA TÉCNICA

Diretor: Peter Weir
Elenco: Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, Josh Charles, Gale Hansen, Dylan Kussman, Allelon Ruggiero, James Waterson, Norman Lloyd, Kurtwood Smith, Carla Belver.
Produção: Steven Haft, Paul Junger Witt, Tony Thomas
Roteiro: Tom Schulman
Fotografia: John Seale
Trilha Sonora: Maurice Jarre
Duração: 128 min.
Ano: 1989
País: EUA
Gênero: Drama









sábado, 13 de outubro de 2012

Critica: Trust (Confiar)




Annie (Liana Liberato) tem 13 anos de idade, gosta de jogar vôlei e esta sempre conectada na internet. Principalmente os chats de bate papo on line, onde ela mantém um relacionamento amigável de pré-romance com Charlie, um garoto de 15 anos de idade, de outra cidade.
No seu aniversario de 14 anos, seus pais, Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener) resolvem lhe presentear com um computador novo. Certo dia, Annie resolve marcar um encontro para conhecer finalmente Charlie. Mas o encontro irá mudar sua vida e de toda a família para sempre.

Com direção de David Schwimmer – o eterno Dr. Ross Geller da serie Friends -, Trust (que recebeu o titulo de Confiar aqui no Brasil) é um drama de angustia psicológica e emocional, mas antes de tudo de alerta.

Ao nos deparamos com Annie e sua família, vemos uma menina que esta florescendo numa jovem inteligente, sensível e cheia de autoconfiança. Com apenas 14 anos de idade, ela ainda guarda ares de pureza e inocência infantil.

Não por acaso, quando conhece Charlie (Chris Henry Coffey) através de um chat para adolescentes na Internet, é que ela começa a ficar a par de sua sexualidade. Uma sexualidade voltada totalmente para Charlie, um jovem bonito de 15 anos de idade.
E é quando finalmente decidem se conhecer pessoalmente num passeio pelo shopping da cidade, que o filme nos mergulha numa crescente desenfreada de tensão e angustia.
Quando Annie, finalmente conhece Charlie, descobre que ele na realidade é um homem de 30 anos de idade. Inteligente como é, Annie logo se coloca em estado de alerta, mas como a adolescente apaixonada que também é se deixa levar pelas palavras calorosas e confiantes de Charlie, e acaba por ser molestada pelo mesmo num quarto de hotel.

Apartir daí um turbilhão de emoções vem à tona, tanto de Annie que se sente confusa, quanto de seus pais.
Schwimmer, contando com um roteiro excepcionalmente bem escrito, traça uma narrativa densa, repleta de dramas psicológicos e emocionais. Ele imerge o telespectador numa crescente angustia ao mostrar a devastação de Annie e de seus pais pelo ocorrido.

Will, que sempre fora um pai protetor e amoroso, se torna de repente um justiceiro frio e inconsequente em busca do pervertido sexual que molestara sua filha. E é tocante a interpretação de Owen, ao caracterizar esse pai e seu sofrimento pelo amor que sente a filha. Mas não se enganem por essa premissa. Owen não assume o papel de vingador, com arma na mão explodindo tudo em perseguições de carros atras do molestador. O filme narra os esforços dessa família em se restabelecer e restaurar o elo de segurança e "normalidade" que possuíam antes dessa fatalidade. 
Lynn, a mãe que desolada tenta representar o papel de alicerce familiar, escondendo dos amigos o ocorrido a pedido da filha, tentando em silencio controlar e dar apoio ao marido e ao mesmo tempo tendo de lidar com o sofrimento da filha e o de si mesma; papel esse que é sobriamente interpretado Keener .

Mas é Liana Liberato e sua Annie que carregam o filme. Com uma atuação muito interessante, ela demonstra totalmente as confusões e receios de uma garota confiante, mas com dramas comuns e sérios de uma adolescente. Confusa, desiludida, se sentindo invadida, usada, humilhada, socialmente destruida. A carga emocional que a atriz consegue transpor a tela sem pecar em momento algum a obviedade comum de se atirar em gritos e puxões de cabelo é fabuloso. (Uma garota que promete bons papeis futuros.)

Trust antes de tudo é um filme educacional. O esmero com o qual Schwimmer orquestra as cenas é admirável, desde montagens paralelas para elucidar os acontecimentos, ate as sobreposições de imagem que mostram a perturbação de Will pela violência que a filha sofreu, ate o bom gosto em tratar a relação sexual ali cometida, de forma sugestiva e nunca escrachada. 

Por vezes pode demonstrar uma falta de ousadia em transpor à tela aquela realidade dura e pesada, mas nota-se o cuidado e a consciência nessa escolha de sugerir, muito mais do que explicitar.
Contudo é curioso que nos EUA, o filme sofreu para conseguir ser liberado com uma classificação indicativa de idade inferior a 18 anos. Não conseguiu. E é estranho, uma vez que não ha cenas de nudez ou ato sexual, e mesmo a linguagem usada, quase não contem termos esdrúxulos.

Alias, é importante ressaltar o cunho sem distinção de julgamento do enredo. Andy Bellin e Robert Festinger optaram por criar um roteiro de alerta e que traça um panorama sobre o cenário de abusos sexuais a menores, os perigos que a internet pode causar, mas sem, contudo ser pedante.

A vilã ali não é a internet, nem mostra pais prolixos, ou uma jovem socialmente perturbada. Ele é frio ao mostrar que os perigos estão em toda a parte, que da mesma maneira que não devemos confiar num estranho na rua, não devemos confiar totalmente num estranho na internet. Ele sugere que a internet é apenas uma extensão de nossa realidade física e como tal, os cuidados com ela deve ser os mesmo. E nem sempre nos lembramos disso.

E nisso a estrutura do roteiro é eficaz ao apresentar uma verossimilhança crível a toda à trama, e englobar o mundo da puberdade com tamanha crueza, por vezes cruel e pesada sem cair nos fatídicos clichês – drogas, álcool – latentes nas produções do tipo.

Vale ressaltar ainda a escolha em traçar uma pequena intertextualidade entre o trabalho do pai Will com o ocorrido com Annie; ao mostrar Will trabalhando em alguns catálogos e projetos de ensaios fotograficos para uma marca de roupas que abusa da sexualidade para vender seus produtos.

Inclusive, o mais notável na narrativa é que a todo o momento, ficamos na duvida de como julgar tal caso. Sim, Annie é menor de idade, mas de certo modo, o que foi ali cometido por Charlie, não foi uma violência sexual, e sim um molestamento. O que não tira a seriedade de forma alguma.
Trust assim sugere debates diversos e intermináveis. E isso é plausível.

Como bem diz uma frase da Psicóloga de Annie, interpretada pela sempre magnífica Viola Davis:

“o mundo é repleto de perigos. E cabe a nós pais, protegermos nossos filhos e oferecermos ajuda. Mas não podemos evitar suas quedas. O que podemos fazer é oferecer apoio e a mão, para ajuda-los quando caírem.”

Ao final, Trust ainda apresenta mais um trecho dessa realidade que coloca-nos num alerta ainda mais amplo. Pode soar artificial, mas dentro do enredo foi cabível a escolha.

Definitivamente Trust é um belo filme, que não se deixa levar por clichês, que cumpre o papel de levar sua mensagem de forma eficiente e que ainda encanta pela beleza e cuidado com o que nos conduz por esse cenário pesado, repleto de tensão e dramaticidade.

Um filme que merece ser visto por todos, não somente adolescentes, mas seus pais também. 
Recomendo. Pode confiar!






FICHA TÉCNICA

Diretor: David Schwimmer
Elenco: Clive Owen, Catherine Keener, Viola Davis, Liana Liberatz, Noah Emmerich, Jason Clarke, Chris Henry Coffey, Brandon Molale, Nicole Forester, Garrett Ryan, Noah Crawford
Produção: Ed Cathell III, Dana Golomb, Robert Greenhut, Tom Hodges, Avi Lerner, Heidi Jo Markel, David Schwimmer
Roteiro: Andy Bellin, Robert Festinger
Fotografia: Andrzej Sekula
Trilha Sonora: Nathan Larson
Duração: 105 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama











sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Vencedores do Festival do Rio 2012




Em 1999, originado da fusão entre o Rio Cine Festival ( de 1984) e a Mostra Branco Nacional de Cinema (de 1988), surgiu O Festival do Rio.

O Festival do Rio é considerado uma mostra de extrema importância para a cinematografia nacional, e é dado como o principal evento cinematográfico da America latina.

Em 2007 por exemplo, a mostra exibiu mais de 300 filmes inéditos, brasileiros e estrangeiros de 60 países, inclusive os vencedores dos festivais de Cannes, Sundance, Veneza e do Oscar.

Na Mostra são distribuídos 11 prêmios pelo Júri oficial do Festival.
São eles: Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Longa-Metragem Documentário, Melhor Curta-Metragem, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia e Melhor Montagem. Ainda existem as menções honrosas e prêmios especiais. Além dos prêmios do júri, existe uma premiação através do voto popular que elege 3 categorias: Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Longa-Metragem Documentário e Melhor Curta-Metragem.

A Mostra desde ano, contou com a exibição de mais de 420 filmes, e uma estimativa de mais de 280 mil espectadores em seus 15 dias de maratona; onde infelizmente a maioria desses filmes jamais chegara aos circuitos de exibição.

O grande vencedor do Festival foi o filme ‘O Som ao Redor’, do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho. 


O longa foi o ganhador do Troféu Redentor de melhor longa-metragem de ficção da Première Brasil.

O Filme traça uma crônica do dia a dia de uma rua de classe média na zona sul do Recife, a partir da chegada de uma milícia ao bairro.

Confira abaixo a relação completa de vencedores do Festival do Rio 2012:


PREMIÉRE BRASIL

Melhor Longa-Metragem de Ficção “O SOM AO REDOR”, de Kleber Mendonça Filho
Melhor Longa-Metragem Documentário “HÉLIO OITICICA”, de César Oiticica Filho 
Melhor Curta-Metragem “REALEJO”, de Marcus Vinicius Vasconcelos
Melhor Direção ERYK ROCHA, por “JARDS”
Melhor Ator OTÁVIO MÜLLER, por sua atuação em “O GORILA”
Melhor Atriz LEANDRA LEAL, por sua atuação em “ÉDEN”
Melhor Atriz Coadjuvante ALESSANDRA NEGRINI, por sua atuação em “O GORILA”
Melhor Ator Coadjuvante CACO CIOCLER, por sua atuação em “DISPAROS”
Melhor Roteiro KLEBER MENDONÇA FILHO, por “O SOM AO REDOR”
Melhor Montagem PEDRO BRONZ E MARÍLIA MORAES  por “DISPAROS”
Melhor Fotografia GUSTAVO HADBA, por “DISPAROS”

Prêmio Especial de Júri para ANTONIO VENÂNCIO, não apenas pelo trabalho de pesquisa nos filmes “HELIO OITICICA”, “DOSSIÊ JANGO”, “SOBRAL - O HOMEM QUE NÃO TINHA PREÇO” e “O DIA QUE DUROU 21 ANOS”, mas também pela extensa presença em documentários brasileiros recentes como “PALAVRA ENCANTADA”, “VINICIUS, O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS”, “RAUL”, “UMA NOITE EM 67”, “A MUSICA SEGUNDO TOM JOBIM”, entre muitos outros.

Júri Oficial: Lucy Barreto (produtora), Marcos Prado (produtor e diretor), Renato Falcão (diretor e cinematógrafo), Rajendra Roy (diretor do departamento de cinema do MoMA)

MOSTRA NOVOS RUMOS

Melhor Longa-Metragem “SUPER NADA”, de Rubens Rewald   +  “A BATALHA DO PASSINHO”, de Emílio Domingos
Melhor Curta-Metragem “CANÇÃO PARA MINHA IRMÔ, de Pedro Severien
Homenagem Especial do Júri para Jair Rodrigues, em “SUPER NADA” + Gambá, em “A BATALHA DO PASSINHO”
Júri: Roberto Berliner (diretor e produtor), Eduardo Nunes (diretor) e Maria Ribeiro (atriz e diretora)

Premio Fipresci:

Melhor filme da América Latina: A BELEZA (Argentina)
Personalidades Latino Americanas do Ano: Lucy e Luiz Carlos Barreto
Júri Fipresci composto por Isaac Leon Frias (presidente), Denise Lopes e Nelson Hoineff “A BELEZA”, Nosilatiaj La Belleza, de Daniela Seggiaro (Argentina)

JÚRI POPULAR

Melhor Longa-Metragem de Ficção “A BUSCA”, de Luciano Moura
Melhor Longa-Metragem Documentário “DOSSIÊ JANGO”, de Paulo Henrique Fontenelle
Melhor Curta-Metragem “ZEFIRO EXPLICITO”, de Sergio Duran e Gabriela Temer

MOSTRA GERAÇÃO

JÚRI POPULAR “A MORTE DO SUPER HERÓI (Death of Superhero)” Direção: Ian Fitzgibbon Ficção/Animação: Alemanha/Irlanda





quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Pré - Selecionados ao Oscar 2013 de Melhor Curta Metragem



A 85ª  Cerimonia de entrega do Oscar ocorrera no próximo dia 24 de Fevereiro de 2013 na cidade de Los Angeles dos EUA.

Entre as diversas categorias esta a de Melhor Curta Metragem.
E hoje, a academia divulgou uma lista de oito curtas-metragens pré-selecionados para o concorrer ao premio.
Foram  Trinta e Um curtas eleitos, de onde a comissão julgadora, vota em Oito. Desses Oito, selecionam-se apenas de Três a Cinco finalistas, para poder concorrer ao grande premio.

Confira abaixo a lista divulgada com o titulo e suas respectivas produtoras:

The Education of Mohammad Hussein, Loki Films
Inocente, Shine Global, Inc.
Kings Point, Kings Point Documentary, Inc.
Mondays at Racine, Cynthia Wade Productions
Open Heart, Urban Landscapes Inc.
ParaÍso, The Strangebird Company
The Perfect Fit, SDI Productions Ltd.
Redemption, Downtown Docs


Em tempo:

Já esta disponível na internet o curta-metragem vencedor da 84ª  do Oscar.(2012)
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore), dos diretores William Joyce e Brandon Oldenburg, conta a historia de um jovem apaixonado pela literatura, que descobre um mundo novo após um furacão. O curta foi Inspirado no universo fantástico de Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz.

Geralmente, com a aproximação do Oscar, cresce a procura e o interesse em conhecer seus indicados, mas infelizmente nem todos conseguem ficar acessíveis ao grande publico. Este é o caso dos Curtas-metragens, que por isso mesmo, são fatidicamente esquecidos.

Felizmente não é o caso de The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore que você confere no Player Abaixo: 





Sobre The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, não só cumpre com sua intenção de homenagear o cinema, como também cumpre o papel de ser um jovem clássico de exaltação a literatura.

É tocante a maneira que o curta se utiliza de metáforas como o furacão de Oz, e seu mundo sem cores, em contrapartida ao mundo utópica e colorido do País das Maravilhas.

O curta cria uma alegoria sensacional sobre a importância da leitura e o quanto a leitura e a escrita pode sim transformar vidas e transpor nossa essência de tal forma, que confira verdadeira cor aos nossos dias. Seja em que lugar for.

Os livros surgem como verdadeiras fênix de encontro ao nosso fogo apagado pela ânsia de sentirmo-nos verdadeiras obras vivas.

Contando com uma fantástica trilha sonora orquestral regida com maestria por John Hunterque, "Fantastic Flying" nos remete a grandiosas aventuras épicas, o curta de animação hibrida ainda consegue nos embalar em sua perspectiva elucidativa, aos grandes clássicos do cinema.

Usando técnicas diversas desde miniaturas, computação gráfica e animação, ainda introduz características que remontam aos grandes filmes mudos e os musicais em Technicolor da MGM.

Definitivamente The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore é um belíssimo trabalho, que diverte, impressiona, embala, emociona e deve ser visto e revisto e relido! 



FICHA TÉCNICA

Diretor: William Joyce, Brandon Oldenburg
Produção: Iddo Lampton Enochs Jr., Trish Farnsworth-Smith, Alissa M. Kantrow
Roteiro: William Joyce
Trilha Sonora: John Hunter
Duração: 15 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Animação








quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Trailer de "Hitchcock" - O Filme



Alfred Hitchcock é considerado o maior diretor de todos os tempos por muitos críticos e cinéfilos pelo mundo todo.
Perito em suspenses e nos detalhes com que conduz suas tramas, Hitchcock trouxe inovações técnicas nas posições e movimentos das câmeras, nas elaborações de edições e nas surpreendentes trilhas sonoras que  sempre realçaram os efeitos de suspense e terror em seus filmes.

Nos filmes "hitchcockianos", a ansiedade do espectador aumenta pouco a pouco enquanto, o personagem não tem consciência do perigo. São apresentados dados ao telespectador que a personagem do filme não sabe, criando uma tensão no espectador em saber o que acontecerá quando o personagem descobrir. Em Psicose, filme celebre de sua vasta filmografia, de 1960, somente o espectador vê a porta se entreabrir, esperando algo acontecer enquanto um detetive sobe a escada.

Características como esta fazem de “Alfred” um dos maiores gênios do cinema.
Entre sua vasta filmografia, sem duvidas Psicose é o grande destaque, não só pelo seu enredo e esmero técnico mas pelas curiosidades que carrega.
Psicose é considerado um dos melhores e mais marcantes filmes de toda a historia, atingindo um impressionante porcentagem de aceitação de quase 100%, onde críticos e cinéfilos lhe dão nota máxima.

O filme, conta a historia de uma secretária -  Marion -  que logo no inicio, sem muitas explicações, rouba 40 mil dólares da imobiliária onde trabalha. Então numa fatídica sexta-feira ela pede licença ao patrão para sair mais cedo, e leva consigo o pacote contendo o dinheiro, certa de que seu crime somente seria percebido após o final de semana. Com pouco mais de dois dias para fugir, Marion sai dirigindo sem destino pelas estradas. Cansada, vai parar no Motel Bates, um lugar decadente, que quase fechou suas portas após o desvio da autoestrada. Lá, é recepcionada por um simpático, mas estranho e tímido rapaz, Norman Bates, totalmente dominado pela mãe. Após um bate-papo e um rápido sanduíche, acontece algo inesperado...

Psicose possui ainda uma das mais famosas cenas do cinema, a cena do banheiro, onde um personagem é esfaqueado.

E é sobre esse diretor e sobre esse filme que o diretor Sacha Gervasi, ira levar aos cinemas no próximo ano.
O filme intitulado “Hitchcock” contara a historia de amor entre Alfred ( que será interpretado  por Anthony Hopkins) e sua esposa Alma Reville (que será interpretada por Helen Mirren) durante as filmagens de Psicose. O elenco conta ainda com Scarlett Johansson e Jessica Biel.

A estreia esta prevista para a primeira quinzena de Março de 2013 aqui no Brasil.

E como a ansiedade é grande em volta do filme, acaba de sair um breve trailer que você confere agora no player abaixo: 


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Critica: Valsa Com Bashir


Em setembro de 1982, os campos de refugiados palestinos Sabra e Chatila, localizados no Líbano, foram atacados por falangistas libaneses, apoiados pelo exército de Israel. A motivação dos ataques já era evidente mesmo antes de acontecerem. Segundo Bashir Gemayel, da milícia cristã de extrema-direita Falanges Libanesas, os palestinos que viviam naquele território eram “população excedente”. Após três dias de seu assassinato – Bashir não chegou a ver seu projeto higienista se cumprir –, o genocídio foi posto em prática: 3 mil palestinos mortos, dentre eles crianças, mulheres e idosos. O evento ocorreu nos campos palestinos de Sabra, situados na periferia de Beirute, ao sul da cidade, área que se encontrava então sob proteção das forças armadas de Israel.



Numa noite num bar, um homem conta ao velho amigo Ari sobre um pesadelo recorrente no qual é perseguido por 26 cães alucinados. Toda noite é o mesmo número de bestas. Ambos concluem que o pesadelo tem a ver com a missão deles no exército israelense contra o Líbano, décadas atrás. Ari, no entanto, fica surpreso ao perceber que não consegue mais se lembrar de nada sobre aquele período da sua vida. Intrigado com o enigma, Ari decide se encontrar e entrevistar velhos camaradas pelo mundo. Ele tem necessidade de descobrir toda a verdade sobre aquele tempo e sobre si mesmo. E, quanto mais ele se aprofunda no mistério, mais suas lembranças se tornam aterrorizantes e surreais.

Valsa Com Bashir, filme em animação do diretor Ari Folman, que quase recria uma espécie de auto-biografia documental acerca dos terríveis episódios ocorridos durante o Massacre de Sabra e Chatila. Folman assume a própria persona, numa busca por verdades, por recordações de um passado terrível, e que por algum motivo se eclipsou em sua mente.

Através de uma narrativa que confere teor documentarista ao longa, 'Valsa' estrutura não só um enredo forte e pesado, como nos brinda com uma técnica de animação – desenho a mão, com traços de HQ – pouco usada no cinema nos últimos anos e repleta de beleza, e detalhes incríveis de concepção em seus traços.

Com uma fotografia que preza por paletas de cores escuras e densas, repletas de texturas carregadas, iluminação clara, tons de laranja escuro, amarelo e cinza, compõe um panorama de medo, desespero e terror propício a um cenário de devastação e horror, típicos de guerras como tal.

Chega a ser irônico o fato da escolha pela animação ser justamente para minimizar as cenas mais explicitas e fortes que poderiam e inevitavelmente tomariam corpo em cena, e tal escolha conferir ainda mais transtorno psicológico e emocional ao espectador. A animação confere uma melancolia que nenhuma filmagem conseguiria transmitir.

Utilizando ainda planos moráveis que constantemente apresentam travellings longos e aéreos, o filme ainda carrega uma direção de arte invejável, que vai desde detalhes como um reflexo num olhar de um cavalo morto, ate a trejeitos de angustia e tensão de um entrevistado ao cobrir o pescoço nervosamente com o colarinho da camisa.

A sonoplastia assume um papel fabuloso e que confere uma realidade estética plausível também a projeção.
Com diálogos extensos e que elucidam caráter políticos, contudo 'Valsa' se apresenta como sendo um filme sem julgamento de culpa partidária. Mas é incontestável a identificação de vilania ali.

Mediante a uma trilha sonora pesada, caracterizada em sua maior parte por rock com letras que fazem referencia a momentos de guerra, o filme ainda conta com estrutura narrativa densa, que quase nos coloca em transe diante das lembranças ao passo que elas avançam ou confundem mais.

Um soldado valsa entre tiros e morte, com passos delicados e desenvoltos, enquanto atira, sobrevive, mata e evita morrer. Tudo em Valsa tem um tom de bela melancolia. Aterroriza e ao mesmo tempo encanta.

O destaque do longa alem de toda sua tecnicalidade esmerada, fica por conta de uma cena que com certeza esta entre as mais belas e poéticas do cinema mundial.
Após começar a procurar referencias que o ajudem a lembrar de seus tempos de guerra e assim conseguir paz, Ari começa a dar vazão a uma mesma memória recorrente.

A cena é belíssima. 
Num plano geral em transversal, vemos um grupo de soldados jovens, nus emergindo de um vasto mar, durante a noite, numa fotografia com uma iluminação em foco amarelada provenientes de luzes de sinalizadores no céu escuro.
Esses soldados se levantam das profundezas do mar e caminham rumo a praia com uma cidade totalmente devastada, vestem-se sob um grandioso por do sol,  e caminham por entre corredores de ruas desertas ate encontrarem um grupo de mulheres palestinas em desespero, onde a câmera traça um panorama, acompanhado de um travelling de 90°.
É sensacional.

Ao final, Valsa com Bashir nos esmurra, e nos transporta de volta a realidade, nos mostrando o quão drástico e horripilante é a historia que nossa humanidade carrega, ao mostrar cenas reais de uma equipe de TV, de corpos dilacerados de crianças e velhos, e mulheres entre os escombros da cidade massacrada, e mulheres desesperadas ao verem seus familiares ali devastados.

Valsa com Bashir é uma pequena obra prima cinematográfica não só pela técnica visual e estética conferida, mas pelo cunho reflexivo - e especificamente um dado momento histórico -; que se propôs a fazer em tela nos elucidando a uma das piores capacidades do Homem: o ato da guerra.

"Até onde pode chegar a insensatez humana?"
Ao final, em estrondoso silêncio, o filme nos faz essa pergunta; e assim acaba se tornando uma experiência única; onde a maior pergunta que fica ecoando tal quais as lembranças de Ari é justamente essa: 'Ate onde?'





FICHA TÉCNICA

Diretor: Ari Folman
Produção: Ari Folman/ Serge Lalou/ Gerhard Meixner/ Yael Nahlieli/ Roman Paul
Roteiro: Ari Folman
Trilha Sonora: Max Richter
Duração: 87 min.
Ano: 2008
País: Israel / França / Alemanha
Gênero: Animação
Classificação: 18 anos