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terça-feira, 19 de julho de 2016

Resenha: Stranger Things (Originals Series Netflix)

Mais uma serie original da Netflix, dirigido pelos irmãos Matt e Ross Duffer que pode ser classificada como um orgasmo latente aos fãs ou admiradores da década de 80.



Os Goonies, ET, Evil Dead, Conta Comigo, uma pegada de Poltergeist também (com direito ate a menininha parecida haha) me lembrou muito os filmes do John Carpenter também como O Enigma de Outro Mundo. Spielberg grita aqui.(sua fase boa ala ET - com direito ao mesmo barraco aos fundos da casa do Will, e até mesmo a icônica cena das bicicletas, mas com outro desfecho - e Contatos Imediatos de Terceiro Grau) com aquela vibe Alem da Imaginação, misturada com aspirações de Arquivo x e Stephen King. Trilha permeada por Bowie e The Clash para citar os mais evidentes.
De Dungeons & Dragons a Senhor dos Anéis, brincadeiras de RPG e Star Wars e Star Trek. Sam Raimi não fica de fora com seu Evil Dead - em todas suas sequencias. Na direção de arte temos O Tubarão, Madonna, Millenium Falcon.
Um emaranhado de referencias a cultura pop anos 80 (bebendo um pouco aqui e ali no final dos anos 70) onde a presença brilhante de Winona Ryder no elenco não é mero acaso, O que só reforça a nostalgia. No entanto não soa como copia ou repetição. Ainda que não haja nada de fato 'original'. A intenção é essa.
Desde a abertura a seus diálogos. Há muito de O Clube dos Cinco também e os filmes do John Hughes, no geral.
É como se a Sessão da Tarde e o Cinema em Casa inteiro se fundissem numa trama nova e independente.
(Há ate mesmo os clichês, há X - Men.)
Toda a estrutura clássica esta lá. Grupo de jovens formado por uma amizade que rompe barreiras de esquisitos da escola: o líder, o engraçado, o cético, o sensível. O elemento sobrenatural. O monstro ou o problema. A menina perfeitinha que ama o popular da escola, que é seguido por babacas e patricinhas com sexualidade latente. O professor da escola nerd. Os pais que nunca sabem o que esta ocorrendo. A estrutura família americana de fachada. Os valentões. A conspiração governamental. A batalha de EUA contra os Russos.
Ao contrario do que tenho lido, não acho que haja muito de Super 8 aqui. Por um único entendimento. Super 8 de JJ Abrans pretendia retomar os anos 80 pros anos 2000. Já Stranger Things é muito mais como uma revisita aquela década. Ha diferença entre as duas propostas.
Com os últimos episódios remetendo ate mesmo a Alien, a unica falha da serie talvez seja de ritmo. Isto é: são 8 episódios muito bem distribuídos em tempo de duração de cada episodio, mas que quando compilados, soam a partir do episodio 6 como uma especie de 'vamos enrolar um pouco a trama com assuntos e diálogos que não servem para muita coisa, para batermos a cota de duração da produção'' sabe?
Claro, que os filmes dos anos 80 e 90 também sofriam do mesmo. E isso nunca importou. E o bem da verdade é que não importa fora da escala de analise técnica.
Palmas ao elenco que caiu como uma luva, como ja citada Winona renascendo diante de nós, onde somente a aparição dela em tela já valeria qualquer coisa. Mas, o elenco infantil dá Show. Os quatro garotos - incluindo o que vive Will apesar de pouco tempo em tela - cumprem de forma primorosa a função de resgatar a inocência inteligente e de aventura cômica daquela juventude oitentista. Mas, minha consideração fica com a pequena expressiva Millie Bobby Brown que vive a hipnotizante Eleven. Com um quê de Nathalie Portman em seus momentos frágeis e de Sigourney Weave em seus momentos mais "Jean Grey', a guria segura de forma convincente uma personagem trágica e intensa.
Seja pelo resgate, seja pela diversão ou emoção que trás, ou para os que não são da época, pela novidade de conhecerem uma das melhores décadas da cultura pop (a famosa minha época), a serie vale a pena. Muito. Grata surpresa.
Como nota, achei interessante como apesar do resgate oitentista, a concepção ideológica da trama é permeada de maneira bem velada com as atuais, se percebermos a força das mulheres aqui diante dos desafios que surgem, onde não ha 'a mocinha que é salva pelo mocinho'. Alias, pelo contrario. E ate mesmo a naturalidade que personagens negros surgem sem que sejam para estabelecer alivio cômico com sua etnia, ou ate mesmo a homossexualidade entrando no assunto de maneira orgânica, sem que seja tabu, foco ou exatamente demérito de nada. Ponto pra netflix mais uma vez.

Trailer:











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